sexta-feira, 6 de julho de 2012

Faca na Água - 1962

Título Original: Nóz w wodzie
Lançamento: 1962
País: Polônia
Direção: Roman Polanski
Atores: Leon Niemczyk, Jolanta Umecka e Zygmunt Malanowicz
Gênero: Drama/ Thriller
Duração: 94 min


Leon Niemczyk, Jolanta Umecka e Zygmunt Malanowicz protagonizam Faca na Água
O cineasta franco-polonês Roman Polanski iniciou sua trajetória artística como ator em 1953. Em 1955, ele dirigiu seu primeiro filme, o curta-metragem Rower. Sete anos depois, o cineasta viria a dirigir seu primeiro longa-metragem: Faca na Água (1962). Esse primeiro longa, o único da carreira de Roman Polanski produzido na Polônia, foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, tendo na ocasião a concorrência pesada de 8 1/2 (1963), obra-prima de Federico Fellini que acabou ficando com a estatueta. Faca na Água não se destaca apenas por ter sido o primeiro filme polonês indicado ao Oscar, mas também por ser um dos primeiros filmes poloneses, pós-Segunda Guerra, que não tem a guerra como tema principal ou pano de fundo. Faca na Água é a prova do talento e genialidade do diretor que, aos 29 anos, realizou um de seus filmes mais instigantes e sedutores.  

Faca na Água nos apresenta, em sua bela e estranha sequência de abertura, um casal a bordo de um carro. Logo, eles se deparam com um jovem moço que, ao atravessar a estrada, quase é atropelado. A esse moço é oferecida uma carona. Quando marido e mulher finalmente chegam a seu destino, um deck à beira de um grande lago, eles convidam o jovem para participar de um passeio de barco. A partir de então, um triângulo amoroso é formado. O filme é centrado em algumas horas na vida de três personagens e se passa quase totalmente no pequeno barco de Andrzej (Leon Niemczyk), quarentão casado com a jovem e bela Krystyna (Jolanta Umecka). Na pele do jovem desconhecido, cujo nome não nos é revelado, temos o galã Zygmunt Malanowicz. O papel foi disputado pelo próprio Roman Polanski, que acabou sendo descartado por não ser considerado atraente o bastante. Apesar de perder o papel, Polanski acabou por dublar o personagem posteriormente, já que a grave voz de Malanowicz era considerada forte e madura demais para o papel.

Já em seu primeiro longa-metragem, Polanski nos revela seu interesse pelas neuroses humanas e sua preferência por narrativas que se desenvolvem em espaços restritos, algo que pode ser verificado na sua famosa trilogia do apartamento, da qual Repulsa ao Sexo (1965) faz parte. Outra característica que não passa despercebida na narrativa é a sua crescente tensão sexual. A questão do sexo e da sexualidade ocupa também um lugar de destaque na filmografia do diretor franco-polonês. Escrito por Jerzy Skolimowski, Jakub Goldberg e Roman Polanski, Faca na Água é um drama e um thriller psicológico extremamente ousado e inteligente. 

Sem dúvida, um dos grandes atrativos do filme é a dimensão psicológica da narrativa. Andrzej é um homem competitivo, extremamente habilidoso e experiente. Apesar de ser forte e viril, o personagem se sente visivelmente ameaçado pelo jovem desconhecido, o que nos revela uma provável insegurança. O quarentão busca, de diversas formas, exibir sua masculinidade e virilidade, com a intenção de provar sua superioridade ao "concorrente". O "garoto" não fica para trás e responde às provocações de Andrzej com jovialidade, vigor e falta de jeito. Uma eletrizante, tensa e velada guerra fálica (simbolizada pela própria onipresença do imponente mastro do barco) é instaurada entre os dois personagens. Por vezes, Andrzej demonstra um interesse quase paternal pelo rapaz, interesse este que é confrontado com o seu desejo de sobrepujá-lo e destruí-lo. O jovem, por sua vez, parece admirar a desenvoltura e as habilidades do homem mais velho, ansiando em ser um pouco como ele. Em meio a essa guerra psicológica, está Krystyna, alvo do desejo do jovem desconhecido. A bela parece viver um momento de insatisfação em seu casamento. A moça, que encarna como ninguém a sensualidade feminina, acaba por se sentir atraída pelo rapaz. 

O filme não teria metade de seu irresistível charme se não fosse pela elegância da direção de Polanski, que capricha em enquadramentos maravilhosos. Cada quadro do filme parece contar uma história e é impressionante a maneira com a qual o diretor cria uma tensão no interior de diversos quadros, utilizando magistralmente a profundidade de campo. Assim, ele brinca com a questão do triângulo amoroso, colocando os personagens em posições estratégicas na tela, cheias de significado. Outro trunfo da narrativa é a forma com a qual a faca (referida no título) é manipulada durante a narrativa e como o roteiro brinca com as expectativas do espectador com relação a ela. O filme conta ainda com uma fotografia deslumbrante em preto-e-branco de Jerzy Lipman. Esteticamente impecável, o filme é também beneficiado pelas ótimas performances do trio de atores, com destaque para o assustador Leon Niemczyk e para a sensibilidade de Zygmunt Malanowicz.

Faca na Água não é um dos filmes mais conhecidos do mestre Roman Polanski. O primeiro longa-metragem de Roman Polanski é também sua primeira obra-brima, um filme que merece ser (re)descoberto. 


Veja mais fotos do filme:





Assista ao trailer:






terça-feira, 3 de julho de 2012

Clássicos da Cinemateca - A Malvada (1950)


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Cena de A Malvada.
As versões brasileiras de títulos de filmes estrangeiros são, muitas vezes, motivo de piada. No entanto, não podemos culpar a falta de criatividade das traduções que, eventualmente, conseguem ser mais poéticas e interessantes do que os títulos originais. Lembrando alguns exemplos de clássicos hollywoodianos, temos Ardida como Pimenta (para Calamity Jane - 1953), Assim Caminha a Humanidade (para Giant - 1956), A Primeira Noite de um Homem(para The Graduate - 1967), Da Terra Nascem os Homens (para The Big Country - 1958), Os Brutos Também Amam (para Shane - 1953), Crepúsculo dos Deuses (para Sunset Blvd.- 1950) e A Malvada (para All About Eve - 1950).
O caso de A Malvada é particularmente interessante. Além de ser obviamente diferente e talvez mais impactante do que o original, o título nacional parece induzir o espectador a um engano que tem tudo a ver com o espírito do filme. Explico: para o público de 1950, ano em que o longa-metragem foi lançado, a imagem de malvada estava muito mais associada à Bette Davis, intérprete de Margo Channing e estrela do filme, do que a Anne Baxter, que interpreta a verdadeira vilã, Eve Harrington. Joseph L. Mankiewicz, diretor e roteirista do clássico, também utiliza a mesma estratégia no filme! Mankiewicz retarda o quanto pode a confirmação do mau-caratismo de Eve, alimentando a dúvida sobre as protagonistas. Se até mesmo nos dias de hoje algumas pessoas se surpreendem, ao longo do filme, ao descobrirem que a malvada é de fato Eve, imagine nos anos 50?
Davis não fez apenas megeras ou vilãs no cinema, mas sempre mostrou um talento único para interpretá-las. Para se ter uma ideia da reputação que a atriz alcançou por conta de tais personagens, basta dizer que o filme protagonizado por ela em 1949, Beyond the Forest(Além da Floresta, em português), foi traduzido no Brasil como o esdrúxulo A Filha de Satanás. Até 1950, quando A Malvada estreou no cinema, a atriz já havia colecionado algumas megeras remarcáveis, como Mildred Rogers (em Escravos do Desejo - 1934) e Regina Giddens (emPérfida - 1941), além de mocinhas nada convencionais ou adocicadas, como Joyce Heath (emPerigosa – 1935) e Julie (em Jezebel - 1938).
Divulgação
As várias faces de Bette Davis.
No fim dos anos 40, já desvinculada da Warner Bros., Davis tentava dar um novo rumo a sua carreira que havia entrado em franca decadência. Muitos estavam convencidos da aposentadoria da atriz. Mas eis que, inesperadamente, surge a oportunidade de substituir Claudette Colbert no novo projeto de Mankiewicz. Ao ler o roteiro, Davis soube imediatamente que Margo Channing era a sua grande chance de dar a volta por cima. Ela filmou em apenas 16 dias, levou o prêmio de Melhor Atriz em Cannes pelo papel e foi indicada pela nona vez ao Oscar. Os críticos que haviam sido tão duros com ela nos anos anteriores se renderam aos seus pés. A renomada crítica de cinema americana Pauline Kael não gostou da maneira com o qual Mankievics retratou o universo teatral, mas afirmou que a performance de Davis salvou o filme e que a atriz foi ao limite das reações e emoções de sua personagem, fazendo com que tudo ganhasse vida. 
DivulgaçãoJoseph L. Mankiewicz (foto; irmão de Herman J. Mankiewicz, co-roteirista de Cidadão Kane) queria realizar um filme que abordasse a vida de uma atriz já madura. Quando leu o conto The Wisdom of Eve (1946), da escritora americana Mary Orr, o diretor encontrou o material perfeito para o seu projeto. The Wisdom of Eveé baseado em uma história real, mais precisamente no que ocorreu com a atriz austríaca Elisabeth Bergner e sua secretária em Viena. A despeito disso, muitos especularam que o filme era baseado, de fato, na vida da atriz Tallulah Bankhead, grande dama do teatro americano que trabalhou também no cinema. Bankhead chegou a afirmar que arrancaria cada “pelo do bigode de Bette Davis”, nada contente com uma suposta imitação. Tanto Mankiewicz, quanto Davis desmentiram veementemente que o filme fosse inspirado em Bankhead, mas a lenda persistiu.
A Malvada conta a história de Margo, uma bem-sucedida e temperamental atriz de teatro que tem sua vida vampirizada por uma ambiciosa aspirante à celebridade, Eve (referência à Eva bíblica do pecado original?). Davis descrevia sua personagem como “uma atriz envelhecendo e nada feliz com isso”. Sem dúvida, Margo é a personagem mais autobiográfica que Davis já interpretou no cinema. As duas partilham a mesma profissão, a mesma tenacidade, a língua ferina (veja as frases de Davis abaixo) e o temperamento difícil.
A primeira cena do filme se passa numa premiação, quando Eve (Baxter) está prestes a receber o prêmio de Melhor Atriz de teatro. Através de um longo flashback e da intervenção de diferentes narradores e pontos de vista (predominando a do cínico crítico teatral Addison DeWitt, interpretado por George Sanders), acompanhamos a maneira com a qual Eve conseguiu alcançar o sucesso e a fama tão desejados. 
DivulgaçãoEve (Baxter) agradece pelo prêmio de Melhor Atriz em cena do filme.
Por falar em prêmio de Melhor Atriz, Davis era a favorita ao Oscar em1951 (mesmo tendo como concorrente Gloria Swanson, por Crepúsculo dos Deuses). A ironia do destino é que ela foi atrapalhada justamente por Anne Baxter (sua antagonista no filme), que exigiu ser promovida como principal e, ao ser indicada na mesma categoria que a colega, provavelmente ocasionou a divisão de votos entre as duas, fazendo com que a estatueta fosse para a zebra Judy Holliday, por sua interpretação na ótima comédia Nascida Ontem (1950). A Malvadaentrou para a história da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas por possuir o recorde de indicações ao Oscar, 14 no total. Esse número só foi igualado por Titanic (1997).  
10 pérolas de Bette Davis
1 - Tenho sido inflexível, raivosa, intratável, obsessiva, sem tato, inconstante e, por vezes, desagradável. Suponho que eu seja maior que a vida.
2 - Gary era um macho man, mas nenhum dos meus maridos foram jamais homens o suficiente para se tornarem o Sr. Bette Davis. [Sobre seu ex-marido Gary Merrill]
3 - Existiam melhores atuações nas festas de Hollywood do que jamais houve nas telas.
4 - Ela deve saber tudo sobre closes-ups! Meu Deus, ela estava lá quando eles foram inventados! [Sobre Lillian Gish]
5 - Não urinaria nela se ela estivesse pegando fogo. [Sobre Joan Crawford]
6 - Ela dormiu com todas as estrelas masculinas da MGM, com exceção de Lassie. [Sobre Joan Crawford]
7 - Você nunca deve falar coisas ruins sobre os mortos, apenas coisas boas. Joan Crawford morreu. Bom! [Sobre Joan Crawford]
8 - Joan sempre chora bastante, seus ductos lacrimais devem ser muito próximos de sua bexiga. [Sobre Joan Crawford]
9 - Quero morrer de salto alto, ainda em cena.
10 - Quando eu morrer, irão provavelmente leiloar meus cílios postiços.

Histórias dos bastidores das filmagens de A Malvada, contam que Davis e Celeste Holm (que interpreta a melhor amiga de Margo na trama) se odiavam. Curiosamente, Davis tornou-se grande amiga de Baxter, sua rival no filme. Para a surpresa de muitos, Mankiewicz afirmou que Davis era uma das atrizes mais prestativas, profissionais e comprometidas com quem ele já havia trabalhado, a despeito dos boatos que diziam que ela era problemática nos sets. A Malvada também marcou a vida pessoal de Davis. Foi durante as filmagens que a estrela se apaixonou pelo seu futuro marido, o ator Garry Merrill, que interpreta seu par romântico na história. 
A Malvada foi um imenso sucesso na época de seu lançamento e é considerado, por muitos, um dos melhores filmes já realizados sobre o mundo do teatro. No entanto, mais do que uma visão sobre o universo teatral, o longa de Mankiewicz é um retrato crítico e  impiedoso doshow business. O filme é famoso também por seus diálogos afiados, pelas frases antológicas (leia abaixo) e pelo ótimo conjunto de atuações.  Encabeçando o elenco, temos Davis que nos presenteia com a melhor atuação da sua carreira, numa performance cheia de fúria e intensidade. O maior mérito da atriz é o de humanizar a personagem, revelando também sua vulnerabilidade e seus defeitos. Sua interpretação se contrapõe perfeitamente com a da quase robótica e fria Baxter. Quem também brilha é a eterna coadjuvante Thelma Ritter, que está impagável na pele de Birdie (personagem escrita especialmente para ela). Sanders e Holm também estão excelentes. Esses cinco atores foram indicados ao Oscar, apenas Sanders ganhou. Ainda sobre a premiação, outro recorde obtido por A Malvada, que ainda não foi quebrado, é o de número de indicações (quatro) para atuações femininas em um mesmo filme. O clássico de 1950 também é lembrado por ser aquele que abriu as portas da fama para Marilyn Monroe. A rápida participação da atriz no filme não passou despercebida e, logo a seguir, sua carreira decolou em Hollywood.
Divulgação
Foto do elenco: Gary Merrill, Bette Davis, George Sanders, Anne Baxter, Hugh Marlowe e Celeste Holm.
O sucesso de A Malvada é tão grande e universal que inspirou até mesmo uma novela brasileira, Celebridade (2003/2004). O filme é o ponto máximo da carreira de Mankiewicz e de Davis e impressiona, até hoje, pelo seu humor ácido e pelo seu caráter atual, tocando em diversos temas que continuam pertinentes, como a inveja, a ambição, o desejo de fama a qualquer preço e a dificuldade de se encarar o envelhecimento e de se conciliar amor e carreira. O filme foi premiado com seis Oscars (Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Figurino, Melhor Som e Melhor Roteiro), um Globo de Ouro (Melhor Roteiro) e ocupa o 28o  lugar na lista dos 100 Melhores Filmes do Cinema produzida pelo American Film Institute (AFI).
Conheça ou relembre, abaixo, algumas falas célebres de A Malvada:
Margo Channing: Bill tem 32 anos. Ele parece ter 32 anos. Ele já parecia cinco anos atrás e ele continuará parecendo daqui a 20 anos. Eu odeio os homens.
-§-
Margo Channing: Apertem os cintos, esta noite será turbulenta!
-§-
Birdie: Tem uma mensagem do bartender. “Será que Miss Channing sabe que encomendou gin nacional por engano?”
Margo: A única coisa que encomendei por engano foram os convidados.
-§-
Addisson DeWitt: Enquanto espera, leia minha coluna. Fará minutos passar como horas!
-§-
Eve Harrington: Saia! (abrindo a porta)
Addisson DeWitt: Você é muito pequena para tamanho gesto!
-§-
Karen Richards: Nada é para sempre no teatro. O que quer que esteja lá, se inflama, queima e depois desaparece.


TEXTO DE MINHA AUTORIA PUBLICADO INICIALMENTE NA COLUNA CINEMATECA, DO SITE CINEMA EM CENA NO DIA 25/01/2012.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Repulsa ao Sexo - 1965

Título Original: Repulsion 
Lançamento: 1965
País: Reino Unido 
Direção: Roman Polanski
Atores: Catherine DeneuveIan Hendry e John Fraser
Duração: 105
Gênero: Drama/ Thriller


Repulsa ao Sexo (1965) é o segundo longa-metragem da carreira do cineasta franco-polonês Roman Polanski. O filme é o primeiro volume da famosa "trilogia do apartamento", da qual também fazem parte O Bebê de Rosemary (1968) e O Inquilino (1976). Repulsa ao Sexo foi filmado no Reino Unido, sendo o primeiro filme em inglês do diretor, que viria a filmar também na França e nos Estados Unidos. O cineasta, que realizou apenas um longa-metragem em seu país, Polônia, teve uma vida marcada por traumas e problemas judiciais. Em 1969, sua esposa, a atriz Sharon Tate, foi brutalmente assassinada por membros da família Manson. Em 1977, o diretor foi acusado de abuso sexual contra uma adolescente de 13 anos, não podendo mais retornar aos Estados Unidos, onde fez dois de seus maiores clássicos: O Bebê de Rosemary e Chinatown (1974).

Repulsa ao Sexo apresenta uma forte influência do surrealismo, principalmente de obras do espanhol Luis Buñuel. O filme, que combina drama psicológico, terror e thriller de maneira magistral, conta a história de Carol (Catherine Deneuve), uma jovem belga que vive com a irmã num pequeno apartamento em Londres, onde trabalha como manicure. Apesar de atrair a atenção de muitos homens, entre eles, do apaixonado Collin (John Fraser), a bela moça parece ter aversão ao sexo masculino. Quando a irmã mais velha (Yvonne Furneaux) viaja com o namorado (Ian Hendry) e deixa Carol sozinha no apartamento, a sanidade desta começa a se desestabilizar e estranhos eventos acontecem. A exuberante atriz francesa Catherine Deneuve tinha apenas 22 anos quando deu vida a uma das personagens mais importantes de sua carreira.


Muitas das narrativas de Polanski são construídas sob uma atmosfera sombria, incerta e angustiante. O tema da paranoia é também relevante em sua filmografia, podendo ser verificado em alguns de seus filmes, como O Inquilino e o próprio Repulsa ao Sexo. Polanski sempre revelou um imenso fascínio pelas neuroses humanas. O roteiro de Repulsa ao Sexo foi escrito pelo diretor em parceria com Gérard Brach. Um dos maiores atrativos do filme é a construção da personagem central, uma figura que impressiona por sua fragilidade, seu ar alienado e perdido e, ao mesmo tempo, pela sua alta periculosidade. Polanski não se preocupa em dar justificativas sobre o comportamento de sua protagonista, que pode ter origem em algum trauma de infância, como um possível estupro. Uma coisa, no entanto, parece ser certa: qualquer que seja a origem precisa dos traumas da personagem, ela está relacionada ao sexo e à sexualidade.

Polanski retrata brilhantemente a vida psicológica da personagem, recriando suas alucinações e transformando os medos dela em imagens, através de belas sequências de inspiração expressionista e surrealista.  A intensa vida interior de Carol se contrapõe à sua personalidade aparentemente insípida e retraída. O filme nos permite ainda supor que a aversão da personagem ao gênero masculino e ao sexo é  fruto de um desejo mal resolvido, reprimido e que lhe causa pavor. A existência de um convento ao lado do prédio da protagonista e mesmo sua vestimenta (ela está quase sempre vestida de branco) parecem simbolizar a pureza da virginal personagem. Carol é confrontada ao apelo do sexo pela presença do namorado da irmã em casa, pelos ruídos de sexo durante a noite e pelo assédio de um pretendente. O coelho na trama, por sua vez, é quase uma metáfora da própria fragilidade da personagem, que se sente coagida pelos seus predadores. 


Repulsa ao Sexo é abrilhantado por uma sedutora fotografia em preto e branco, belíssimos enquadramentos e uma elegância ímpar na direção. Além de ser esteticamente primoroso, o filme conta com uma atuação impressionante da belíssima Catherine Deneuve, cuja composição em nada se assemelha às femmes fatales que interpretaria posteriormente. Deneuve expõe, de maneira eficiente, o desconforto, a alienação, a dificuldade de se comunicar da personagem. É interessante observar que, na foto de família, presente no apartamento, Carol se diferencia dos outros familiares. Ela aparece ainda criança, com um olhar perdido e em segundo plano. Esse já é um indício do caráter isolado e "especial" da personagem. É importante salientar também que Polanski cria uma personagem sexualmente atraente, que se recusa a ser um objeto sexual.

Angustiante e instigante, Repulsa ao Sexo é uma das primeiras obras-primas da belíssima filmografia de Roman Polanski. Esse thriller com toques de terror, é um clássico que explora as dimensões tortuosas da psicologia humana. 



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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Clássicos da Cinemateca - E o Vento Levou... (1939)


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Quem nunca ouviu falar de E o Vento Levou? Ou citou, mesmo sem saber a origem, uma de suas frases célebres, como “Amanhã é um novo dia”? Quem não conhece o tema musical de Tara, composto pelo genial Max Steiner, nem que seja através do seriado Chaves? Pois bem, o épico romântico é um dos filmes mais amados, parodiados e citados da história. O que não significa que seja uma unanimidade. Alguns o comparam ao polêmico Nascimento de uma Nação (1915), de D.W. Griffith, pela maneira como a sociedade escravista é representada. Outros torcem o nariz para o caráter melodramático do filme, pelo que chamam de “quatro horas de novela mexicana”. Detratores à parte, E o Vento Levou sustenta o status de um dos filmes mais populares do cinema. No texto de estreia da coluna Cinemateca, dedicada aos clássicos, tentaremos desvendar os bastidores deste que é um dos maiores sucessos artísticos e comerciais de todos os tempos da indústria cinematográfica.
DivulgaçãoUma das perguntas mais interessantes a se fazer com relação a E o Vento Levou é: quem é o verdadeiro autor do longa-metragem? Normalmente, o diretor é aquele a quem atribuímos a autoria de um filme, seu fracasso ou seu sucesso. Com o nosso filme, isso não funcionaria. Para começar, E o Vento Levou foi assumido por três diretores (o oficial, Victor Fleming - foto - e os não creditados George Cukor e Sam Wood) e nenhum deles conseguiu ter liberdade suficiente para imprimir ao filme sua visão da história e seu estilo. Isso se explica pelo fato de o produtor David O. Selznick ser extremamente intervencionista.
Selznick é um dos maiores produtores da Hollywood Clássica. Controlador, amante das adaptações literárias e das produções grandiosas, o genro do poderoso Louis B. Mayer era o pesadelo de qualquer cineasta, já que sempre impunha a sua vontade. Selznick é, sem dúvida, o maior responsável pelo sucesso de E o Vento Levou. Ele comprou os direitos da adaptação do romance de Margaret Mitchell antes mesmo dele se tornar um best-seller e começou sua produção em 1936.
Seria, no entanto, injusto atribuir a autoria de E o Vento Levou somente a Selznick. William Cameron Menzies, renomado diretor de arte, é responsável pela concepção estética do filme, assim como pelo magistral uso das cores, com destaque para o característico vermelho saturado. Menzies foi contratado por Selznick para produzir o storyboard de cada tomada do filme. E o Vento Levou foi um dos primeiros longas a ter cada uma de suas sequências planejadas através do processo do storyboarding. Menzies foi importante também por ter dado unidade ao filme, que poderia ter sido uma bagunça devido à troca constante de diretores.
DivulgaçãoA partir do momento em que foi anunciada a adaptação cinematográfica do romance de Margaret Mitchell, houve uma participação massiva do povo americano no projeto, tamanha era a popularidade da história. Em uma pesquisa nacional realizada na época, Clark Gable (foto) foi escolhido como o favorito do público para encarnar o protagonista Rhett Butler. Gable, que declarou nunca ter terminado de ler o livro, estava receoso e relutante em interpretar o personagem. Além disso, o ator tinha contrato com a MGM e, de acordo com o studio system, ele não poderia fazer o filme, já que estava "preso" ao estúdio de Louis B. Mayer. Selznick, no entanto, negociou com o sogro e conseguiu com que Gable fosse emprestado, desde que em troca a MGM fosse encarregada pela distribuição do filme. Gable não tinha opção. Pressionado, ele aceitou ser o intérprete de Rhett Butler, mesmo temendo decepcionar o público.
A escolha dos coadjuvantes se deu com certa tranquilidade. Olivia de Havilland, uma das atrizes americanas mais populares da segunda metade dos anos 30, queria dar um novo rumo a sua carreira e deixar de lado os papéis que lhe deram fama nos filmes de capa e espada. Ela foi indicada pela irmã Joan Fontaine e aceitou rapidamente ser a intérprete de Melanie Wilkes. Para viver Ashley Wilkes, Selznick não queria outro que não Leslie Howard. Para participar do filme, o ator exigiu que Selznick produzisse seu próximo filme: Intermezzo – A Love Story (1939). Howard não gostava nem um pouco de seu personagem, nunca leu o livro, se achava velho para o papel e só se importava em decorar suas falas. Ele acreditava que E o Vento Levou era um filme de mulher.
DivulgaçãoMuito mais complicada e demorada foi a escolha da protagonista feminina, a (anti)heroína Scarlett O’Hara. Diversos nomes famosos foram cogitados, como o de Bette Davis. A atriz se mostrara extremamente interessada pelo papel, mas veio a recusá-lo, uma vez que seu empréstimo para o filme estava condicionado ao empréstimo de Errol Flynn como seu par romântico (e ela odiava mortalmente o ator). Paulette Goddard (foto à esquerda) foi a atriz que mais se aproximou de ser a escolhida de Selznick. O produtor havia gostado bastante do seu teste. Por temer a má repercussão do relacionamento de Goddard com Charles Chaplin, Selznick acabou por desistir dela.
DivulgaçãoMais de 1.400 atrizes se candidataram ao papel e mais de 400 testes foram realizados. Myron Selznick, irmão de David, estava trazendo para os Estados Unidos o ator inglês Laurence Olivier para seu primeiro filme americano. Olivier tinha um caso com Vivien Leigh (foto à direita), atriz desconhecida nos Estados Unidos. Como o casal não queria se separar, a vinda de Leigh tornava-se necessária. Myron teve, então, a ideia de indicar Leigh para o papel de Scarlett. Ao apresentar a atriz ao irmão, ele disse: “Eis sua Scarlett!” David Selznick já havia visto alguns filmes da atriz e não havia se impressionado. No entanto, ele ficou encantado com o teste da inglesa. Boa parte do público repercutiu negativamente a escolha de uma atriz não americana para o papel de Scarlett O’Hara. Hoje em dia, é quase impossível pensar em outra atriz na pele da personagem icônica.
DivulgaçãoMuitos problemas interferiram nas filmagens de E o Vento Levou. Selznick exigiu diversas mudanças no roteiro, que acabou sendo escrito a cinco mãos. Paginas do script chegavam a ser reescritas no mesmo dia de sua filmagem. Para a direção do longa-metragem, o produtor convidara o amigo George Cukor. Após algum tempo de filmagem, Selznick o afastou da produção, afirmando não estar gostando do resultado. Cukor, conhecido por saber retratar com sensibilidade o universo feminino, tinha uma ótima relação com Leigh e Havilland, mas não se dava bem com Gable. O ator sentia que o diretor dava muito mais atenção às mulheres. No lugar de Cukor, que era homossexual, Selznick colocou Victor Fleming, que tinha a fama de machista, e que era amigo de Gable. Leigh e Havilland odiavam o novo diretor. Após brigas homéricas com Leigh, Fleming se afastou. Sam Wood foi então chamado, mas Selznick não gostou nada do resultado, sendo obrigado a chamar Fleming de volta para dirigir o restante das principais cenas.
DivulgaçãoE o Vento Levou estreou nos Estados Unidos em 15 de dezembro de 1939. O filme ganhou oito Oscars (Melhor Filme, Direção, Roteiro, Atriz, Atriz Coadjuvante, Direção de Arte, Fotografia e Montagem) além de dois prêmios especiais pelos avanços técnicos promovidos pelo longa. O filme continua a ser o campeão absoluto de bilheteria em termos de número de espectadores (202 milhões de ingressos vendidos*), superando, neste quesito, o campeão de arrecadação, o filme Avatar (2009), de James Cameron (61 milhões de ingressos*). E o Vento Levou sustenta, portanto, há 72 anos, o status de filme mais visto de todos os tempos nos cinemas. Muito ainda pode ser dito sobre ele, mas este é apenas o primeiro texto da nossa coluna e, com certeza, o clássico produzido por David O. Selznick aparecerá por aqui outras vezes.
* Fonte: Box Office Mojo, 05/02/2010
TEXTO PUBLICADO ORIGINALMENTE NA COLUNA CINEMATECA DE MINHA AUTORIA EM 11 DE JANEIRO DE 2012.

terça-feira, 19 de junho de 2012

4 meses, 3 semanas e 2 dias - 2007

Título Original: 4 luni, 3 saptamâni si 2 zile
Lançamento: 2007
País: Romênia 
Direção: Cristian Mungiu
Atores: Anamaria Marinca, Vlad Ivanov, Laura Vasiliu
Gênero: Drama
Duração: 113 min
Anamaria Marinca e Laura Vasiliu protagonizam 4 meses, 3 semanas e 2 dias.
Laureado com o prêmio de Melhor Roteiro na edição deste ano do Festival de Cannes pelo filme Além das Colinas (2012), o cineasta romeno Cristian Mungiu já havia dado o que falar 5 anos antes, quando o segundo longa-metragem de sua carreira4 meses, 3 semanas e 2 dias (2007), levou a Palma de Ouro no mesmo festival. O multipremiado filme de 2007 é ambientado na Romênia de 1987. O filme retrata uma Romênia comunista, ainda sob o poder do ditador Nicolae Ceauşescu, que viria a ser executado dois anos depois. 

4 meses tem como pano de fundo, uma Romênia cinzenta, triste e fria (salientada pela ótima fotografia), um país privado dos luxos e de certos confortos propiciados pelo capitalismo. Trata-se de um universo sombrio, em que determinados bens, produtos e marcas, só podem ser encontrados de maneira clandestina. O filme acompanha um dia na vida de Otilia (Anamaria Marinca) e Gabriela (Laura Vasiliu), duas grandes amigas que dividem um quarto numa república de estudantes. A história se inicia em media res, no fim de uma conversa entre as duas universitárias em que essas, provavelmente, tomam uma decisão que definirá o que farão a seguir, algo que permanece velado ao espectador até certo ponto da narrativa. Aos poucos, o espectador compreende que Otília está ajudando "Gabita", a melhor amiga, a planejar e realizar um aborto (o título do filme é uma referência ao tempo de gestação de Gabriela). É sobre os ombros de Otília que recai a responsabilidade de arranjar os últimos preparativos do procedimento, um grave crime no país. A moça deve encontrar um lugar seguro para a realização do aborto, contatar aquele que executará o procedimento e ainda lidar com problemas inesperados. Com pragmatismo e coragem, Otília chega a fazer sacrifícios para que tudo dê certo ao final. 

Mungiu confere uma dramaticidade extraordinária à narrativa, que é relativamente simples, circunscrita a algumas horas na vida das protagonistas. O diretor romeno faz uso de belos e longos planos-sequências, abre mão da trilha sonora e explora magistralmente os "tempos mortos da narrativa" não apenas para dar o máximo de realismo a cada cena, mas também para captar o impacto que cada decisão tem sobre os personagens, a reação dos mesmos diante de situações-limites e para dar a real dimensão do sofrimento que, por vezes, não pode ser expressado com palavras. Mungiu prova sua habilidade e talento ao criar momentos completamente angustiantes, contrapondo as preocupações e os conflitos internos da protagonista ao mundo a sua volta, que, por vezes, se revela inesperadamente inóspito e agressivo. 

Fugindo dos clichês e descartando as reviravoltas hollywoodianas, Mungiu concentra a força de seu longa-metragem no estudo psicológico de suas personagens e na dilatação da tensão no centro de uma trama relativamente simples, ancorada no quotidiano de pessoas reais, com problemas reais. Podemos perceber isso, em uma das cenas mais memoráveis do filme, um longo plano-sequência, em que Mungiu posiciona a protagonista no centro da tela, na extremidade de uma mesa de jantar, enquanto esta é rodeada de personagens que não cessam de falar, rir e se movimentar. Trata-se de um simples jantar na casa do namorado. Longe de servir como um parênteses na narrativa, um momento de descontração ou algo que desvie a atenção do conflito central da trama, tal  "acontecimento" é uma provação a mais que Otília deve enfrentar no seu dia. Ainda que a moça permaneça praticamente calada, o desconforto da personagem, sua agitação interior e a urgência que vem com a passagem do tempo, fazem com que a cena ganhe contornos dramáticos que contrastam com seu caráter aparentemente trivial. 

Mesmo que não explicite uma posição favorável ou contrária à prática do aborto, Mungiu mostra de forma contundente o que há de violento por trás da prática clandestina, tanto ao mostrar cruamente o procedimento, como na forte cena em que o feto em questão é exibido ao espectador. Sem ser panfletário, 4 meses reaviva a questão da interrupção da gravidez, sendo um dos filmes mais interessante a tratar do assunto. 

Além da direção primorosa, 4 meses conta com um grande trabalho de seus atores principais. Anamaria Marinca, uma das grandes revelações do cinema romeno, incorpora com intensidade e naturalidade sua personagem e confere verossimilhança ao drama de Otília, que não deixa de ser uma heroína moderna. A protagonista assume uma responsabilidade que não é sua e encara uma jornada difícil em nome da amizade. Ao final, a personagem é tão ou mais exigida que a verdadeira grávida. Já a atriz Laura Vasiliu se destaca ao dar vida à fragilíssima Gabriela, o contraponto de Otília, uma personagem que impressiona tanto pela sua voz suave, quanto pelo seu comportamento irresponsável e quase infantil. Por fim, Vlad Ivanov interpreta o cafajeste Sr. Bebe, um sujeito verdadeiramente monstruoso. Apesar de pequena, a participação do ator é marcante e sua performance é impressionante.

Cristian Mungiu é um dos maiores representantes do cinema romeno atual. 4 semanas, 3 semanas e 2 dias é uma obra-prima envolvente e impactante: um filme nó-na-garganta. É inevitável não nutrir altas expectativas para a nova obra de Mungiu, Além das Colinas, ainda sem estreia prevista no Brasil. 

Assista ao trailer:



terça-feira, 12 de junho de 2012

Os melhores filmes para se assistir no Dia dos Namorados

No dia mais romântico do ano, o Clube do Filme elege os melhores filmes para se assistir com a pessoa amada nesta data especial. 

1 - Bonequinha de Luxo (1961)
Dir.: Blake Edwards


O clássico de 1961 é um dos filmes mais românticos de todos os tempos. Protagonizado pela inesquecível Audrey Hepburn, o filme foi dirigido por Blake Edwards e é baseado em um conto de Truman Capote. O filme foi indicado a 5 Oscar's, tendo ganhado o de Melhor Trilha Sonora e o de Melhor Canção (para "Moon River"). 

2 - Dirty Dancing - Ritmo Quente (1987)
Dir.: Emile Ardolino


Um dos romances mais famosos dos anos 80 conta a história de amor entre "Baby" e seu professor de dança (Jennifer Grey e Patrick Swayze, respectivamente). "(I've Had) The Time of My Life" ganhou o Oscar de Melhor Canção. 

3 - O Feitiço da Lua (1987)
Dir.: Norman Jewison


O Feitiço da Lua deu o Oscar de Melhor Atriz à cantora Cher e lançou Nicolas Cage à fama. A ótima comédia romântica ainda ganhou outros dois Oscar's (Melhor Atriz Coadjuvante para Olympia Dukakis e Melhor Roteiro Original).  

4 - Harry e Sally - Feitos um para o outro (1989)
Dir.: Rob Reiner


Billy Crystal e Meg Ryan estrelam uma das comédias românticas mais divertidas de todos os tempos. O roteiro é de Nora Ephron (indicada ao Oscar), que dirigiu Sintonia de Amor (1993) e o recente Julie & Julia (2009).

5 - Digam o que quiserem (1989)
Dir.: Cameron Crowe


John Cusack interpreta um homem completamente apaixonado no cult Digam o que disseram, o primeiro filme de Cameron Crowe. 

6 - Ghost - Do outro lado da vida (1990) 
Dir.: Jerry Zucker


Patrick Swayze e Demi Moore protagonizam uma das histórias de amor mais conhecidas do cinema. O filme foi indicado a 5 Oscar's, tendo levado o de Melhor Atriz Coadjuvante (Whoopi Goldberg) e o de Melhor Roteiro Original. 

7 - Uma Linda Mulher (1990)
Dir.: Garry Marshall

Julia Roberts foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz e ganhou o Globo de Ouro por sua atuação em Uma Linda Mulher. Ela e Richard Gere protagonizam um conto de fadas moderno. 

8 - Sintonia de Amor (1993)
Dir.: Nora Ephron


Sintonia de Amor é um jovem clássico, considerado um dos filmes mais românticos do cinema. O longa-metragem, estrelado por Tom Hanks e Meg Ryan, foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original e Melhor Canção ("A Wink and a Smile").

9 - Quatro Casamentos e Um Funeral (1994)
Dir.: Mike Newell


A comédia romântica inglesa alavancou a carreira de Hugh Grant e fez escola. O filme foi indicado ao Oscar de Melhor Filme e Melhor Roteiro Original. 

10 - Enquanto você dormia (1995)
Dir.: Jon Turteltaub


Sandra Bullock foi indicada ao Globo de Ouro de Melhor Atriz (Comédia) por sua performance em Enquanto Você Dormia. Bill Pullman e Peter Gallagher completam o divertido triângulo amoroso. 

11 - Razão e Sensibilidade (1995)
Dir.: Ang Lee

 
Razão e Sensibilidade é um dos melhores filmes do grande cineasta Ang Lee. Com um elenco espetacular, o drama inglês é baseado numa das obras mais conhecidas da escritora Jane Austen. O filme foi indicado a 7 Oscar's, tendo levado o de Melhor Roteiro. 

12 - Shakespeare Apaixonado (1998)
Dir.: John Madden


Shakespeare Apaixonado ganhou 7 Oscar's, dentre eles o de Melhor Filme e o de Melhor Atriz (Gwyneth Paltrow). O filme conta a história de amor impossível entre o jovem Shakespeare e uma linda mulher da nobreza. 

13 - Um lugar chamado Notting Hill (1999)
Dir.: Roger Michell


Julia Roberts e Hugh Grant protagonizam uma das comédias românticas mais célebres de suas carreiras. O filme foi indicado a 3 Globos de Ouro (Melhor Filme, Ator e Atriz)

14 - 10 coisas que eu odeio em você (1999)
Dir.: Gil Junger 


Heath Ledger e Julia Stiles despontaram para fama nessa deliciosa comédia adolescente. O filme marcou  toda uma geração. Uma das cenas mais célebres é aquela em que o ator canta "Can't take m eyes off you". 

15 - O Diário de Bridget Jones (2001)
Dir.: Sharon Maguire


Renée Zellweger foi indicada ao Oscar por sua atuação nessa comédia romântica. O filme é baseado no best seller de Helen Fielding.

16 - O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001)
Dir.: Jean-Pierre Jeunet


Um dos filmes mais charmosos do cinema é também um dos mais românticos. O filme francês é estrelado por Audrey Tautou e foi indicado a 5 Oscar's, dentre eles, o de Melhor Filme Estrangeiro. 

17 - Simplesmente Amor (2003)
Dir.: Richard Curtis


Simplesmente Amor é o primeiro filme dirigido por Richard Curtis, roteirista de Quatro Casamentos e Um Funeral (1994) e Um Lugar chamado Notting Hill (1999). Contando com um elenco estelar, o filme mostra várias histórias de amor. 

18 - Como perder um homem em 10 dias (2003)
Dir.: Donald Petrie


Kate Hudson está ótima nessa divertida comedia romântica americana.

19 - Como se fosse a primeira vez (2004)
Dir.: Peter Segal


O longa-metragem de 2004 teria tudo para ser mais uma bomba estrelada por Adam Sandler. Mas, eis que o filme é uma delicada comédia romântica, protagonizada também por Drew Barrymore.

20 - Orgulho e Preconceito (2005)
Dir.: Joe Wright


Orgulho e Preconceito é o primeiro longa-metragem de Joe Wright. O filme é uma das mais belas adaptações do clássico romance de Jane Austen. Keira Knightley foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz. 

21 - 500 dias com ela (2009)
Dir.: Marc Webb


O jovem cult é o primeiro longa-metragem do promissor Marc Webb, diretor incumbido do novo filme do Homem-Aranha, que estreará neste ano. Indicado a dois Globos de Ouro (Filme e Ator), 500 dias com ela é estrelado por Zooey Deschanel e Joseph Gordon-Levitt.


FELIZ DIA DOS NAMORADOS!!!