quinta-feira, 19 de julho de 2012

Dos gibis às telonas: Os melhores filmes adaptados de histórias em quadrinhos

Desde os anos 40, histórias em quadrinhos são transpostas para o cinema. No entanto, foi somente a partir do final dos anos 70 que tais adaptações passaram a se tornar mais frequentes, se transformando em uma verdadeira febre nos últimos 10 anos. No post de hoje, relembramos alguns filmes notáveis baseados no universo dos quadrinhos e elegemos as melhores adaptações.

Veja a nossa lista:

25 - Superman 2 (1980)


Dirigido porRichard Lester e Richard Donner (não creditado)
Baseado em: aventuras do Superman, icônico personagem criado por Jerry Siegel e Joe Shuster, cuja primeira aparição data de 1938, na primeira edição da revista Action Comics

24 - Batman: O Retorno (1992)


Dirigido porTim Burton
Baseado em: aventuras de Batman, célebre herói criado por Bob Kane e Bill Finger, em 1939.

23 - MIB - Homens de Preto (1997)


Dirigido porBarry Sonnenfeld
Baseado em: The Men in Black (1990, 1991, 1997), série escrita por Lowell Cunningham e ilustrada por Sandy Carruthers.

22 - Homem-Aranha (2002)


Dirigido porSam Raimi
Baseado em: aventuras do Homem-Aranha, personagem criado por Stan Lee e Steve Ditko, cuja primeira aparição data de 1962. 

21 - Os Vingadores (2012)


Dirigido porJoss Whedon
Baseado emThe Avengers, série criada por Stan Lee e Jack Kirby, cuja primeira aparição data de 1963.


20 - X-Men: O Filme (2000)


Dirigido por: Bryan Singer
Baseado em: personagens da série X-Men, time de super-heróis criado por Stan Lee e Jack Kirby, cuja primeira aparição data de 1963.

19 -  As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne (2011)


Dirigido porSteven Spielberg
Baseado em Les Aventures de Tintin (1929-1976), série criada por Georges Remi (Hergé). O roteiro do filme se baseou em três histórias em particular:  O Caranguejo das Tenazes de Ouro (1941), O Segredo do Unicórnio (1943) e O Tesouro de Rackham (1944).

18 - O Corvo (1994)


Dirigido porAlex Proyas
Baseado em: The Crow (1989), série criada por James O'Barr.

17 - Homem-Aranha 2 (2004)


Dirigido porSam Raimi 
Baseado em: aventuras do Homem-Aranha, personagem criado por Stan Lee e Steve Ditko, cuja primeira aparição data de 1962. 

16 - X-Men 2 (2003)


Dirigido porBryan Singer
Baseado em: aventuras de personagens da série X-Men, time de super-heróis criado por Stan Lee e Jack Kirby, cuja primeira aparição data de 1963.

15 -  Scott Pilgrim Contra o Mundo (2010)



Dirigido por:  Edgar Wright
Baseado em: Scott Pilgrin (2004-2010), série escrita e ilustrada por  Bryan Lee O'Malley.

14 - Mundo Cão/Ghost World (2001)



Dirigido porTerry Zwigoff
Baseado em: Ghost World (1993-1997), série em quadrinhos escrita e ilustrada por Daniel Clowes.

13 - Marcas da Violência (2005)


Dirigido porDavid Cronenberg
Baseado em: A History of Violence (1997), romance em quadrinhos escrito por John Wagner e ilustrada por Vince Locke.

12 - Anti-Herói Americano (2003)


Dirigido por: Shari Springer Berman e Robert Pulcini
Baseado em: American Splendor (1976-2008), série autobiográfica escrita por Harvey Pekar. 

11 - 300 (2006)


Dirigido porZack Snyder
Baseado em: 300 (1998), série escrita e ilustrada por Frank Miller.

10 - X-Men: Primeira Classe (2011)


Dirigido porMatthew Vaughn
Baseado em: aventuras dos personagens da série X-Men, time de super-heróis criado por Stan Lee e Jack Kirby, cuja primeira aparição data de 1963.

9 - Estrada para a Perdição (2002)


Dirigido porSam Mendes
Baseado emRoad to Perdition (1998), série escrita por Max Allan Collins e ilustrada por  Richard Piers Rayner.

8 - Kick-Ass - Quebrando Tudo (2010)


Dirigido porMatthew Vaughn
Baseado em: Kick-Ass (2008-2010), série escrita por Mark Millar e ilustrada por John Romita, Jr.

7 - O Homem de Ferro (2008)


Dirigido porJon Favreau
Baseado em: aventuras do Iron Man, super-herói criado por Stan Lee, Larry Lieber, Don Heck, Jack Kirby e que teve sua primeira aparição em 1963. 

6 - Sin City (2005)


Dirigido porFrank Miller e Robert Rodriguez
Baseado em: Sin City (1991-2000), série criada por Frank Miller, mais especificamente em três histórias The Hard Goodbye (1991-1992), The Big Fat Kill (1994-1995) e That Yellow Bastard (1996). 

5 - Batman Begins (2005)


Dirigido por: Christopher Nolan
Baseado emThe Man Who Falls (1989), Batman: Year One (1987) e na série Batman: The Long Halloween (1966).

4 - Superman (1978)


Dirigido porRichard Donner
Baseado em: aventuras do Superman, icônico personagem criado por Jerry Siegel e Joe Shuster, cuja primeira aparição data de 1938 na primeira edição da revista Action Comics

3 - Persépolis (2007)


Dirigido porVincent Paronnaud  e Marjane Satrapi 
Baseado em: Persépolis (2000), série em quadrinhos em quatro volumes escrita por Marjane Satrapi. 

2 - Oldboy (2003)


Dirigido porPark Chan-wook
Baseado em: Oldboy (1996-1998), série em mangá escrita por Garon Tsuchiya e ilustrada por Nobuaki Minegishi.

1 - O Cavaleiro das Trevas (2008)


Dirigido por: Christopher Nolan
Baseado emBatman - The Long Halloween (1966), criada por Jeph Loeb e Tim Sale. Batman foi criado por Bob Kane e Bill Finger, em 1939. 

Menções honrosas:

Dick Tracy (1990)

Dirigido porWarren Beatty
Baseado em: Dick Tracy (1931-1977), série criada por Chester Gould.

Hellboy (2004)


Dirigido porGuillermo del Toro
Baseado emHellboy: Seed of Destruction (1994), série em quatro volumes, criada e ilustrada por Mike Mignola. 

Asterix e Obelix contra César (1999)



Dirigido porClaude Zidi
Baseado em: Astérix, série criada em 1959, escrita por René Goscinny e ilustrada por Albert Uderzo.


E você? É fã de histórias em quadrinhos? Qual adaptação é a sua favorita?



terça-feira, 17 de julho de 2012

Clássicos da Cinemateca - Nos Rastros do Western...


No dia 1º de dezembro de 1903, estreava nos Estados Unidos aquele que é considerado o primeiro filme narrativo pertencente ao gênero western. Trata-se do importante clássico O Grande Roubo do Trem, curta-metragem de 11 minutos dirigido, produzido e escrito por Edwin S. Porter. Há, no entanto, registros de filmes anteriores, produzidos por volta 1889, ainda mais curtos, que já faziam referência ao “cenário western”. O surgimento do western remonta, portanto, aos primórdios do cinema, momento em que a sétima arte dava seus primeiros passos, construindo sua própria linguagem. O western é um gênero norte-americano por excelência, ainda que diretores não ianques o tenham praticado com maestria. Os filmes dewestern, de faroeste ou de cowboy, como também são conhecidos, retratam o período do expansionismo territorial norte-americano na segunda metade do século 19, a famosa conquista do oeste (west, em inglês, o que explica o nome).
O Grande Roubo do Trem (1903)
O avanço dos brancos recém-chegados em direção à costa oeste americana não poderia deixar de esbarrar nos primeiros moradores daquelas terras. Os indígenas não apenas levaram a pior na vida real como também nas telas do cinema, onde eram pintados como vilões (salvo exceções). O combate entre os novos e velhos habitantes da América, a construção de uma nova civilização, o desejo de enriquecimento e o universo sem leis são elementos que encontramos facilmente na maioria dos filmes de cowboy. O western tradicional ainda possibilitou a criação de vários subgêneros ou variantes, como o Western Spaghetti (filmes de Sergio Leone, como Três Homens em Conflito - 1966); o Western Contemporâneo (O Indomado - 1963); o Western Noir (Pursued - 1947), o Western Pós-apocalíptico (O Mensageiro - 1997); o Western Sci-Fi (Outland-1981), entre outros.
A era de ouro do western corresponde, aproximadamente, ao que chamamos de Era de Ouro de Hollywood, indo dos anos 30 ao final dos anos 50. Mesmo sendo um gênero pouco praticado atualmente, ainda encontramos produções fortemente inspiradas na estética dowestern clássico, como a animação Rango (2011), de Gore Verbinski, e Cowboys e Aliens(2011), de Jon Favreau.
John Ford se firmou como um dos cineastas mais representativos do western, sendo, muito provavelmente, aquele que mais contribuiu artisticamente para o gênero. O diretor americano teve uma longa e prolífica carreira. Em quase 60 anos de profissão, ele realizou 146 filmes, entre longas-metragens, curtas e documentários. Mesmo 39 anos após a sua morte, Ford ainda é detentor de um recorde: é o maior ganhador do Oscar de Melhor Diretor, tendo levado quatro estatuetas.
A importância de Ford para o cinema é incomensurável. Reza a lenda que quando Orson Welles foi perguntado quais eram os seus três diretores favoritos, ele respondeu: "John Ford, John Ford e John Ford”. Muitos outros grandes cineastas também afirmaram ter Ford como mestre e ídolo, entre eles: Akira Kurosawa, Sergio Leone, Clint Eastwood, Martin Scorsese, Steven Spielberg, Jean-Luc Godard e François Truffaut.
O escritor e especialista do cinema clássico, Pierre Berthomieu, tentou definir em uma frase o estilo do diretor: “O cinema de John Ford é habitado por gigantes e atravessado pelos tormentos da eternidade”¹. Não apenas os heróis fordianos são dotados de grandiosidade. O cineasta sempre manifestou sua preferência pelo cinema épico e pela imensidão das paisagens: “Prefiro os dramas filmados em exteriores. No palco, a voz sozinha exprime grande parte do drama, o que é impossível no cinema. No entanto, temos o que falta ao teatro: os planos gerais que mostram uma tropa de gados, os picos das montanhas, as quedas d’água monumentais ou uma multidão gigantesca de homens e mulheres”².
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John Wayne e John Ford – Foto de 1971
Nas artes cênicas, John Wayne é o equivalente de Ford para o universo do western. Os dois Johns, grandes amigos na vida real, formaram uma dupla imbatível no cinema e trabalharam mais de 20 vezes juntos. Foi após atuar na obra-prima de Ford, No Tempo das Diligências(1939), que a carreira de Wayne decolou. Logo ele se tornou uma estrela, um dos atores mais populares de Hollywood e uma figura essencial dos filmes de faroeste. A voz grave, os 1.93m de altura, a imponência e o jeito austero e conservador eram as marcas registradas do ator dentro e fora das telas. Wayne participou de mais de 170 filmes, ganhou um Oscar (porBravura Indômita – 1969) e foi eleito a quinta maior estrela do cinema de todos os tempos na votação realizada pela revista Entertainment Weekly e a quarta na lista feita pela Premiere Magazine. Uma das parcerias mais elogiadas de Ford e Wayne ocorreu no grande clássicoRastros de Ódio (1956).
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Paisagem de Monument Valley
Uma das assinaturas de Ford era filmar as cenas externas de seus filmes em Monument Valley, região localizada no planalto do Colorado, no norte do Arizona, estado americano.Rastros de Ódio não fugiu à regra. O início do filme é antológico. Os créditos iniciais do longa-metragem são acompanhados da canção “Lorena”, que se tornou um hino para os soldados confederados durante a Guerra Civil. Os créditos terminam e a tela escurece. Das trevas, da tela negra, surge uma porta que se abre para o iluminado deserto, para a paisagem de Monument Valley. Uma mulher sai para receber um homem cuja identidade não nos é revelada imediatamente. A tela negra se mistura ao interior da casa, como se fosse um portal. O gesto da porta que se abre não é apenas a metáfora do começo da narrativa, como o símbolo da criação e um convite para a ficção. Há algo de ritualístico neste início de filme, algo que nos remete à abertura de um espetáculo. O início e o fim de Rastros de Ódio dialogam entre si. Se na abertura do filme a porta se abre para recebermos Wayne, ao final, ela se fecha após sua partida. É interessante observar que o protagonista é um indivíduo que pertence ao exterior iluminado, ao deserto e à aventura, e não à sombra e à tranquilidade.
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Famosa cena de abertura de Rastros de Ódio
Em Rastros de Ódio, Wayne é Ethan Edwards. O ator confidenciou que este era o seu personagem favorito, dentre os mais de 100 que interpretou. Ethan é um veterano da Guerra Civil Americana e, alguns anos após a guerra, retorna à casa do irmão. Ele é recebido também pela sua cunhada, por quem nutre uma paixão correspondida, e pelos seus três sobrinhos. Certo dia, um grupo de índios liderados pelo cruel Scar (Henry Brandon) prepara uma armadilha, conseguindo matar toda a família de Ethan, com exceção de sua sobrinha mais nova, Debbie, que é raptada pelo bando de assassinos. Após a tragédia, Ethan e um agregado da família, Martin Pawley (Jeffrey Hunter), que tem sangue indígena, saem em busca da garota. Debbie é interpretada pela irmãs Lana (aos 10 anos) e Natalie Wood (aos 15 anos). Como sabemos, a bela Natalie viraria uma estrela de Hollywood nos anos seguintes.
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Natalie Wood em cena de Rastros de Ódio
O romance entre Ethan e sua cunhada Martha (Dorothy Jordan) é insinuado pelos olhares dos atores e pela delicadeza de suas atuações. A possibilidade (nunca saberemos ao certo) de que Debbie seja, de fato, filha de Ethan, faz com que sua busca adquira um caráter ainda mais dramático. Ethan é um personagem sombrio, violento e misterioso. Há algo também de sedutor e fascinante no protagonista, uma inesperada doçura que escapa em determinados momentos. Uma das características de Ethan é o seu bordão irônico: “That'll be the day” (Vai chegar o dia). A origem do ódio e desprezo que o personagem sente pelos índios, mais especificamente pelos Comanches, é mostrada por um detalhe no filme. A lápide de uma sepultura revela que a mãe de Ethan foi assassinada por um Comanche.
O filme explora também a relação de Ethan com o jovem Martin, uma ligação que vai se assemelhando gradualmente à de pai e filho. Ao contrário de Ethan, Martin é uma figura mais leve, mais próxima da comédia. O namoro do rapaz com a jovem Laurie (Vera Miles) é tratado pelo diretor sob o viés da comédia romântica. Apesar da natureza sombria do enredo, o filme apresenta vários alívios cômicos.
A grandiosidade do filme e a exuberância das cores de Rastros de Ódio, que foi filmado emscope, fazem dele um espetáculo ainda mais poderoso. A obra-prima de Ford é hoje vista por muitos como sendo um dos mais significativos e influentes filmes de faroeste. Em Rastros de Ódio, Ford ainda presta uma homenagem ao ator Harry Carey, que se destacou no cinema mudo e que trabalhou algumas vezes com o diretor. Além de escalar a mulher e o filho do falecido ator para o elenco, Ford ainda filma Wayne fazendo a pose característica de Carey, na última cena do filme.  
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Cena final de Rastros de Ódio – Homenagem a Harry Carey
Rastros de Ódio, que é adaptação do romance de Alan Le May, foi eleito o maior filme dewestern de todos os tempos pela American Film Institute, além de figurar em 12º na lista dos melhores filmes de todos os tempos da mesma instituição. Nele, temos reunidos alguns dos elementos mais importantes da filmografia de Ford: a busca pela redenção, a grandiosidade das paisagens, a luta do bem contra o mal e o poder dilacerador da culpa. Rastros de Ódio é owestern em toda a sua grandeza.
TEXTO DE MINHA AUTORIA, PUBLICADO ORIGINALMENTE NO DIA 29/02/2012 NA COLUNA CINEMATECA DO SITE CINEMA EM CENA. 

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Clássicos da Cinemateca - Um Corpo que Cai (1958)


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Começaremos a falar de Um Corpo que Cai, fazendo referência a alguns números interessantes. O filme é o 46º longa-metragem de Alfred Hitchcock, que tinha 58 anos quando o realizou. Um Corpo que Cai é a quarta e última parceria de Hitchcock com James Stewart, que contava com 50 anos quando interpretou Scottie Ferguson e era 26 anos mais velho que Kim Novak, seu par romântico no filme. Novak foi a segunda opção do diretor para o papel principal. A primeira escolha de Hitchcock era a atriz Vera Miles, que teve que declinar do convite em função de uma gravidez. O filme foi lançado em 1958, dois anos após a aposentadoria de Grace Kelly do cinema. A atriz era a loira favorita de Hitchcock, que a dirigiu em três filmes. Um Corpo que Cai foi filmado em menos de três meses, custou aproximadamente 2,5 milhões de dólares e arrecadou no fim de semana de estreia pouco mais de 10 mil dólares. Na época de seu lançamento, o filme teve uma bilheteria abaixo da esperada e obteve críticas mistas. Hitchcock não lidou muito bem com a recepção de sua obra e culpou Stewart pelo fracasso do filme nas bilheterias, afirmando que o ator era muito velho para o papel, não atraindo o público e não convencendo como o interesse amoroso de Novak. O tempo, no entanto, opera mágicas e hoje o filme forma, ao lado de Janela Indiscreta (1954)e Psicose (1960), a tríade das maiores obras-primas do cineasta. A atuação de Stewart no clássico é uma das mais icônicas de sua carreira.
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Foto dos bastidores do filme: Alfred Hitchcock e James Stewart.
Um Corpo que Cai impressiona já na sequência dos créditos iniciais, criada pelo designer gráfico Saul Bass (que colaborou com Hitchcock também em Intriga Internacional). Bass foi auxiliado por Jonh Whitney, cineasta experimental que faz a animação das Curvas de Lissajous (espirais mostradas na abertura). Segundo Bass, ele queria recriar a sensação de mal-estar associada à vertigem, justapondo a imagem dos olhos a outras imagens e às elipses: “Eu utilizei as Curvas de Lissajous, concebidas por um matemático francês do século 19 para exprimir certas fórmulas, pelas quais eu me apaixonei alguns anos antes. Pode-se dizer que elas me obcecavam há muito tempo. [...] Eu queria capturar a aura de amor e obsessão deste filme”.¹

A sequência dos créditos iniciais do filme foi criada por Saul Bass e John Whitney.
Um Corpo que Cai é a adaptação do romance D'Entre les Morts, dos escritores franceses Pierre Boileau e Thomas Narcejac. Ambientadoem San Francisco, o filme se inicia revelando a maneira traumática com a qual Scottie Ferguson (Stewart) foi confrontado pela primeira vez com sua acrofobia (medo de lugares altos). Em uma perseguição policial, a fobia do detetive acaba causando a morte de um colega. Pouco tempo depois, já aposentado, Scottie é contatado por um antigo conhecido que lhe dá a tarefa de investigar sua esposa Madeleine (Novak) que, ao que tudo indica, está possuída pelo espírito de uma antepassada. Scottie se apaixona perdidamente por Madeleine, mas sua acrofobia impede que ele a salve quando esta se joga da torre de um convento. O destino, no entanto, faz com que o protagonista se depare com Judy (Novak novamente), sósia de Madeleine, algum tempo depois.
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Primeira cena no filme: Scottie descobre o seu medo de altura.
Para representar a vertigem no filme, Hitchcock e seu cameraman Irmin Roberts criaram o famoso efeito zoom out and track in (também conhecido por travelling compensé ou contra zoom). Trata-se de um travelling adiante combinado a um zoom para trás, que dá a sensação de desarticulação no espaço. Através desse efeito, Hitchcock pode representar a sensação de atração e repulsão (medo) provocada pela vertigem. Tal procedimento passou a fazer parte da linguagem cinematográfica, sendo depois utilizada por outros diretores, como Steven Spielberg, em Tubarão (1975).
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Madeleine contemplando retrato de Carlotta. 
A espiral também está presente no penteado de Madeleine.
Um dos grandes charmes de Um Corpo que Cai é o fato de que ele desafia qualquer rótulo reducionista, sendo um amálgama de diferentes gêneros como o suspense, o romance e o melodrama. Poderíamos até mesmo transformar o filme em uma equação. Um Corpo que Cai = intriga policial + romance + indagação metafísica + história de fantasmas + x. O seria a variável que liga harmoniosamente todos esses elementos, o toque genial de Hitchcock. Deixando um pouco de lado a matemática, podemos analisar a definição dada pelo próprio diretor ao seu filme. O mestre do suspense afirmou certa vez que o Um Corpo que Cai é a história de um necrófilo.
A definição provocativa de Hitchcock é extremamente pertinente, afinal Scottie, o protagonista, é um homem apaixonado por uma mulher “morta” que existe apenas como ideal. A cena em que ocorre a consumação do amor dos protagonistas é caracterizada por uma fantasmagórica luz verde que toma conta de toda a tela. A sexualidade de Judy perturba Scottie, que prefere o amor vindo das sepulturas. O protagonista insiste em transformar Judy na imagem da mulher morta. O amor necrófilo de Scottie por esta imagem revela o apego a uma ideia, um amor espiritual. O personagem de Stewart não consegue lidar também com sua própria natureza de ser humano encarnado. Sua vertigem o deixa inapto ao mundo físico opressor. O retorno de uma Kim Novak, muito mais encarnada, como Judy, é, para Scottie, violento e insuportável. É preciso desencarná-la e transformá-la em Madeleine.
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Scottie (James Stewart) se apaixona perdidamente por Madeleine (Kim Novak).
James Stewart era o ator que melhor encarnava o homem comum americano no cinema. Nos filmes de Hitchcock, Stewart vive indivíduos impotentes diante dos acontecimentos, homens cujas ações são limitadas por problemas físicos (a perna quebrada em Janela Indiscreta) ou psicológicos (a acrofobia em Um Corpo que Cai). O único salvamento realizado por Scottie na trama revela-se, posteriormente, um embuste. O personagem de Stewart é, portanto, marcado pela culpa e pela perda, o que faz de Scottie um dos personagens mais trágicos da filmografia de Hitchcock.
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Madeleine, Scottie e Judy: um triângulo amoroso insólito.
Mesmo que seu talento nunca tenha se sobressaído à sua beleza, em Um Corpo que Cai, Kim Novak consegue dar à loira Madeleine o caráter etéreo pedido pela personagem através de seu olhar sempre perdido, seu jeito vulnerável e sua falta de expressão. Já como a morena Judy, a atriz tem uma presença mais marcante e uma sensualidade exuberante. Recentemente, a atriz de 78 anos levantou uma polêmica, acusando o filme O Artista (2011) de plagiar um dos temas musicais de Um Corpo que Cai (1958), composto por Bernard Herrmann. O inesquecível tema de amor da obra de Hitchcock foi realmente utilizado no filme francês, indicado este ano  a dez Oscars. O uso, no entanto, é acusado nos créditos finais do filme, onde a peça é citada como música adicional. A música de Herrmann é, por sinal, uma das mais marcantes trilhas sonoras do cinema e eleita, em2005, a 12ª melhor trilha sonora de todos os tempos pelo American Film Institute. Ouça, a seguir:
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Psicodélica cena de sonho de Scottie, dirigida por Saul Bass.
É interessante notar que, mesmo após a resolução do mistério central, o filme continua tendo uma dimensão fantasmagórica, afinal Hitchcock não faz questão de tudo explicar ou explicitar. Por exemplo, em uma determinada cena, Scottie segue Madeleine até o hotel, sobe até o quarto e ela não está lá, desaparecendo misteriosamente. Em outra cena, Judy parece saber do sonho de Scottie sem que este a tenha contado. Esses mistérios (unidos a outros elementos como o uso da luz verde e a própria facilidade de Madeleine/Judy em sempre escapar das mãos de Scottie) dão à história um caráter ainda mais perturbador e intrigante.
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Kim Novak tinha 24 anos quando fez Um Corpo que Cai.
Abrimos nosso texto sobre Um Corpo que Cai, falando em números. Nada mais natural do que terminá-lo fazendo referência a outros. O filme concorreu a apenas dois Oscars (Melhor Direção de Arte e Melhor Som), não sendo premiado em nenhuma das duas categorias. É possível encontrar o título do longa em praticamente todas as listas de “melhores filmes de todos os tempos”, produzidas pelos mais diferentes veículos de comunicação e associações. Em suas respectivas listas, a revista Entertainment Weekly o classificou em 19º lugar, a Total Film em 2º, a francesa Positif também em 2º e o American Film Institute em 9º. Um Corpo que Cai também foi eleito o maior filme de mistério de todos os tempos na votação realizada pelo American Film Institute. A inesquecível obra-prima de Hitchcock é uma história de amor com ares de pesadelo. Nela, paixão e morte são duas faces da mesma moeda. 
¹ Saul Bass, in Dan Auiler, VertigoThe Making of a Hitchcock Classic, New York,St. Martin’s Press, 1998. P. 155.
TEXTO DE MINHA AUTORIA PUBLICADO ORIGINALMENTE NO DIA 13/02/2012 NA COLUNA CINEMATECA , DO SITE CINEMA EM CENA. 

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Faca na Água - 1962

Título Original: Nóz w wodzie
Lançamento: 1962
País: Polônia
Direção: Roman Polanski
Atores: Leon Niemczyk, Jolanta Umecka e Zygmunt Malanowicz
Gênero: Drama/ Thriller
Duração: 94 min


Leon Niemczyk, Jolanta Umecka e Zygmunt Malanowicz protagonizam Faca na Água
O cineasta franco-polonês Roman Polanski iniciou sua trajetória artística como ator em 1953. Em 1955, ele dirigiu seu primeiro filme, o curta-metragem Rower. Sete anos depois, o cineasta viria a dirigir seu primeiro longa-metragem: Faca na Água (1962). Esse primeiro longa, o único da carreira de Roman Polanski produzido na Polônia, foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, tendo na ocasião a concorrência pesada de 8 1/2 (1963), obra-prima de Federico Fellini que acabou ficando com a estatueta. Faca na Água não se destaca apenas por ter sido o primeiro filme polonês indicado ao Oscar, mas também por ser um dos primeiros filmes poloneses, pós-Segunda Guerra, que não tem a guerra como tema principal ou pano de fundo. Faca na Água é a prova do talento e genialidade do diretor que, aos 29 anos, realizou um de seus filmes mais instigantes e sedutores.  

Faca na Água nos apresenta, em sua bela e estranha sequência de abertura, um casal a bordo de um carro. Logo, eles se deparam com um jovem moço que, ao atravessar a estrada, quase é atropelado. A esse moço é oferecida uma carona. Quando marido e mulher finalmente chegam a seu destino, um deck à beira de um grande lago, eles convidam o jovem para participar de um passeio de barco. A partir de então, um triângulo amoroso é formado. O filme é centrado em algumas horas na vida de três personagens e se passa quase totalmente no pequeno barco de Andrzej (Leon Niemczyk), quarentão casado com a jovem e bela Krystyna (Jolanta Umecka). Na pele do jovem desconhecido, cujo nome não nos é revelado, temos o galã Zygmunt Malanowicz. O papel foi disputado pelo próprio Roman Polanski, que acabou sendo descartado por não ser considerado atraente o bastante. Apesar de perder o papel, Polanski acabou por dublar o personagem posteriormente, já que a grave voz de Malanowicz era considerada forte e madura demais para o papel.

Já em seu primeiro longa-metragem, Polanski nos revela seu interesse pelas neuroses humanas e sua preferência por narrativas que se desenvolvem em espaços restritos, algo que pode ser verificado na sua famosa trilogia do apartamento, da qual Repulsa ao Sexo (1965) faz parte. Outra característica que não passa despercebida na narrativa é a sua crescente tensão sexual. A questão do sexo e da sexualidade ocupa também um lugar de destaque na filmografia do diretor franco-polonês. Escrito por Jerzy Skolimowski, Jakub Goldberg e Roman Polanski, Faca na Água é um drama e um thriller psicológico extremamente ousado e inteligente. 

Sem dúvida, um dos grandes atrativos do filme é a dimensão psicológica da narrativa. Andrzej é um homem competitivo, extremamente habilidoso e experiente. Apesar de ser forte e viril, o personagem se sente visivelmente ameaçado pelo jovem desconhecido, o que nos revela uma provável insegurança. O quarentão busca, de diversas formas, exibir sua masculinidade e virilidade, com a intenção de provar sua superioridade ao "concorrente". O "garoto" não fica para trás e responde às provocações de Andrzej com jovialidade, vigor e falta de jeito. Uma eletrizante, tensa e velada guerra fálica (simbolizada pela própria onipresença do imponente mastro do barco) é instaurada entre os dois personagens. Por vezes, Andrzej demonstra um interesse quase paternal pelo rapaz, interesse este que é confrontado com o seu desejo de sobrepujá-lo e destruí-lo. O jovem, por sua vez, parece admirar a desenvoltura e as habilidades do homem mais velho, ansiando em ser um pouco como ele. Em meio a essa guerra psicológica, está Krystyna, alvo do desejo do jovem desconhecido. A bela parece viver um momento de insatisfação em seu casamento. A moça, que encarna como ninguém a sensualidade feminina, acaba por se sentir atraída pelo rapaz. 

O filme não teria metade de seu irresistível charme se não fosse pela elegância da direção de Polanski, que capricha em enquadramentos maravilhosos. Cada quadro do filme parece contar uma história e é impressionante a maneira com a qual o diretor cria uma tensão no interior de diversos quadros, utilizando magistralmente a profundidade de campo. Assim, ele brinca com a questão do triângulo amoroso, colocando os personagens em posições estratégicas na tela, cheias de significado. Outro trunfo da narrativa é a forma com a qual a faca (referida no título) é manipulada durante a narrativa e como o roteiro brinca com as expectativas do espectador com relação a ela. O filme conta ainda com uma fotografia deslumbrante em preto-e-branco de Jerzy Lipman. Esteticamente impecável, o filme é também beneficiado pelas ótimas performances do trio de atores, com destaque para o assustador Leon Niemczyk e para a sensibilidade de Zygmunt Malanowicz.

Faca na Água não é um dos filmes mais conhecidos do mestre Roman Polanski. O primeiro longa-metragem de Roman Polanski é também sua primeira obra-brima, um filme que merece ser (re)descoberto. 


Veja mais fotos do filme:





Assista ao trailer:






terça-feira, 3 de julho de 2012

Clássicos da Cinemateca - A Malvada (1950)


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Cena de A Malvada.
As versões brasileiras de títulos de filmes estrangeiros são, muitas vezes, motivo de piada. No entanto, não podemos culpar a falta de criatividade das traduções que, eventualmente, conseguem ser mais poéticas e interessantes do que os títulos originais. Lembrando alguns exemplos de clássicos hollywoodianos, temos Ardida como Pimenta (para Calamity Jane - 1953), Assim Caminha a Humanidade (para Giant - 1956), A Primeira Noite de um Homem(para The Graduate - 1967), Da Terra Nascem os Homens (para The Big Country - 1958), Os Brutos Também Amam (para Shane - 1953), Crepúsculo dos Deuses (para Sunset Blvd.- 1950) e A Malvada (para All About Eve - 1950).
O caso de A Malvada é particularmente interessante. Além de ser obviamente diferente e talvez mais impactante do que o original, o título nacional parece induzir o espectador a um engano que tem tudo a ver com o espírito do filme. Explico: para o público de 1950, ano em que o longa-metragem foi lançado, a imagem de malvada estava muito mais associada à Bette Davis, intérprete de Margo Channing e estrela do filme, do que a Anne Baxter, que interpreta a verdadeira vilã, Eve Harrington. Joseph L. Mankiewicz, diretor e roteirista do clássico, também utiliza a mesma estratégia no filme! Mankiewicz retarda o quanto pode a confirmação do mau-caratismo de Eve, alimentando a dúvida sobre as protagonistas. Se até mesmo nos dias de hoje algumas pessoas se surpreendem, ao longo do filme, ao descobrirem que a malvada é de fato Eve, imagine nos anos 50?
Davis não fez apenas megeras ou vilãs no cinema, mas sempre mostrou um talento único para interpretá-las. Para se ter uma ideia da reputação que a atriz alcançou por conta de tais personagens, basta dizer que o filme protagonizado por ela em 1949, Beyond the Forest(Além da Floresta, em português), foi traduzido no Brasil como o esdrúxulo A Filha de Satanás. Até 1950, quando A Malvada estreou no cinema, a atriz já havia colecionado algumas megeras remarcáveis, como Mildred Rogers (em Escravos do Desejo - 1934) e Regina Giddens (emPérfida - 1941), além de mocinhas nada convencionais ou adocicadas, como Joyce Heath (emPerigosa – 1935) e Julie (em Jezebel - 1938).
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As várias faces de Bette Davis.
No fim dos anos 40, já desvinculada da Warner Bros., Davis tentava dar um novo rumo a sua carreira que havia entrado em franca decadência. Muitos estavam convencidos da aposentadoria da atriz. Mas eis que, inesperadamente, surge a oportunidade de substituir Claudette Colbert no novo projeto de Mankiewicz. Ao ler o roteiro, Davis soube imediatamente que Margo Channing era a sua grande chance de dar a volta por cima. Ela filmou em apenas 16 dias, levou o prêmio de Melhor Atriz em Cannes pelo papel e foi indicada pela nona vez ao Oscar. Os críticos que haviam sido tão duros com ela nos anos anteriores se renderam aos seus pés. A renomada crítica de cinema americana Pauline Kael não gostou da maneira com o qual Mankievics retratou o universo teatral, mas afirmou que a performance de Davis salvou o filme e que a atriz foi ao limite das reações e emoções de sua personagem, fazendo com que tudo ganhasse vida. 
DivulgaçãoJoseph L. Mankiewicz (foto; irmão de Herman J. Mankiewicz, co-roteirista de Cidadão Kane) queria realizar um filme que abordasse a vida de uma atriz já madura. Quando leu o conto The Wisdom of Eve (1946), da escritora americana Mary Orr, o diretor encontrou o material perfeito para o seu projeto. The Wisdom of Eveé baseado em uma história real, mais precisamente no que ocorreu com a atriz austríaca Elisabeth Bergner e sua secretária em Viena. A despeito disso, muitos especularam que o filme era baseado, de fato, na vida da atriz Tallulah Bankhead, grande dama do teatro americano que trabalhou também no cinema. Bankhead chegou a afirmar que arrancaria cada “pelo do bigode de Bette Davis”, nada contente com uma suposta imitação. Tanto Mankiewicz, quanto Davis desmentiram veementemente que o filme fosse inspirado em Bankhead, mas a lenda persistiu.
A Malvada conta a história de Margo, uma bem-sucedida e temperamental atriz de teatro que tem sua vida vampirizada por uma ambiciosa aspirante à celebridade, Eve (referência à Eva bíblica do pecado original?). Davis descrevia sua personagem como “uma atriz envelhecendo e nada feliz com isso”. Sem dúvida, Margo é a personagem mais autobiográfica que Davis já interpretou no cinema. As duas partilham a mesma profissão, a mesma tenacidade, a língua ferina (veja as frases de Davis abaixo) e o temperamento difícil.
A primeira cena do filme se passa numa premiação, quando Eve (Baxter) está prestes a receber o prêmio de Melhor Atriz de teatro. Através de um longo flashback e da intervenção de diferentes narradores e pontos de vista (predominando a do cínico crítico teatral Addison DeWitt, interpretado por George Sanders), acompanhamos a maneira com a qual Eve conseguiu alcançar o sucesso e a fama tão desejados. 
DivulgaçãoEve (Baxter) agradece pelo prêmio de Melhor Atriz em cena do filme.
Por falar em prêmio de Melhor Atriz, Davis era a favorita ao Oscar em1951 (mesmo tendo como concorrente Gloria Swanson, por Crepúsculo dos Deuses). A ironia do destino é que ela foi atrapalhada justamente por Anne Baxter (sua antagonista no filme), que exigiu ser promovida como principal e, ao ser indicada na mesma categoria que a colega, provavelmente ocasionou a divisão de votos entre as duas, fazendo com que a estatueta fosse para a zebra Judy Holliday, por sua interpretação na ótima comédia Nascida Ontem (1950). A Malvadaentrou para a história da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas por possuir o recorde de indicações ao Oscar, 14 no total. Esse número só foi igualado por Titanic (1997).  
10 pérolas de Bette Davis
1 - Tenho sido inflexível, raivosa, intratável, obsessiva, sem tato, inconstante e, por vezes, desagradável. Suponho que eu seja maior que a vida.
2 - Gary era um macho man, mas nenhum dos meus maridos foram jamais homens o suficiente para se tornarem o Sr. Bette Davis. [Sobre seu ex-marido Gary Merrill]
3 - Existiam melhores atuações nas festas de Hollywood do que jamais houve nas telas.
4 - Ela deve saber tudo sobre closes-ups! Meu Deus, ela estava lá quando eles foram inventados! [Sobre Lillian Gish]
5 - Não urinaria nela se ela estivesse pegando fogo. [Sobre Joan Crawford]
6 - Ela dormiu com todas as estrelas masculinas da MGM, com exceção de Lassie. [Sobre Joan Crawford]
7 - Você nunca deve falar coisas ruins sobre os mortos, apenas coisas boas. Joan Crawford morreu. Bom! [Sobre Joan Crawford]
8 - Joan sempre chora bastante, seus ductos lacrimais devem ser muito próximos de sua bexiga. [Sobre Joan Crawford]
9 - Quero morrer de salto alto, ainda em cena.
10 - Quando eu morrer, irão provavelmente leiloar meus cílios postiços.

Histórias dos bastidores das filmagens de A Malvada, contam que Davis e Celeste Holm (que interpreta a melhor amiga de Margo na trama) se odiavam. Curiosamente, Davis tornou-se grande amiga de Baxter, sua rival no filme. Para a surpresa de muitos, Mankiewicz afirmou que Davis era uma das atrizes mais prestativas, profissionais e comprometidas com quem ele já havia trabalhado, a despeito dos boatos que diziam que ela era problemática nos sets. A Malvada também marcou a vida pessoal de Davis. Foi durante as filmagens que a estrela se apaixonou pelo seu futuro marido, o ator Garry Merrill, que interpreta seu par romântico na história. 
A Malvada foi um imenso sucesso na época de seu lançamento e é considerado, por muitos, um dos melhores filmes já realizados sobre o mundo do teatro. No entanto, mais do que uma visão sobre o universo teatral, o longa de Mankiewicz é um retrato crítico e  impiedoso doshow business. O filme é famoso também por seus diálogos afiados, pelas frases antológicas (leia abaixo) e pelo ótimo conjunto de atuações.  Encabeçando o elenco, temos Davis que nos presenteia com a melhor atuação da sua carreira, numa performance cheia de fúria e intensidade. O maior mérito da atriz é o de humanizar a personagem, revelando também sua vulnerabilidade e seus defeitos. Sua interpretação se contrapõe perfeitamente com a da quase robótica e fria Baxter. Quem também brilha é a eterna coadjuvante Thelma Ritter, que está impagável na pele de Birdie (personagem escrita especialmente para ela). Sanders e Holm também estão excelentes. Esses cinco atores foram indicados ao Oscar, apenas Sanders ganhou. Ainda sobre a premiação, outro recorde obtido por A Malvada, que ainda não foi quebrado, é o de número de indicações (quatro) para atuações femininas em um mesmo filme. O clássico de 1950 também é lembrado por ser aquele que abriu as portas da fama para Marilyn Monroe. A rápida participação da atriz no filme não passou despercebida e, logo a seguir, sua carreira decolou em Hollywood.
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Foto do elenco: Gary Merrill, Bette Davis, George Sanders, Anne Baxter, Hugh Marlowe e Celeste Holm.
O sucesso de A Malvada é tão grande e universal que inspirou até mesmo uma novela brasileira, Celebridade (2003/2004). O filme é o ponto máximo da carreira de Mankiewicz e de Davis e impressiona, até hoje, pelo seu humor ácido e pelo seu caráter atual, tocando em diversos temas que continuam pertinentes, como a inveja, a ambição, o desejo de fama a qualquer preço e a dificuldade de se encarar o envelhecimento e de se conciliar amor e carreira. O filme foi premiado com seis Oscars (Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Figurino, Melhor Som e Melhor Roteiro), um Globo de Ouro (Melhor Roteiro) e ocupa o 28o  lugar na lista dos 100 Melhores Filmes do Cinema produzida pelo American Film Institute (AFI).
Conheça ou relembre, abaixo, algumas falas célebres de A Malvada:
Margo Channing: Bill tem 32 anos. Ele parece ter 32 anos. Ele já parecia cinco anos atrás e ele continuará parecendo daqui a 20 anos. Eu odeio os homens.
-§-
Margo Channing: Apertem os cintos, esta noite será turbulenta!
-§-
Birdie: Tem uma mensagem do bartender. “Será que Miss Channing sabe que encomendou gin nacional por engano?”
Margo: A única coisa que encomendei por engano foram os convidados.
-§-
Addisson DeWitt: Enquanto espera, leia minha coluna. Fará minutos passar como horas!
-§-
Eve Harrington: Saia! (abrindo a porta)
Addisson DeWitt: Você é muito pequena para tamanho gesto!
-§-
Karen Richards: Nada é para sempre no teatro. O que quer que esteja lá, se inflama, queima e depois desaparece.


TEXTO DE MINHA AUTORIA PUBLICADO INICIALMENTE NA COLUNA CINEMATECA, DO SITE CINEMA EM CENA NO DIA 25/01/2012.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Repulsa ao Sexo - 1965

Título Original: Repulsion 
Lançamento: 1965
País: Reino Unido 
Direção: Roman Polanski
Atores: Catherine DeneuveIan Hendry e John Fraser
Duração: 105
Gênero: Drama/ Thriller


Repulsa ao Sexo (1965) é o segundo longa-metragem da carreira do cineasta franco-polonês Roman Polanski. O filme é o primeiro volume da famosa "trilogia do apartamento", da qual também fazem parte O Bebê de Rosemary (1968) e O Inquilino (1976). Repulsa ao Sexo foi filmado no Reino Unido, sendo o primeiro filme em inglês do diretor, que viria a filmar também na França e nos Estados Unidos. O cineasta, que realizou apenas um longa-metragem em seu país, Polônia, teve uma vida marcada por traumas e problemas judiciais. Em 1969, sua esposa, a atriz Sharon Tate, foi brutalmente assassinada por membros da família Manson. Em 1977, o diretor foi acusado de abuso sexual contra uma adolescente de 13 anos, não podendo mais retornar aos Estados Unidos, onde fez dois de seus maiores clássicos: O Bebê de Rosemary e Chinatown (1974).

Repulsa ao Sexo apresenta uma forte influência do surrealismo, principalmente de obras do espanhol Luis Buñuel. O filme, que combina drama psicológico, terror e thriller de maneira magistral, conta a história de Carol (Catherine Deneuve), uma jovem belga que vive com a irmã num pequeno apartamento em Londres, onde trabalha como manicure. Apesar de atrair a atenção de muitos homens, entre eles, do apaixonado Collin (John Fraser), a bela moça parece ter aversão ao sexo masculino. Quando a irmã mais velha (Yvonne Furneaux) viaja com o namorado (Ian Hendry) e deixa Carol sozinha no apartamento, a sanidade desta começa a se desestabilizar e estranhos eventos acontecem. A exuberante atriz francesa Catherine Deneuve tinha apenas 22 anos quando deu vida a uma das personagens mais importantes de sua carreira.


Muitas das narrativas de Polanski são construídas sob uma atmosfera sombria, incerta e angustiante. O tema da paranoia é também relevante em sua filmografia, podendo ser verificado em alguns de seus filmes, como O Inquilino e o próprio Repulsa ao Sexo. Polanski sempre revelou um imenso fascínio pelas neuroses humanas. O roteiro de Repulsa ao Sexo foi escrito pelo diretor em parceria com Gérard Brach. Um dos maiores atrativos do filme é a construção da personagem central, uma figura que impressiona por sua fragilidade, seu ar alienado e perdido e, ao mesmo tempo, pela sua alta periculosidade. Polanski não se preocupa em dar justificativas sobre o comportamento de sua protagonista, que pode ter origem em algum trauma de infância, como um possível estupro. Uma coisa, no entanto, parece ser certa: qualquer que seja a origem precisa dos traumas da personagem, ela está relacionada ao sexo e à sexualidade.

Polanski retrata brilhantemente a vida psicológica da personagem, recriando suas alucinações e transformando os medos dela em imagens, através de belas sequências de inspiração expressionista e surrealista.  A intensa vida interior de Carol se contrapõe à sua personalidade aparentemente insípida e retraída. O filme nos permite ainda supor que a aversão da personagem ao gênero masculino e ao sexo é  fruto de um desejo mal resolvido, reprimido e que lhe causa pavor. A existência de um convento ao lado do prédio da protagonista e mesmo sua vestimenta (ela está quase sempre vestida de branco) parecem simbolizar a pureza da virginal personagem. Carol é confrontada ao apelo do sexo pela presença do namorado da irmã em casa, pelos ruídos de sexo durante a noite e pelo assédio de um pretendente. O coelho na trama, por sua vez, é quase uma metáfora da própria fragilidade da personagem, que se sente coagida pelos seus predadores. 


Repulsa ao Sexo é abrilhantado por uma sedutora fotografia em preto e branco, belíssimos enquadramentos e uma elegância ímpar na direção. Além de ser esteticamente primoroso, o filme conta com uma atuação impressionante da belíssima Catherine Deneuve, cuja composição em nada se assemelha às femmes fatales que interpretaria posteriormente. Deneuve expõe, de maneira eficiente, o desconforto, a alienação, a dificuldade de se comunicar da personagem. É interessante observar que, na foto de família, presente no apartamento, Carol se diferencia dos outros familiares. Ela aparece ainda criança, com um olhar perdido e em segundo plano. Esse já é um indício do caráter isolado e "especial" da personagem. É importante salientar também que Polanski cria uma personagem sexualmente atraente, que se recusa a ser um objeto sexual.

Angustiante e instigante, Repulsa ao Sexo é uma das primeiras obras-primas da belíssima filmografia de Roman Polanski. Esse thriller com toques de terror, é um clássico que explora as dimensões tortuosas da psicologia humana. 



Veja mais fotos do filme:














Assista ao trailer:



quinta-feira, 28 de junho de 2012

Clássicos da Cinemateca - E o Vento Levou... (1939)


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Quem nunca ouviu falar de E o Vento Levou? Ou citou, mesmo sem saber a origem, uma de suas frases célebres, como “Amanhã é um novo dia”? Quem não conhece o tema musical de Tara, composto pelo genial Max Steiner, nem que seja através do seriado Chaves? Pois bem, o épico romântico é um dos filmes mais amados, parodiados e citados da história. O que não significa que seja uma unanimidade. Alguns o comparam ao polêmico Nascimento de uma Nação (1915), de D.W. Griffith, pela maneira como a sociedade escravista é representada. Outros torcem o nariz para o caráter melodramático do filme, pelo que chamam de “quatro horas de novela mexicana”. Detratores à parte, E o Vento Levou sustenta o status de um dos filmes mais populares do cinema. No texto de estreia da coluna Cinemateca, dedicada aos clássicos, tentaremos desvendar os bastidores deste que é um dos maiores sucessos artísticos e comerciais de todos os tempos da indústria cinematográfica.
DivulgaçãoUma das perguntas mais interessantes a se fazer com relação a E o Vento Levou é: quem é o verdadeiro autor do longa-metragem? Normalmente, o diretor é aquele a quem atribuímos a autoria de um filme, seu fracasso ou seu sucesso. Com o nosso filme, isso não funcionaria. Para começar, E o Vento Levou foi assumido por três diretores (o oficial, Victor Fleming - foto - e os não creditados George Cukor e Sam Wood) e nenhum deles conseguiu ter liberdade suficiente para imprimir ao filme sua visão da história e seu estilo. Isso se explica pelo fato de o produtor David O. Selznick ser extremamente intervencionista.
Selznick é um dos maiores produtores da Hollywood Clássica. Controlador, amante das adaptações literárias e das produções grandiosas, o genro do poderoso Louis B. Mayer era o pesadelo de qualquer cineasta, já que sempre impunha a sua vontade. Selznick é, sem dúvida, o maior responsável pelo sucesso de E o Vento Levou. Ele comprou os direitos da adaptação do romance de Margaret Mitchell antes mesmo dele se tornar um best-seller e começou sua produção em 1936.
Seria, no entanto, injusto atribuir a autoria de E o Vento Levou somente a Selznick. William Cameron Menzies, renomado diretor de arte, é responsável pela concepção estética do filme, assim como pelo magistral uso das cores, com destaque para o característico vermelho saturado. Menzies foi contratado por Selznick para produzir o storyboard de cada tomada do filme. E o Vento Levou foi um dos primeiros longas a ter cada uma de suas sequências planejadas através do processo do storyboarding. Menzies foi importante também por ter dado unidade ao filme, que poderia ter sido uma bagunça devido à troca constante de diretores.
DivulgaçãoA partir do momento em que foi anunciada a adaptação cinematográfica do romance de Margaret Mitchell, houve uma participação massiva do povo americano no projeto, tamanha era a popularidade da história. Em uma pesquisa nacional realizada na época, Clark Gable (foto) foi escolhido como o favorito do público para encarnar o protagonista Rhett Butler. Gable, que declarou nunca ter terminado de ler o livro, estava receoso e relutante em interpretar o personagem. Além disso, o ator tinha contrato com a MGM e, de acordo com o studio system, ele não poderia fazer o filme, já que estava "preso" ao estúdio de Louis B. Mayer. Selznick, no entanto, negociou com o sogro e conseguiu com que Gable fosse emprestado, desde que em troca a MGM fosse encarregada pela distribuição do filme. Gable não tinha opção. Pressionado, ele aceitou ser o intérprete de Rhett Butler, mesmo temendo decepcionar o público.
A escolha dos coadjuvantes se deu com certa tranquilidade. Olivia de Havilland, uma das atrizes americanas mais populares da segunda metade dos anos 30, queria dar um novo rumo a sua carreira e deixar de lado os papéis que lhe deram fama nos filmes de capa e espada. Ela foi indicada pela irmã Joan Fontaine e aceitou rapidamente ser a intérprete de Melanie Wilkes. Para viver Ashley Wilkes, Selznick não queria outro que não Leslie Howard. Para participar do filme, o ator exigiu que Selznick produzisse seu próximo filme: Intermezzo – A Love Story (1939). Howard não gostava nem um pouco de seu personagem, nunca leu o livro, se achava velho para o papel e só se importava em decorar suas falas. Ele acreditava que E o Vento Levou era um filme de mulher.
DivulgaçãoMuito mais complicada e demorada foi a escolha da protagonista feminina, a (anti)heroína Scarlett O’Hara. Diversos nomes famosos foram cogitados, como o de Bette Davis. A atriz se mostrara extremamente interessada pelo papel, mas veio a recusá-lo, uma vez que seu empréstimo para o filme estava condicionado ao empréstimo de Errol Flynn como seu par romântico (e ela odiava mortalmente o ator). Paulette Goddard (foto à esquerda) foi a atriz que mais se aproximou de ser a escolhida de Selznick. O produtor havia gostado bastante do seu teste. Por temer a má repercussão do relacionamento de Goddard com Charles Chaplin, Selznick acabou por desistir dela.
DivulgaçãoMais de 1.400 atrizes se candidataram ao papel e mais de 400 testes foram realizados. Myron Selznick, irmão de David, estava trazendo para os Estados Unidos o ator inglês Laurence Olivier para seu primeiro filme americano. Olivier tinha um caso com Vivien Leigh (foto à direita), atriz desconhecida nos Estados Unidos. Como o casal não queria se separar, a vinda de Leigh tornava-se necessária. Myron teve, então, a ideia de indicar Leigh para o papel de Scarlett. Ao apresentar a atriz ao irmão, ele disse: “Eis sua Scarlett!” David Selznick já havia visto alguns filmes da atriz e não havia se impressionado. No entanto, ele ficou encantado com o teste da inglesa. Boa parte do público repercutiu negativamente a escolha de uma atriz não americana para o papel de Scarlett O’Hara. Hoje em dia, é quase impossível pensar em outra atriz na pele da personagem icônica.
DivulgaçãoMuitos problemas interferiram nas filmagens de E o Vento Levou. Selznick exigiu diversas mudanças no roteiro, que acabou sendo escrito a cinco mãos. Paginas do script chegavam a ser reescritas no mesmo dia de sua filmagem. Para a direção do longa-metragem, o produtor convidara o amigo George Cukor. Após algum tempo de filmagem, Selznick o afastou da produção, afirmando não estar gostando do resultado. Cukor, conhecido por saber retratar com sensibilidade o universo feminino, tinha uma ótima relação com Leigh e Havilland, mas não se dava bem com Gable. O ator sentia que o diretor dava muito mais atenção às mulheres. No lugar de Cukor, que era homossexual, Selznick colocou Victor Fleming, que tinha a fama de machista, e que era amigo de Gable. Leigh e Havilland odiavam o novo diretor. Após brigas homéricas com Leigh, Fleming se afastou. Sam Wood foi então chamado, mas Selznick não gostou nada do resultado, sendo obrigado a chamar Fleming de volta para dirigir o restante das principais cenas.
DivulgaçãoE o Vento Levou estreou nos Estados Unidos em 15 de dezembro de 1939. O filme ganhou oito Oscars (Melhor Filme, Direção, Roteiro, Atriz, Atriz Coadjuvante, Direção de Arte, Fotografia e Montagem) além de dois prêmios especiais pelos avanços técnicos promovidos pelo longa. O filme continua a ser o campeão absoluto de bilheteria em termos de número de espectadores (202 milhões de ingressos vendidos*), superando, neste quesito, o campeão de arrecadação, o filme Avatar (2009), de James Cameron (61 milhões de ingressos*). E o Vento Levou sustenta, portanto, há 72 anos, o status de filme mais visto de todos os tempos nos cinemas. Muito ainda pode ser dito sobre ele, mas este é apenas o primeiro texto da nossa coluna e, com certeza, o clássico produzido por David O. Selznick aparecerá por aqui outras vezes.
* Fonte: Box Office Mojo, 05/02/2010
TEXTO PUBLICADO ORIGINALMENTE NA COLUNA CINEMATECA DE MINHA AUTORIA EM 11 DE JANEIRO DE 2012.