terça-feira, 12 de junho de 2012

Os melhores filmes para se assistir no Dia dos Namorados

No dia mais romântico do ano, o Clube do Filme elege os melhores filmes para se assistir com a pessoa amada nesta data especial. 

1 - Bonequinha de Luxo (1961)
Dir.: Blake Edwards


O clássico de 1961 é um dos filmes mais românticos de todos os tempos. Protagonizado pela inesquecível Audrey Hepburn, o filme foi dirigido por Blake Edwards e é baseado em um conto de Truman Capote. O filme foi indicado a 5 Oscar's, tendo ganhado o de Melhor Trilha Sonora e o de Melhor Canção (para "Moon River"). 

2 - Dirty Dancing - Ritmo Quente (1987)
Dir.: Emile Ardolino


Um dos romances mais famosos dos anos 80 conta a história de amor entre "Baby" e seu professor de dança (Jennifer Grey e Patrick Swayze, respectivamente). "(I've Had) The Time of My Life" ganhou o Oscar de Melhor Canção. 

3 - O Feitiço da Lua (1987)
Dir.: Norman Jewison


O Feitiço da Lua deu o Oscar de Melhor Atriz à cantora Cher e lançou Nicolas Cage à fama. A ótima comédia romântica ainda ganhou outros dois Oscar's (Melhor Atriz Coadjuvante para Olympia Dukakis e Melhor Roteiro Original).  

4 - Harry e Sally - Feitos um para o outro (1989)
Dir.: Rob Reiner


Billy Crystal e Meg Ryan estrelam uma das comédias românticas mais divertidas de todos os tempos. O roteiro é de Nora Ephron (indicada ao Oscar), que dirigiu Sintonia de Amor (1993) e o recente Julie & Julia (2009).

5 - Digam o que quiserem (1989)
Dir.: Cameron Crowe


John Cusack interpreta um homem completamente apaixonado no cult Digam o que disseram, o primeiro filme de Cameron Crowe. 

6 - Ghost - Do outro lado da vida (1990) 
Dir.: Jerry Zucker


Patrick Swayze e Demi Moore protagonizam uma das histórias de amor mais conhecidas do cinema. O filme foi indicado a 5 Oscar's, tendo levado o de Melhor Atriz Coadjuvante (Whoopi Goldberg) e o de Melhor Roteiro Original. 

7 - Uma Linda Mulher (1990)
Dir.: Garry Marshall

Julia Roberts foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz e ganhou o Globo de Ouro por sua atuação em Uma Linda Mulher. Ela e Richard Gere protagonizam um conto de fadas moderno. 

8 - Sintonia de Amor (1993)
Dir.: Nora Ephron


Sintonia de Amor é um jovem clássico, considerado um dos filmes mais românticos do cinema. O longa-metragem, estrelado por Tom Hanks e Meg Ryan, foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original e Melhor Canção ("A Wink and a Smile").

9 - Quatro Casamentos e Um Funeral (1994)
Dir.: Mike Newell


A comédia romântica inglesa alavancou a carreira de Hugh Grant e fez escola. O filme foi indicado ao Oscar de Melhor Filme e Melhor Roteiro Original. 

10 - Enquanto você dormia (1995)
Dir.: Jon Turteltaub


Sandra Bullock foi indicada ao Globo de Ouro de Melhor Atriz (Comédia) por sua performance em Enquanto Você Dormia. Bill Pullman e Peter Gallagher completam o divertido triângulo amoroso. 

11 - Razão e Sensibilidade (1995)
Dir.: Ang Lee

 
Razão e Sensibilidade é um dos melhores filmes do grande cineasta Ang Lee. Com um elenco espetacular, o drama inglês é baseado numa das obras mais conhecidas da escritora Jane Austen. O filme foi indicado a 7 Oscar's, tendo levado o de Melhor Roteiro. 

12 - Shakespeare Apaixonado (1998)
Dir.: John Madden


Shakespeare Apaixonado ganhou 7 Oscar's, dentre eles o de Melhor Filme e o de Melhor Atriz (Gwyneth Paltrow). O filme conta a história de amor impossível entre o jovem Shakespeare e uma linda mulher da nobreza. 

13 - Um lugar chamado Notting Hill (1999)
Dir.: Roger Michell


Julia Roberts e Hugh Grant protagonizam uma das comédias românticas mais célebres de suas carreiras. O filme foi indicado a 3 Globos de Ouro (Melhor Filme, Ator e Atriz)

14 - 10 coisas que eu odeio em você (1999)
Dir.: Gil Junger 


Heath Ledger e Julia Stiles despontaram para fama nessa deliciosa comédia adolescente. O filme marcou  toda uma geração. Uma das cenas mais célebres é aquela em que o ator canta "Can't take m eyes off you". 

15 - O Diário de Bridget Jones (2001)
Dir.: Sharon Maguire


Renée Zellweger foi indicada ao Oscar por sua atuação nessa comédia romântica. O filme é baseado no best seller de Helen Fielding.

16 - O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001)
Dir.: Jean-Pierre Jeunet


Um dos filmes mais charmosos do cinema é também um dos mais românticos. O filme francês é estrelado por Audrey Tautou e foi indicado a 5 Oscar's, dentre eles, o de Melhor Filme Estrangeiro. 

17 - Simplesmente Amor (2003)
Dir.: Richard Curtis


Simplesmente Amor é o primeiro filme dirigido por Richard Curtis, roteirista de Quatro Casamentos e Um Funeral (1994) e Um Lugar chamado Notting Hill (1999). Contando com um elenco estelar, o filme mostra várias histórias de amor. 

18 - Como perder um homem em 10 dias (2003)
Dir.: Donald Petrie


Kate Hudson está ótima nessa divertida comedia romântica americana.

19 - Como se fosse a primeira vez (2004)
Dir.: Peter Segal


O longa-metragem de 2004 teria tudo para ser mais uma bomba estrelada por Adam Sandler. Mas, eis que o filme é uma delicada comédia romântica, protagonizada também por Drew Barrymore.

20 - Orgulho e Preconceito (2005)
Dir.: Joe Wright


Orgulho e Preconceito é o primeiro longa-metragem de Joe Wright. O filme é uma das mais belas adaptações do clássico romance de Jane Austen. Keira Knightley foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz. 

21 - 500 dias com ela (2009)
Dir.: Marc Webb


O jovem cult é o primeiro longa-metragem do promissor Marc Webb, diretor incumbido do novo filme do Homem-Aranha, que estreará neste ano. Indicado a dois Globos de Ouro (Filme e Ator), 500 dias com ela é estrelado por Zooey Deschanel e Joseph Gordon-Levitt.


FELIZ DIA DOS NAMORADOS!!!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Cosmopolis - 2012

Título Original: Cosmopolis
Lançamento: 2012
País: Canadá
Direção: David Cronenberg
Atores: Robert PattinsonSamantha Morton, Jay Baruchel, Paul Giamatti, Sarah Gadon
Duração: 108 min
Gênero: Drama
Previsão de estreia no Brasil: 13 de julho

"Minha próstata é assimétrica!"

Cena de Cosmopolis
O diretor canadense David Cronenberg e o astro Robert Pattinson compareceram à première de Cosmopolis em Paris, ao som de centenas de fãs enlouquecidas do fenômeno teen que despontou na saga CrepúsculoCosmopolis, que já havia estreado em Cannes na semana passada, não vem recebendo críticas positivas. Ao contrário, as revistas The Guardian The Hollywood Reporter, por exemplo, se mostraram bastante avessas à nova empreitada de Cronenberg. O longa-metragem é uma adaptação do romance homônimo do escritor americano Don DeLillo, publicado em 2003. Cronenberg é também o responsável pela adaptação da história e assina sozinho o roteiro do filme. Na entrevista pré-projeção, o diretor brincou que o filme era muito engraçado e que as pessoas deveriam rir. Até a metade do filme, nenhuma risada foi ouvida na gigantesca sala Grand Rex. 

Cosmopolis conta um dia na vida de Eric Packer (Robert Pattinson). O multibilionário de 28 anos circula por Manhattan em sua limosine. Seu objetivo é simples: ir a um salão mudar o corte de cabelo. No entanto, várias pessoas cruzam o seu caminho. Tais encontros se dão quase sempre em sua limosine, cenário principal do filme. É nela que ele encontra sua consultora de arte (rápida participação de Juliette Binoche), sua consultora financeira (Samantha Morton), seu médico, seus assistentes, entre outros. O dia de Eric é perturbado pela confusão do mercado financeiro, pela visita do presidente americano, por protestos na rua, pela morte de um cantor de rap e por uma séria ameaça à vida do protagonista. Acompanhado sempre pelo seu chefe de segurança (Kevin Durand), o moço ainda tem que lidar com sua distante e evasiva noiva (Sarah Gadon) que se recusa a ir para a cama com ele. 

Cosmopolis é um filme centrado no diálogo, o que faz com que ele tenha uma forte "pegada" teatral. Na verdade, o sentido de diálogo deve ser nuançado nesse caso, já que muitas vezes os personagens se lançam a conversações sem sentido. Sem dúvida a questão da comunicação é posta à prova, afinal vemos diversos personagens verborrágicos que não conseguem comunicar uma informação com clareza ou com objetividade. Ao contrário, eles se envolvem em divagações pseudo-filosóficas, mercadológicas, existenciais, que conseguem ser paradoxalmente coerentes e absurdas. O filme é ambientado em um universo aparentemente apocalíptico, em que ratos são moedas e valem mais do que o euro. Ao mesmo tempo, existe algo extremamente atual no enredo e os protestos vistos na trama, nos lembram o recente movimento Occupy Wall Street

Sob sua aparente insanidade, o filme toca temas muito importantes como a disparidade social, o individualismo, a invasão da tecnologia em todos os âmbitos da vida humana, a insensibilidade do homem face à dor alheia, o poder do capitalismo, a erupção da violência no quotidiano, entre outros. O protagonista é um jovem que usa sua limosine como uma bolha que o protege do mundo, algo que sinaliza sua riqueza e que o separa dos simples mortais. Eric, acostumado a ter tudo o que quer, tenta comprar o que não pode ter como um monumento histórico. Atormentado pelas coisas que ele não pode controlar, como as altas e baixas do mercado financeiro, a morte de um ídolo, sua própria saúde, as vontades da noiva, o jovem começa a se confrontar com o vazio de sua existência e se lança a um caminho de autodestruição. 

Cronenberg utiliza reiteradamente a ferramenta do campo/contracampo, o que introduz dinamismo e certo desconforto às conversações. O diretor também aposta em uma profusão de planos fechados e closes (que reduzem a sensação de amplitude do ambiente), e esses recursos, aliados ao espaço estreito e limitado da limosine, conferem um caráter claustrofóbico à narrativa. O ritmo e o conceito do filme com certeza encontrarão espectadores bastante resistentes que, ansiosos pela ação, deixarão de apreciar o humor sutil e sagaz de cada fala. Cronenberg não mentiu, o filme, de fato, é engraçado. Mas não se engane, não é o tipo de humor que lhe fará dar gargalhadas. É um tipo de humor que faz você reconhecer a ironia fina e inteligente por trás de cada réplica, dita às vezes seriamente ou com grandiloquência. 

O elenco é encabeçado pelo onipresente Robert Pattinson que, sob a direção de Cronenberg, consegue esconder suas limitações e nos oferece, provavelmente, a melhor performance da sua carreira. Obviamente, a ligeira falta de expressão do ator cai como uma luva ao personagem, que tem algo de mecânico. Mas o ator também tem seus méritos e confere certa espessura dramática ao personagem. Em meio às diversas participações especiais vistas no filme, destacam-se a de Samantha Morton, que é sempre magnética e interessante em cena e um fenomenal Paul Giamatti, que dá vida e energia à trama, que tende a ser monocórdica. 

Não dá para se esperar um filme convencional de David Cronenberg. Cosmópolis é, no entanto, um dos filmes menos acessíveis e mais estranhos do diretor. Cronenberg afirmou, na entrevista dada antes da projeção, que não realizou o filme para ser um sucesso de bilheteria. E não será. Dificilmente ficamos indiferentes a Cosmópolis, ele é do tipo ame-o ou odeie-o. Pelo visto, mais odeie-o do que ame-o. Só para constar, eu adorei. 

A sessão especial de Cosmopolis aconteceu ontem, dia 30, no Grand Rex de Paris.

Assista ao trailer:


segunda-feira, 28 de maio de 2012

Na Estrada - 2012

Título Original: On the road
Lançamento: 2012
País: EUA
Direção: Walter Salles
Atores: Garrett HedlundSam Riley, Kristen Stewart, Kirsten Dunst, Tom Sturridge
Duração: 137 min
Gênero: Drama
Previsão de estreia no Brasil: 13 de julho 

“As únicas pessoas que me interessam são os loucos, loucos por viver, loucos por falar, loucos para serem salvos, sedentos de tudo ao mesmo tempo..."


On the road, romance de Jack Kerouac publicado em 1957, é considerado uma das obras literárias norte-americanas mais importantes do século XX. O romance, de forte inspiração autobiográfica, conta as aventuras de um grupo de amigos (jovens intelectuais, poetas) que atravessaram o território estadunidense como forma de celebração à liberdade. On the road é o produto mais marcante da Geração Beat, formada por um grupo de escritores do pós-Segunda Guerra, cujos estilo de vida e expressão artística eram baseados na experimentação, no uso de drogas, na exploração da sexualidade, na religião oriental e na rejeição ao materialismo. Vários cineastas se interessaram na transposição do romance para as telonas, entre eles Francis Ford Coppola, que comprou o direito de adaptação do livro, mas acabou por incumbir o brasileiro Walter Salles para a realização do longa-metragem. Na Estrada foi exibido na mostra oficial do Festival de Cannes no último dia 23 e teve uma recepção morna da crítica especializada. 

Coube a Walter Salles a responsabilidade de adaptar uma obra que possui inúmeros fãs, bem como a tarefa de transportar para o cinema todo o furor e poeticidade de On the road. Roteirizado por Jose Rivera (que já havia trabalhado com Salles em Diários de Motocicleta), o filme acompanha as aventuras protagonizadas por Sal (Sam Riley), Dean Moriarty (Garrett Hedlund) e Marylou (Kristen Dunst), assim como a intensa relação estabelecida entre esses jovens. A maioria dos filmes "de estrada", ou road movies,  se caracterizam por mostrar não apenas uma viagem, como também o autoconhecimento, o amadurecimento e o aprendizado proporcionados por essa experiência. O road movie revela quase sempre uma busca de si mesmo. Duas das maiores obras da filmografia de Salles são road moviesCentral do Brasil (1998) e Diários de Motocicleta (2004). Bastante familiarizado com o gênero, o diretor realiza uma de suas obras mais ambiciosas, mas cujo resultado final tende a dividir os espectadores. 

Jose Rivera tinha a difícil missão de criar uma estrutura narrativa que conseguisse reagrupar de maneira harmoniosa as diversas aventuras retratadas no livro, uma multiplicidade de acontecimentos e episódios esparsados em um período de três anos (1947-1950). O filme apresenta uma estrutura episódica preponderante, ainda que a ordem cronológica seja, em grande parte, respeitada. A opção do roteirista de incluir na narrativa episódios menos relevantes dramaticamente como o affair de Sal e Terry (Alice Braga) e o encontro com Old Bull Lee (Viggo Mortensen), assim como a inclusão de outros personagens secundáriosconfere ao filme um caráter ainda mais fragmentado, dilata sua duração e tira o foco de uma linha narrativa única centrada nos dois protagonistas masculinos. Outra característica da trama é a ausência de um grande conflito unificador. Trata-se, sobretudo, de um diário de viagens, alimentado por um estudo de personagens. O que alguns críticos chamaram de "sem direção" é provavelmente fruto da combinação de tais elementos. É provável que um filme mais enxuto, que focalizasse sobretudo o triângulo amoroso central, fizesse mais sucesso com público e crítica. Em compensação, excluir alguns acontecimentos presentes no livro não seria mutilar a expêriencia contada pelo narrador-personagem? 

Walter Salles traduz em imagens a essência da obra de Kerouac: a celebração da juventude, do espírito livre, da amizade e da arte. O diretor capta com maestria a alma rebelde dos protagonistas, fazendo com que o espectador mergulhe num universo dominado por um lirismo contagiante. Salles reconstrói, com auxílio de uma direção de arte e figurino impecáveis, uma América dos anos 40/50 que pulsa ao som efervescente do jazz. Merecem elogios a belíssima e eficiente fotografia de Eric Gautier e a ótima trilha sonora do experiente compositor argentino Gustavo Santaolalla, que já havia trabalhado com Salles em Diários de Motocicleta e que tem na estante dois Oscar's, por O Segredo de Brokeback Mountain (2005) e Babel (2006). 

Na Estrada tem um grande elenco. Em meio a nomes mais famosos, Garret Hedlund revela-se a maior atração do filme. A atuação do ator de 27 anos é cheia de vigor, fúria e sensualidade. Hedlund confere  angústia e nervosismo existencial a seu personagem (Dean). O galã é mais conhecido pelo seu trabalho no mediano Tron - O Legado (2010). O inglês Sam Riley dá vida a Sal, narrador e personagem central do filme. Riley acaba sendo ofuscado por Hedlund não apenas devido à intensidade da atuação do colega, como pelo fato de Dean ser o personagem mais fascinante da trama, aquele que comanda a atenção do espectador e dos outros personagens. Kristen Stewart, ainda que tenha uma figura interessante na tela e protagonize cenas ousadas, definitivamente não convence como atriz. Sua xará, Kristen Dunst, ao contrário, prova, mais uma vez, o quanto se tornou uma atriz mais madura e interessante. Uma das melhores surpresas do longa fica por conta de Tom Sturridge, que vive o apaixonado Carlo e tem algumas das cenas mais tocantes do longa. Na Estrada conta ainda com as participações de luxo de Viggo Mortensen, Amy Adams, Steve Buscemi e Alice Braga.

Na Estrada não tem vocação para unanimidade. Muitos irão torcer o nariz para o filme, mas, definitivamente, o novo longa-metragem de Walter Salles encontrará fãs apaixonados. Por mais que reconheça que esse não é o melhor trabalho do diretor brasileiro, tendo a encarar o filme como um projeto bem-sucedido e, por vezes, inspirado. 


Assista ao trailer:




quarta-feira, 23 de maio de 2012

De rouille et d'os - 2012

Título Original: De rouille et d'os 
Lançamento: 2012
País: França
Diretor: Jacques Audiard
Atores: Marion Cotillard, Matthias Schoenaerts, Corinne Masiero, Bouli Lanners
Duração: 120 min
Gênero: Drama


Matthias Shoenaerts e Marion Cotillard protagonizam De rouille et d'os

O segundo filme da mostra competitiva a ser exibido no Festival de Cannes foi o francês De rouille et d'os ("Ferrugem e osso"). O longa-metragem foi realizado por Jacques Audiard, que, em 2009, chamou bastante atenção com o seu excelente Um profeta, drama criminal indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e ganhador do grande prêmio do júri em Cannes naquele ano. O diretor causou mais uma vez uma boa impressão no Festival. Seu novo filme agradou bastante aos críticos, sendo bem mais elogiado que Moonrise Kingdom (2012), filme que abriu a competição. De rouille et d'os é estrelado pela francesa Marion Cotillard e pelo belga Matthias Schoenaerts, ator que foi considerado uma das revelações do festival. Audiard escreveu o roteiro do longa ao lado de Thomas Bidegain, a partir do argumento de Craig Davidson. 

Em De rouille et d'os, Alain (Schoenaerts) se vê incumbido de cuidar do filho de cinco anos, mas passa sérias dificuldades. No entanto, ele tem a chance de recomeçar sua vida, no sul da França, com o auxílio da irmã. Trabalhando como segurança de uma boate, Alain encontra Stéphanie (Marion Cotillard), uma treinadora de orcas. Após um grave acidente durante uma apresentação com os animais, Stéphanie tem suas pernas amputadas. A moça volta a encontrar Alain e os dois iniciam uma inusitada relação. De rouille et d'os fala dos acidentes, das fatalidades e das coincidências capazes de transformar vidas. 

Um dos maiores acertos do filme é a sua abordagem realista do quotidiano, dos indivíduos e de seus dramas pessoais. O filme é completamente ancorado no real, no caos do dia-a-dia, no cinza da cidade, no que não é necessariamente bonito. Cada detalhe trivial da vida das pessoas é importante para termos a sensação de estarmos testemunhando um pedaço da vida de um ser verdadeiro, mortal, cheio de problemas e limitações. Em diversos momentos, Audiard se lança em uma empreitada que lembra à estética do documentário: câmera na mão, tremores, movimentos rápidos. Ao mesmo tempo, chega a ser fascinante a maneira com a qual o diretor insere momentos de extrema poeticidade em meio ao seu realismo urbano, como as belíssimas cenas em que Stéphanie faz os movimentos de comando das orcas ora em um  terraço, ora em frente a um aquário/tanque. 

Em um determinado momento da trama, Stéphanie pede a Alain um pouco de delicadeza. Este parece ser um dos motes principais do filme: como encontrar delicadeza e sensibilidade em um universo dominado pela brutalidade e pela violência? Audiard, por sinal, não tem medo de explorar o lado mais vil do ser humano e faz surgir, por exemplo, Stéphanie em cena já com o nariz sangrando em consequência de um soco que levou de um homem. Essa é a primeira aparição de Marion Cotillard e não é por acaso que o diretor faz a estrela do filme surgir em cena dessa maneira. Mas não é só isso. Audiard filma cada gesto de violência com extremo vigor, apostando em closes impactantes e em movimentos de câmera repentinos. Ao fazer de seu protagonista um lutador de vale-tudo, que participa de perigosas lutas clandestinas, o diretor mostra também o culto à violência e a pulsão autodestrutiva do personagem. 

O filme conta com um elenco afiado formado, em sua maioria, por atores franceses e belgas. Marion Cotillard confere autenticidade ao drama de sua personagem. Um exemplo disso é a cena da descoberta da perda das pernas no quarto do hospital, em que ela grita aos prantos e repetidamente "O que fizeram com minhas pernas?". Na mão de uma atriz menos talentosa, a cena poderia soar como um melodrama barato. A atriz ainda consegue comunicar, principalmente através do seu olhar e de suas expressões, os dilemas e as emoções de sua personagem, tais como: o desejo, o fascínio pela força e pela brutalidade de Alain, a depressão, etc. A atriz ainda dá dimensão à dor da personagem da forma mais delicada e simples possível. Uma lágrima furtiva parece dizer muito mais do que um diálogo. O efeito visual que faz desaparecer parte das pernas de Cotillard é extremamente bem realizado e confere verossimilhança à trama. O galã Mathias Schoenaerts interpreta um brutamontes que no fundo tem um bom coração. A jornada do grosseiro e insensível Alain é justamente a de descobrir o amor e a arte da delicadeza. A atuação do ator belga é magnética, forte e visceral. Tanto Shoenaerts como Cotillard se expõem bastante em cenas de sexo e de nu. É interessante que mesmo não apostando na glamourização dos corpos, Audiard consiga fazer de tais cenas algo extremamente bonito, sensual e natural. 

De rouille et d'os conta com a ótima trilha sonora do onipresente e prolífico Alexandre Desplat (que também trabalhou em Moonrise Kingdom). O filme ainda conta com um trabalho de montagem e edição de som  excelentes e uma bela fotografia, essencial para o tom documental do filme. Infelizmente, De rouille et d'os parece se perder justamente no seu ato final, no qual a resolução soa forçada e precipitada. A redenção de Alain parece ser fruto muito mais de um acidente do que do percurso do personagem durante o filme e de seu envolvimento com Stéphanie, o que é uma pena. 

O novo filme de Jacques Audiard proporciona que entremos na intimidade de dois personagens fortes e   fascinantes e que mergulhemos em seus caos particulares. De rouille et d'os mostra a erupção da violência no dia-a-dia e o nascimento do amor no lugar menos provável. Imperdível. 

Assista ao trailer:


sexta-feira, 18 de maio de 2012

Moonrise Kingdom - 2012

Título Original: Moonrise Kingdom
Lançamento: 2012
País: Estados Unidos
Diretor: Wes Anderson
Atores: Jared GilmanKara Hayward, Bruce Willis, Bill Murray, Frances McDormand e Edward Norton
Duração: 94 min
Gênero: Aventura/ Romance/ Comédia

Kara Hayward e Jared Gilman em cena de Moonrise Kingdom
Moonrise Kingdom abriu a edição 2012 do Festival de Cannes, no último dia 16. Dirigido e roteirizado  (ao lado de Roman Coppola) pelo americano Wes Anderson, de 43 anos, o longa-metragem teve uma recepção sobretudo positiva da crítica especializada, ainda que não a tenha verdadeiramente entusiasmado. Anderson, que iniciou sua carreira em 1994, tem alguns títulos importantes no currículo, entre eles, o cult Os Excêntricos Tenembaums (2001) e a animação O Fantástico Sr. Raposo (2009). Ele foi indicado ao Oscar pelos dois filmes (Melhor Roteiro Original e Melhor Animação). 

Moonrise Kingdom conta a história de amor entre dois adolescentes considerados problemáticos. Sam (Jared Gilman) é um garoto órfão que foge do um acampamento de escoteiros para realizar uma aventura ao lado de sua namorada por correspondência, Susy (Kara Hayward). O sumiço dos dois adolescentes desperta a preocupação dos pais da garota, Mrs. e Mr. Bishop (Frances McDormand e Bill Murray), do xerife local, Captain Sharp (Bruce Willis) e do chefe dos escoteiros, Ward (Edward Norton). O filme explora com sensibilidade a descoberta do primeiro amor. 

A abertura do longa-metragem é, sem dúvida, um dos grandes momentos do filme. Nela, Anderson explora os cômodos de uma casa através de travellings em múltiplas direções. Inspirando-se no conceito da casa de bonecas, o diretor apresenta a realidade de uma família de uma forma extremamente estilizada e elegante. Ao que tudo indica, Anderson contou com o auxilio de miniaturas para os efeitos visuais. Já nesta sequência de abertura, o expectador é confrontado com uma direção de arte e figurino impecáveis, uma linda fotografia e uma trilha sonora inebriante. A fotografia por vezes adquire uma textura "antiga" e a abundância de cores é fascinante. A história se passa nos anos 60 e, ao que parece, Anderson se inspirou em alguns filmes da época, principalmente comédias e musicais, como Bye Bye Birdie (1963), para idealizar a estética do filme. 

Além de ser esteticamente impecável e encantador, o longa-metragem retrata o envolvimento entre os adolescentes protagonistas de uma maneira bastante delicada, revelando, ao mesmo tempo, a inocência e  a precocidade do casal. Infelizmente, o filme acaba ficando menos interessante e envolvente quando focaliza os outros personagens. Ainda que o elenco seja formado por grandes atores, fica a sensação de que a maioria deles é desperdiçada ou subaproveitada pelo roteiro. Por incrível que pareça, os fantásticos Bill Murray e Frances McDormand não brilham como poderíamos imaginar. Bruce Willis, por sua vez, surge mais inexpressivo do que de costume. Já Edward Norton não tem muito o que fazer com seu personagem. O filme ainda se dá ao luxo de contar com breves participações de Tilda Swinton, Harvey Keitel e Jason Schwartzman. É interessante observar que a história se beneficia sobretudo do carisma e da desenvoltura dos jovens e inexperientes atores Kara Hayward e Jared Gilman.

Sem dúvida, algum ingrediente faltou à receita de Moonrise Kingdom. Ainda assim, o filme não deixa de ter um charme particular e conta ainda com alguns momentos bastante inspirados e divertidos. Anderson não deixa de exibir seu humor peculiar e inusitado, presente em obras como Os excêntricos Tenembaums. A trilha sonora de Alexandre Desplat é uma obra-prima. A música, por sinal, é a alma do filme e ocupa um lugar de destaque na narrativa. Moonrise Kingdom é uma delicada fábula sobre primeiro amor e sobre a adolescência que merece ser vista e apreciada, ainda que não seja o melhor filme de seu diretor. 

Assista ao trailer:



domingo, 13 de maio de 2012

As Melhores e as Piores Mães do Cinema

O Dia das Mães não vai passar em branco no Clube do Filme. Aproveitando o ensejo, relembramos algumas das mães mais marcantes da história da sétima arte. 

Confira!

As Melhores


1- Stella Dallas (Barbara Stanwick), Stella Dallas (1937)


O modelo da mãe abnegada imortalizado por Barbara Stanwick no clássico de King Vidor.

2 - Ma Joad (Jane Darwell), em As Vinhas da Ira (1940)


A oscarizada Jane Darwell encarna uma das figuras maternas mais fortes do cinema hollywoodiano, a matriarca da família Joad, num dos maiores clássicos de John Ford.

3 - Mildred Pierce (Joan Crawford), em Mildred Pierce (1945)


Joan Crawford dá vida a uma mulher forte e empreendedora, que tem dificuldades para lidar com a filha mimada e egoísta. Performance ganhadora do Oscar. 

4 - Josephine McKenna (Doris Day), em O Homem que Sabia Demais (1956)


A angelical Doris Day vive uma mãe desesperada em busca do filho sequestrado neste clássico de Hitchcock.  

5 - Annie Johnson (Juanita Moore), em Imitação da Vida (1959). 


No melodrama de Douglas Sirk, Juanita Moore interpreta uma empregada doméstica negra renegada pela própria filha, que tenta passar por branca.

6 - Mamma Roma (Anna Magnani), em Mamma Roma (1962)


A voluptuosa e inesquecível atriz italiana Anna Magnani dá vida a uma ex-prostituta que tenta mudar de vida para voltar a viver com o filho adolescente.

7 - Jenny Fields (Glenn Close), em O Mundo Segundo Garp (1982)


Glenn Close foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por sua performance como Jenny Fields: uma mãe forte, protetora e cheia de atitude. 

8 - Mrs. Brown (Brenda Fricker), em Meu Pé Esquerdo (1989)


Brenda Fricker, ganhadora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, é a pura imagem do amor maternal em Meu Pé Esquerdo

9 - Mrs. Flax (Cher), em Minha Mãe é Uma Sereia (1990)


Cher dá vida a uma mãe divertida e moderna que tem que lidar com sua problemática filha adolescente e com a filha mais nova. 

10 - Mortícia Addams (Anjelica Huston), em A Família Addams (1991)


É quase impossível imaginar outra atriz na pele de Mortícia. Anjelica Huston encarna perfeitamente essa mãe amorosa e excêntrica. 

11 - Sarah Connor (Linda Hamilton), em O Exterminador do Futuro 2 (1991)


A heroína Sarah Connor, interpretada por Linda Hamilton, é uma das mães mais badass do cinema. 

12 - Mrs. Gump (Sally Field), em Forrest Gump - O Contador de Histórias (1994)


Como não se lembrar da adorável mãe de Forrest Gump, vivida por Sally Field? Forte, amorosa e sábia são alguns dos adjetivos que poderiam defini-la.

13 - Beatrice Henderson (Debbie Reynolds), em Mãe é Mãe (1996)


Debbie Reynolds é um dos rostos mais doces e meigos de Hollywood. No filme Mãe é Mãe, de Albert Brooks, ela oferece uma de suas melhores atuações na pele de uma mãe apaixonante.


14 - Jackie Harrison (Susan Sarandon), em Lado a Lado (1998)



Em Lado a Lado, Susan Sarandon é Jackie Harrison, uma mulher que está na fase terminal de um câncer e que decide preparar a namorada do ex-marido para ocupar o seu lugar e cuidar dos seus filhos.

15 - Selma (Björk), em Dançando no Escuro (2000)



No impactante drama de Lars Von Trier, Selma tenta juntar dinheiro para pagar a operação do seu filho e, assim, evitar que ele fique cego. Björk ganhou o prêmio de Melhor Atriz em Cannes por sua performance.

16 - Samantha 'Sammy' Prescott (Laura Linney), em Conta Comigo (2000)


Laura Linney foi indicada ao Oscar por sua atuação no indie Conta Comigo, no qual vive uma mãe que tem que lidar com problemas financeiros e familiares, enquanto tenta criar o filho.

17 - Mulher Elástico (dublada por Holly Hunter), em Os Incríveis (2004)


A super-poderosa mãezona da família Incrível não podia faltar na lista!

18 - Raimunda (Penélope Cruz), em Volver (2006)


Penélope Cruz, indicada ao Oscar, interpreta uma mãe forte e sensual, que ajuda a encobrir um crime da filha, no filme de Pedro Almodóvar!

19 - Christine Collins (Angelina Jolie), em A Troca (2008)


Após o desaparecimento do filho, Christine (vivida por Angelina Jolie, em performance indicada ao Oscar), vai contra tudo e contra todos em busca do menino. 

20 - Mãe (Hye-ja Kim), em Mother/Madeo (2009)


Hye-ja Kim está fantástica na pele de Mãe, uma personagem que encara uma difícil jornada em busca de justiça para o filho, neste excelente filme sul-coreano dirigido por Bong Joon-ho.

As Piores


1- Mrs. Bates, Psicose (1960)


Mrs. Bates era tão monstruosa que continuou tendo "influência" sobre o filho mesmo depois de morta! 

2 - Mrs. Eleanor Shaw Iselin (Angela Lansbury), em Sob o domínio do mal (1962)


Eleanor é manipuladora, maquiavélica e ambiciosa. Na versão original de 1962, ela é vivida de maneira magistral por Angela Lansbury (indicada ao Oscar e ganhadora do Globo de Ouro) e, no remake, por Meryl Streep. 

3 - Margaret White (Piper Laurie), em Carrie - A Estranha (1976)


Piper Laurie (indicada ao Oscar) está soberba na pele de Margaret, uma transtornada fanática religiosa que tornava a vida da filha Carrie mais difícil do que já era. 

4 - Beth Jarrett (Mary Tyler Moore), em Gente como a Gente (1980)


Beth Jarret (vivida pela surpreendente Mary Tyler Moore, indicada ao Oscar) é insensível e cruel com o filho Conrad (Timothy Hutton), no drama familiar dirigido por Robert Redford.

5 - Joan Crawford (Faye Dunaway), em Mamãezinha Querida (1981)


Faye Dunaway é o pesadelo de qualquer criancinha em Mamãezinha Querida, no qual interpreta a atriz Joan Crawford. O filme é baseado no livro escrito pela filha adotiva de Crawford. A cena em que a personagem grita "No wire hangers!" é antológica. 

6 - Mama Fratelli (Anne Ramsey), em Os Goonies (1985)


Anne Ramsey interpretou duas das piores mães do cinema. Em Goonies, ela vive uma mãe abominável, malvada até o osso, que lidera uma gangue particular.

 7 - Momma (Anne Ramsey), em Jogue a Mamãe do Trem (1987)


Momma é tão casca grossa que os próprios filhos querem matá-la. Durona e insuportável, a personagem é a prova de que vaso ruim não quebra. Anne Ramsey foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por sua performance. 

8 - Marietta Fortune (Diane Ladd), em Coração Selvagem (1990)


Que mãe tenta seduzir o namorado da filha e depois faz de tudo para assassina-lo? Resposta: Marietta Fortune. A personagem é vivida pela ótima Diane Ladd (indicada ao Oscar). 

9 - Lilly Dillon (Anjelica Huston), em Os Imorais (1990)


Lilly Dillon é uma vigarista de primeira, que não pensa duas vezes antes de prejudicar o próprio filho. Anjelica Huston dá vida a essa trapaceira imoral e foi indicada ao Oscar pelo seu trabalho. 

10 - Beverly R. Sutphin (Kathleen Turner), em Mamãe é de Morte (1994)


Beverly realmente amava seus filhos. O problema é que ela assassinava as pessoas que os contrariavam. 

11 - Barbara Baekeland (Julianne Moore), em Pecados Inocentes (2007)


Barbara (interpretada pela ótima Julianne Moore) é uma mulher desequilibrada. Ela não vê problemas em dividir o namorado com o filho, por exemplo. Mas não é só isso. Ela chega ao cúmulo de o assediar sexualmente! O filme é baseado em fatos reais. 

12 - Mary (Mo'Nique), em Preciosa (2009)


É difícil encontrar uma mãe mais asquerosa do que Mary, em Preciosa. Se houvesse uma eleição de pior mãe das telonas, ela provavelmente seria a favorita. A personagem parece ser o mal encarnado. A interpretação de Mo'Nique é sensacional e foi premiada com o Oscar. 


FELIZ DIA DAS MÃES!