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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Clássicos da Cinemateca - O Que Terá Acontecido a Baby Jane?


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Inimigas na vida real, Bette Davis e Joan Crawford estrelam O Que Terá Acontecido a Baby Jane?
Nesta edição da Cinemateca, falaremos sobre mais um clássico que, a exemplo de Sob o Domínio do Mal e O Milagre de Anne Sullivan, completa 50 anos em 2012. Trata-se de O Que Terá Acontecido a Baby Jane? (What Ever Happened to Baby Jane?, 1962), thriller psicológico com toques de terror cujo imenso sucesso contribuiu para a criação de um subgênero muito popular nos anos 60. O “psycho-biddy”, expressão pela qual tal subgênero do terror ficou conhecido, se caracterizava por retratar mulheres mais velhas atravessando surtos psicóticos ou em perigo iminente, sob a ameaça de algum mal. O fênomeno do “psycho-biddy” se deve bastante ao desejo e à necessidade de grandes atrizes de continuar a trabalhar após uma certa idade. Tais atrizes que brilharam no auge de suas carreiras como mocinhas não tinham a mesma facilidade de encontrar bons papéis depois dos 40, algo que ocorre ainda hoje. Grandes estrelas da Era de Ouro de Hollywood tiveram, em tais filmes de suspense/terror, seus derradeiros papéis de protagonistas. 
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Joan Crawford tinha 57 anos e Bette Davis 54 na época do lançamento do filme.
O Que Terá Acontecido a Baby Jane? lançou moda e fez escola. A ele se seguiram obras comoCom a Maldade na Alma (1964), Almas Mortas (1964), A Dama Enjaulada (1964), Fanatismo Macabro (1965), Nas Garras Do Ódio (1965), Espetáculo de Sangue (1967), A Mansão dos Desaparecidos (1969) e Obsessão Sinistra (1971). A febre do “psycho-biddy” explica por que tais filmes de títulos sugestivos foram estrelados por grandes damas do cinema hollywoodiano, como Tallulah Bankhead, Olivia de Havilland, Shelley Winters, Bette Davis e Joan Crawford. As duas últimas, protagonistas de O Que Terá Acontecido a Baby Jane?,tiveram suas carreiras revitalizadas justamente após o clássico de 1962. O sucesso do filme renovou o interesse do público por ambas as atrizes que outrora foram as maiores estrelas de Hollywood. A partir de então, Davis e Crawford se tornaran rainhas do terror/suspense e apareceram em diversos filmes desse gênero.
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Bette Davis recebeu sua décima e última indicação ao Oscar por O Que Terá Acontecido a Baby Jane?
Produzido e dirigido por Robert Aldrich e baseado no romance de mesmo nome de Henry Farrell, O Que Terá Acontecido a Baby Jane? tem como um de seus maiores trunfos o fato de conseguir realizar o que parecia inimaginável até então: reunir num mesmo set de filmagem duas inimigas mortais e assumidas, Bette Davis e Joan Crawford. A rivalidade entre as duas atrizes é a mais célebre do cinema clássico. O fato de representarem no longa-metragem personagens que se odeiam não poderia deixar de atrair ainda mais a atenção e a curiosidade do público e da mídia. O sucesso de crítica e de bilheteria do filme fez com que Aldrich propusesse a escalação das duas atrizes para um novo projeto. Davis e Crawford seriam primas em Com a Maldade na Alma (1964), filme também baseado numa obra de Henry Farrell. No entanto, o diretor não conseguiu repetir a proeza de 1962. A versão oficial diz que Joan Crawford teve que abandonar o projeto por conta de prolemas de saúde. Entretanto, existem boatos de que Davis teria conseguido o afastamento da rival, que foi posteriormente substituída por Olivia de Havilland, amiga de Davis. O filme de 1964 também foi um grande sucesso, tendo sido indicado a sete Oscars.
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A bela fotografia de Ernest Haller é um dos pontos fortes do clássico.
Competitivas, vaidosas, talentosas e temperamentais, Davis e Crawford provavelmente tinham muito mais em comum do que gostariam de admitir. Crawford, três anos mais velha que a colega, iniciou a carreira em 1925, ainda no cinema mudo. Davis estreou nas telonas seis anos mais tarde. No currículo, ambas têm diversos trabalhos consagrados. Crawford brilhou em Grande Hotel (1932), Almas em Suplício (1945), Precipícios D’Alma (1952) e Johnny Guitar(1954). Davis está soberba em Escravos do Desejo (1934), Jezebel (1938), Pérfida (1941) e A Malvada (1950), para citar apenas alguns títulos. Davis foi indicada dez vezes ao Oscar, tendo levado a estatueta em duas ocasiões. Crawford foi indicada três vezes, tendo sido premiada uma vez. As vidas pessoal e profissional das duas atrizes foram marcadas por sucessos, tropeços e escândalos. Uma coincidência impressiona: as filhas das duas escreveram livros nada lisongeiros sobre suas respectivas mães, retratando a crueldade das mesmas e as dificuldades de relacionamento em casa. O livro de Christina Crawford, Mamãezinha Querida, foi transposto para o cinema em 1981, com Faye Dunaway no papel de Crawford.
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Blanche (Joan Crawford) descobrindo o prato especial preparado por Jane (Davis).
Em O Que Terá Acontecido a Baby Jane?, Bette Davis é Baby Jane Hudson, antiga estrela mirim de vaudeville que, ao crescer, tem que lidar com o declínio de sua carreira e o consequente ostracismo. Joan Crawford, por sua vez, dá vida a Blanche Hudson. Blanche, ao contrário da irmã Jane, era um patinho feio quando criança e sofria com o menosprezo da mãe e da irmã famosa. Depois de crescida, a moça deu a volta por cima e se tornou uma estrela de Hollywood. Após um misterioso acidente de carro, Blanche fica paralítica e se afasta do show business, permanecendo sob os “cuidados” de Jane, cada vez mais desequilibrada. Normalmente apontado como o melhor “psycho-biddy” já realizado, O Que Terá Acontecido a Baby Jane? contém um série de momentos memoráveis e, por vezes, grotescos e assustadores, como a cena em que Jane serve um prato “pra lá de especial” para a irmã inválida, outra em que Blanche sai da cadeira de rodas para tentar pedir socorro e mesmo o impactante final à beira-mar. Por fim, o que dizer da inesquecível e bizarra cena em que Bette Davis canta “I've Written a Letter to Daddy”? (assista ao vídeo)
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As duas versões de Baby Jane, interpretadas por Julie Allred e Bette Davis.
Várias histórias giram em torno dos bastidores do filme. Dizem, por exemplo, que Bette Davis pediu para que fosse instalada uma máquina de Coca-Cola no set, para provocar Crawford que fazia, na época, parte do conselho de diretores da concorrente Pepsi. Outra anedota, talvez um pouco fantasiosa, diz que durante uma das cenas de violência, Davis chuta Crawford na cabeça, o que  resultou em um ferimento que necessitou de pontos. Em retaliação, Crawford teria colocado pesos em seus bolsos para dificultar a vida de Davis na cena que esta fosse arrastá-la pelo chão.
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Bette Davis canta e dança em O Que Terá Acontecido a Baby Jane?
Bette Davis foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz pelo seu trabalho em O Que Terá Acontecido a Baby Jane?, enquanto Joan Crawford foi esnobada pela premiação. Obviamente, Crawford não ficou nada feliz com isso, ainda mais porque Davis tinha a chance de se tornar a atriz mais premiada da história do Oscar naquele ano. Crawford, então, contatou as outras indicadas na categoria, se oferecendo para receber a estueta caso elas não pudessem comparecer à cerimônia. Efetivamente, Anne Bancroft não pôde estar presente na premiação e acabou se sagrando vitoriosa por O Milagre de Anne Sullivan. Como combinado, Crawford foi receber o Oscar no lugar de Bancroft e reza a lenda que ela fez questão de passar por Davis e dizer: “Com licença, eu tenho um Oscar para receber.”
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A maquiagem extremamente carregada é uma das marcas da caracterização de Davis.
Apesar de não figurar no panteão dos grandes diretores, pelo menos para o grande público, Robert Aldrich teve uma carreira bastante interessante, tendo se revelado particularmente habilidoso e versátil no cinema de gênero. Em seu currículo, encontramos o western, com Vera Cruz (1954); o filme noir, com A Morte num Beijo (Kiss Me Deadly, 1955); o filme de guerra, com Os Doze Condenados (1967); a comédia de ação, com Golpe Baixo (1974); e o filme policial com Crime e Paixão (Hustle, 1975). O Que Terá Acontecido a Baby Jane? é um dos filmes mais conhecidos da filmografia de Aldrich. Nele, o cineasta combina o assustador, o grotesco, o humor negro, o melodrama e o suspense de forma magistral, realçando o pathose a violência presentes na relação tortuosa de duas irmãs, alimentada pela inveja, pela dependência e pela mágoa. 
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A cena final é uma das mais emocionantes do filme.
O Que Terá Acontecido a Baby Jane? é um espetáculo inusitado, onde brilham Bette Davis com sua performance deliciosamente caricatural e Joan Crawford surpreendentemente comedida e sensível. O clássico de 1962 é considerado o último grande trabalho de Joan Crawford, que veio a falecer em 1977. Os últimos anos de sua carreira foram marcadas por bombas. Bette Davis viveu bem mais tempo e realizou pelo menos mais um belo filme, As Baleias de Agosto (1987). O Que Terá Acontecido a Baby Jane? nos oferece a oportunidade de assistir a dois dos maiores ícones do cinema clássico se degladiando em cena. Mas o filme não se resume a isso, sendo capaz de causar impacto e estranhamento ainda hoje. O filme foi indicado a cinco Oscars (Melhor Atriz – Bette Davis, Melhor Ator Coadjuvante – Victor Buono, Melhor Fotografia e Melhor Som), tendo levado o prêmio de Melhor Figurino (Preto e Branco).

terça-feira, 3 de julho de 2012

Clássicos da Cinemateca - A Malvada (1950)


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Cena de A Malvada.
As versões brasileiras de títulos de filmes estrangeiros são, muitas vezes, motivo de piada. No entanto, não podemos culpar a falta de criatividade das traduções que, eventualmente, conseguem ser mais poéticas e interessantes do que os títulos originais. Lembrando alguns exemplos de clássicos hollywoodianos, temos Ardida como Pimenta (para Calamity Jane - 1953), Assim Caminha a Humanidade (para Giant - 1956), A Primeira Noite de um Homem(para The Graduate - 1967), Da Terra Nascem os Homens (para The Big Country - 1958), Os Brutos Também Amam (para Shane - 1953), Crepúsculo dos Deuses (para Sunset Blvd.- 1950) e A Malvada (para All About Eve - 1950).
O caso de A Malvada é particularmente interessante. Além de ser obviamente diferente e talvez mais impactante do que o original, o título nacional parece induzir o espectador a um engano que tem tudo a ver com o espírito do filme. Explico: para o público de 1950, ano em que o longa-metragem foi lançado, a imagem de malvada estava muito mais associada à Bette Davis, intérprete de Margo Channing e estrela do filme, do que a Anne Baxter, que interpreta a verdadeira vilã, Eve Harrington. Joseph L. Mankiewicz, diretor e roteirista do clássico, também utiliza a mesma estratégia no filme! Mankiewicz retarda o quanto pode a confirmação do mau-caratismo de Eve, alimentando a dúvida sobre as protagonistas. Se até mesmo nos dias de hoje algumas pessoas se surpreendem, ao longo do filme, ao descobrirem que a malvada é de fato Eve, imagine nos anos 50?
Davis não fez apenas megeras ou vilãs no cinema, mas sempre mostrou um talento único para interpretá-las. Para se ter uma ideia da reputação que a atriz alcançou por conta de tais personagens, basta dizer que o filme protagonizado por ela em 1949, Beyond the Forest(Além da Floresta, em português), foi traduzido no Brasil como o esdrúxulo A Filha de Satanás. Até 1950, quando A Malvada estreou no cinema, a atriz já havia colecionado algumas megeras remarcáveis, como Mildred Rogers (em Escravos do Desejo - 1934) e Regina Giddens (emPérfida - 1941), além de mocinhas nada convencionais ou adocicadas, como Joyce Heath (emPerigosa – 1935) e Julie (em Jezebel - 1938).
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As várias faces de Bette Davis.
No fim dos anos 40, já desvinculada da Warner Bros., Davis tentava dar um novo rumo a sua carreira que havia entrado em franca decadência. Muitos estavam convencidos da aposentadoria da atriz. Mas eis que, inesperadamente, surge a oportunidade de substituir Claudette Colbert no novo projeto de Mankiewicz. Ao ler o roteiro, Davis soube imediatamente que Margo Channing era a sua grande chance de dar a volta por cima. Ela filmou em apenas 16 dias, levou o prêmio de Melhor Atriz em Cannes pelo papel e foi indicada pela nona vez ao Oscar. Os críticos que haviam sido tão duros com ela nos anos anteriores se renderam aos seus pés. A renomada crítica de cinema americana Pauline Kael não gostou da maneira com o qual Mankievics retratou o universo teatral, mas afirmou que a performance de Davis salvou o filme e que a atriz foi ao limite das reações e emoções de sua personagem, fazendo com que tudo ganhasse vida. 
DivulgaçãoJoseph L. Mankiewicz (foto; irmão de Herman J. Mankiewicz, co-roteirista de Cidadão Kane) queria realizar um filme que abordasse a vida de uma atriz já madura. Quando leu o conto The Wisdom of Eve (1946), da escritora americana Mary Orr, o diretor encontrou o material perfeito para o seu projeto. The Wisdom of Eveé baseado em uma história real, mais precisamente no que ocorreu com a atriz austríaca Elisabeth Bergner e sua secretária em Viena. A despeito disso, muitos especularam que o filme era baseado, de fato, na vida da atriz Tallulah Bankhead, grande dama do teatro americano que trabalhou também no cinema. Bankhead chegou a afirmar que arrancaria cada “pelo do bigode de Bette Davis”, nada contente com uma suposta imitação. Tanto Mankiewicz, quanto Davis desmentiram veementemente que o filme fosse inspirado em Bankhead, mas a lenda persistiu.
A Malvada conta a história de Margo, uma bem-sucedida e temperamental atriz de teatro que tem sua vida vampirizada por uma ambiciosa aspirante à celebridade, Eve (referência à Eva bíblica do pecado original?). Davis descrevia sua personagem como “uma atriz envelhecendo e nada feliz com isso”. Sem dúvida, Margo é a personagem mais autobiográfica que Davis já interpretou no cinema. As duas partilham a mesma profissão, a mesma tenacidade, a língua ferina (veja as frases de Davis abaixo) e o temperamento difícil.
A primeira cena do filme se passa numa premiação, quando Eve (Baxter) está prestes a receber o prêmio de Melhor Atriz de teatro. Através de um longo flashback e da intervenção de diferentes narradores e pontos de vista (predominando a do cínico crítico teatral Addison DeWitt, interpretado por George Sanders), acompanhamos a maneira com a qual Eve conseguiu alcançar o sucesso e a fama tão desejados. 
DivulgaçãoEve (Baxter) agradece pelo prêmio de Melhor Atriz em cena do filme.
Por falar em prêmio de Melhor Atriz, Davis era a favorita ao Oscar em1951 (mesmo tendo como concorrente Gloria Swanson, por Crepúsculo dos Deuses). A ironia do destino é que ela foi atrapalhada justamente por Anne Baxter (sua antagonista no filme), que exigiu ser promovida como principal e, ao ser indicada na mesma categoria que a colega, provavelmente ocasionou a divisão de votos entre as duas, fazendo com que a estatueta fosse para a zebra Judy Holliday, por sua interpretação na ótima comédia Nascida Ontem (1950). A Malvadaentrou para a história da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas por possuir o recorde de indicações ao Oscar, 14 no total. Esse número só foi igualado por Titanic (1997).  
10 pérolas de Bette Davis
1 - Tenho sido inflexível, raivosa, intratável, obsessiva, sem tato, inconstante e, por vezes, desagradável. Suponho que eu seja maior que a vida.
2 - Gary era um macho man, mas nenhum dos meus maridos foram jamais homens o suficiente para se tornarem o Sr. Bette Davis. [Sobre seu ex-marido Gary Merrill]
3 - Existiam melhores atuações nas festas de Hollywood do que jamais houve nas telas.
4 - Ela deve saber tudo sobre closes-ups! Meu Deus, ela estava lá quando eles foram inventados! [Sobre Lillian Gish]
5 - Não urinaria nela se ela estivesse pegando fogo. [Sobre Joan Crawford]
6 - Ela dormiu com todas as estrelas masculinas da MGM, com exceção de Lassie. [Sobre Joan Crawford]
7 - Você nunca deve falar coisas ruins sobre os mortos, apenas coisas boas. Joan Crawford morreu. Bom! [Sobre Joan Crawford]
8 - Joan sempre chora bastante, seus ductos lacrimais devem ser muito próximos de sua bexiga. [Sobre Joan Crawford]
9 - Quero morrer de salto alto, ainda em cena.
10 - Quando eu morrer, irão provavelmente leiloar meus cílios postiços.

Histórias dos bastidores das filmagens de A Malvada, contam que Davis e Celeste Holm (que interpreta a melhor amiga de Margo na trama) se odiavam. Curiosamente, Davis tornou-se grande amiga de Baxter, sua rival no filme. Para a surpresa de muitos, Mankiewicz afirmou que Davis era uma das atrizes mais prestativas, profissionais e comprometidas com quem ele já havia trabalhado, a despeito dos boatos que diziam que ela era problemática nos sets. A Malvada também marcou a vida pessoal de Davis. Foi durante as filmagens que a estrela se apaixonou pelo seu futuro marido, o ator Garry Merrill, que interpreta seu par romântico na história. 
A Malvada foi um imenso sucesso na época de seu lançamento e é considerado, por muitos, um dos melhores filmes já realizados sobre o mundo do teatro. No entanto, mais do que uma visão sobre o universo teatral, o longa de Mankiewicz é um retrato crítico e  impiedoso doshow business. O filme é famoso também por seus diálogos afiados, pelas frases antológicas (leia abaixo) e pelo ótimo conjunto de atuações.  Encabeçando o elenco, temos Davis que nos presenteia com a melhor atuação da sua carreira, numa performance cheia de fúria e intensidade. O maior mérito da atriz é o de humanizar a personagem, revelando também sua vulnerabilidade e seus defeitos. Sua interpretação se contrapõe perfeitamente com a da quase robótica e fria Baxter. Quem também brilha é a eterna coadjuvante Thelma Ritter, que está impagável na pele de Birdie (personagem escrita especialmente para ela). Sanders e Holm também estão excelentes. Esses cinco atores foram indicados ao Oscar, apenas Sanders ganhou. Ainda sobre a premiação, outro recorde obtido por A Malvada, que ainda não foi quebrado, é o de número de indicações (quatro) para atuações femininas em um mesmo filme. O clássico de 1950 também é lembrado por ser aquele que abriu as portas da fama para Marilyn Monroe. A rápida participação da atriz no filme não passou despercebida e, logo a seguir, sua carreira decolou em Hollywood.
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Foto do elenco: Gary Merrill, Bette Davis, George Sanders, Anne Baxter, Hugh Marlowe e Celeste Holm.
O sucesso de A Malvada é tão grande e universal que inspirou até mesmo uma novela brasileira, Celebridade (2003/2004). O filme é o ponto máximo da carreira de Mankiewicz e de Davis e impressiona, até hoje, pelo seu humor ácido e pelo seu caráter atual, tocando em diversos temas que continuam pertinentes, como a inveja, a ambição, o desejo de fama a qualquer preço e a dificuldade de se encarar o envelhecimento e de se conciliar amor e carreira. O filme foi premiado com seis Oscars (Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Figurino, Melhor Som e Melhor Roteiro), um Globo de Ouro (Melhor Roteiro) e ocupa o 28o  lugar na lista dos 100 Melhores Filmes do Cinema produzida pelo American Film Institute (AFI).
Conheça ou relembre, abaixo, algumas falas célebres de A Malvada:
Margo Channing: Bill tem 32 anos. Ele parece ter 32 anos. Ele já parecia cinco anos atrás e ele continuará parecendo daqui a 20 anos. Eu odeio os homens.
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Margo Channing: Apertem os cintos, esta noite será turbulenta!
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Birdie: Tem uma mensagem do bartender. “Será que Miss Channing sabe que encomendou gin nacional por engano?”
Margo: A única coisa que encomendei por engano foram os convidados.
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Addisson DeWitt: Enquanto espera, leia minha coluna. Fará minutos passar como horas!
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Eve Harrington: Saia! (abrindo a porta)
Addisson DeWitt: Você é muito pequena para tamanho gesto!
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Karen Richards: Nada é para sempre no teatro. O que quer que esteja lá, se inflama, queima e depois desaparece.


TEXTO DE MINHA AUTORIA PUBLICADO INICIALMENTE NA COLUNA CINEMATECA, DO SITE CINEMA EM CENA NO DIA 25/01/2012.