quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A árvore da vida - 2011

Título original: The Tree of Life
Lançamento: 2011 
País: EUA
Direção: Terrence Malick
Atores: Brad Pitt, Sean Penn, Jessica Chastain, Fiona Shaw.
Duração: 138 min
Gênero: Drama

Pôster do filme
 
Um dos exercícios que mais gosto de pôr em prática quando vou ao cinema é a observação da reação das pessoas após a projeção do filme. Tal prática me mostra invariavelmente que  uma obra de arte pode provocar reações e sentimentos bem distintos nas pessoas. Em filmes pouco convencionais como A árvore da vida esta discrepância se torna ainda mais visível. Após a exibição do novo filme de Terrence Malick, quando as luzes se acenderam, ao meu lado, vi uma senhora visivelmente emocionada, com os olhos encharcados de lágrimas. Na saída do cinema, uma outra senhora reclamava que este era o filme mais chato que já havia visto. 

Terrence Malick provavelmente tem consciência de que seu último trabalho está longe de ser uma unanimidade. Existe uma aura mítica em torno do diretor americano que, em mais de 40 anos de carreira, tem apenas 5 longas-metragens no currículo. Terra de Ninguém (1973), Days of Heaven (1978) e Além da linha vermelha (1998) são filmes aclamados do diretor. O Novo Mundo (2005), seu penúltimo projeto, não teve a mesma recepção de seus filmes anteriores, mas, mesmo assim, encontra defensores ferrenhos e fãs incondicionais. Reservado e avesso à publicidade, Malick é uma figura quase lendária na indústria cinematográfica. Não é por acaso que jornalistas perguntaram, uma vez, em tom de brincadeira, a Brad Pitt, se o cineasta realmente existe. O diretor confirmou sua fama de avesso aos holofotes  ao não comparecer, este ano, a Cannes, até mesmo no dia de premiação, quando A árvore da Vida levou a Palma de Ouro, maior prêmio do festival. 

A árvore da vida  é provavelmente o filme mais metafísico do diretor, um trabalho de recortes, um mosaico de representações e de símbolos. O filme ilustra a infância de Jack (Hunter McCracken), sua relação com o pai autoritário (Brad Pitt) e a mãe amorosa (Jessica Chastain), assim como sua convivência com os dois irmãos mais novos (Laramie Eppler e Tye Sheridan). O filme também mostra Jack adulto (Sean Penn), carregando o resultado das mágoas, das perdas e das lembranças. Em meio à exibição desses dois momentos da vida do protagonista, Malick reconstitui o nascimento do universo e as diversas formas de vida da natureza. 

O filme se inicia com a morte de um dos filhos. Esta e outras perdas suscitam questionamentos sobre os mistérios de Deus, sobre o significado da vida e sobre a justiça divina. Malick cria uma ponte entre o micro (a história de uma família americana dos anos 50) e o macro (o universo). A voz off dos personagens são pontuações filosóficas sobre a existência. O fluxo de imagens da formação do mundo e da evolução dos seres na terra busca mostrar que a história de um indivíduo está intimamente ligada à história de todo o universo. 

Esteticamente exuberante, A árvore da vida parece tentar, através de suas belíssimas imagens, abarcar todos os sentimentos do mundo. Contando com uma fotografia linda de Emmanuel Lubezki e com fantásticos efeitos visuais de Douglas Trumbull, o filme poderia ser chamado de "O espetáculo da vida". Apesar de algumas imagens carregarem muitas representações e serem capazes de emocionar e provocar diversas sensações no espectador, o exagero parece prejudicar a experiência proposta por Malick. Explico: a sequência que ilustra as forças da natureza e a constituição do universo é belíssima, mas extremamente longa, o que de certa forma cria um distanciamento no espectador. Outro problema é que a sequência acaba por se aproximar muito mais de um documentário do Discovery Channel, do que de uma obra de arte com profundidade e significado. Devo confessar que durante a “masturbação visual” de Malick, me veio o pensamento de que adoraria ter as tais imagens como screensaver do meu computador, o que indica que por um momento me distanciei completamente do filme. 

Considero mais interessantes as sequências que retratam a vida familiar, as descobertas eróticas de Jack, os ciúmes do irmão, o embate interno entre o bem e o mal, os conflitos familiares e os momentos de brincadeira entre as crianças. Tais momentos da narrativa, que abordam o mundo famíliar, não deixam de ser cinematograficamente interessantes, uma vez que Malick aposta em enquadramentos não usuais, cortes inesperados e o mais interessante, ele adota a perspectiva da criança, mantendo a câmera baixa. 

A árvore da vida não é um filme de diálogos. A mãe, interpretada com uma sensibilidade maravilhosa por Jessica Chastain, é uma figura silenciosa. Pura representação do amor, ela tem uma relação íntima com a natureza, estando sempre em contato com ela.  O pai, interpretado de maneira correta pelo sem-muita-expressão Brad Pitt, é a figura da ordem e da autoridade. O multipremiado Sean Penn não tem muito o que fazer com seu personagem, que parece apenas vaguear buscando o sentido da vida. Por fim, as crianças são excelentes, com destaque para o talentoso Hunter McCracken, que interpreta o jovem Jack.

A árvore da vida é um filme bastante ambicioso. Poderia afirmar que ele é do tipo “ame-o ou o odeie”, mas estaria mentindo, já que não me encontro em nenhum desses extremos. Apesar de suas qualidades técnicas inegáveis e de sua sensibilidade ao tratar de várias questões humanas, A árvore da vida, tal qual o ser humano, é imperfeito, mas muito interessante.

A ótima Jessica Chastain em cena do filme

A revelação Hunter McCracken




Assista ao trailer:



4 comentários:

  1. Gostei do filme, e acho que fui um dos únicos na sessão que assisti. Minha mãe, que estava do meu lado, comentava o tempo inteiro dizendo também que tudo aquilo parecia um programa do Discovery Channel ou do Globo Repórter, hehe. Mas ela acabou gostando. É um filme bem filmado, com uma premissa ótima, mas que ficou divulgado demais. E nem sua publicação, nem a duração, nem sua edição, nem a participação de Pitt e Penn, nem isso salva A Árvore da Vida de ser o "pior filme de todos" para uma boa maioria.

    ResponderExcluir
  2. Que interesante idea: "El árbol de la vida es como los seres humanos osea imperfecto pero interesante". Me gusto.

    ResponderExcluir
  3. Pretensioso demais,chato demais...

    ResponderExcluir
  4. Definitivamente entediante...

    ResponderExcluir