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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Clássicos da Cinemateca - Rebecca, A Mulher Inesquecível (1940)


“A noite passada sonhei que voltava a Manderley. Pareceu-me estar junto do portão de ferro e, por um instante, não pude entrar porque o caminho me estava barrado. Depois, como todos aqules que sonham, vi-me subitamente dotada de poderes sobrenaturais e passei como um espírito pela barreira diante de mim. A entrada serpenteava a minha frente, sinuosa e curva como sempre fora, mas ao avançar percebi que estava diferente. A natureza impusera-se de novo e, pouco a pouco, à sua maneira firme, insidiosa, apoderara-se da entrada com dedos compridos, tenazes. E assim, ora para leste ora para oeste, serpenteava o pobre caminho que em tempos fora a nossa entrada. E, finalmente, lá estava Manderley, Manderley, misteriosa e silente como sempre havia sido, brilhando no luar do meu sonho.”
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Judith Anderson e Joan Fontaine protagonizaram cenas inesquecíves em Rebecca.
O ano de 1940 foi decisivo na vida do diretor inglês Alfred Hitchcock. O cineasta, que contava com uma carreira bem-sucedida na sua terra natal, mudou-se para Hollywood, onde veio a se consolidar de vez como um dos maiores mestres da sétima arte. Apesar do sucesso que alguns de seus filmes ingleses fizeram nos Estados Unidos, os estúdios norte-americanos hesitavam em contratá-lo, devido ao receio de que o diretor não conseguiria se enquadrar ao “estilo” hollywoodiano. O primeiro trabalho de Hitchcock nos Estados Unidos veio através de um convite de David O. Selznick, visionário produtor americano, responsável por grandes sucessos como E o Vento Levou (1939).
Alfred Hitchcock assinou um contrato de sete anos com Selznick. O primeiro filme do diretor em Hollywood contaria a história de Titanic, mas o projeto acabou afundando (com o perdão do trocadilho) muito antes de virar realidade. Foi então que o produtor escalou Hitchcock para dirigir uma adaptação do romance Rebecca, escrito por Daphne du Maurier e publicado em 1938. Essa não foi a única vez que o cineasta adaptou uma obra da autora inglesa. A Estalagem Maldita (1939) e Os Pássaros (1963) também são baseados em trabalhos da escritora. 
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David O. Selznick e Alfred Hitchcock 
Rebecca – A Mulher Inesquecível é normalmente rotulado como o primeiro filme norte-americano de Hitchcock, mas existem aqueles que defendem que esse seja, na verdade, o último filme britânico do cineasta já que, esteticamente, o filme estaria mais próximo da primeira fase da carreira do diretor. Além disso, a história de Rebecca se passa na Inglaterra, é adaptada de uma obra inglesa e protagonizada por um dos maiores ícones do cinema britânico, Laurence Olivier. Primeiro ou último, o mais importante é perceber como o clássico de 1940 marcou a filmografia de Hitchcock, servindo como um verdadeiro divisor de águas.
François Truffaut, importante cineasta e crítico francês, chegou a apontar, na série de entrevistas realizadas com Hitchcock, que Rebecca contribuiu para um aperfeiçoamento do  estilo hitchcockiano, por não se tratar de um thriller convencional e, sim, um drama que focaliza os conflitos internos e os transtornos emocionais dos personagens. Os filmes seguintes de Hitchcock foram enriquecidos por um maior investimento na psicologia dos personagens, em tramas mais densas e com maior profundidade dramática.
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A bela trilha sonora de Rebecca é de autoria do grande Fraz Waxman. Ouça um trecho.
Ainda que tenha marcas da genialidade de Hitchcock e seja uma obra essencial de sua filmografia, Rebecca é comumente apontado como um dos filmes “menos hitchcockianos” do cineasta. O clássico não apresenta, por exemplo, o típico humor hitchcockiano, encontrado nas obras mais famosas do diretor, revelando-se assim um dos filmes mais sombrios e sérios de sua carreira.
Deve-se levar em conta que David O. Selznick também estava por trás da obra e que Hitchcock teve que lidar com as intervenções do produtor, conhecido por ser extremamente controlador e por atormentar seus diretores. Por essa razão, tudo indica que Hitchcock teve menos voz ativa e desfrutou de menos liberdade na realização de Rebecca do que em outras produções.
Uma célebre anedota conta o que Hitchcock teve que fazer para assegurar que o desfecho do filme fosse como ele queria e não pudesse ser alterado por Selznick. O produtor queria que na última cena de Rebecca, a fumaça sobre Manderley em chamas formasse a letra “R”. Hitchcock não concordava com a ideia e substituiu a famigerada fumaça em “R” por outra imagem mais sutil. Para que Selznick não pudesse reeditar a cena posteriormente, Hitchcock usou um método de edição na própria câmera. Hitchcock foi um dos poucos diretores que conseguiram driblar, ainda que parcialmente, o excessivo controle de Selznick.
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Laurence Olivier foi indicado pela 2a vez consecutiva ao Oscar de Melhor Ator por Rebecca.
Em Rebecca – A Mulher Inesquecível, uma jovem de origem humilde (Joan Fontaine) se apaixona por Maxim de Winter (Laurence Olivier), um sedutor aristocrata, com quem se casa pouco tempo depois. A bela moça muda-se para Manderley, gigantesca propriedade do marido, que é comandada por Mrs. Danvers (Judith Anderson), uma rígida governanta. Já instalada na imponente mansão, a nova Mrs. de Winter passa a ser confrontada à lembrança da primeira mulher de Maxim, Rebecca, que falecera alguns anos antes. Rebecca fora admirada por toda a alta sociedade, sendo idolatrada por Mrs. Danvers. A governanta passa a atormentar a vida da nova patroa, enchendo sua cabeça de dúvidas, temores e fazendo-a se sentir indigna do posto de nova Mrs. de Winter. Em meio a essa guerra psicológica, segredos são desvendados.
Rebecca – A Mulher Inesquecível poderia ser descrito como uma história de assombração. Esteticamente o filme nutre uma aura fantasmagórica e mágica. Já nos créditos iniciais, temos imagens oníricas, nebulosas, em que chama a atenção a estética expressionista, dominada pelo contraste entre as cores preto e branco. A ecolha da fotografia, por sinal, foi uma das exigências de Hitchcock, que acreditava que essas cores eram mais adequadas para realçar a dimensão sombria da história.  A primeira cena do filme, uma bela ilustração de um sonho, nos revela uma Manderley mágica, lembrando-nos dos castelos amaldiçoados dos contos de fadas.
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No romance, Mrs. Danvers é uma mulher mais velha.
O medo é um dos elementos mais importantes da narrativa, o que faz com que ela se aproxime ainda mais dos contos de fadas e das histórias de fantasmas. No filme, uma mulher morta continua a interferir no mundo dos vivos, não de maneira sobrenatural, mas através de sua lembrança e de seu legado. Deve-se salientar que, ao contrário de Rebecca, a nova esposa de Maxim não tem seu nome revelado em nenhum momento da trama, o que faz com que já exista uma relação de desigualdade entre as duas mulheres. Uma competição injusta, silenciosa se instala entre a falecida  e sua sucessora, muito mais frágil e menos exuberante. Ironicamente, Rebecca é inesquecível até mesmo para a nova Mrs. de Winter que não chegou a conhecê-la. A onipresença da personagem epônima na mansão de Manderley é representada pela asustadora Mrs. Danvers.
A antológica personagem de Mrs. Danvers, interpretada brilhantemente por Judith Anderson, é, antes de tudo, uma presença ameaçadora na tela. A vilã não é jamais vista se movendo ou entrando nos aposentos, ela surge inesperadamente, surpreendendo sistematicamente a protagonista. A  relação de Mrs. Danvers e da nova Mrs. de Winter é de carrasco e vítima. A dinâmica dessa relação doentia é um dos maiores trunfos do filme. A perversidade fria e calculada de Mrs. Danvers é fruto de uma idolatria sem limites pela antiga dona de casa, um amor com toques homoeróticos, manifestado, por exemplo, pelo seu fetichismo com os objetos de Rebecca. 
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Assim como no romance, o primeiro nome de Mrs. de Winter não é jamais revelado.
Mrs. de Winter não é subjugada apenas pela perversidade de Mrs. Danvers, mas também pela própria mansão, um espaço suntuoso e gigantesco que parece oprimir a personagem. A majestosidade do cenário é, portanto, fundamental para que tenhamos a impressão de que a protagonista está sempre coagida, numa luta constante com o espaço a sua volta. Hitchcock chegou a afirmar que a casa era uma das personagens mais importantes do filme. O produtor David. O Selznick procurou pelos Estados Unidos uma locação que pudesse representar Manderley, mas não conseguiu encontrar nenhuma que lhe agradasse. Então, decidiu-se construir uma magnífica maquete, utilizada para representar o exterior da mansão. 
Muitas atrizes foram consideradas para o papel de Mrs. de Winter. David O. Selznick queria Olivia de Havilland no papel, mas ela acabou deixando o caminho aberto para a irmã mais nova, Joan Fontaine, que era pouco conhecida na época e que também estava na disputa pelo papel. Vivien Leigh, que havia conseguido o papel mais disputado em Hollywood em E o Vento Levou (1939), não conseguiu repetir a proeza em Rebecca,  mesmo com os esforços de Laurence Olivier, seu futuro marido. O papel acabou indo para Joan Fontaine, que transmitiu magistralmente o caráter frágil, desajeitado e impressionável de sua personagem. Reza a lenda que Olivier tratava muito mal a colega nos bastidores, por essa ter “roubado” o papel de sua namorada e que Hitchcock teria se aproveitado da situação dizendo à moça que ninguém da equipe gostava dela, para que a atriz pudesse se sentir ainda mais desconfortável e transmitisse esse sentimento de “estranha no ninho” para a personagem.
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Ao contrário do que ocorre no romance, o passado de Mrs. Danvers não é revelado.
Rebecca – A Mulher Inesquecível foi o primeiro filme de Hitchcock realizado nos Estados Unidos e o único de sua carreira que levou o Oscar de Melhor Filme, num ano de concorrentes de peso como As Vinhas da Ira, Núpcias de Escândalo e O Grande Ditador. O filme ainda foi premiado com o Oscar de Melhor Fotografia (Preto e Branco) e Hitchcock recebeu sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Diretor. O clássico ainda foi indicado a outras nove estatuetas (Melhor Ator - Laurence Olivier , Melhor Atriz - Joan Fontaine, Melhor Atriz Coadjuvante - Judith Anderson, Melhor Direção de Arte, Melhores Efeitos Especiais, Melhor Montagem, Melhor Trilha Sonora e Melhor Roteiro). Como disse François Truffaut, Rebecca – A Mulher Inesquecível continua a ser um filme moderno e sólido décadas depois de seu lançamento.
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George Barnes ganhou o Oscar pela ótima fotografia de Rebecca.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Clássicos da Cinemateca - E o Vento Levou... (1939)


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Quem nunca ouviu falar de E o Vento Levou? Ou citou, mesmo sem saber a origem, uma de suas frases célebres, como “Amanhã é um novo dia”? Quem não conhece o tema musical de Tara, composto pelo genial Max Steiner, nem que seja através do seriado Chaves? Pois bem, o épico romântico é um dos filmes mais amados, parodiados e citados da história. O que não significa que seja uma unanimidade. Alguns o comparam ao polêmico Nascimento de uma Nação (1915), de D.W. Griffith, pela maneira como a sociedade escravista é representada. Outros torcem o nariz para o caráter melodramático do filme, pelo que chamam de “quatro horas de novela mexicana”. Detratores à parte, E o Vento Levou sustenta o status de um dos filmes mais populares do cinema. No texto de estreia da coluna Cinemateca, dedicada aos clássicos, tentaremos desvendar os bastidores deste que é um dos maiores sucessos artísticos e comerciais de todos os tempos da indústria cinematográfica.
DivulgaçãoUma das perguntas mais interessantes a se fazer com relação a E o Vento Levou é: quem é o verdadeiro autor do longa-metragem? Normalmente, o diretor é aquele a quem atribuímos a autoria de um filme, seu fracasso ou seu sucesso. Com o nosso filme, isso não funcionaria. Para começar, E o Vento Levou foi assumido por três diretores (o oficial, Victor Fleming - foto - e os não creditados George Cukor e Sam Wood) e nenhum deles conseguiu ter liberdade suficiente para imprimir ao filme sua visão da história e seu estilo. Isso se explica pelo fato de o produtor David O. Selznick ser extremamente intervencionista.
Selznick é um dos maiores produtores da Hollywood Clássica. Controlador, amante das adaptações literárias e das produções grandiosas, o genro do poderoso Louis B. Mayer era o pesadelo de qualquer cineasta, já que sempre impunha a sua vontade. Selznick é, sem dúvida, o maior responsável pelo sucesso de E o Vento Levou. Ele comprou os direitos da adaptação do romance de Margaret Mitchell antes mesmo dele se tornar um best-seller e começou sua produção em 1936.
Seria, no entanto, injusto atribuir a autoria de E o Vento Levou somente a Selznick. William Cameron Menzies, renomado diretor de arte, é responsável pela concepção estética do filme, assim como pelo magistral uso das cores, com destaque para o característico vermelho saturado. Menzies foi contratado por Selznick para produzir o storyboard de cada tomada do filme. E o Vento Levou foi um dos primeiros longas a ter cada uma de suas sequências planejadas através do processo do storyboarding. Menzies foi importante também por ter dado unidade ao filme, que poderia ter sido uma bagunça devido à troca constante de diretores.
DivulgaçãoA partir do momento em que foi anunciada a adaptação cinematográfica do romance de Margaret Mitchell, houve uma participação massiva do povo americano no projeto, tamanha era a popularidade da história. Em uma pesquisa nacional realizada na época, Clark Gable (foto) foi escolhido como o favorito do público para encarnar o protagonista Rhett Butler. Gable, que declarou nunca ter terminado de ler o livro, estava receoso e relutante em interpretar o personagem. Além disso, o ator tinha contrato com a MGM e, de acordo com o studio system, ele não poderia fazer o filme, já que estava "preso" ao estúdio de Louis B. Mayer. Selznick, no entanto, negociou com o sogro e conseguiu com que Gable fosse emprestado, desde que em troca a MGM fosse encarregada pela distribuição do filme. Gable não tinha opção. Pressionado, ele aceitou ser o intérprete de Rhett Butler, mesmo temendo decepcionar o público.
A escolha dos coadjuvantes se deu com certa tranquilidade. Olivia de Havilland, uma das atrizes americanas mais populares da segunda metade dos anos 30, queria dar um novo rumo a sua carreira e deixar de lado os papéis que lhe deram fama nos filmes de capa e espada. Ela foi indicada pela irmã Joan Fontaine e aceitou rapidamente ser a intérprete de Melanie Wilkes. Para viver Ashley Wilkes, Selznick não queria outro que não Leslie Howard. Para participar do filme, o ator exigiu que Selznick produzisse seu próximo filme: Intermezzo – A Love Story (1939). Howard não gostava nem um pouco de seu personagem, nunca leu o livro, se achava velho para o papel e só se importava em decorar suas falas. Ele acreditava que E o Vento Levou era um filme de mulher.
DivulgaçãoMuito mais complicada e demorada foi a escolha da protagonista feminina, a (anti)heroína Scarlett O’Hara. Diversos nomes famosos foram cogitados, como o de Bette Davis. A atriz se mostrara extremamente interessada pelo papel, mas veio a recusá-lo, uma vez que seu empréstimo para o filme estava condicionado ao empréstimo de Errol Flynn como seu par romântico (e ela odiava mortalmente o ator). Paulette Goddard (foto à esquerda) foi a atriz que mais se aproximou de ser a escolhida de Selznick. O produtor havia gostado bastante do seu teste. Por temer a má repercussão do relacionamento de Goddard com Charles Chaplin, Selznick acabou por desistir dela.
DivulgaçãoMais de 1.400 atrizes se candidataram ao papel e mais de 400 testes foram realizados. Myron Selznick, irmão de David, estava trazendo para os Estados Unidos o ator inglês Laurence Olivier para seu primeiro filme americano. Olivier tinha um caso com Vivien Leigh (foto à direita), atriz desconhecida nos Estados Unidos. Como o casal não queria se separar, a vinda de Leigh tornava-se necessária. Myron teve, então, a ideia de indicar Leigh para o papel de Scarlett. Ao apresentar a atriz ao irmão, ele disse: “Eis sua Scarlett!” David Selznick já havia visto alguns filmes da atriz e não havia se impressionado. No entanto, ele ficou encantado com o teste da inglesa. Boa parte do público repercutiu negativamente a escolha de uma atriz não americana para o papel de Scarlett O’Hara. Hoje em dia, é quase impossível pensar em outra atriz na pele da personagem icônica.
DivulgaçãoMuitos problemas interferiram nas filmagens de E o Vento Levou. Selznick exigiu diversas mudanças no roteiro, que acabou sendo escrito a cinco mãos. Paginas do script chegavam a ser reescritas no mesmo dia de sua filmagem. Para a direção do longa-metragem, o produtor convidara o amigo George Cukor. Após algum tempo de filmagem, Selznick o afastou da produção, afirmando não estar gostando do resultado. Cukor, conhecido por saber retratar com sensibilidade o universo feminino, tinha uma ótima relação com Leigh e Havilland, mas não se dava bem com Gable. O ator sentia que o diretor dava muito mais atenção às mulheres. No lugar de Cukor, que era homossexual, Selznick colocou Victor Fleming, que tinha a fama de machista, e que era amigo de Gable. Leigh e Havilland odiavam o novo diretor. Após brigas homéricas com Leigh, Fleming se afastou. Sam Wood foi então chamado, mas Selznick não gostou nada do resultado, sendo obrigado a chamar Fleming de volta para dirigir o restante das principais cenas.
DivulgaçãoE o Vento Levou estreou nos Estados Unidos em 15 de dezembro de 1939. O filme ganhou oito Oscars (Melhor Filme, Direção, Roteiro, Atriz, Atriz Coadjuvante, Direção de Arte, Fotografia e Montagem) além de dois prêmios especiais pelos avanços técnicos promovidos pelo longa. O filme continua a ser o campeão absoluto de bilheteria em termos de número de espectadores (202 milhões de ingressos vendidos*), superando, neste quesito, o campeão de arrecadação, o filme Avatar (2009), de James Cameron (61 milhões de ingressos*). E o Vento Levou sustenta, portanto, há 72 anos, o status de filme mais visto de todos os tempos nos cinemas. Muito ainda pode ser dito sobre ele, mas este é apenas o primeiro texto da nossa coluna e, com certeza, o clássico produzido por David O. Selznick aparecerá por aqui outras vezes.
* Fonte: Box Office Mojo, 05/02/2010
TEXTO PUBLICADO ORIGINALMENTE NA COLUNA CINEMATECA DE MINHA AUTORIA EM 11 DE JANEIRO DE 2012.