quarta-feira, 14 de março de 2012

As Maiores Heroínas do Cinema

Na semana passada, comemoramos o Dia Internacional da Mulher. Para não deixar a data passar totalmente em branco, o Clube do Filme faz uma homenagem (atrasada) a algumas mulheres da ficção que melhor representam o poder feminino. Selecionamos as maiores heroínas do cinema. Guerreiras, fortes, decididas, corajosas e temperamentais, tais personagens são, acima de tudo, admiráveis. Elas são capazes de acabar com qualquer homem, alien ou monstro, utilizando ou a força física, ou o charme e a inteligência, quiçá todos esses atributos juntos. Essas mulheres podem ser osso duro de roer, mas elas conquistaram o coração de muitos cinéfilos. Confira a nossa lista:

20 – Nikita (Anne Parillaud)

Nikita - Criada Para Matar (1990)

Nikita não era nenhuma santa, tendo sido, inclusive, condenada à prisão. Mas, eis que a moça é recrutada pelo o serviço secreto francês, que lhe dá uma nova identidade e uma missão. Após um duro treinamento, ela se torna uma espiã/assassina quase imbatível. 


19 - Mulan 

Mulan (1998)

A chinesinha Mulan vai à guerra no lugar de seu pai, já velhinho, para salvá-lo de uma morte quase certa. Fofo, não? Fingindo ser um homem, ela se sai muitíssimo bem nos combates e se torna uma das grandes heroínas da China. 


18 - Norma Rae (Sally Field)

Norma Rae (1979)
Quem não sentiu o coração bater mais forte na cena em que Norma Rae sobe na mesa da fábrica, carregando o cartaz escrito "Union"? A operária lidera um movimento sindical na sua cidade, enfrentando os poderosos e lutando por melhores condições de trabalho. Personagem inesquecível de Sally Field! 

17 – Princesa Leia Organa (Carrie Fisher)

Série Guerra nas Estrelas 
Carrie Fisher não tinha um terço do talento e da beleza da mãe, Debbie Reynolds, mas criou uma heroína mítica e inesquecível. Princesa Leia não é lembrada apenas pelo seu penteado de gosto duvidoso, mas também por sua habilidade com a arma de laser, por seu biquíni dourado e por sua nobreza (afinal, ela também é uma Jedi). 

16 – Alice (Milla Jovovich)

Série Resident Evil
Essa Alice já passou por maus bocados. Em todos os quatro filmes da série, a moça enfrentou as criaturas mais horripilantes que se possa imaginar, sempre salvando a pátria no final do dia. Mila Jovovich se firma, cada vez mais, como a grande atriz de filmes de ação da atualidade. 

15 –  Hit-Girl (Chloë Grace Moretz)

Kick-Ass - Quebrando Tudo (2010) 

Hit-Girl tem um nome estiloso, é super precoce, hiper-habilidosa e bota pra quebrar em Kick-Ass. Além disso, ela é interpretada pela fofa e talentosa Choë Moretz. 


14 – Hermione (Emma Watson)

Série Harry Potter
Não é segredo para ninguém que Hermione é, disparada, a mais inteligente do trio de protagonistas, quiçá de toda Hogwarts. A heroína nerd sabe tudo sobre magia, pensa rápido, salva seus amigos das mais diversas enrascadas e é bem durona. 

13 – Coffy (Pam Grier)

Coffy (1973)

Para quem não a conhece, Coffy é uma enfermeira que decide se vingar de um grupo de traficantes que destruíram a vida de sua irmã. Pam Grier compõe uma personagem icônica: sexy e perigosa. 


12 – Lara Croft (Angelina Jolie)

Lara Croft: Tomb Raider (2001)

Lara Croft: Tomb Raider - A Origem da Vida (2003)
A qualidade dos filmes é mais do que discutível. O que não se pode discutir é que Angelina Jolie dá vida a uma das heroínas mais sexies e habilidosas do cinema. Se muitos homens já babavam pela Lara Croft versão vídeo-game, imagina o alvoroço causado pela versão Angelina Jolie. 

11- Trinity (Carrie-Ann Moss)

Trilogia Matrix 
Óculos escuros, roupa de couro, muito estilo, ótimos golpes e muita coragem fazem de Trinity um verdadeiro ícone. Além disso, Carrie-Ann Moss põe Keanu Reeves no chinelo. 

10 - Lisbeth (Noomi Rapace / Rooney Mara)

Millenium: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres (2009/ 2011) 
Lisbeth é a grande heroína dos últimos anos. Adjetivos é que não faltam para caracterizá-la: estranha, antissocial, desajustada, vingadora, inteligente, durona, forte. A hacker é complexa e interessante como toda heroína moderna dever ser. Além disso, suas intérpretes, Noomi Rapace e Rooney Mara, são fantásticas. 


9 - Sarah Connor (Linda Hamilton)

O Exterminador do Futuro (1984)

O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (1991)

Eis uma heroína que não podia faltar na lista. A vulnerável moça se transforma em uma forte e destemida assassina. A ótima performance de Linda Hamilton (por onde anda?) faz de Sarah uma figura ainda mais marcante. 

8 - Marge Gunderson (Frances McDormand)

Fargo (1996)

Marge Gunderson é a heroína mais improvável do cinema e esse é, provavelmente, o seu maior charme. A chefe de polícia, mesmo estando pesadamente grávida, consegue prender o assassino e ainda o obriga a escutar uma comovente lição de moral. Frances McDormand fez de Marge uma figura adorável, apaixonante e competente. 

7 - Erin Brockovich (Julia Roberts)

Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento (2000) 
Erin Brockovich é uma mulher comum, sem super poderes e sem vocação para artes marciais. Mas não se engane, ela é uma das maiores heroínas do cinema. Mãe solteira e desempregada, a vida da moça ia de mal a pior até que, finalmente, ela consegue um emprego numa firma de advocacia. Seguindo o seu instinto, ela acaba descobrindo que uma companhia estava poluindo a água de uma pequena cidade na Califórnia. Determinada, boca-suja, sensual e incansável, Erin consegue colher provas contra a companhia e mover uma ação milionária, que beneficiou várias famílias. O mais bacana de tido isso é que essa é uma história real. 

6 - Thelma e Louise (Geena Davis e Susan Sarandon)


Thelma & Louise (1991)

Thelma e Louise fogem de suas vidas pacatas, se lançam numa aventura e viram heroínas. Uma era garçonete, a outra dona-de-casa. Juntas, elas atravessam o Estados Unidos e são perseguidas pela polícia como se fossem foras-da-lei. As moças desafiam o poder masculino, abandonam suas posições submissas e viram donas do próprio destino. Susan Sarandon e Geena Davis estão maravilhosas nos papéis-títulos. 

5 - Barbarella (Jane Fonda)

Barbarella (1968)

Barbarella é a heroína mais erotizada do cinema. No filme cult-trash do francês Roger Vadin, a moça tem a simples missão de salvar a Terra. Utilizando todo seu guarda-roupa, a sexy heroína se vê diante dos mais terríveis perigos, sendo inclusive torturada com um instrumento que lhe inflige fatais doses de prazer sexual. A personagem fez de Jane Fonda uma sex symbol e não poderia faltar em nossa lista. 

4 - The Bride (Uma Thurman)

Kill Bill - Volume 1 e 2 (2003, 2004)
Beatrix Kiddo ou, simplesmente, a Noiva, sobrevive à morte e traça um plano para se vingar de cada um de seus inimigos. Com o seu inesquecível uniforme amarelo, a Noiva prova sua perícia nas artes marciais, além de ser implacável e incansável. Uma Thurman oferece a melhor performance de sua carreira e compõe uma das maiores heroínas do cinema. 

3 - Clarice Starling (Jodie Foster)

O Silêncio dos Inocentes (1991) 

Além de ter que lidar com Hannibal, um dos personagens mais assustadores de todos os tempos, Clarice tem a tarefa de prender um terrível e bizarro serial killer. A agente do FBI enfrenta o perigo com muita coragem e competência, não devendo nada a nenhum marmanjo. Grande parte do sucesso do personagem vem da ótima atuação de Jodie Foster. 

2 - Ellen Ripley (Sigourney Weaver)

Quatrilogia Alien
A guerreira Ellen Ripley seria presença obrigatória em qualquer lista de heroínas. Ao longo dos quatro filmes da série, a personagem só fez crescer, ganhando uma espessura dramática e uma complexidade absurdas. Ellen Ripley é hiperbólica! Sem dúvida, uma das maiores personagens de filmes de ação entres homens e mulheres. A heroína é vivida com extremo talento e entrega pela grande Sigourney Weaver. 

1 - Scarlett O’Hara (Vivien Leigh)

E o Vento Levou (1939)
A maior heroína do cinema é a geniosa, atrevida e bela Scarlett O'Hara. A moça perde tudo, passa fome e se reergue graças a sua admirável determinação e inteligência. De menina mimada, ela vira uma mulher forte, pronta a fazer tudo o que for necessário para proteger sua terra e sua família, para reaver sua fortuna e para conquistar o amor da sua adolescência. Ela sobrevive à perda da mãe, do pai, da filha e termina o filme dizendo que irá sobreviver ao abandono do seu verdadeiro amor. Alguém duvida que ela conseguirá reconquistá-lo? Há algo de vanguardista na personagem (lembrando que a história se passa no século XIX): ela desafia as convenções sociais, toma as rédeas da própria vida e ainda demonstra um grande tino comercial. Seguindo o lema "amanhã é um novo dia", ela mata, mente, rouba, distribui muitos tapas e consegue quase sempre o que quer. Impossível imaginar outra atriz que não a britânica Vivien Leigh na pele de Scarlett. A intensidade de sua atuação não deixa de impressionar 70 anos depois do lançamento do filme. 



"Deus é testemunha que eles não vão me derrotar. Eu vou sobreviver a tudo isso e quando tudo acabar, eu nunca mais passarei fome. Nem eu, nem ninguém da minha família. Mesmo que eu tenha que mentir, roubar, enganar ou matar, Deus é testemunha, eu jamais sentirei fome novamente!" 

sexta-feira, 9 de março de 2012

O Príncipe Encantado - 1957

Título original: The Prince and the Showgirl
Lançamento: 1957
País: Inglaterra
Direção: Laurence Olivier
Atores: Marilyn MonroeLaurence OlivierRichard Wattis e Sybil Thorndike
Duração: 115 min
Gênero: Comédia

Laurence Olivier e Marilyn Monroe estrelam O Príncipe Encantado
Ao analisar Sete Dias com Marilyn (2011) em minha última crítica, afirmei que a comédia romântica O Príncipe Encantado (1957) promovia o encontro entre a maior estrela de Hollywood, Marilyn Monroe, e o ator inglês mais admirado de todos os tempos, Laurence Olivier. Tal encontro é interessante ainda por reunir dois ícones que definitivamente não compartilhavam o mesmo status na indústria cinematográfica. Enquanto Olivier carregava uma aura de realeza britânica, Monroe sempre nos remeteu a uma deliciosa mundaneidade. Indubitavelmente talentoso e celebrado em vida pelo seu trabalho no cinema e no teatro, o ator/diretor inglês é normalmente lembrado pelos múltiplos personagens shakespearianos que interpretou durante sua carreira, tais como Hamlet, Ricardo III e Otelo. Já a atriz americana amargou durante toda a sua carreira o fato de não ser levada a sério como atriz, tendo se consagrado em papéis cômicos que exploravam ao máximo o seu sex appeal . Poucos viam o talento por trás da beleza e da sensualidade natural daquela que veio a se tornar a mulher mais famosa do mundo. Uma frase de Sete dias com Marilyn parece resumir muito bem o que significava a realização de O Príncipe Encantado para ambos os atores: "É uma agonia porque ele (Olivier) é um grande ator que quer ser uma estrela e você (Monroe) é uma estrela que quer ser uma grande atriz". 

Laurence Olivier era um experiente diretor de teatro. No cinema, no entanto, ele dirigiu apenas cinco filmes, nos quais também atuou. O Príncipe Encantado é a sua quarta aventura por detrás das câmeras. Laurence Olivier chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Diretor em 1949, por Hamlet (1948). No entanto, não é segredo para ninguém que Olivier era melhor ator que cineasta. Reza a lenda que foi a dificuldade de dirigir Marilyn Monroe em O Príncipe Encantado que o afastou por tanto tempo (13 anos) da função de diretor. O filme de 1957 é baseado na peça de teatro "O Príncipe Adormecido" de Terence Rattigan, peça que Olivier já havia levado aos palcos, atuando ao lado de sua esposa Vivien Leigh. Rattingan assina também o roteiro do filme. 

Marilyn Monroe usa seu famoso vestido branco durante grande parte do filme.
O Príncipe Encantado conta a inusitada relação entre um príncipe-regente (Laurence Olivier) e uma corista americana que vive em Londres (Marilyn Monroe). O Regente de Carpathia (país fictício do leste europeu) é um homem severo e frio. Em breve, o quarentão deverá entregar o trono a seu filho adolescente, algo que pouco lhe agrada, já que pai e filho não compartilham os mesmos ideais políticos. A família real de Carpathia vai a Londres para a coroação do novo rei britânico. Certa noite, ao comparecer a uma apresentação em um cabaré londrino, o Regente conhece a atriz/dançarina Elsie Marina. No dia seguinte, ele a convida para um jantar íntimo. O Regente provavelmente esperava uma noite de amor sem compromissos, mas eis que as coisas se revelam muito mais complicadas para ele. 

O Príncipe Encantado é uma comédia romântica extremamente leve e, muitos dirão (com razão), boba. O enredo do filme nos remete a outro clássico, o mais famoso A Princesa e o Plebeu (1953), estrelado por Audrey Hepburn. O roteiro de O Príncipe Encantado talvez seja o ponto mais fraco do filme. Ainda que carregue uma inocência charmosa, a trama carece de um conflito que lhe dê força. O roteiro é baseado na comédia de situações. O que funcionaria bem no teatro, acaba deixando um pouco a desejar no cinema. O filme, por sinal, não consegue, em nenhum momento, se descolar de sua origem teatral. Laurence Olivier como diretor pouco contribui para distanciar o filme da peça, utilizando pouquíssimas locações, apostando em cenários pouco realistas (muitas das paisagens externas são pinturas) e concebendo o filme como um conjunto de esquetes. Até mesmo as atuações do elenco do filme (com exceção de Monroe) são teatrais. O fato de Olivier só ter dirigido filmes baseados em peças talvez comprove que a linguagem teatral sempre tenha exercido grande influência em sua experiência como cineasta. 

Olivier tinha 50 anos e Marilyn 31 quando filmaram O Príncipe Encantado.  
Há algo, no entanto, que salva a produção do fracasso. O tom farsesco e, ao mesmo tempo, inocente da trama faz com que o filme tenha algo de encantador. A medida que a história se desenrola, o espectador acaba por desenvolver uma verdadeira simpatia pelo insólito casal protagonista, conseguindo engolir até mesmo o inverossímel "Eu te amo" dito pelos personagens. A ironia maior (ainda mais para quem assistiu a Sete Dias com Marilyn) é que Marilyn Monroe revela-se a melhor coisa do filme. Linda e adorável, a atriz esbanja carisma, nos conquistando já em sua primeira cena. Já Olivier surge extremamente teatral, exibindo um sotaque estranho e compondo um tipo que beira à caricatura. A naturalidade de Monroe e o exagero de Olivier acabam por dar um contraste interessante na tela e os melhores momentos do filme são aqueles em que os dois atores interagem. 

O Príncipe Encantado está longe de ser o melhor filme de Marilyn Monroe e de Laurence Olivier. A comédia romântica, no entanto, é uma ótima oportunidade de assistir a esses dois ícones do cinema, de estilos tão diferentes, trabalhando juntos. De brinde, O Príncipe Encantado ainda provoca boas risadas e nos deixa com um sorriso nos lábios, mesmo após o The End


Assista ao trailer:



quarta-feira, 7 de março de 2012

Sete Dias com Marilyn - 2011

Título original: My Week with Marilyn 
Lançamento: 2011
País: Inglaterra / EUA 
Direção: Simon Curtis
Atores: Michelle WilliamsEddie Redmayne, Kenneth Branagh e Judi Dench
Duração: 99 min
Gênero: Drama
Estreia prevista no Brasil: 23 de março 


"As pessoas sempre vêem Marilyn Monroe. Assim que percebem que eu não sou ela, elas fogem!"

Michelle Williams dá vida a Marilyn Monroe

Em 1995, o cineasta inglês Colin Clark publicou The prince, the showgirl and me, um diário referente ao período em que trabalhara como assistente de direção no filme O Príncipe Encantado (1957). Em 2000, Clark publicou My week with Marilyn, livro que também aborda suas memórias sobre as filmagens do clássico, focalizando dessa vez sua suposta relação com a estrela Marilyn Monroe. Sete Dias com Marilyn é baseado nessas duas obras. O filme é o primeiro longa-metragem para o cinema de Simon Curtis, diretor inglês de 51 anos, que tem no currículo diversos trabalhos para a televisão britânica, além de uma vasta experiência como produtor. 

O roteiro de Sete Dias com Marilyn é assinado por Adrian Hodges que, a exemplo de Simon Curtis, construiu sua carreira na televisão. O filme aborda o turbulento período de filmagem de O Príncipe Encantado, comédia romântica inglesa dirigida e estrelada por Laurence Olivier e co-estrelada pela musa Marilyn Monroe. O clássico de 1957 foi o único filme da atriz feito fora dos Estados Unidos. Além de retratar a difícil relação entre Olivier e Monroe nos bastidores da gravação, Sete Dias com Marilyn revela as inseguranças da atriz, seus fantasmas, medos, dando especial atenção à íntima amizade que ela nutriu com o jovem Colin Clark. De origem abastada, o jovem de 23 anos consegue, após muita insistência, fazer parte da produção de O Príncipe Encantado. Não é difícil adivinhar que ele se apaixonará perdidamente pela exuberante e frágil atriz. 

Uma das melhores cenas do filme: "Should I be her?"
Marilyn Monroe é a estrela do cinema que mais despertou o imaginário e a curiosidade do público. Muito se especula sobre a sua vida, sua origem, sobre seus inúmeros casamentos, sobre seus famosos affairs e sobre sua misteriosa e prematura morte. Talvez nunca saibamos, de fato, quem foi a atriz, a mulher por detrás do mito que ela se tornou. Tudo com relação a Marilyn é superlativo: "a mulher mais famosa do mundo""uma das atrizes mais bonitas de todos os tempos""a mais sexy". A princípio, poderíamos imaginar que Sete Dias com Marilyn buscaria uma maneira de desmitificar a atriz, de aproximá-la de nós, meros mortais. O filme de fato parece tentar seguir este caminho, dando grande atenção à fragilidade emocional da moça. No entanto, seria errôneo acreditar que o longa-metragem pinte um retrato autêntico de Marilyn Monroe. Temos acesso apenas a uma interpretação ainda muito romantizada da personalidade da atriz. Talvez esse fenômeno se justifique pelo fato de que a história seja contada sob o ponto de vista de Colin Clark, que idealiza a celebridade e a coloca em um pedestal. 

A maioria das aparições de Marilyn (Michelle Williams) no filme são impactantes. A protagonista não entra em cena como os demais personagens, seu surgimento na tela é sempre realçado pela direção. É interessante observar como praticamente todos os personagens tem algo de importante a declarar sobre Marilyn, como se ela exercesse um fascínio extraordinário sobre eles. O "coro" do filme que canta repetidamente para personagem "você é maravilhosa, você é maravilhosa" parece não apenas tentar convencê-la de seu talento, como enfatizar para o espectador dos anos 2000 que a atriz era divina.Tais procedimentos vão em direção oposta a uma possível desmitificação. Além disso, o roteiro jamais vai a fundo nas motivações de Marilyn, não explorando efetivamente as razões de seus bloqueios, de sua insegurança e de seu sofrimento. Sete Dias com Marilyn revela-se, portanto, muito mais um filme sobre uma imagem que se tem de Marilyn Monroe e sobre o que ela despertava nas pessoas, do que uma tentativa de desvendar o mistério por trás do grande ícone que ela era.

Keneth Branagh interpreta Laurence Olivier
O grande problema do filme de Simon Curtis é o de não ousar sair do lugar comum, do previsível. Romantizando ao máximo a figura de Marilyn, assim como sua relação com Colin, o longa-metragem revela-se por vezes desnecessariamente meloso e melodramático. Se podemos repreender Curtis pelo caráter convencional de seu filme, temos que tirar o chapéu para a ótima reconstituição de época que ele faz (ao lado de sua equipe técnica), recriando, por exemplo, cenas do filme O Príncipe Encantado com perfeição. O trabalho de direção de arte, figurino e maquiagem do longa-metragem são impecáveis. Já a trilha sonora, apesar de bonita, peca talvez por ser excessivamente romântica, conferindo um tom ainda mais sentimentalista ao filme. 

O elenco de Sete Dias com Marilyn é um dos pontos fortes do filme. Muitos torceram o nariz para a escolha de Michelle Williams para o papel principal. A atriz Scarlett Johansson parecia a princípio uma opção mais adequada para o papel. De fato,Williams não tem o mesmo tipo físico de Marilyn, nem a mesma beleza. No entanto, a talentosíssima Michelle Williams consegue se transformar na estrela e captura a essência da persona de Marilyn Monroe: uma certa inocência que clama ao pecado. A atriz consegue conferir à personagem vulnerabilidade, melancolia e, obviamente, sensualidade. Há uma tristeza que escapa no olhar de Williams que é extremamente tocante, como se ela estivesse sempre pedindo por socorro. Já o promissor Eddie Redmayne, que protagonizou o perturbador Pecados Inocentes (2007) ao lado de Julianne Moore, convence aqui como o apaixonado e sonhador Colin. Kenneth Branagh, por sua vez, dá um show ao interpretar seu ídolo e mestre Laurence Olivier, captando os maneirismos do ator e sua postura altiva. O filme ainda conta com ótimas participações de Judi Dench, Julia Ormond e Zoë Wanamaker. 

Sete Dias com Marilyn não é um grande filme, mas também não chega a ser um fracasso, funcionando, sobretudo, como uma homenagem bem-intencionada ao magnetismo de uma das atrizes mais importantes de Hollywood. Talvez o grande defeito do filme seja o de ser esquecível, coisa que Marilyn Monroe nunca foi e nunca será. 



Assista ao trailer:





segunda-feira, 5 de março de 2012

Jovens Adultos - 2011

Título original: Young Adult
Lançamento: 2011
País: EUA
Diretor: Jason Reitman
Atores: Charlize Theron, Patrick Wilson, Patton Oswalt e Elizabeth Reaser
Duração: 94 min
Gênero: Comédia/Drama
Estreia prevista no Brasil: 6 de Abril

Charlize Theron protagoniza Jovens Adultos
Jovens Adultos é o quarto longa-metragem de Jason Reitman, diretor de 34 anos, que pode ser considerado um queridinho dos críticos americanos. O diretor e roteirista, indicado quatro vezes ao Oscar, ainda não se aventurou em outros gêneros além da comédia dramática, sua especialidade. Em Jovens Adultos, o diretor repete a parceria com a roteirista Diablo Cody, com quem fez o aclamado Juno (2007). O filme conta a história de Mavis (Charlize Theron), uma escritora de livros para adolescentes que está atravessando um período conturbado de sua vida. Divorciada e com problemas no trabalho, a quase quarentona descobre que o grande amor de sua adolescência acaba de ser pai. Subitamente, ela decide voltar a sua cidade natal para reconquistar o ex-namorado.

Às vezes, é interessante fazer uma análise comparativa de dois filmes que compartilham algumas similaridades. Não pude deixar de pensar em O Casamento do Meu Melhor Amigo (1997) ao me deparar com o argumento de Jovens Adultos (2011). Em ambos os filmes, as protagonistas tentam reaver um amor do passado, "roubando-o" de suas atuais companheiras. Para reconquistar seus amores, Mavis (em Jovens Adultos) e Julianne (em O Casamento) saem de suas rotinas, realizam uma viagem até as cidades onde moram seus respectivos amados e cada uma delas conta com a sabedoria e os conselhos (na maioria das vezes ignorados) de um amigo-confidente. Diablo Cody, roteirista de Jovens Adultos e oscarizada por Juno (2007), provavelmente tinha noção de que estava se apropriando de uma ideia já transposta para o cinema anteriormente de forma muito bem sucedida. Jovens Adultos, feliz ou infelizmente, vai em direção oposta a O Casamento do Meu Melhor Amigo, revelando-se uma versão dark da comédia romântica de 1997. 

Um dos pontos positivos do longa metragem de 1997 é o caráter adorável de sua protagonista. Apesar de seu plano maquiavélico de separar um casal feliz, Julianne conquista a simpatia do público que, em grande parte, torce a seu favor. Muito do charme da personagem principal vem do carisma de Julia Roberts e de sua divertida performance. Além disso, o roteiro faz com que nos identifiquemos com a personagem, mesmo tendo conhecimento de seus defeitos e de suas más ações. O mesmo não acontece em Jovens Adultos. Mavis, a protagonista, apresenta uma personalidade definitivamente detestável, que não é, em nenhum momento, aliviada pelo roteiro. Insensível, egoísta, imatura, inconveniente, alcoólatra, a protagonista revela-se repulsiva ao espectador. Provavelmente, a roteirista Diablo Cody esperava que amássemos sua personagem justamente por seus defeitos, o que seria essencial para que o filme funcionasse plenamente. No entanto, o máximo que conseguimos nutrir por Mavis é um misto de piedade, raiva e vergonha alheia. Por outro lado, Jovens Adultos não deixa de ser uma experiência minimamente interessante justamente por abordar, de maneira tão crua, o caráter de sua anti-heroína.

Outra diferença fundamental entre o filme de 1997 e o filme de 2011, é que, no primeiro, a protagonista tem chances reais de reconquistar o seu amado. Já em Jovens Adultos, fica nítido, logo no primeiro encontro dos ex-namorados, que não existe a mínima química entre os dois e que eles não ficarão juntos. E talvez essa seja mais uma das escolhas problemáticas de Diablo Cody: além de criar uma protagonista repulsiva, ela tira da história qualquer possibilidade de romance. E mais: Buddy Slade (Patrick Wilson), o interesse amoroso de Mavis, é extremamente desinteressante.  Assim como é difícil acreditar que Buddy largaria sua mulher e filha para ficar com Mavis, não conseguimos entender o que esta vê naquele. Por fim, a última diferença entre os filmes é que se O Casamento do Meu Melhor Amigo é, efetivamente, uma comédia romântica, Jovens Adultos nunca consegue ser realmente engraçado, o que é bem ruim para um filme que é vendido como comédia. Jovens Adultos seria, a meu ver, um drama com toques de humor negro. Essa confusão genérica pode causar uma decepção ainda maior para o espectador.

O roteiro de Jovens Adultos revela-se incontornavelmente problemático quando nos damos conta de que o conflito central da trama é esvaziado de sentido, já que, de antemão, sabemos que Mavis não conseguirá o que quer. Poderíamos pensar: o que realmente importa na trama é o crescimento emocional da personagem. Durante todo o filme, o espectador se apega à possibilidade de redenção de Mavis. Mas eis que isso também não ocorre. Apesar de ser provavelmente mais realista e, nesse sentido, mais original, o final do filme revela-se incrivelmente frustrante. Cody peca também ao tentar justificar o comportamento lamentável de sua protagonista, revelando um trauma pouco convincente do passado da moça. O eventual envolvimento sexual entre Mavis e seu “amigo” Matt também é difícil de engolir, soando bastante forçado (a cena em si chega a ser deprimente).

Jovens Adultos se salva do naufrágio basicamente graças a duas performances. Charlize Theron faz um trabalho irrepreensível, conseguindo manifestar toda a confusão emocional e a sordidez de sua personagem. Ouso dizer que a atriz cria uma figura mais desprezível do que sua famosa personagem em Monster (2003). Afinal, mesmo sendo uma serial killerAileen Wuornos tinha algo de enternecedor. É interessante como a atriz se entrega a Mavis, fugindo do glamour e construindo uma personagem que se encontra em uma encruzilhada existencial e que parece à beira da insanidade. Mesmo que não gostemos da personagem, acreditamos nela. Já o ator Patton Oswalt encarna uma das poucas figuras simpáticas da trama, Matt. A história de Matt é trágica e Oswalt consegue transmitir, através de sua atuação, o tanto que seu personagem foi marcado pela dor e a que nível ele aprecia a companhia de Mavis. O filme melhora consideravelmente quando o ator está em cena.

Jason Reitman faz um trabalho extremamente convencional em Jovens Adultos, comprovando (pelo menos para mim) que é um diretor ainda bastante inexpressivo. Infelizmente, seu último filme não consegue agradar nem como comédia, nem como drama e apesar de Diablo Cody ser uma roteirista interessante, as peças de sua trama parecem não se encaixar. Mesmo assim, o filme consegue ser melhor do que medíocre graças ao retrato curioso e intenso de uma personagem detestável. Com certeza haverá quem goste mais de Jovens Adultos que de O Casamento do Meu Melhor Amigo. Eu já não tenho dúvidas: prefiro a história da romântica e desastrada Julianne à da desajustada e desequilibrada Mavis. 

Assista ao trailer:



sexta-feira, 2 de março de 2012

Donnie Darko - 2001

Título original: Donnie Darko
Lançamento: 2001 
País: EUA
Direção: Richard Kelly
Atores: Jake Gyllenhaal, Holmes Osborne, Maggie Gyllenhaal, Daveigh Chase.
Duração: 113 min
Gênero: Drama/Terror/Suspense


Jake Gyllenhaal interpreta o personagem-título de Donnie Darko
Richard Kelly tinha apenas 25 anos quando escreveu e dirigiu o seu primeiro longa-metragem, Donnie Darko (2001). O filme, que foi produzido com orçamento baixo para os padrões hollywoodianos (4,5 milhões de dólares), hoje carrega o status de cult, sendo considerado, por muitos, um jovem clássico. Ao contrário do que poderíamos imaginar, a carreira de Kelly não decolou e, em onze anos, o diretor lançou apenas dois longas-metragens, Southland Tales - O Fim do Mundo (2006) e A Caixa (2009), que não foram nem sucesso de público e muito menos de crítica. Em 2004, Richard Kelly lançou a versão estendida de Donnie Darko, fazendo a alegria dos fãs do filme.  
Donnie Darko conta a história do personagem epônimo, um adolescente problemático que começa a se relacionar com um amigo imaginário, um coelho gigante e bizarro chamado Frank. Certa noite, Frank salva a vida de Donnie, atraindo o rapaz para fora de sua casa pouco tempo antes de uma turbina de avião cair justamente no quarto do garoto. Nessa mesma noite, o coelho revela em quanto tempo se dará o fim do mundo: 28 dias, 6 horas, 42 minutos e 12 segundos. O filme segue a passagem desse tempo, acompanhando os estranhos acontecimentos que ocorrem na vida do protagonista, suas visões e suas descobertas. A premissa do filme me fez lembrar um belo clássico de 1950, chamado Meu Amigo Harvey, em que o protagonista, interpretado por James Stewart, também estabelece uma relação com um coelho gigante imaginário. A semelhança entre os dois filmes limita-se a esse aspecto, mas seria interessante saber se Richard Kelly tinha o clássico em mente quando compôs o personagem Frank.
Frank 
Talvez o maior êxito de Donnie Darko consista na maneira com a qual o diretor-roteirista combina diferentes gêneros e estilos. O filme não deixa, por exemplo, de seguir o esquema "filme de adolescente" (quase gênero a parte no cinema americano). Nele, encontramos o adolescente problemático, o universo da escola, os valentões que atormentam e perseguem o protagonista, o primeiro amor, etc. Não somente o filme retrata o universo adolescente e faz uso de clichês do gênero, como parece veicular a própria jovialidade do seu diretor, que brinca com a linguagem cinematográfica, como que descobrindo a magia de se fazer cinema. Seria difícil imaginar Donnie Darko como um filme de um cineasta maduro, com uma idade já avançada. Revelando-se um desafio para qualquer classificação ou rótulo, o filme contém elementos do suspense, do terror e da ficção científica. Por fim, Donnie Darko pode, até mesmo, ser visto como um drama psicológico. 
Nada é original em Donnie Darko. Podemos definir o longa-metragem como uma colagem ou um mosaico de referências. Encontramos, na trama do filme, ideias e temas já retratados em diversas obras, tais como: o fim do mundo, a viagem no tempo, a existência de múltiplas dimensões, a esquizofrenia. A mente criativa de Richard Kelly digeriu todas essas referências (provavelmente derivadas da sua própria cinefilia) e criou uma narrativa concisa, coerente e homogênea. Outro acerto do diretor é o de não optar pelo didatismo. Para Richard Kelly, o mais importante não é explicitar todos os mistérios da trama e, sim, deixar o espectador fazer a sua própria interpretação e fabricar suas especulações. 

Donnie Darko é um personagem extremamente ambíguo. Será ele um adolescente perdido, que não consegue lidar com os males do mundo? Um garoto que teme a vida adulta, que se recusa a crescer? Um esquizofrênico? Um profeta, um ser iluminado? Um herói? De fato, podemos ver todas essas facetas na personalidade do protagonista. Grande parte do fascínio e encanto que Donnie exerce no espectador se deve à performance de seu intérprete, Jake Gyllenhaal. O ator tinha mais de 20 anos quando deu vida a Donnie Darko e não apenas convence como adolescente, como consegue transmitir toda a instabilidade do personagem e a ambiguidade mencionada anteriormente. O ótimo elenco é composto por outros nomes famosos como Maggie Gyllenhaal (irmã mais velha de Jake), Patrick Swayze, Mary McDonnell, Drew Barrymore e Jena Malone. 
Richard Kelly confere uma aura de pesadelo a sua narrativa, flertando abertamente com a fantasia e com o sobrenatural. Os efeitos especiais do longa-metragem são simples, mas extremamente eficientes (o campo de força emanado do peito de alguns personagens lembra os efeitos especiais de O Segredo do Abismo, de James Cameron). Outro aspecto de Donnie Darko que não passa desapercebido é sua ótima trilha sonora, composta, em grande parte, por canções de bandas dos anos 80. A bela e minimalista versão de Gary Jules para Mad World, clássico de Tears for Fears, acrescenta um tom ainda mais melancólico ao final do filme. Donnie Darko talvez reflita o desajuste do mundo no início do terceiro milênio, com suas transformações, seus ataques terroristas e suas incertezas. O amor de tantos fãs e admiradores do filme é justificado (por mais que, particularmente, não compartilhe a mesma empolgação de muitos deles). Resta agora esperar que Richard Kelly confirme, um dia, o talento que demonstrou no seu primeiro longa-metragem. 

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