terça-feira, 20 de março de 2012

Kick-Ass: Quebrando Tudo - 2010

Título Original: Kick -Ass
Lançamento: 2010
País: Reino Unido / EUA
Direção: Matthew Vaughn
Atores: Aaron JohnsonNicolas CageChloë Grace Moretz, Christopher Mintz-Plasse e Mark Strong
Duração: 117 min
Gênero: Comédia / Ação


Kick-Ass e Hit-Girl
Kick-Ass é o terceiro longa-metragem realizado por Matthew Vaughn, diretor inglês de 41 anos. Apesar de ter apenas quatro filmes no currículo, Vaughn já apresenta um conjunto de obras bastante consistente. Ele dirigiu os ótimos Nem Tudo É o Que Parece (2004), Stardust – O Mistério da Estrela (2007) e o excepcional X-Men: Primeira Classe (2011). Muito antes de se tornar diretor, ele já possuía uma vasta experiência como produtor de cinema e televisão. Ele foi, por exemplo, um dos produtores do cult Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1998). Sem dúvida, Matthew Vaughn é um nome a se guardar. Em Kick-Ass, o diretor repagina o gênero “filme de super-herói”, acrescentando influências de outros gêneros e criando uma narrativa que consegue soar nova e inventiva, mesmo ao seguir certas fórmulas e clichês.

O filme é centrado no adolescente Dave Lizewski (Aaron Johnson). O protagonista é o perfeito loser (derrotado). É notório o fascínio que o cinema americano, em especial, tem pela figura do loser e, consequentemente, pela volta por cima desse típico derrotado. Dave não possui nenhum talento particular, não é popular na escola, é ignorado pelas garotas, é zombado pelos amigos e ainda apanha dos valentões (para não dizer criminosos) do seu bairro. Sendo, particularmente, sensível à injustiça que o rodeia e sendo fã inveterado de histórias em quadrinhos, o adolescente resolve se tornar um super-herói mascarado. Eventualmente, o garoto, que adota o pseudônimo de Kick-Ass (Chuta-Bundas), chama a atenção da mídia e de dois verdadeiros super-heróis: Big Dad (Nicolas Cage) e Hit-Girl (Chlöe Moretz), pai e filha. Esses dois últimos são justiceiros que tentam acabar com toda a rede criminosa do traficante Frank D’Amico (Mark Strong), um perigoso gângster local.


Big Dad e Hit-Girl
O roteiro de Kick-Ass foi escrito por Jane Goldman e pelo próprio Matthew Vaughn. O filme é a adaptação da irreverente série de histórias em quadrinhos de mesmo nome, escrita por Mark Millar, ilustrada por John Romita Jr e publicada, pela primeira vez, em 2008. Kick-Ass, o filme, é recheado de referências a célebres super-heróis, como Homem-Aranha, Batman, Superman, entre outros. O universo da história em quadrinhos é perfeitamente integrado à narrativa. Além de utilizar, os marcadores de passagem de tempo típicos do comic book, Vaughn ainda produz uma excelente sequência que recria digitalmente as páginas dos quadrinhos dando, no entanto, um aspecto tridimensional ao desenho. Vaughn consagra essa ótima e eficiente sequência a um dos momentos-chaves do filme, um importante flashback-resumo, que explicita as motivações de um dos personagens principais. O filme adota uma interessante dimensão metalinguística e reflexiva, já que, retratando o universo de super-heróis, ele parece se questionar sobre a importância de tais figuras no imaginário das pessoas e a necessidade que temos em criar tais personagens. 

Um dos maiores atrativos de Kick-Ass é a maneira com a qual paródia e humor são inseridos na trama. O roteiro do filme brinca incessantemente com as expectativas do público com relação ao gênero “filme de super-herói” e a quebra dessa expectativa. Já em sua deliciosa cena de abertura, o filme surpreende o espectador desprevenido. A violência do acontecimento inicial é compensada pelo humor negro da narração. A forte dimensão parodística de Kick-Ass o aproxima das séries Todo Mundo em Pânico e Corra Que a Polícia Vem Aí.  O filme, no entanto, não se conforma com a reciclagem e derrisão de outros filmes, ou seja, ele não se contenta em fazer piada em cima dos clichês e códigos de gêneros específicos. É interessante observar também os momentos em que o filme “se leva a sério”.

Uma das melhores cenas do filme. 
Todo o universo de Dave/Kick Ass é tratado sob o viés do humor e da paródia. O protagonista não tem nada de heroico, além das boas intenções. O fato de o personagem assumir também o papel de narrador do filme cria uma identificação e proximidade maiores do espectador com o protagonista. Já Big Dad e Hit Girl são, sim, mostrados como verdadeiros super-heróis, pessoas altamente treinadas e habilidosas e, de certa forma, superiores. A diferença de tratamento entre os personagens fica nítida nas cenas de ação. Enquanto os combates de Hit-Girl são filmados como grandes cenas de ação, as de Kick-Ass se assemelham à comédia pastelão.

Vaughn, por sinal, revela uma fina habilidade ao dosar a ação e a comédia. As cenas de luta de Hit-Girl e Big Daddy são de tirar o fôlego, coreografadas de maneira magistral. Provavelmente, o diretor se inspirou em filmes de arte marcial ou mesmo no recente Kill Bill para idealizar tais cenas. É através da decupagem de tais cenas, do uso da trilha sonora (importantíssima no filme) e da precisão da direção, que Vaughn consegue transformar uma menininha de 11 anos (Hit-Girl) em uma matadora em série. Para nos fazer rir, por outro lado, Vaughn aposta, por exemplo, nas gags visuais, como no momento em que um adesivo no espelho parece fazer um lacinho cor de rosa na cabeça de Kick-Ass. O diretor investe também na já mencionada quebra de expectativa, na ironia e na narração dirigida diretamente ao espectador. O gênero comédia adolescente certamente exerceu grande influência nas escolhas do cineasta.

Aaron Johnson interpreta Kick-Ass.
O elenco principal do filme é formado, em sua maioria, por jovens atores. O grande destaque é Chlöe Moretz que vive a personagem mais interessante do longa, a apaixonante Hit-Girl. A jovem atriz é, sem dúvida, uma das maiores promessas Hollywood. Hit-Girl é a grande heroína do filme, a mais perigosa, forte e destemida. Além disso, a personagem de Chlöe Moretz é boca-suja, temperamental e politicamente incorreta. Sua aparência fofinha contrapõe-se com seu gênio nada infantil. É dela uma das falas mais divertidas e inusitadas do filme, que vai de encontro ao tom parodístico do mesmo. Quando Kick-Ass pergunta como poderá encontrá-la, ela responde: “Contate o escritório do prefeito. Ele tem um sinal especial que brilha no céu... com o formato de um pinto gigante”. Mas não é somente a jovem atriz que brilha. Aaron Johnson faz um excelente trabalho na pele do protagonista, revelando um ótimo timing para comédia. Da voz fanha e nada ameaçadora, até a postura desajeitada, a composição do ator é muito interessante. O filme ainda conta com ótimas participações de Christopher Mintz-Plasse e Mark Strong. Nicolas Cage, por sua vez, se entrega a mais uma composição caricata e estranha, que acaba por funcionar no filme.

Um aspecto do filme que talvez tenha passado um pouco despercebido pela crítica na época de seu lançamento, é o caráter problemático e perturbador de se veicular cenas tão violentas contra uma criança. Hit-Girl recebe socos, tiros e pontapés desferidos por homens com o triplo de seu tamanho.  Por mais que se trate de uma obra de ficção, e a personagem seja uma heroína, algumas dessas cenas não deixaram de me impactar. Sem duvida o filme é uma ótima oportunidade de se estudar a banalização da violência, dessa vez contra a criança. Felizmente, o inteligente tratamento que o filme dá para esse elemento da história não permite que fiquemos indignados com a situação (muitos espectadores nem ao menos vão levantar a questão), já que Hit-Girl bate muito mais que apanha. Além disso, a violência é muito mais gráfica, que realista, o que contribui para um certo distanciamento.

Chlöe Grace Moretz interpreta Hit-Girl. A jovem atriz nasceu em 1997.
Contando com uma trilha sonora fenomenal, uma direção de arte caprichosa e uma direção de fotografia excelente, Kick-Ass é a prova de que o cinema comercial pode ser de qualidade. Mesmo tendo um final previsível e mesmo obedecendo, no fundo, a uma fórmula de sucesso (dos filmes de super-herói), o longa-metragem consegue ser uma diversão inteligente e nada descartável. O diretor Matthew Vaughn acerta, principalmente, ao combinar com maestria e irreverência diversas influências: a comédia adolescente, a ação, o filme de gângster e a paródia. Que venha a continuação! 

Assista ao trailer:



quarta-feira, 14 de março de 2012

As Maiores Heroínas do Cinema

Na semana passada, comemoramos o Dia Internacional da Mulher. Para não deixar a data passar totalmente em branco, o Clube do Filme faz uma homenagem (atrasada) a algumas mulheres da ficção que melhor representam o poder feminino. Selecionamos as maiores heroínas do cinema. Guerreiras, fortes, decididas, corajosas e temperamentais, tais personagens são, acima de tudo, admiráveis. Elas são capazes de acabar com qualquer homem, alien ou monstro, utilizando ou a força física, ou o charme e a inteligência, quiçá todos esses atributos juntos. Essas mulheres podem ser osso duro de roer, mas elas conquistaram o coração de muitos cinéfilos. Confira a nossa lista:

20 – Nikita (Anne Parillaud)

Nikita - Criada Para Matar (1990)

Nikita não era nenhuma santa, tendo sido, inclusive, condenada à prisão. Mas, eis que a moça é recrutada pelo o serviço secreto francês, que lhe dá uma nova identidade e uma missão. Após um duro treinamento, ela se torna uma espiã/assassina quase imbatível. 


19 - Mulan 

Mulan (1998)

A chinesinha Mulan vai à guerra no lugar de seu pai, já velhinho, para salvá-lo de uma morte quase certa. Fofo, não? Fingindo ser um homem, ela se sai muitíssimo bem nos combates e se torna uma das grandes heroínas da China. 


18 - Norma Rae (Sally Field)

Norma Rae (1979)
Quem não sentiu o coração bater mais forte na cena em que Norma Rae sobe na mesa da fábrica, carregando o cartaz escrito "Union"? A operária lidera um movimento sindical na sua cidade, enfrentando os poderosos e lutando por melhores condições de trabalho. Personagem inesquecível de Sally Field! 

17 – Princesa Leia Organa (Carrie Fisher)

Série Guerra nas Estrelas 
Carrie Fisher não tinha um terço do talento e da beleza da mãe, Debbie Reynolds, mas criou uma heroína mítica e inesquecível. Princesa Leia não é lembrada apenas pelo seu penteado de gosto duvidoso, mas também por sua habilidade com a arma de laser, por seu biquíni dourado e por sua nobreza (afinal, ela também é uma Jedi). 

16 – Alice (Milla Jovovich)

Série Resident Evil
Essa Alice já passou por maus bocados. Em todos os quatro filmes da série, a moça enfrentou as criaturas mais horripilantes que se possa imaginar, sempre salvando a pátria no final do dia. Mila Jovovich se firma, cada vez mais, como a grande atriz de filmes de ação da atualidade. 

15 –  Hit-Girl (Chloë Grace Moretz)

Kick-Ass - Quebrando Tudo (2010) 

Hit-Girl tem um nome estiloso, é super precoce, hiper-habilidosa e bota pra quebrar em Kick-Ass. Além disso, ela é interpretada pela fofa e talentosa Choë Moretz. 


14 – Hermione (Emma Watson)

Série Harry Potter
Não é segredo para ninguém que Hermione é, disparada, a mais inteligente do trio de protagonistas, quiçá de toda Hogwarts. A heroína nerd sabe tudo sobre magia, pensa rápido, salva seus amigos das mais diversas enrascadas e é bem durona. 

13 – Coffy (Pam Grier)

Coffy (1973)

Para quem não a conhece, Coffy é uma enfermeira que decide se vingar de um grupo de traficantes que destruíram a vida de sua irmã. Pam Grier compõe uma personagem icônica: sexy e perigosa. 


12 – Lara Croft (Angelina Jolie)

Lara Croft: Tomb Raider (2001)

Lara Croft: Tomb Raider - A Origem da Vida (2003)
A qualidade dos filmes é mais do que discutível. O que não se pode discutir é que Angelina Jolie dá vida a uma das heroínas mais sexies e habilidosas do cinema. Se muitos homens já babavam pela Lara Croft versão vídeo-game, imagina o alvoroço causado pela versão Angelina Jolie. 

11- Trinity (Carrie-Ann Moss)

Trilogia Matrix 
Óculos escuros, roupa de couro, muito estilo, ótimos golpes e muita coragem fazem de Trinity um verdadeiro ícone. Além disso, Carrie-Ann Moss põe Keanu Reeves no chinelo. 

10 - Lisbeth (Noomi Rapace / Rooney Mara)

Millenium: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres (2009/ 2011) 
Lisbeth é a grande heroína dos últimos anos. Adjetivos é que não faltam para caracterizá-la: estranha, antissocial, desajustada, vingadora, inteligente, durona, forte. A hacker é complexa e interessante como toda heroína moderna dever ser. Além disso, suas intérpretes, Noomi Rapace e Rooney Mara, são fantásticas. 


9 - Sarah Connor (Linda Hamilton)

O Exterminador do Futuro (1984)

O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (1991)

Eis uma heroína que não podia faltar na lista. A vulnerável moça se transforma em uma forte e destemida assassina. A ótima performance de Linda Hamilton (por onde anda?) faz de Sarah uma figura ainda mais marcante. 

8 - Marge Gunderson (Frances McDormand)

Fargo (1996)

Marge Gunderson é a heroína mais improvável do cinema e esse é, provavelmente, o seu maior charme. A chefe de polícia, mesmo estando pesadamente grávida, consegue prender o assassino e ainda o obriga a escutar uma comovente lição de moral. Frances McDormand fez de Marge uma figura adorável, apaixonante e competente. 

7 - Erin Brockovich (Julia Roberts)

Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento (2000) 
Erin Brockovich é uma mulher comum, sem super poderes e sem vocação para artes marciais. Mas não se engane, ela é uma das maiores heroínas do cinema. Mãe solteira e desempregada, a vida da moça ia de mal a pior até que, finalmente, ela consegue um emprego numa firma de advocacia. Seguindo o seu instinto, ela acaba descobrindo que uma companhia estava poluindo a água de uma pequena cidade na Califórnia. Determinada, boca-suja, sensual e incansável, Erin consegue colher provas contra a companhia e mover uma ação milionária, que beneficiou várias famílias. O mais bacana de tido isso é que essa é uma história real. 

6 - Thelma e Louise (Geena Davis e Susan Sarandon)


Thelma & Louise (1991)

Thelma e Louise fogem de suas vidas pacatas, se lançam numa aventura e viram heroínas. Uma era garçonete, a outra dona-de-casa. Juntas, elas atravessam o Estados Unidos e são perseguidas pela polícia como se fossem foras-da-lei. As moças desafiam o poder masculino, abandonam suas posições submissas e viram donas do próprio destino. Susan Sarandon e Geena Davis estão maravilhosas nos papéis-títulos. 

5 - Barbarella (Jane Fonda)

Barbarella (1968)

Barbarella é a heroína mais erotizada do cinema. No filme cult-trash do francês Roger Vadin, a moça tem a simples missão de salvar a Terra. Utilizando todo seu guarda-roupa, a sexy heroína se vê diante dos mais terríveis perigos, sendo inclusive torturada com um instrumento que lhe inflige fatais doses de prazer sexual. A personagem fez de Jane Fonda uma sex symbol e não poderia faltar em nossa lista. 

4 - The Bride (Uma Thurman)

Kill Bill - Volume 1 e 2 (2003, 2004)
Beatrix Kiddo ou, simplesmente, a Noiva, sobrevive à morte e traça um plano para se vingar de cada um de seus inimigos. Com o seu inesquecível uniforme amarelo, a Noiva prova sua perícia nas artes marciais, além de ser implacável e incansável. Uma Thurman oferece a melhor performance de sua carreira e compõe uma das maiores heroínas do cinema. 

3 - Clarice Starling (Jodie Foster)

O Silêncio dos Inocentes (1991) 

Além de ter que lidar com Hannibal, um dos personagens mais assustadores de todos os tempos, Clarice tem a tarefa de prender um terrível e bizarro serial killer. A agente do FBI enfrenta o perigo com muita coragem e competência, não devendo nada a nenhum marmanjo. Grande parte do sucesso do personagem vem da ótima atuação de Jodie Foster. 

2 - Ellen Ripley (Sigourney Weaver)

Quatrilogia Alien
A guerreira Ellen Ripley seria presença obrigatória em qualquer lista de heroínas. Ao longo dos quatro filmes da série, a personagem só fez crescer, ganhando uma espessura dramática e uma complexidade absurdas. Ellen Ripley é hiperbólica! Sem dúvida, uma das maiores personagens de filmes de ação entres homens e mulheres. A heroína é vivida com extremo talento e entrega pela grande Sigourney Weaver. 

1 - Scarlett O’Hara (Vivien Leigh)

E o Vento Levou (1939)
A maior heroína do cinema é a geniosa, atrevida e bela Scarlett O'Hara. A moça perde tudo, passa fome e se reergue graças a sua admirável determinação e inteligência. De menina mimada, ela vira uma mulher forte, pronta a fazer tudo o que for necessário para proteger sua terra e sua família, para reaver sua fortuna e para conquistar o amor da sua adolescência. Ela sobrevive à perda da mãe, do pai, da filha e termina o filme dizendo que irá sobreviver ao abandono do seu verdadeiro amor. Alguém duvida que ela conseguirá reconquistá-lo? Há algo de vanguardista na personagem (lembrando que a história se passa no século XIX): ela desafia as convenções sociais, toma as rédeas da própria vida e ainda demonstra um grande tino comercial. Seguindo o lema "amanhã é um novo dia", ela mata, mente, rouba, distribui muitos tapas e consegue quase sempre o que quer. Impossível imaginar outra atriz que não a britânica Vivien Leigh na pele de Scarlett. A intensidade de sua atuação não deixa de impressionar 70 anos depois do lançamento do filme. 



"Deus é testemunha que eles não vão me derrotar. Eu vou sobreviver a tudo isso e quando tudo acabar, eu nunca mais passarei fome. Nem eu, nem ninguém da minha família. Mesmo que eu tenha que mentir, roubar, enganar ou matar, Deus é testemunha, eu jamais sentirei fome novamente!" 

sexta-feira, 9 de março de 2012

O Príncipe Encantado - 1957

Título original: The Prince and the Showgirl
Lançamento: 1957
País: Inglaterra
Direção: Laurence Olivier
Atores: Marilyn MonroeLaurence OlivierRichard Wattis e Sybil Thorndike
Duração: 115 min
Gênero: Comédia

Laurence Olivier e Marilyn Monroe estrelam O Príncipe Encantado
Ao analisar Sete Dias com Marilyn (2011) em minha última crítica, afirmei que a comédia romântica O Príncipe Encantado (1957) promovia o encontro entre a maior estrela de Hollywood, Marilyn Monroe, e o ator inglês mais admirado de todos os tempos, Laurence Olivier. Tal encontro é interessante ainda por reunir dois ícones que definitivamente não compartilhavam o mesmo status na indústria cinematográfica. Enquanto Olivier carregava uma aura de realeza britânica, Monroe sempre nos remeteu a uma deliciosa mundaneidade. Indubitavelmente talentoso e celebrado em vida pelo seu trabalho no cinema e no teatro, o ator/diretor inglês é normalmente lembrado pelos múltiplos personagens shakespearianos que interpretou durante sua carreira, tais como Hamlet, Ricardo III e Otelo. Já a atriz americana amargou durante toda a sua carreira o fato de não ser levada a sério como atriz, tendo se consagrado em papéis cômicos que exploravam ao máximo o seu sex appeal . Poucos viam o talento por trás da beleza e da sensualidade natural daquela que veio a se tornar a mulher mais famosa do mundo. Uma frase de Sete dias com Marilyn parece resumir muito bem o que significava a realização de O Príncipe Encantado para ambos os atores: "É uma agonia porque ele (Olivier) é um grande ator que quer ser uma estrela e você (Monroe) é uma estrela que quer ser uma grande atriz". 

Laurence Olivier era um experiente diretor de teatro. No cinema, no entanto, ele dirigiu apenas cinco filmes, nos quais também atuou. O Príncipe Encantado é a sua quarta aventura por detrás das câmeras. Laurence Olivier chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Diretor em 1949, por Hamlet (1948). No entanto, não é segredo para ninguém que Olivier era melhor ator que cineasta. Reza a lenda que foi a dificuldade de dirigir Marilyn Monroe em O Príncipe Encantado que o afastou por tanto tempo (13 anos) da função de diretor. O filme de 1957 é baseado na peça de teatro "O Príncipe Adormecido" de Terence Rattigan, peça que Olivier já havia levado aos palcos, atuando ao lado de sua esposa Vivien Leigh. Rattingan assina também o roteiro do filme. 

Marilyn Monroe usa seu famoso vestido branco durante grande parte do filme.
O Príncipe Encantado conta a inusitada relação entre um príncipe-regente (Laurence Olivier) e uma corista americana que vive em Londres (Marilyn Monroe). O Regente de Carpathia (país fictício do leste europeu) é um homem severo e frio. Em breve, o quarentão deverá entregar o trono a seu filho adolescente, algo que pouco lhe agrada, já que pai e filho não compartilham os mesmos ideais políticos. A família real de Carpathia vai a Londres para a coroação do novo rei britânico. Certa noite, ao comparecer a uma apresentação em um cabaré londrino, o Regente conhece a atriz/dançarina Elsie Marina. No dia seguinte, ele a convida para um jantar íntimo. O Regente provavelmente esperava uma noite de amor sem compromissos, mas eis que as coisas se revelam muito mais complicadas para ele. 

O Príncipe Encantado é uma comédia romântica extremamente leve e, muitos dirão (com razão), boba. O enredo do filme nos remete a outro clássico, o mais famoso A Princesa e o Plebeu (1953), estrelado por Audrey Hepburn. O roteiro de O Príncipe Encantado talvez seja o ponto mais fraco do filme. Ainda que carregue uma inocência charmosa, a trama carece de um conflito que lhe dê força. O roteiro é baseado na comédia de situações. O que funcionaria bem no teatro, acaba deixando um pouco a desejar no cinema. O filme, por sinal, não consegue, em nenhum momento, se descolar de sua origem teatral. Laurence Olivier como diretor pouco contribui para distanciar o filme da peça, utilizando pouquíssimas locações, apostando em cenários pouco realistas (muitas das paisagens externas são pinturas) e concebendo o filme como um conjunto de esquetes. Até mesmo as atuações do elenco do filme (com exceção de Monroe) são teatrais. O fato de Olivier só ter dirigido filmes baseados em peças talvez comprove que a linguagem teatral sempre tenha exercido grande influência em sua experiência como cineasta. 

Olivier tinha 50 anos e Marilyn 31 quando filmaram O Príncipe Encantado.  
Há algo, no entanto, que salva a produção do fracasso. O tom farsesco e, ao mesmo tempo, inocente da trama faz com que o filme tenha algo de encantador. A medida que a história se desenrola, o espectador acaba por desenvolver uma verdadeira simpatia pelo insólito casal protagonista, conseguindo engolir até mesmo o inverossímel "Eu te amo" dito pelos personagens. A ironia maior (ainda mais para quem assistiu a Sete Dias com Marilyn) é que Marilyn Monroe revela-se a melhor coisa do filme. Linda e adorável, a atriz esbanja carisma, nos conquistando já em sua primeira cena. Já Olivier surge extremamente teatral, exibindo um sotaque estranho e compondo um tipo que beira à caricatura. A naturalidade de Monroe e o exagero de Olivier acabam por dar um contraste interessante na tela e os melhores momentos do filme são aqueles em que os dois atores interagem. 

O Príncipe Encantado está longe de ser o melhor filme de Marilyn Monroe e de Laurence Olivier. A comédia romântica, no entanto, é uma ótima oportunidade de assistir a esses dois ícones do cinema, de estilos tão diferentes, trabalhando juntos. De brinde, O Príncipe Encantado ainda provoca boas risadas e nos deixa com um sorriso nos lábios, mesmo após o The End


Assista ao trailer:



quarta-feira, 7 de março de 2012

Sete Dias com Marilyn - 2011

Título original: My Week with Marilyn 
Lançamento: 2011
País: Inglaterra / EUA 
Direção: Simon Curtis
Atores: Michelle WilliamsEddie Redmayne, Kenneth Branagh e Judi Dench
Duração: 99 min
Gênero: Drama
Estreia prevista no Brasil: 23 de março 


"As pessoas sempre vêem Marilyn Monroe. Assim que percebem que eu não sou ela, elas fogem!"

Michelle Williams dá vida a Marilyn Monroe

Em 1995, o cineasta inglês Colin Clark publicou The prince, the showgirl and me, um diário referente ao período em que trabalhara como assistente de direção no filme O Príncipe Encantado (1957). Em 2000, Clark publicou My week with Marilyn, livro que também aborda suas memórias sobre as filmagens do clássico, focalizando dessa vez sua suposta relação com a estrela Marilyn Monroe. Sete Dias com Marilyn é baseado nessas duas obras. O filme é o primeiro longa-metragem para o cinema de Simon Curtis, diretor inglês de 51 anos, que tem no currículo diversos trabalhos para a televisão britânica, além de uma vasta experiência como produtor. 

O roteiro de Sete Dias com Marilyn é assinado por Adrian Hodges que, a exemplo de Simon Curtis, construiu sua carreira na televisão. O filme aborda o turbulento período de filmagem de O Príncipe Encantado, comédia romântica inglesa dirigida e estrelada por Laurence Olivier e co-estrelada pela musa Marilyn Monroe. O clássico de 1957 foi o único filme da atriz feito fora dos Estados Unidos. Além de retratar a difícil relação entre Olivier e Monroe nos bastidores da gravação, Sete Dias com Marilyn revela as inseguranças da atriz, seus fantasmas, medos, dando especial atenção à íntima amizade que ela nutriu com o jovem Colin Clark. De origem abastada, o jovem de 23 anos consegue, após muita insistência, fazer parte da produção de O Príncipe Encantado. Não é difícil adivinhar que ele se apaixonará perdidamente pela exuberante e frágil atriz. 

Uma das melhores cenas do filme: "Should I be her?"
Marilyn Monroe é a estrela do cinema que mais despertou o imaginário e a curiosidade do público. Muito se especula sobre a sua vida, sua origem, sobre seus inúmeros casamentos, sobre seus famosos affairs e sobre sua misteriosa e prematura morte. Talvez nunca saibamos, de fato, quem foi a atriz, a mulher por detrás do mito que ela se tornou. Tudo com relação a Marilyn é superlativo: "a mulher mais famosa do mundo""uma das atrizes mais bonitas de todos os tempos""a mais sexy". A princípio, poderíamos imaginar que Sete Dias com Marilyn buscaria uma maneira de desmitificar a atriz, de aproximá-la de nós, meros mortais. O filme de fato parece tentar seguir este caminho, dando grande atenção à fragilidade emocional da moça. No entanto, seria errôneo acreditar que o longa-metragem pinte um retrato autêntico de Marilyn Monroe. Temos acesso apenas a uma interpretação ainda muito romantizada da personalidade da atriz. Talvez esse fenômeno se justifique pelo fato de que a história seja contada sob o ponto de vista de Colin Clark, que idealiza a celebridade e a coloca em um pedestal. 

A maioria das aparições de Marilyn (Michelle Williams) no filme são impactantes. A protagonista não entra em cena como os demais personagens, seu surgimento na tela é sempre realçado pela direção. É interessante observar como praticamente todos os personagens tem algo de importante a declarar sobre Marilyn, como se ela exercesse um fascínio extraordinário sobre eles. O "coro" do filme que canta repetidamente para personagem "você é maravilhosa, você é maravilhosa" parece não apenas tentar convencê-la de seu talento, como enfatizar para o espectador dos anos 2000 que a atriz era divina.Tais procedimentos vão em direção oposta a uma possível desmitificação. Além disso, o roteiro jamais vai a fundo nas motivações de Marilyn, não explorando efetivamente as razões de seus bloqueios, de sua insegurança e de seu sofrimento. Sete Dias com Marilyn revela-se, portanto, muito mais um filme sobre uma imagem que se tem de Marilyn Monroe e sobre o que ela despertava nas pessoas, do que uma tentativa de desvendar o mistério por trás do grande ícone que ela era.

Keneth Branagh interpreta Laurence Olivier
O grande problema do filme de Simon Curtis é o de não ousar sair do lugar comum, do previsível. Romantizando ao máximo a figura de Marilyn, assim como sua relação com Colin, o longa-metragem revela-se por vezes desnecessariamente meloso e melodramático. Se podemos repreender Curtis pelo caráter convencional de seu filme, temos que tirar o chapéu para a ótima reconstituição de época que ele faz (ao lado de sua equipe técnica), recriando, por exemplo, cenas do filme O Príncipe Encantado com perfeição. O trabalho de direção de arte, figurino e maquiagem do longa-metragem são impecáveis. Já a trilha sonora, apesar de bonita, peca talvez por ser excessivamente romântica, conferindo um tom ainda mais sentimentalista ao filme. 

O elenco de Sete Dias com Marilyn é um dos pontos fortes do filme. Muitos torceram o nariz para a escolha de Michelle Williams para o papel principal. A atriz Scarlett Johansson parecia a princípio uma opção mais adequada para o papel. De fato,Williams não tem o mesmo tipo físico de Marilyn, nem a mesma beleza. No entanto, a talentosíssima Michelle Williams consegue se transformar na estrela e captura a essência da persona de Marilyn Monroe: uma certa inocência que clama ao pecado. A atriz consegue conferir à personagem vulnerabilidade, melancolia e, obviamente, sensualidade. Há uma tristeza que escapa no olhar de Williams que é extremamente tocante, como se ela estivesse sempre pedindo por socorro. Já o promissor Eddie Redmayne, que protagonizou o perturbador Pecados Inocentes (2007) ao lado de Julianne Moore, convence aqui como o apaixonado e sonhador Colin. Kenneth Branagh, por sua vez, dá um show ao interpretar seu ídolo e mestre Laurence Olivier, captando os maneirismos do ator e sua postura altiva. O filme ainda conta com ótimas participações de Judi Dench, Julia Ormond e Zoë Wanamaker. 

Sete Dias com Marilyn não é um grande filme, mas também não chega a ser um fracasso, funcionando, sobretudo, como uma homenagem bem-intencionada ao magnetismo de uma das atrizes mais importantes de Hollywood. Talvez o grande defeito do filme seja o de ser esquecível, coisa que Marilyn Monroe nunca foi e nunca será. 



Assista ao trailer:





segunda-feira, 5 de março de 2012

Jovens Adultos - 2011

Título original: Young Adult
Lançamento: 2011
País: EUA
Diretor: Jason Reitman
Atores: Charlize Theron, Patrick Wilson, Patton Oswalt e Elizabeth Reaser
Duração: 94 min
Gênero: Comédia/Drama
Estreia prevista no Brasil: 6 de Abril

Charlize Theron protagoniza Jovens Adultos
Jovens Adultos é o quarto longa-metragem de Jason Reitman, diretor de 34 anos, que pode ser considerado um queridinho dos críticos americanos. O diretor e roteirista, indicado quatro vezes ao Oscar, ainda não se aventurou em outros gêneros além da comédia dramática, sua especialidade. Em Jovens Adultos, o diretor repete a parceria com a roteirista Diablo Cody, com quem fez o aclamado Juno (2007). O filme conta a história de Mavis (Charlize Theron), uma escritora de livros para adolescentes que está atravessando um período conturbado de sua vida. Divorciada e com problemas no trabalho, a quase quarentona descobre que o grande amor de sua adolescência acaba de ser pai. Subitamente, ela decide voltar a sua cidade natal para reconquistar o ex-namorado.

Às vezes, é interessante fazer uma análise comparativa de dois filmes que compartilham algumas similaridades. Não pude deixar de pensar em O Casamento do Meu Melhor Amigo (1997) ao me deparar com o argumento de Jovens Adultos (2011). Em ambos os filmes, as protagonistas tentam reaver um amor do passado, "roubando-o" de suas atuais companheiras. Para reconquistar seus amores, Mavis (em Jovens Adultos) e Julianne (em O Casamento) saem de suas rotinas, realizam uma viagem até as cidades onde moram seus respectivos amados e cada uma delas conta com a sabedoria e os conselhos (na maioria das vezes ignorados) de um amigo-confidente. Diablo Cody, roteirista de Jovens Adultos e oscarizada por Juno (2007), provavelmente tinha noção de que estava se apropriando de uma ideia já transposta para o cinema anteriormente de forma muito bem sucedida. Jovens Adultos, feliz ou infelizmente, vai em direção oposta a O Casamento do Meu Melhor Amigo, revelando-se uma versão dark da comédia romântica de 1997. 

Um dos pontos positivos do longa metragem de 1997 é o caráter adorável de sua protagonista. Apesar de seu plano maquiavélico de separar um casal feliz, Julianne conquista a simpatia do público que, em grande parte, torce a seu favor. Muito do charme da personagem principal vem do carisma de Julia Roberts e de sua divertida performance. Além disso, o roteiro faz com que nos identifiquemos com a personagem, mesmo tendo conhecimento de seus defeitos e de suas más ações. O mesmo não acontece em Jovens Adultos. Mavis, a protagonista, apresenta uma personalidade definitivamente detestável, que não é, em nenhum momento, aliviada pelo roteiro. Insensível, egoísta, imatura, inconveniente, alcoólatra, a protagonista revela-se repulsiva ao espectador. Provavelmente, a roteirista Diablo Cody esperava que amássemos sua personagem justamente por seus defeitos, o que seria essencial para que o filme funcionasse plenamente. No entanto, o máximo que conseguimos nutrir por Mavis é um misto de piedade, raiva e vergonha alheia. Por outro lado, Jovens Adultos não deixa de ser uma experiência minimamente interessante justamente por abordar, de maneira tão crua, o caráter de sua anti-heroína.

Outra diferença fundamental entre o filme de 1997 e o filme de 2011, é que, no primeiro, a protagonista tem chances reais de reconquistar o seu amado. Já em Jovens Adultos, fica nítido, logo no primeiro encontro dos ex-namorados, que não existe a mínima química entre os dois e que eles não ficarão juntos. E talvez essa seja mais uma das escolhas problemáticas de Diablo Cody: além de criar uma protagonista repulsiva, ela tira da história qualquer possibilidade de romance. E mais: Buddy Slade (Patrick Wilson), o interesse amoroso de Mavis, é extremamente desinteressante.  Assim como é difícil acreditar que Buddy largaria sua mulher e filha para ficar com Mavis, não conseguimos entender o que esta vê naquele. Por fim, a última diferença entre os filmes é que se O Casamento do Meu Melhor Amigo é, efetivamente, uma comédia romântica, Jovens Adultos nunca consegue ser realmente engraçado, o que é bem ruim para um filme que é vendido como comédia. Jovens Adultos seria, a meu ver, um drama com toques de humor negro. Essa confusão genérica pode causar uma decepção ainda maior para o espectador.

O roteiro de Jovens Adultos revela-se incontornavelmente problemático quando nos damos conta de que o conflito central da trama é esvaziado de sentido, já que, de antemão, sabemos que Mavis não conseguirá o que quer. Poderíamos pensar: o que realmente importa na trama é o crescimento emocional da personagem. Durante todo o filme, o espectador se apega à possibilidade de redenção de Mavis. Mas eis que isso também não ocorre. Apesar de ser provavelmente mais realista e, nesse sentido, mais original, o final do filme revela-se incrivelmente frustrante. Cody peca também ao tentar justificar o comportamento lamentável de sua protagonista, revelando um trauma pouco convincente do passado da moça. O eventual envolvimento sexual entre Mavis e seu “amigo” Matt também é difícil de engolir, soando bastante forçado (a cena em si chega a ser deprimente).

Jovens Adultos se salva do naufrágio basicamente graças a duas performances. Charlize Theron faz um trabalho irrepreensível, conseguindo manifestar toda a confusão emocional e a sordidez de sua personagem. Ouso dizer que a atriz cria uma figura mais desprezível do que sua famosa personagem em Monster (2003). Afinal, mesmo sendo uma serial killerAileen Wuornos tinha algo de enternecedor. É interessante como a atriz se entrega a Mavis, fugindo do glamour e construindo uma personagem que se encontra em uma encruzilhada existencial e que parece à beira da insanidade. Mesmo que não gostemos da personagem, acreditamos nela. Já o ator Patton Oswalt encarna uma das poucas figuras simpáticas da trama, Matt. A história de Matt é trágica e Oswalt consegue transmitir, através de sua atuação, o tanto que seu personagem foi marcado pela dor e a que nível ele aprecia a companhia de Mavis. O filme melhora consideravelmente quando o ator está em cena.

Jason Reitman faz um trabalho extremamente convencional em Jovens Adultos, comprovando (pelo menos para mim) que é um diretor ainda bastante inexpressivo. Infelizmente, seu último filme não consegue agradar nem como comédia, nem como drama e apesar de Diablo Cody ser uma roteirista interessante, as peças de sua trama parecem não se encaixar. Mesmo assim, o filme consegue ser melhor do que medíocre graças ao retrato curioso e intenso de uma personagem detestável. Com certeza haverá quem goste mais de Jovens Adultos que de O Casamento do Meu Melhor Amigo. Eu já não tenho dúvidas: prefiro a história da romântica e desastrada Julianne à da desajustada e desequilibrada Mavis. 

Assista ao trailer: