Quem nunca ouviu falar de E o Vento Levou? Ou citou, mesmo sem saber a origem, uma de suas frases célebres, como “Amanhã é um novo dia”? Quem não conhece o tema musical de Tara, composto pelo genial Max Steiner, nem que seja através do seriado Chaves? Pois bem, o épico romântico é um dos filmes mais amados, parodiados e citados da história. O que não significa que seja uma unanimidade. Alguns o comparam ao polêmico Nascimento de uma Nação (1915), de D.W. Griffith, pela maneira como a sociedade escravista é representada. Outros torcem o nariz para o caráter melodramático do filme, pelo que chamam de “quatro horas de novela mexicana”. Detratores à parte, E o Vento Levou sustenta o status de um dos filmes mais populares do cinema. No texto de estreia da coluna Cinemateca, dedicada aos clássicos, tentaremos desvendar os bastidores deste que é um dos maiores sucessos artísticos e comerciais de todos os tempos da indústria cinematográfica.
Selznick é um dos maiores produtores da Hollywood Clássica. Controlador, amante das adaptações literárias e das produções grandiosas, o genro do poderoso Louis B. Mayer era o pesadelo de qualquer cineasta, já que sempre impunha a sua vontade. Selznick é, sem dúvida, o maior responsável pelo sucesso de E o Vento Levou. Ele comprou os direitos da adaptação do romance de Margaret Mitchell antes mesmo dele se tornar um best-seller e começou sua produção em 1936.
Seria, no entanto, injusto atribuir a autoria de E o Vento Levou somente a Selznick. William Cameron Menzies, renomado diretor de arte, é responsável pela concepção estética do filme, assim como pelo magistral uso das cores, com destaque para o característico vermelho saturado. Menzies foi contratado por Selznick para produzir o storyboard de cada tomada do filme. E o Vento Levou foi um dos primeiros longas a ter cada uma de suas sequências planejadas através do processo do storyboarding. Menzies foi importante também por ter dado unidade ao filme, que poderia ter sido uma bagunça devido à troca constante de diretores.
A escolha dos coadjuvantes se deu com certa tranquilidade. Olivia de Havilland, uma das atrizes americanas mais populares da segunda metade dos anos 30, queria dar um novo rumo a sua carreira e deixar de lado os papéis que lhe deram fama nos filmes de capa e espada. Ela foi indicada pela irmã Joan Fontaine e aceitou rapidamente ser a intérprete de Melanie Wilkes. Para viver Ashley Wilkes, Selznick não queria outro que não Leslie Howard. Para participar do filme, o ator exigiu que Selznick produzisse seu próximo filme: Intermezzo – A Love Story (1939). Howard não gostava nem um pouco de seu personagem, nunca leu o livro, se achava velho para o papel e só se importava em decorar suas falas. Ele acreditava que E o Vento Levou era um filme de mulher.
* Fonte: Box Office Mojo, 05/02/2010
TEXTO PUBLICADO ORIGINALMENTE NA COLUNA CINEMATECA DE MINHA AUTORIA EM 11 DE JANEIRO DE 2012.













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