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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Os Melhores de 2011



O Oscar 2012 marca o fim da temporada de premiações para os filmes lançados em 2011. A aguardada premiação ocorrerá neste domingo, dia 26 de fevereiro. Aproveitando a ocasião, faço a minha lista pessoal dos melhores de 2011, em 17 categorias. Confira e dê sua opinião!

Os 10 melhores filmes de 2011 (por ordem de preferência):

- A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese
- A Separação, de Asghar Farhadi
Melancoliade Lars Von Trier
- Drive, de Nicolas Winding Refn
- O Artista, de Michel Hazanavicius 
- A Árvore da Vida, de Terrence Malick
- Tão Forte e Tão Perto, de Stephen Daldry
- As Aventuras de Tintim, de Steven Spielberg
- Meia-noite em Paris, de Woody Allen

Melhor Diretor: Martin Scorsese, por A Invenção de Hugo Cabret
seguido por: Lars Von Trier, por Melancolia

Melhor Ator: Michael Fassbender, por Shame
seguido por: Thomas Horn, por Tão Forte e Tão Perto.

Melhor Atriz: Meryl Streep, por A Dama de Ferro
seguida por: Rooney Mara, por Millenium: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres.

Melhor Ator Coadjuvante: Christopher Plummer, por Toda Forma de Amor
seguido por: Christoph Waltz, por Carnage - Deus da Carnificina.

Melhor Atriz Coadjuvante: Viola Davis, por Histórias Cruzadas
seguida por: Jessica Chastain, por Histórias CruzadasA Árvore da Vida.

Melhor Roteiro Original: A Separação, escrito por Asghar Farhadi
seguido por: Melancolia, escrito por Lars von Trier.

Melhor Roteiro Adaptado: A Invenção de Hugo Cabret, escrito por John Logan
seguido por: Millenium- Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, escrito por Steven Zaillian.

Melhor MontagemMillenium: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, de Angus Wall e Kirk Baxter
seguida por: A Invenção de Hugo Cabret, de Thelma Schoonmaker.

Melhor Fotografia: A Árvore da Vida, de Emmanuel Lubezki.
seguida por: O Artista, de Guillaume Schiffman. 

Melhor Direção de Arte: A Invenção de Hugo Cabret, de Dante FerrettiFrancesca Lo Schiavo. 
seguida por: O Artista, de Laurence BennettRobert Gould.

Melhor Maquiagem: A Dama de Ferro, de Mark CoulierJ. Roy Helland
seguida por: Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2, de  Nick DudmanAmanda Knight,Lisa Tomblin.

Melhores Efeitos EspeciaisHarry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2, de Tim BurkeDavid VickeryGreg ButlerJohn Richardson
seguido por: X-Men - Primeira Classe, de Scanlan Backus, Hamish Beachman e Steve Benelisha.

Melhor Figurino: Meia Noite em Paris, de Sonia Grande
seguido por: A Invenção de Hugo Cabret, de Sandy Powell.

Melhor Trilha Sonora: Drive, de Cliff Martinez
seguida por: O Artista, de Ludovic Bource.

Melhor Filme de Animação: As Aventuras de Tintim, de Steven Spielberg
seguido por: Rango, de Gore Verbinski.

Melhor Documentário: Pina, de Win Wenders
Seguido por: Senna, de Asif Kapadia.


Categoria bônus:


Pior filme do ano: A Dama de Ferro, de Phyllida Lloyd. 
Seguido por: Não se preocupe, nada vai dar certo, de Hugo Carvana. 


Menções especiais a:


- O elenco de A Separação
- Bryce Dallas Howard e Octavia Spencer, em Histórias Cruzadas
- Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg, em Melancolia
- Precisamos Falar Sobre Kevin, de Lynne Ramsay.
- O Palhaço, de Selton Mello. 
- O elenco feminino de Missão: Madrinha de Casamento. 
- Sandra Bullock e Max von Sidow, em Tão Forte, Tão Perto. 
- X-Men: Primeira Classe, de Matthew Vaughn.
- Os cachorrinhos adoráveis da ficção:  Uggie (O Artista), Cosmo (de Toda Forma de Amor) e Snowy (As Aventuras de Tintim).


Segunda-feira comentaremos os vencedores do Oscar. Vamos cruzar os dedos por nossos favoritos!

E lembre-se: o segredo para não se irritar com o Oscar é não levá-lo tão a sério. A premiação pode ser a mais famosa do cinema, mas está longe de ser a verdade absoluta. 

Abraços e obrigado por ajudar o Clube do Filme a chegar a 100 mil visitas! 


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A Invenção de Hugo Cabret - 2011

Título original: Hugo
Lançamento: 2011 
País: EUA
Direção: Martin Scorsese
Atores: Asa Butterfield, Chlöe Moretz, Ben Kingsley, Emily Mortimer, Jude Law.
Duração: 127 min
Gênero: Aventura


O garoto Hugo Cabret (Asa Butterfield) pendurado no relógio e, ao fundo, a paisagem de Paris. 


O que esperar de um filme dirigido por um dos maiores diretores vivos do cinema sobre o responsável por fazer da sétima arte, de fato, uma arte? Respondo: puro encanto. Martin Scorsese já havia provado em O Aviador (2004) sua maestria ao reconstituir a Era de Ouro de Hollywood. Em Hugo Cabret, Scorsese faz ainda mais bonito ao tecer uma bela homenagem ao mestre George Méliès. O filme é baseado no premiado livro de Brian Selznick (primo distante do famoso produtor David O. Selznick), que acrescentou uma pitada de ficção e magia na história do legendário diretor francês. 

Méliès nasceu em 1861, em Paris. Brilhante mágico e ilusionista, um belo dia, ele se deparou com uma nova invenção: o cinematógrafo, criado pelos irmãos Lumière, no final do século XIX. Encantado pela máquina, o inquieto artista resolveu começar a fazer filmes. Hoje em dia, ele é considerado o principal responsável por fazer do registro de imagens em movimento uma arte. Criativo, curioso e incansável, Méliès era reconhecido pela sua habilidade em brincar com as imagens e pela magnificência de seus cenários, o capricho de seus figurinos, além de suas histórias fantasiosas e divertidas. Após a Primeira Guerra Mundial, Méliès veio à falência e a maioria de seus filmes (ele dirigiu mais de quinhentos) foram perdidos. Felizmente, algumas de suas obras puderam ser recuperadas, com destaque para o clássico Viagem à lua (1902). Multitalentoso, Méliès atuava, dirigia e roteirizava os seus filmes, além de idealizar os cenários e os figurinos dos mesmos. Ele morreu em 1938, aos 76 anos. 

Célebre cena de Viagem à lua (1902)
Reconhecido por suas obras-primas que focalizam, em sua maioria, homens inadaptados, agressivos e marginais, Scorsese faz algo completamente atípico em seu novo longa-metragem, criando um belíssimo conto de fadas. Os mais cínicos provavelmente torcerão o nariz para o caráter pueril e inocente da história, mas não creio que serão muitos. O filme conta a história do garoto Hugo Cabret (uma versão de Oliver Twist), que, órfão de pai e de mãe, vê-se obrigado a viver atrás das paredes de uma das maiores estações  de trem de Paris, onde trabalha escondido na manutenção dos grandiosos relógios da gare. Solitário, o menino vive de pequenos furtos, tendo que fugir constantemente do inspetor da estação. Nesta mesma gare, trabalha o já velhinho George (o Méliès), em uma loja de brinquedos. O destino fará com que as vidas dos dois personagens se cruzem. É interessante observar como o relógio e as engrenagens desempenham um papel fundamental no filme, sendo elementos onipresentes na história. Hugo Cabret resgata a arte por traz do manejo da maquinaria responsável pelo funcionamento de brinquedos, câmeras, robôs e, obviamente, relógios. 

Em A invenção de Hugo Cabret, Scorsese não mede esforços para nos impressionar. Já na cena de abertura, através de uma fusão, ele faz engrenagens se transformarem na Place Charles de Gaulle (ou Place de l'Étoile) em Paris. Em seguida, através de um travelling de tirar o fôlego, que atravessa toda a estação Montparnasse, ele nos apresenta a Hugo, o herói da trama. Usando e abusando de ótimos planos-sequência (muitos deles que exploram o interior da maquinaria dos relógios) e de belíssimos plongées, Scorsese nos presenteia com um verdadeiro espetáculo visual que faz valer a tecnologia 3D. Auxiliado por uma direção de arte deslumbrante, uma fotografia genial e um figurino impecável, o diretor consegue recriar a Paris dos anos 30 (como o fez o ótimo Meia Noite em Paris, de Woody Allen) e reencenar cenas de filmes de Méliès! E não é só isso: ele ainda nos impressiona com um descarrilhamento capaz de fazer o espectador levantar da cadeira, lembrando o que ocorreu, na primeira exibição do cinematógrafo, em 1895, quando as pessoas temeram serem atingidas pelo trem projetado pelos irmãos Lumière.  

Hugo (Butterfield) apresenta a Isabelle (Chlöe Moretz) a magia do cinema
A Invenção de Hugo Cabret é o primeiro filme de Scorsese, em mais de dez anos, que não conta com a participação de Leonardo Di Caprio. Para encarnar o protagonista da história, o diretor escolheu o talentoso garoto Asa Butterfield. Acrescentando experiência ao elenco, temos o grande Ben Kingsley (que nunca decepciona) na pele de George Méliès e também Helen McCrory e Sacha Baron Cohen. Temos ainda Chlöe Grace Moretz, jovem estrela de quatorze anos que lembra bastante a atriz Emma Watson e que esbanja carisma. O filme ainda se dá ao luxo de contar com pequenas participações de grandes atores, como Ray Winstone, Emily Mortimer, Christopher Lee, Frances de la Tour e Jude Law. 

O novo filme de Martin Scorsese, cotado para o prêmio maior do Oscar 2012, é uma homenagem e uma declaração de amor ao cinema. É um filme feito para crianças e para adultos que não têm medo de voltar a serem crianças e redescobrir o encantamento que a sétima arte pode provocar em nós. A invenção de Hugo Cabret é uma aula de cinema e sobre o cinema. 



sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Howard Hughes e sua cinebiografia

Título original: The Aviator
Lançamento: 2004
País: EUA
Direção: Martin Scorsese
Atores: Leonardo DiCaprio, Kate Beckinsale, John C. Reilly, Alec Baldwin, Cate Blanchett
Duração: 168 min
Gênero: Drama



Howard Hughes se notabilizou por diversos motivos: por seu trabalho como produtor e diretor de cinema, por seu exímio talento de aviador e por ser considerado, por muito tempo, um dos homens mais ricos do mundo. Hughes nasceu em 1905, no Texas, estado norte-americano. Sua carreira de produtor começou no final dos anos 20. Suas primeiras produções foram sucessos comerciais, com destaque para Dois Cavaleiros Árabes (1927), que ganhou o Oscar de Melhor Diretor (para Lewis Milestone). Hughes também produziu um grande clássico do cinema, o filme Scarface - A Vergonha de uma Nação (1932).

Em 1930, ele dirigiu seu primeiro filme, chamado Anjos do Inferno, com a bela Jean Harlow no papel principal. Nele, Hughes pôde reunir sua paixão pela aviação e seu amor pelo cinema. Durante a filmagem deste longa, aviadores profissionais se recusaram a fazer uma manobra arriscada em uma cena do filme. Não é para menos: três pilotos já haviam morrido nas filmagens. Hughes então decidiu fazer a manobra ele mesmo. Apesar de ter batido o avião, Hughes conseguiu filmar o que queria e sair são e salvo. Anjos do inferno, custou quase 4 milhões de dólares, sendo o filme mais caro a ser realizado até então. A produção não obteve nenhum lucro em seu lançamento. O segundo filme dirigido por Hughes, O proscrito (1943) teve inúmeros problemas com a censura, especialmente pela atenção que o filme dava ao busto da atriz Jane Russell (Hughes chegou a fabricar um soutien especial para atriz).

Hughes tem seu nome gravado na história da aviação: ele foi responsável pela quebra inúmeros recordes de velocidade. O milionário chegou a ter sua própria companhia aérea. Hughes também se tornou famoso por sua vida pessoal. Ele namorou ou teve affairs com muitas atrizes da Era de Ouro de Hollywood. Entre elas: Bette Davis, Ava Gardner, Olivia de Havilland, Katharine Hepburn, Ginger Rogers e Gene Tierney. Hughes morreu em 1976, aos 70 anos, a bordo de um avião (como não poderia deixar de ser). Sua morte foi decorrência de uma falência dos rins e desnutrição. Ao fim de sua vida, ele vivia recluso. Hughes sofria de Transtorno Obsessivo-Compulsivo, cujos sintomas começaram a se fazer visíveis no início dos anos 30. 

A cinebiografia de Howard Hughes foi transposta para a telona por um dos maiores cineastas da atualidade, o grande Martin Scorsese. Scorsese é mestre em contar histórias de personagens “marginais” ou problemáticos. Muitos deles foram interpretados pelo seu maior astro, Robert de Niro. O diretor americano encontrou no jovem Leonardo DiCaprio, um novo protagonista e com ele já acumula diversos trabalhos, inclusive este O aviador. A estrela de Titanic (1997) não decepciona ao encarnar Hughes, com grande energia e sensibilidade. Versátil, perfeccionista, louco, brilhante, todas essas características estão presentes no Howard Hughes de Scorsese. O personagem vai adquirindo aos poucos contornos trágicos, já que passamos a ter acesso ao seu mundo de fobias, paranóias e compulsões, pulsões que ele não pode controlar.  E DiCaprio está impecável ao mostrar a gradativa decadência de seu personagem, ainda mais se levarmos em conta, o fato de ator ter de retratá-lo em diversas fases. 

Mas não é só de Leonardo DiCaprio que vive o longa. As atuações de Alan Alda, John C. Reilly, Noah Dietrich e de Cate Blanchett dão ainda mais brilho ao filme. Blanchett, em particular, faz um trabalho muito interessante e meticuloso ao interpretar a grande Katharine Hepburn. Por esta atuação, a atriz ganhou o Oscar de  atriz coadjuvante. Não se saindo tão bem quanto Blanchett, Kate Beckinsale não faz jus à diva Ava Gardner, numa atuação bem apagada. 

Um dos maiores êxitos do filme é sua fotografia (de Robert Richardson), direção de arte e figurino que, fenomenais, conseguem recriar a Hollywood dos anos 30 e 40. O preciosismo técnico de Scorsese faz com que o filme seja esteticamente deslumbrante. Além disso, Scorsese parece ter aproveitado a oportunidade de viver aquela época de ouro no cinema e nesse sentido, o filme não deixa de ser uma aula sobre uma parte importante da história da sétima arte. O roteiro de John Logan se vira muito bem ao contar mais de 30 anos de história, sem fazer com o filme torne-se muito episódico ou cansativo

Apesar de não se equiparar às melhores obras de Scorsese (Taxi Driver, O touro indomável, Os bons companheiros), O aviador é uma excelente cinebiografia, que com certeza está à altura do homem que a inspirou. 


domingo, 15 de maio de 2011

A época da inocência - 1993

Michelle Pfeiffer e Daniel Day-Lewis
A bela cena do farol...


Scorsese disse certa vez que este era o seu filme mais violento. O diretor de Taxi Driver (1976), Os bons companheiros (1990) e Touro Indomável (1980), com certeza, não se referia a violência física, muito bem representada nesses três grandes filmes, mas sim a uma violência provavelmente mais terrível: a do amor que não pode se realizar. Coincidentemente, acabo de ler A Princesa de Clèves romance francês do final do século XVII, que conta também uma história de um amor irrealizável. A ambientação da aristocracia francesa, da corte, com suas convenções e seus vícios estão de certa forma transpostas na história de A época da inocência, filme adaptado do romance de Edith Warton. Com certeza, o clássico francês de Madame de LaFayette foi de grande inspiração para o romance de Warton, escritora americana bem mais contemporânea, morta em 1937. Apesar de se passarem em épocas e lugares diferentes, A Princesa de Clèves e A época da inocência parecem opor a virtude à realização amorosa. Suas protagonistas carregam em si um enorme senso de dignidade e moral, que as impedem de se entregarem ao amor.

Encanta-me a forma com a qual Scorsese consegue transitar maravilhosamente em diversos gêneros diferentes. Talvez consigamos encontrar um denominador comum em suas diferentes obras: o bem x o mal ou, talvez, o bem e o mal (sem nunca cair no maniqueísmo). A época da inocência é demesuradamente poético e romântico. Em cada cena e em cada tomada, vemos o cuidado do diretor em contar uma história muito íntima de amor. Tudo ocorre em seu tempo e com um tempo diferente. Na cena em que Daniel Day-Lewis fecha os olhos profundamente, só por estar na presença da mulher que ele ama, podemos sentir o aperto no coração do personagem, o tempo parece parar. Scorsese consegue filmar esse aperto no coração, transformá-lo, através da imagem, em algo que nós, espectadores, possamos sentir. Este é apenas um exemplo da maestria do diretor. Através de seus lindos planos seqüência e das sobreposições de imagens, ele nos guia e nos faz descobrir um mundo cheio de preconceitos, vaidades, fofocas e luxo; um mundo que proíbe a liberdade e o amor em nome do "Nome".  

O filme se passa no século XIX em Nova York, onde uma "aristocracia" americana parece imitar as convenções das cortes européias. Newland Archer (Day-Lewis), advogado, de uma família tradicional e abastada, é noivo de May Welland (Winona Ryder). A ovelha negra da família Welland é a Condessa Ellen Olenska (Michelle Pfeiffer), uma mulher que abandonou o marido na Europa e que chega a Nova York para recomeçar sua vida.  Mal vista pela grande sociedade, ela encontra em Archer um grande apoio e os dois se apaixonam.

A primeira cena do filme consegue resumir metaforicamente todo o enredo do mesmo. Antes, os lindos créditos iniciais mostram uma sequência de flores se desabrochando; a flor é um elemento muito importante no filme, símbolo da feminilidade e da conquista. Nesta primeira cena, também seguimos a flor, primeiro na mão da atriz, depois no paletó de Archer e por fim no colo e no cabelo de May. Em uma sala de ópera, vemos toda a aristocracia nova-iorquina reunida. Os homens com seus binóculos observam as mulheres, como insetos em busca da flor mais colorida. Existe uma circulação de binóculos entre os personagens presentes, o único que não o utiliza é Archer (o inseto que, em tese, já achou sua flor, sua noiva). Surgem então as primas, May e Condessa, esta com um vestido azul brilhante que se destaca. Ela é a flor mais colorida, sobre quem os olhares se depositam. A condessa também tem seu par de binóculos, mas ela os deixa sobre o balcão. Ela é uma mulher que também já foi inseto, ou seja, também já teve a atitude tipicamente masculina (na época) de olhar e não somente ser olhada, ela largou o marido e teve seus affaires. Ao voltar para os Estados Unidos, ela pretende ser flor de novo. Quando Archer vai falar com sua noiva, a princípio ele só tem olhos para ela, mas logo depois ele muda de flor, senta-se ao lado da Condessa, a flor mais atraente, por quem ele se apaixonará.

O triângulo amoroso é interpretado com uma grande delicadeza por Day-Lewis, Pfeiffer e Ryder. Day-Lewis está presente em quase todas as cenas do filme, seu personagem é aquele com o qual nos identificamos. Seu drama, seu sofrimento, suas pulsões são extremamente violentos (daí a declaração de Scorsese). A interpretação deste ator é maravilhosa, tocante, minuciosa, bela em cada detalhe. Sua química com Michelle Pfiffer contribui ainda mais para que acreditemos na história de amor de seus personagens. Além disso, Pfeiffer é sempre apaixonante.

A época da inocência conta ainda com uma trilha sonora fantasticamente romântica, criada por Elmer Bernstein. A fotografia do filme é linda; por vezes parece que estamos diante de quadros (não por acaso, já que outro elemento muito importante no filme é a pintura). Enfim, um filme deliciosamente romântico e magistralmente dirigido. 


Trailer do filme: