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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Tess - 1979

Título original: Tess
País: Inglaterra/ França
Lançamento: 1979
Diretor: Roman Polanski
Atores: Nastassja KinskiPeter Firth,  Leigh Lawson
Gênero: Drama




Roman Polanski e a origem do filme

Roman Polanski, cineasta polonês, nascido na França, estreou no cinema como ator, função que nunca abandonou por completo. Ele dirigiu seu primeiro longa-metragem aos 29 anos, em 1962. Seu primeiro filme, A Faca na água, já revelava o quão promissor ele era e lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar, por Melhor Filme Estrangeiro. Em 1979, quando lançou Tess, ele já possuía grande prestígio e alguns clássicos no currículo, filmes que se tornaram, quase instantaneamente, cults, tais como Repulsa ao Sexo (1965), A Dança dos Vampiros (1967), O Bebê de Rosemary (1968) e Chinatown (1974).

Em 1969, a esposa de Roman Polanski, a belíssima atriz Sharon Tate, foi assassinada por seguidores do líder fanático Charles Manson. Ela estava grávida de oito meses. Pouco tempo antes de morrer, Tate havia dado para o marido uma cópia de Tess of the d'Urbervilles, romance de Thomas Hardy,. A atriz acreditava que a obra poderia render um grande filme. Ela interpretaria o papel principal. Dez anos depois, o diretor finalmente realizou o projeto. O filme se inicia com a simples e singela dedicatória “Para Sharon”. Como substituta de Tate, Polanski escalou a atriz Nastassja Kinski, com quem matinha uma relação amorosa desde 1976. Ela tinha apenas 16 anos quando eles se conheceram. Em 1978, o cineasta foi acusado de violentar uma menina de 13 anos. Em Tess, a protagonista, também adolescente, é estuprada por um homem mais velho. Material para uma análise psicanalítica é que não falta na vida e obra de Polanski.

O romance

O romance de Thomas Hardy, publicado em 1891, teve uma recepção mista na época de sua aparição, sendo visto, por muitos, como ultrajante, uma vez que desafiava os valores morais de seu tempo. A obra é hoje considerada um dos grandes textos da literatura inglesa e um dos melhores trabalhos de seu autor. Parte do êxito do romance é sua fascinante protagonista, Tess. Nastassja Kinski, atriz alemã, filha do grande ator Klaus Kinski, tinha apenas 18 anos quando encarnou a personagem nas telonas. Ela foi considerada uma das grandes revelações do cinema em 1979, chamando atenção também pela sua beleza.

Tess é a história de uma adolescente, de aproximadamente 16 anos, que vê sua vida tomar um rumo completamente inesperado a partir de uma revelação feita pelo pároco do lugarejo onde mora. Tal indivíduo, que havia estudado a árvore genealógica das famílias locais, revela ao pai beberrão de Tess, que sua família, os Durbeyfield, são, na verdade, uma ramificação de um nobre e antigo clã, os D’Urberville. Essa descoberta vem como um choque para os Dubeyfield que, vivendo numa quase miséria, tentam tirar alguma vantagem desse parentesco nobre. A mãe de Tess a envia, então, à casa de uns prováveis parentes, que portavam o nome de D’Urberville, para pedir ajuda financeira. Tratava-se de uma família rica, que habitava há alguns quilômetros do vilarejo. Chegando à mansão dos D’Urberville, Tess se depara com Alec, filho da matriarca. Ele se encanta com a garota e propõe que ela trabalhe na propriedade. Após várias tentativas frustradas de seduzi-la, ele a estupra, aproveitando-se de um momento de fraqueza da jovem. Após algumas semanas vivendo como amante de Alec, Tess decide ir embora da mansão para tentar recomeçar sua vida. Ela estava grávida. A má reputação, originada do fato de ter perdido a virgindade antes do casamento, a perseguirá, mesmo depois de encontrar o grande amor, Angel. 

Um filme épico?

Tess, o filme, apresenta evidentes características do gênero épico. Para começar, o enredo é centrado numa personagem elevada, pelas suas qualidades morais, à condição de heroína. O filme acompanha a trajetória dessa heroína, que é também uma jornada de autoconhecimento, aprendizado e iniciação. Essa trajetória é marcada por sofrimentos, encontros, desafios e dificuldades que devem ser superadas. Além disso, Tess é uma grandiosa e monumental obra cinematográfica. Não por acaso, o filme de Polanski me fez lembrar E o vento levou (1939).

Tess D’Urberville

Assim como no clássico de 1939, temos uma protagonista feminina que atravessa uma verdadeira via crucis ao longo da história. O que me fez ligar os dois filmes e as duas personagens é o fato de Tess e Scarlett O’Hara serem praticamente o oposto simétrico uma da outra, ambas sendo exemplos de superação e vivendo mais ou menos na mesma época: uma na Inglaterra, a outra nos Estados Unidos. Enquanto a primeira é uma heroína tradicional, uma mulher de alma pura, romântica, de valores inabaláveis e de conduta admirável, a segunda é a grande anti-heroína, manipuladora, pragmática, ardilosa, avant-garde e egoísta. As razões que nos fazem amar Scarlett são as mesmas que nos fazem, muitas vezes, ter certo distanciamento por Tess. Tess opta pelo caminho mais difícil, ela escolhe sofrer. Analisando, no entanto, a personagem com um pouco mais de cuidado, percebemos que ela é muito mais complexa do que aparenta.

Tess abraça intensamente a tragédia, como exemplifica bem o final da trama. Podemos supor que inconscientemente ela busque o sofrimento. Será ela uma suicida em potencial? Se, a princípio, ela parece ser uma mulher forte e decidida, por fim, podemos constatar sua fraqueza e vulnerabilidade. Por mais que ela tente se impor, ela acaba sempre cedendo àqueles que a feriram. Ela cede ao manter um breve caso com Alec; ao aceitá-lo de volta, após o abandono de Angel; e ao voltar para Angel quando ele lhe pede perdão.

Tess é uma personagem claramente melancólica, tipicamente romântica. Sensível, introspectiva e amante da natureza, ela encontra em Angel (Peter Firth) seu par perfeito. O rapaz, que também sofre de certa melancolia romântica, é rebelde, sorumbático, despreza a burguesia e tem interesse por música e literatura. Ele tem espírito de poeta. Não por acaso os personagens se apaixonam um pelo outro. O amor que nasce entre os dois é tão lindo, quanto idealizado. Quando a dura realidade vem afrontá-los, a ilusão se desmancha.

A protagonista pode ser também analisada sob outro ângulo. Ela pode ser vista como uma personagem mística. É muito intrigante a relação dela com a natureza, com Deus, com rituais religiosos e com o paganismo (refiro-me aqui à cena em que ela deita no altar de um antigo templo pagão, como prestes a ser sacrificada). Assim, é possível estudar a maneira com a qual a personagem é associada ora à figura da santa, ora à da mártir religiosa (como Joana D’Arc), ora à da deusa.

O nome

O filme não deixa de ser também um interessante retrato histórico-social da época vitoriana. A hipocrisia social, a situação da mulher, a diferença entre classes e a transformação da sociedade são retratados pelo filme. O nome, marca de status social, é mostrado pela trama como uma simples mercadoria. Até os “mal-nascidos”, membros da ascendente burguesia ligada à indústria, podem adquirir um nome nobre. O que chama a atenção na história é a transformação que um detalhe, a princípio tão insignificante, traz para a vida de Tess. A associação de Tess ao nome D’Urberville é marco inicial da desgraça na vida da protagonista. Como em Romeu e Julieta, o nome sela o destino funesto dos personagens. A importância do novo nome é explicitada no título da obra original que é Tess de D’Urberville e não Tess Durbeyfield ou, simplesmente, Tess.

O filme: a direção de Polanski, Ingrid Bergman e James Dean e a influência da pintura

A minúcia da direção Roman Polanski se deixa transparecer na maneira com a qual ele revela cada detalhe; ao nos apresentar Tess sempre como um personagem a parte dos demais; ao introduzir Alec em cena de forma inesperada, como se ele fosse um predador; ao retardar ao máximo a descoberta do rosto de Angel... O filme encanta tanto nos planos gerais, que mostra as belas paisagens inglesas, as pradarias, os campos de centeio, quanto nos lindos closes sobre o rosto da estonteante Nastassja Kinski. Apesar de não ser perito no assunto, vejo uma imensa influência da pintura na fotografia do filme. Os planos são tão bem construídos que muitas vezes nos remetem a telas clássicas. Não só a utilização das cores nos remete à pintura, mas também a escolha dos temas recorrentes, como a vida do camponês, o trabalho dos agricultores, o campo de centeio, cenas mitológicas (ver fotos abaixo). Detalhe curioso: o diretor de fotografia inicial do filme Geoffrey Unsworth morreu no início das filmagens, deixando, no entanto, muitas cenas prontas. Ele foi substituído por Ghislain Cloquet. É possível, por isso, reconhecer dois momentos diferentes da fotografia. A magistral fotografia do longa-metragem, por sinal, foi premiada com o Oscar, assim como a direção de arte e o figurino do filme, igualmente fantásticos. A bela trilha sonora de Philippe Sarde é essencial para o filme. 

Natassja Kinski me lembra a maravilhosa Ingrid Bergman em Tess. Este é o maior elogio que posso lhe fazer. A atuação da jovem é impressionante, apesar da falta de experiência da atriz na época. Ela está em 90% das cenas do filme e, de certa forma, ela é o filme. Talvez a atriz nunca tenha conseguido superar essa performance tão icônica. Já Peter Firth me lembra James Dean. Além de uma semelhança física (será que ninguém nunca fez essa associação?), parece que Firth se inspirou nos personagens do ator de Juventude Transviada para compor Angel. É inevitável não reconhecer a amargura e angustia de James Dean na atuação de Firth. Fechando o triângulo amoroso, temos Leigh Lawson que confere ambigüidade a Alec. Nunca sabemos ao certo o quão mau ele é, ou o quanto ele realmente gosta de Tess, o que o torna extremamente interessante e perigoso.

Tess é um belíssimo filme que nos oferece diversas possibilidades de análise. É impossível esgotar em apenas um post tudo o que o longa pode nos suscitar. Infelizmente, esta obra de Polanski é pouco lembrada, em comparação a outros clássicos mais populares do diretor. O cineasta, que lançará, este ano, seu trigésimo filme, Carnage (2011), é um dos grandes diretores vivos do cinema e em Tess ele nos comprova isso a cada cena.  

Tess: o retrato de uma camponesa

Uma das cenas antológicas do filme: Alec oferece morango a Tess. 

A bela fotografia do filme nos faz lembras obras clássicas de Monet, por exemplo.


Os camponeses - cena do filme

O almoço dos camponeses - cena do filme

A dança das virgens - cena do filme

A descoberta do amor - uma das cenas mais românticas do filme





quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A mulher do tenente francês (1981) e a Cena do Dia


Karel Reisz (1926-2002) nasceu na Tchecoslováquia, mas foi na Inglaterra que ele construiu sua vida e carreira. O diretor teve seu auge na década de 60, quando foi considerado um dos mais importantes cineastas britânicos. Muitos de seus filmes contêm forte apelo social e tom reivindicativo. Suas obras mais conhecidas são Tudo começou no sábado (1960), Deliciosas loucuras de amor (1966) e Isadora (1968), os dois últimos estrelados pela atriz Vanessa Redgrave. Em 1981, ele dirigiu a adaptação do excelente romance de John Fowles, A mulher do tenente francês. O filme completa, portanto, 30 anos e é o homenageado da semana no Clube do Filme

O romance conta a história de Sarah, uma mulher que vive na pequena cidade de Lyme, no sudoeste da Inglaterra, e que é vista como uma figura peculiar na cidade. Chamada de "Tragédia", a moça  teve um caso com um tenente francês casado e depois fora abandonada por ele. Desde então, ela tem que lidar com sua melancolia e com o preconceito da população. Charles, um arqueólogo oriundo da aristocracia, recente na cidade e noivo de Ernestine, a filha de um rico burguês, começa a se interessar por Sarah. 

A mulher do tenente francês veio logo após Meryl Streep ganhar seu primeiro Oscar (de coadjuvante, pelo filme Kramer VS. Kramer) e foi responsável por sua segunda indicação ao prêmio de Melhor Atriz. Estrelado também por Jeremy Irons, o filme nos apresenta dois fios narrativos. O primeiro corresponde a história de Sarah, que se passa no século XVI, já o segundo nos mostra o processo de filmagem dessa história, já no mundo contemporâneo. Em suma, trata-se de um filme dentro de um filme. O ótimo roteiro de Harold Pinter (também renomado dramaturgo) decide, portanto sobrepor duas tramas separadas pelo tempo, mas intimamente ligadas uma a outra. Ao contrário do que ocorre em Amnésia (2000), a fotografia e a montagem não interferem para construir uma diferenciação estética entre as duas tramas. Reisz opta, sobretudo, pela fluidez, podemos até mesmo afirmar que existe uma contiguidade lógica na constante transição entre tramas. 

A mulher do tenente francês narra não só um, mas vários casos de amor, através de quatro casais diferentes. Temos Sarah e o tenente francês; Charles e Ernestine; Sarah e Charles e Anna e Mike (os atores que interpretam Sarah e Charles). Assim, vemos um interessante fenômeno especular, já que a história do primeiro casal acaba se refletindo na história dos outros casais. Sarah é uma personagem enigmática e de comportamento estranho, que incorpora em si o apelido que os moradores da cidade lhe dão: "tragédia". Ela é interpretada brilhantemente por Meryl Streep, que também interpreta, obviamente, Anna.

O filme também se destaca pela forma com a qual trata o estereótipo das histórias de amor. Reisz adota um supra-romantismo ao lidar com a trama “fictícia”  do longa (a história de Sarah e Charles). Assim, o filme pode parecer piegas e exagerado em algumas cenas, justamente pelo fato de Reisz brincar com as convenções de um estilo. O uso do estereótipo romântico pode ser visto, por exemplo, na cena em que Charles pede Ernestina em casamento. 

Ilustraremos a análise do filme com uma sequência que parece expor bem a dinâmica da obra e que é a nossa Cena do Dia (ou melhor, “cenas do dia”). Ela começa com Charles observando Sarah, no meio da mata. Ele a observa com uma curiosidade quase científica e começa a segui-la. Eles estão em uma mata, em um ambiente bucólico e onírico. Finalmente ele a encontra deitada à beira de uma árvore, em uma posição que muito lembra a estética do romantismo e a pintura pré-rafaelita (a influência da pintura é notável no filme). Novamente, a personagem encontra-se inicialmente com o rosto virado para o mar, algo que se repete por diversas vezes durante o longa e que provavelmente indica sua espera pelo retorno do amado, mais um motivo tipicamente romântico. Charles interrompe esse momento íntimo e, embaraçado, recua.

Logo depois, segue-se uma breve trama paralela envolvendo os criados, que funciona como um retardamento da intriga principal, elevando, portanto, o suspense. O retorno à intriga de Sarah se dá com passagem de Charles por um curral e pelo depoimento ácido do camponês sobre a moralidade da protagonista, ele a chama de prostituta. Novamente a intriga dos criados interrompe a investigação de Charles, retardando a conclusão da sequência principal. Dessa vez, no entanto, um elemento é adicionado, Ernestine, que serve para enfatizar o fato de que um triângulo amoroso está sendo estabelecido. 

Segue-se mais um encontro de Charles e Sarah. É a primeira vez que eles se falam. Ela aparece novamente arredia. Ela se afasta, olha para trás e sobe ligeiramente o vestido, mostrando sua anágua. Corte simples, vemo-nos já diante de outra trama. Trata-se do ensaio dos atores. O elemento de união desta cena com a precedente parece ser o vestido, já que Anna está segurando um vestido da mesma cor da anágua de Sarah. Anna não entra de vez na personagem, ela só consegue concentrar-se na repetição da cena, quando sua fisionomia se transforma completamente. A queda de Anna no ensaio é terminada por Sarah já na outra trama, em uma perfeita transição entre as duas histórias.  

Através dessa sequência, podemos observar o interessante trabalho de montagem do longa, cuja estrutura, extremamente bem elaborada, acrescenta ainda mais lirismo e poeticidade à história (ou histórias) que narra.


Clique aqui e assista à sequência




Clube do Filme no Portal Uai

quarta-feira, 23 de março de 2011

Adeus a Elizabeth Taylor


Hoje é um dia muito importante para o cinema. Muitos podem não saber ou não se dar conta disto: nesta quarta-feira, perdemos a última grande estrela feminina da Hollywood Clássica. Ainda temos Olivia de Havilland e Debbie Reynolds, mas essas grandes atrizes nunca alcançaram o status da eterna diva Taylor. A atriz, que morreu hoje aos 79 anos de uma insuficiência cardíaca congestiva, teve uma vida intensa, cheia de amores, excessos e glamour. Casada 8 vezes, duas com o grande ator Richard Burton, a atriz tinha dez netos e quatro bisnetos. Também deve ser lembrada e louvada como pioneira na luta contra a AIDS. Durante sua vida, ela sofreu com vários problemas de saúde; no final dos anos 50, por exemplo, ela se submeteu a uma cirurgia no cérebro. Taylor ganhou o Oscar duas vezes: a primeira por "Disque Butterfield 8" (1960) e a segunda por "Quem tem medo de Virginia Woolf?" (1966).

A beleza desta estrela maior do cinema está imortalizada em filmes como "Cleópatra" (1963) e "Assim caminha a humanidade" (1956). O que muita gente não sabe é que ela começou a atuar novinha fazendo o filme "Lassie come home" (1943). Eu sou um grande fã de sua personalidade marcante, de sua sensualidade única e principalmente do seu talento. A atriz de olhos violeta tem uma das melhores performances da história do cinema em "Quem tem medo de Virginia woolf?", sem exagero algum! Ainda está maravilhosa em "Gata em teto de zinco quente" (1958) e em "De repente no último verão" (1959).

Felizmente, Elizabeth Taylor está imortalizada em seus filmes e, como a estrela que é, nunca será esquecida...

Cena da atriz em seu melhor filme "Quem tem medo de Virgínia Woolf?":



Fotos da atriz:

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Oscar 2011

O Oscar 2011 foi previsível e morno. Os apresentadores da noite estavam particularmente não-inspirados. As injustiças (que não foram muitas) já eram esperadas. Mas, felizmente, nenhuma aberração saiu premiada, como já aconteceram inúmeras vezes na premiação.  Não podemos tomar os vencedores do Oscar como os melhores do ano, é uma festa do cinema americano, em que inúmeros fatores estão em jogo: marketing, política, fama, popularidade, entre outros. No entanto, é ainda a premiação mais famosa do cinema e é super divertido  torcer por nossos filmes e atores favoritos.

Vamos aos resultados!


Direção de arte: Alice no país das maravilhas - Não gosto do filme, mas a direção de arte é merecedora do prêmio!

Melhor Fotografia: A Origem - Seu principal concorrente nesta categoria era Bravura Indômita do veterano Deakins. Não é injusto, mas Deakins merecia ganhar não só por este ano, mas pela carreira.

Atriz coadjuvante: Melissa Leo (O vencedor) - Discurso estranho, mas extremamente merecido o prêmio. Ela é uma grande atriz e arrasa no filme. Jacki Weaver também está excelente e também seria uma escolha interessante, mas é desconhecida do publico americano.

Melhor Curta de Animação: Lost Thing - Não visto.

Melhor Longa de Animação: Toy Story 3 - Amo este filme, por mim poderia facilmente ganhar o prêmio de Melhor Filme. Melhor do que o vencedor, ele é!

Melhor roteiro adaptado: A rede social - Excelente, uma boa escolha!

Melhor roteiro adaptado: O discurso do rei - O roteiro é bom, não foi injusto.

Melhor filme estrangeiro: Em um mundo melhor - Irei ver em breve.

Melhor ator coadjuvante: Christian Bale (O vencedor) - Quando falei de Psicopata Americano, afirmei que ele ganharia o Oscar este ano. Muito justo! Grande ator e grande desempenho neste filme. 

Melhor Trilha Sonora: A rede social - Muito injusto na minha opinião. A trilha de "A origem" é fantástica, muito mais bonita e inesquecível!

Melhor Mixagem de Som: A origem - Muito justo!

Melhor Edição de som: A origem - idem do anterior.

Melhor maquiagem: O lobisomem - Não visto.

Melhor figurinoAlice no país das maravilhas - Merecido prêmio. Belo e criativo trabalho.  

Melhor Curta Documentário: Strangers no more - Não visto.

Melhor Curta de Ficção: God of love - Não visto.

Melhor Longa documentário: Inside Job - Não visto. Ganhou do nosso brasileiro: a gente não da sorte mesmo no Oscar!

Melhores Efeitos Visuais: A Origem - Justíssimo, os efeitos são brilhantes!

Melhor Edição: A rede social - Prefiro "A Origem" e "A ilha do medo", mas não foram nem indicados.

Melhor Canção: Toy Story 3 - A melhor das indicadas (que eram todas fracas). E o compositor Randy Newman é fantástico! 

Melhor Diretor
: O discurso do Rei - Não é uma vergonha absurda o prêmio, mas com certeza é injusto: não é nem o melhor diretor do ano, nem dos indicados nesta categoria.

Melhor Atriz: Natalie Portman (Cisne Negro) - Justo! A atuação da carreira da atriz, uma grande entrega à personagem.

Melhor Ator: Colin Firth (O discurso do rei) - Merecido!

Melhor Filme: O discurso do Rei - Bom filme, mas não o melhor da lista e muito menos do ano. 

O discurso do Rei saiu como o grande vencedor da noite (Roteiro, Ator, Diretor e Filme).


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Conhecendo Mae West ...


                                 Mae West em "She done him wrong"

Devo confessar que estou um pouco assustado com Mae West. Durante a dupla sessão de seus 2 primeiros filmes como protagonista, "She done him wrong" e "I'm no angel" (ambos de 1933), por vários momentos, me peguei  chocado com a audácia desta mulher. Não há perdão para o fato de eu não ter visto nenhum de seus filmes até hoje, se bem que, se não fosse pela internet, encontrá-los em lojas e locadoras talvez fosse uma árdua batalha. Ela tem o total de 12 filmes em sua filmografia, ou seja, poucos. Mesmo assim ela é uma das atrizes mais lembradas da Hollywood Clássica. Talvez usar a palavra atriz seja incorreto ao se referir a Mae West, ela não é uma atriz. Ela é uma performer, uma show-girl (assim como a maioria de suas personagens).

Mae West tinha 40 anos quando fez seus primeiros filmes, idade em que a maioria das beldades femininas da Hollywood Clássica começam a decadência em suas carreiras. Com bastante experiência no teatro de variedades nos Estados Unidos, Mae West escrevia suas próprias peças, assim como escreveria seus filmes posteriormente. Não sabia o que esperar de Mae West, tão famosa pelas suas frases de efeito... Mas, o seu primeiro filme "She done me wrong" não causou em efeito muito bom em mim. Talvez estivesse esperando a atriz, não a performer. Este filme é baseado numa peça anterior da moça, e, cinematograficamente, é  bem simples. O maior interesse dele é, provavelmente, a estreia de Mae como a estrela mais atrevida do cinema. Deparei-me com uma mulher roliça, com um andar extravagante, um olhar sempre caído e um sorriso malicioso. Parece sexy o suficiente para você?

A cada frase de Mae West a palavra sexo parece que vai pular da boca dela. E isto de uma forma tão desenvergonhada, que nos faz indagar sobre o nosso próprio pudor. Sem dúvida, ela é uma vanguardista (ela chegou a ser presa por atentado ao pudor ao escrever a peça "SEX"). Completamente à vontade com um assunto tabu nos anos 1930, Mae West mostra que mulher também tem desejos. Logo, em 1935, a censura vai chegar com força ao cinema americano e impedir que Mae West seja tão direta como em seus dois primeiros filmes. 

Se o primeiro filme de Mae não me conquistou, no segundo "I'm no angel" ela me seduziu. Suas personagens (que, ao que parece, são todas a mesma persona) tem uma autoconfiança sem limites e uma vulgaridade charmosa. Os diálogos são engraçadíssimos, ela tem tiradas deliciosas, picantes... e ainda temos a presença do muito jovem Cary Grant (que também está no primeiro filme, mas que está bem melhor no segundo).

Não dá para deixar de lado as grandes tiradas de Mae West. Aqui vão algumas dos filmes:

"Encontrei homens que não sabiam como beijar. Sempre achei tempo para ensiná-los."
 
"Quando sou boa sou ótima!!!! Mas quando sou má, sou melhor ainda."

"Não são os homens na minha vida que importam, é a vida nos meus homens." 

E a clássica e intraduzível:  Why don't you come up some time and see me? 

Mas as frases de Mae west e os diálogos de seus filmes merecem um post só para eles, o que eu farei após ver os 12 filmes desta figura única na história do cinema. 


Assista ao trailer de I'm no Angel: