sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

As maiores atuações do cinema - Parte 3

Finalmente, os primeiros colocados da nossa lista! 
Confira, comente e aponte seus favoritos e aqueles que faltaram. 


30 - Marlon Brando como Terry Malloy em Sindicato de Ladrões (1954) - Uma aula de atuação do mestre. "You don't understand. I coulda had class. I coulda been a contender. I coulda been somebody, instead of a bum, which is what I am, let's face itPrincipais prêmios: Oscar, Globo de Ouro e BAFTA de Melhor Ator, prêmio do New York Film Critics Circle Awards. 

29 - Humphrey Bogart como Dobbs em O Tesouro de Sierra Madre (1948) - Uma atuação icônica de Bogart, como o ganancioso Dobbs, no clássico de John Huston. Inesquecível. Principais prêmios: nenhum. 

28 - Jack Nicholson como R.P. McMurphy em Um Estranho no Ninho (1975) - Um dos grandes momentos de Nicholson no cinema. Ele cria um herói/marginal irresistível; sua atuação é antológica. Principais prêmios: Oscar, BAFTA e Globo de Ouro de Melhor Ator. 

27 - Gena Rowlands como Mabel Uma mulher sob influência (1974) - A loucura jamais foi representada no cinema como o faz a magnífica Gena Rowlands no filme de John Cassavetes. Uma atuação a ser reverenciada e redescoberta. Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz, prêmio de Melhor Atriz (Drama) no Globo de Ouro, prêmio do National Board of Review.  

26 - John Wayne como Ethan Edwards em Rastros de Ódio (1956) - A melhor performance de John Wayne, neste que é um dos grandes westerns de todos os tempos. Sua interpretação é uma das grandes jóias do cinema. Principais prêmios: por incrível que pareça, nenhum. 

25 - Malcon McDowell como Alex DeLarge  em Laranja Mecânica (1971) - Não precisa ser um grande cinéfilo, para constatar que esta é uma das performances mais extraordinárias do cinema. Uma atuação hiperbólica, num dos filmes mais escandalosos de todos os tempos. "Singing in the rain" nunca mais foi a mesma. Principais prêmios: ele só foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Ator. 

24 - Judy Garland como Vicki Lester/Esther Blodgett em Nasce uma Estrela (1954) - Judy Garland se supera em todos os quesitos e dá um verdadeiro show de canto e interpretação neste fantástico musical de George Cukor. Principais prêmios: Indicada ao Oscar e prêmio de Melhor Atriz (Musical) no Globo de Ouro. 

23 - James Stewart como George Bailey em A felicidade não se compra (1946) - James Stewart sempre interpretou o homem comum. Neste clássico de Frank Capra, ele constrói um dos personagens mais queridos do cinema, em uma interpretação em que o ator esbanja carisma e talento. Principais prêmios: Indicado ao Oscar de Melhor Ator. 

22 - Anthony Hopkins como Hannibal Lecter em O Silêncio dos Inocentes (1991) - A nossa lista tem alguns psicopatas, mas apenas um pratica canibalismo. "A census taker once tried to test me. I ate his liver with some fava beans and a nice chianti." Uma atuação que dispensa comentários. Principais prêmios: Oscar, BAFTA,  de Melhor Ator, prêmio de Melhor Ator coadjuvante pelo National Board of Review e prêmio de Melhor Ator pelo New York Film Critics Circle Awards.

21 - Charles Chaplin como Hynkel - Ditador de Tomania/barbeiro judeu em O Grande Ditador (1940) - Atrevo-me a dizer que esta é  a melhor performance de Chaplin,  numa fantástica sátira sobre o nazismo. Uma aula de como fazer um humor crítico e emocionar. Simplesmente genial. Principais prêmios: Indicado ao Oscar, prêmio de Melhor Ator do New York Film Critics Circle Awards. 


20 - Marion Cotillard como Edith Piaf em Piaf - Um Hino ao Amor (2007) - Uma transformação radical, uma entrega absurda e uma atuação arrasadora. Cotillard como Piaf é a grande atuação da última década. Principais prêmios: Oscar, BAFTA, Globo de Ouro, César de Melhor Atriz. 

19 - Jack Nicholson como Jack Torrance em O Iluminado (1980) - "Heeere's Johnny!" Jack Nicholson usa e abusa do seu talento e de sua cara de louco, para construir um dos personagens mais assustadores (e divertidos) do cinema. Principais prêmios: nenhum. 

18 - Al Pacino como Michael em O Poderoso Chefão I e II (1974) - Ele é um dos maiores atores hollywoodianos de todos os tempos. E esta é uma das suas melhores performances. Principais prêmios: Indicado duas vezes ao Oscar, prêmio BAFTA de Melhor Ator (1974). 

17 - Emily Watson como Bess em Ondas do Destino (1996) - Nenhuma outra atuação me fez chorar tanto. Emily Watson cria uma das personagens mais apaixonantes, trágicas e inocentes do cinema. Sua performance é magnética, arrasadora e de cortar o coração. Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz, prêmios do Los Angeles Film Critics Association Awards, National Society of Film Critics Awards, New York Film Critics Circle Awards.

16 - Vivien Leigh como Scarlett O'Hara em E o Vento Levou... (1939) - 1.400 atrizes se candidataram ao papel de Scarlett, mais de 400 testes foram feitos durante meses. Uma busca pelo Estados Unidos foi realizada para encontrar a atriz ideal. Finalmente, uma atriz inglesa, desconhecida em território americano, surgiu na disputa e conseguiu o papel quase imediatamente. Hoje é impossível imaginar outra atriz no lugar de Vivien Leigh. Ela construiu a maior (anti)heroína de todos os tempos. Sua Scarlett é mimada, manipuladora, egoísta, antipática, determinada, passional e apaixonante. Principais prêmios: Oscar de Melhor Atriz, prêmio do New York Film Critics Circle Awards. 

15 - Al Pacino como Sonny Wortzik em Um Dia de Cão (1875) - Sonny tenta roubar um banco a fim de obter dinheiro para pagar a cirurgia de mudança de sexo de seu companheiro. Al Pacino em uma performance indescritível e antológica. Principais prêmios: Indicado ao Oscar de Melhor Ator, prêmio BAFTA de Melhor Ator.

14 - Liv Ullmann como Eva em Sonata de Outono (1978) - Poucos citam esta atuação espetacular da igualmente espetacular Liv Ullmann. Na época do lançamento do filme, a atenção foi toda para Ingrid Bergman, que interpreta a mãe de Eva. No entanto, Liv Ullmann nos oferece uma das atuações mais emocionantes do cinema. Ela exprime de uma maneira única o rancor e o amor de uma filha por sua mãe. Principais prêmios: nenhum. 

13 - Marlon Brando como Don Vito Corleone em O Poderoso Chefão (1972) - Marlon Brando é provavelmente o melhor ator que o cinema já viu. Como o patriarca mafioso, ele nos oferece mais uma performance icônica. Principais prêmios: Oscar e Globo de Ouro de Melhor Ator. 

12 - Katharine Hepburn como Eleanor of Aquitaine em O Leão no Inverno (1968) - Dentre todas as memoráveis atuações de Katharine Hepburn, esta é a minha favorita. A atriz está magistral ao interpretar a mulher rejeitada de Henri II. Ela constrói uma personagem complexa, altiva e fascinante. Uma performance a ser redescoberta nos dias de hoje. Principais prêmios: Oscar e BAFTA  de Melhor Atriz. 



11 - James Dean como Cal Trask em Vidas Amargas (1955) - James Dean passou como um meteoro pelo cinema e nos deixou três grandes performances. Sua atuação em Vidas Amargas é inesquecível. Principais prêmios: Indicado ao Oscar de Melhor Ator.

10 - Elizabeth Taylor como Martha em Quem tem medo de Virginia Woolf? (1956) - "What a dump!" A performance da vida de Elizabeth Taylor, que é uma bomba atômica em cena. Uma atuação extrema, visceral e arrasadora. A maioria das palavras que saem da boca da atriz são carregadas de um ódio e de uma raiva assustadores. Principais prêmios: Oscar e BAFTA de Melhor Atriz, prêmio do National Board of Review e do New York Film Critics Circle Awards. 

09 - Gloria Swanson como Norma Desmond em Crepúsculo dos Deuses (1950) - Gloria Swanson, grande atriz do cinema mudo, interpreta uma ex-diva do cinema mudo. Sua interpretação é inesquecível, grandiosa e genial. Adjetivos hiperbólicos é que não faltam para caracterizá-la. "I AM big. It's the PICTURES that got small." Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz, prêmio de Melhor Atriz (Drama) no Globo de Ouro, prêmio do National Board of Review. 

08 - Bette Davis como Margo Channing em A Malvada (1950) - Ela não é a malvada do filme, mas não mexa com ela! Davis é uma força da natureza, ao incarnar uma diva do teatro, numa atuação afiada e exuberante. "Fasten your seatbelts, it's going to be a bumpy night!" Principais prêmios: Indicada ao Oscar, prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes, prêmio do New York Film Critics Circle Awards. 

07 - Marlon Brando como Stanley Kowalski em Uma Rua Chamada Pecado (1951) - "Stellaaaaaaaa" Foi como Stanley Kowalski, que Marlon Brando revolucionou a forma de se atuar no cinema. Ele está animalesco e sexy no filme de Elia Kazan. Principais prêmios: Indicado ao Oscar de Melhor Ator. 

06 - Robert de Niro como Travis Bickle  em Taxi Driver (1976) - "You talkin' to me?" Robert de Niro na grande performance de sua carreira como o taxista, mentalmente instável, ex-combatente da Guerra do Vietnam.  Brickle é assustador, violento e inajustado. Principais prêmios: Indicado ao Oscar de Melhor Ator, prêmio do New York Film Critics Circle Awards. 

05 - Vivien Leigh como Blanche Dubois em Uma Rua Chamada Pecado (1951)  - Blanche Dubois pode ser vista como uma Scarlett O'Hara decadente. Vivien Leigh faz um trabalho excepcional ao retratar a fragilidade emocional de sua personagem, que vai se desprendendo pouco a pouco da realidade em direção a loucura. Uma atuação que vai do extremo teatral ao realismo cortante. Vivien Leigh faz de Blanche Dubois uma das grandes personagens trágicas do cinema. Principais prêmios: Oscar de Melhor Atriz, Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Veneza, prêmio do New York Film Critics Circle Awards. 

04 - Daniel Day Lewis como Christy Brown em Meu Pé Esquerdo (1989) - A performance de Daniel Day Lewis não poderia estar fora dos primeiros lugares de nossa lista. Em uma atuação sobrenatural, ele dá vida ao escritor-pintor com paralisia cerebral. Principais prêmios: Oscar e BAFTA de Melhor Ator, prêmios do Los Angeles Film Critics Association Awards, do New York Film Critics Circle Awards e do National Society of Film Critics Awards. 

03 - Meryl Streep como Sophie em A Escolha de Sofia (1982) - A medalha de bronze vai para a belíssima atuação de Meryl Streep no filme de Alan J. Pakula. Uma composição meticulosa, sensível e uma performance de cortar o coração da pessoa mais fria do mundo. E ela ainda fala um monte de línguas... Um espetáculo! Principais prêmios: Oscar e Globo de Ouro de Melhor Atriz, prêmios do National Board of Review, Los Angeles Film Critics Association Awards, National Society of Film Critics Awards e New York Film Critics Circle Awards. 

02 - Peter O'Toole como T.E. Lawrence em Lawrence da Arábia (1962) - Peter O'Toole nos oferece uma atuação tão grandiosa quanto o épico de David Lean, ou mais,  tão grandiosa quanto o deserto árabe. Principais prêmios: Indicado ao Oscar de Melhor Ator, prêmio BAFTA de Melhor Ator. 


1 - Maria Falconetti como Joana D'Arc em A Paixão de Joana D'Arc (1928) - Maria Falconetti, ou Renée Jeanne Falconetti, foi uma atriz de teatro francesa que apareceu em apenas dois filmes. A paixão de Joana D'Arc foi seu último trabalho no cinema e, provavelmente, seu último trabalho como atriz. Sua vida, após a filmagem do filme, resta uma incógnita. Sabe-se que ela morou na Suíça e na Argentina. Diz-se que, durante as filmagens de A Paixão de Joana D'Arc, o diretor Carl Theodor Dreyer a fazia repetir as cenas inúmeras vezes até a completa exaustão. Falconetti é a pura expressão da dor, da resignação e do sofrimento, neste clássico do cinema. A atriz comunica com o olhar todo o martírio de Joana D'Arc. Uma atuação atemporal, que continua soberana como a maior de todos os tempos. Principais prêmios: nenhum. 

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Reveja os outros colocados:






quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

As maiores atuações do cinema - Parte 2

Confira a segunda parte da nossa lista:



60 - Felicity Huffman como Bree em Transamérica (2005) - Felicity Huffman está incrível ao interpretar um transexual. É um prazer observar os detalhes da composição da atriz: da voz ao jeito de andar. Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz, prêmio de Melhor Atriz (Drama) no Globo de Ouro, prêmio do National Board of Review. 

59 - Selton Mello como André em Lavoura Arcaica (2001) - A força da atuação de Selton Mello encontra eco no maravilhoso texto de Raduan Nassar e no lirismo da direção de Luiz Fernando Carvalho. Um grande momento do cinema nacional! Principais prêmios: Prêmio de Melhor Ator no Festival de Brasília e no Festival de Havana. 

58 - Charles Chaplin como o operário da fábrica em Tempos Modernos (1986) - A performance de Chaplin é atemporal. É impressionante como ele consegue fazer rir até mesmo os jovens de hoje. Principais prêmios: nenhum.

57 - Holly Hunter como Ada McGrath em O Piano (1993) - A beleza de atuação de Holly Hunter dispensa qualquer comentário. É pura poesia. Principais prêmios: Oscar de Melhor Atriz, prêmio de Melhor Atriz em Cannes, BAFTA de Melhor Atriz e Globo de Ouro de Melhor Atriz (Drama).  

56 - Mo'nique como Mary em Preciosa (2009) - O que Mo'nique faz em Preciosa é quase sobrenatural. Sua atuação é monstruosa. Ela interpreta a pior mãe do mundo, mas consegue humanizá-la em seu último monólogo. Detalhe: a atriz se tornou conhecida como comediante. Principais prêmios: Oscar,  BAFTA, Independent Spirit Awards e Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante.

55 - Max Von Sydow como Lassefar em Pelle, O Conquistador (1987) - Max von Sydow é um ator sensacional. Sua performance no belo filme dinamarquês é uma das coisas mais emocionantes do cinema. Principais prêmios: Indicado ao Oscar de Melhor Ator. 

54 - Greta Garbo como Ninotchka em Ninotchka (1939) - Quem poderia imaginar que a melancólica Greta Garbo seria tão boa fazendo comédia? Pois bem... Greta Garbo ri e nos faz rir! Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz. 

53 - Heath Ledger como Coringa em O Cavaleiro das Travas (2008) - "Why so serious?" Uma atuação antológica, o maior legado de Ledger para o cinema. Principais prêmios: Oscar, BAFTA e Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante. 

52 - Hilary Swank como Brandon Teena em Meninos não Choram (1999) - Hilary Swank constrói um dos grandes personagens trágicos dos últimos tempos. Principais prêmios: Oscar, Globo de Ouro e Independent Spirit Awards de Melhor Atriz. 



51 - Katharine Hepburn como Susan Vance em Levada da Breca (1938) - Katharine Hepburn, considerada uma das maiores atrizes do cinema, nunca esteve tão engraçada! Sua performance é um show de screwball comedy. Detalhe: a atriz nunca havia feito comédia antes. Principais prêmios: Hepburn que foi tão premiada, não recebeu nenhum prêmio por este que é um de seus melhores trabalhos, o que pode ser explicado pelo fato de o filme ter sido um grande fracasso de bilheteria na época de seu lançamento. Hoje é considerado um clássico absoluto. 

50 - Audrey Hepburn como Holly Golightly em Bonequinha de Luxo (1961) - Ela é doce, atrevida, sonhadora, elegante. Audrey Hepburn cria uma princesa moderna de conto de fadas . Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz. 

49 - Isabelle Hupert como Erika Kohut em A Professora de Piano (2001) - A atriz francesa está soberba como a autodestrutiva e obsessiva pianista. Uma atuação genial. Principais prêmios: Prêmio de Melhor Atriz em Cannes (votação unânime). 

48 - Cate Blanchett como Elizabeth I em Elizabeth (1998) - Assistir a atuação de Cate Blanchett é como testemunhar a metamorfose de uma garota inocente em uma poderosa e impiedosa rainha. Uma atuação magistral. Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz, prêmio de Melhor Atriz (Drama) no Globo de Ouro, BAFTA de Melhor Atriz. 

47 - Geoffrey Rush como David Helfgott em Shine - Brilhante (1996) - Uma atuação brilhante! Principais prêmios: Oscar, BAFTA, Globo de Ouro e SAG de Melhor Ator.

46 - Faye Dunaway como Joan Crawford em Mamãezinha Querida (1981) - O filme pode ser péssimo, mas a interpretação de Faye Dunaway é fenomenal e assustadora. A atriz parece a própria encarnação do diabo ao dizer: "No wire hangers, ever!". Principais prêmios: Ela ganhou o prêmio Razzie de pior atriz do ano. A crítica da época não aprovou a atuação over.

45 - Bruno Ganz como Adolf Hitler em A Queda! As últimas horas de Hitler (2004) - Sensacional! Obra-prima de atuação. Principais prêmios: Prêmio de Melhor Ator da Associação de Crítica de Londres. 

44 - Jessica Lange como Frances Farmer em Frances (1982) - A melhor performance da carreira de Jessica Lange. Uma interpretação extraordinária. Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz, prêmio de Melhor Atriz no Festival de Moscou. 

43 - Peter Sellers como Chance em Muito além do jardim (1979) - Peter Sellers era um gênio. Em seu penúltimo filme, ele nos oferece, provavelmente, sua melhor interpretação: ao mesmo tempo engraçada e emocionante. Principais prêmios: Indicado ao Oscar de Melhor Ator, prêmio de Melhor Ator no Globo de Ouro, prêmio do National Board of Review. 


42 - Dustin Hoffman como Ratso em Perdidos na Noite (1969) - O camaleão Dustin Hoffman dá uma aula de interpretação em Perdidos na Noite. Principais prêmios: Indicado ao Oscar de Melhor Ator, prêmio BAFTA de Melhor Ator. 

41 - Ingrid Bergman como Charlotte Andergast em Sonata de Outono (1978) - Um dos grandes momentos da carreira da maravilhosa Ingrid Bergman. Ela brilha no belo filme de Ingmar Bergman. Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz, prêmio do National Board of Review, do New York Film Critics Circle Awards e do National Society of Film Critics Awards. 

40 - Denzel Washington como Malcon X em Malcon X (1992) - Incrível e icônica interpretação de Denzel Washington. Principais prêmios: Indicado ao Oscar de Melhor Ator, prêmio de Melhor Ator no Festival de Berlim, prêmio do New York Film Critics Circle Awards. 

39 - Kathy Bates como Annie Wilkes em Louca Obsessão (1990) - Em Louca obsessão, Kathy Bates é tão divertida, quanto assustadora. A atriz criou uma das vilãs mais memoráveis do cinema. Principais prêmios: Oscar e Globo de Ouro de Melhor Atriz. 

38 - Naomi Watts como Cristina Peck em 21 gramas (2003) - A atuação de Naomi Watts é visceral, de arrepiar, em uma entregue sublime à personagem. Poucas vezes uma atriz conseguiu retratar a dor da perda de uma forma tão intensa. Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz e ao Globo de Ouro, prêmio do Los Angeles Film Critics Association Awards. 

37 - Samuel L. Jackson como Jules Winnfield em Pulp Fiction (1994) - Performance antológica! Principais prêmios: Indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, prêmio BAFTA de Melhor Ator Coadjuvante, prêmio de Melhor Ator no Independent Spirit Awards.

36 - Charlize Theron como Aileen em Monster - Desejo Assassino (2003) - Quem poderia imaginar que a bela Charlize Theron fosse capaz de um desempenho desses! Uma das maiores atuações da última década. A atriz se transforma completamente e confere complexidade e humanidade à serial killer. Principais prêmios: Oscar de Melhor Atriz, prêmio de Melhor Atriz no Festival de Berlim, prêmio de Melhor Atriz (Drama) no Globo de Ouro, prêmio SAG.

35 - Robert de Niro como Jake La Motta em O Touro Indomável (1980) - Robert de Niro interpreta um personagem auto-destrutivo e emocionalmente instável. Um prato cheio para o talento do ator! Principais prêmios: Oscar e Globo de Ouro de Melhor Ator e prêmio do National Board of Review.  

34 - Bette Davis como Baby Jane Hudson em O que terá acontecido com Baby Jane? (1962) - Bette Davis em sua atuação mais over, só podia ser fenomenal. Ela cria uma personagem assustadora, bizarra, mas também digna de compaixão. Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz. 

32 - Susanne Lothar como Anna em Violência gratuita (1997) - A atriz alemã em uma atuação terrivelmente realista e angustiante. Sua expressão é o puro reflexo da dor, neste genial filme de Michael Haneke. Principais prêmios: nenhum. 

31 - Laurence Olivier como Hamlet em Hamlet (1948) - Um dos maiores atores ingleses de todos os tempos, interpretando o maior personagem masculino de todos os tempos. A combinação tinha que ser extraordinária. Principais prêmios: Oscar de Melhor Ator, Prêmio de Melhor Ator no Festival de Veneza e no Globo de Ouro. 

Não perca os primeiros colocados, amanhã!



quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

As maiores atuações do cinema - Parte 1

Nesta semana o Clube do Filme comemora 50.000 acessos em menos de um ano de existência! Para celebrar, fizemos a nossa mais ambiciosa lista. Elegemos as 101 Maiores Atuações do Cinema. A lista não pretende ser a verdade absoluta, uma vez que toda lista é necessariamente injusta. Através desta seleção, homenageamos grandes performances que marcaram a história da sétima arte. Nesta primeira parte, revelamos da 101a à 61a colocação. Confira:




101 - Imelda Staunton como Vera Drake em O Segredo de Vera Drake (2004) - Staunton capta com perfeição a simplicidade, a inocência e a beleza de sua personagem, em uma performance de cortar o coração. Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz,  prêmio BAFTA de Melhor Atriz e Volpi Cup de Melhor Atriz no Festival de Veneza. 

100 - Sean Penn como Harvey Milk em Milk (2008) - Uma composição minimalista, que foge, no entanto, da simples imitação. Sean Penn se transforma em Harvey Milk, em uma atuação cativante e emocionante. Principais prêmios: Oscar de Melhor Ator e SAG de Melhor Ator. 

99 - Diane Keaton como Annie Hall em Noivo neurótico, noiva nervosa (1977) - Graças à performance de Diane Keaton, Annie Hall se tornou uma das personagens inesquecíveis do cinema. Principais prêmios: Oscar de Melhor Atriz e Globo de Ouro de Melhor Atriz (Comédia). 

98 - Ben Kingsley como Don Logan em Sexy Beast (2000) - Quem poderia imaginar que o ator de Gandhi poderia ser tão engraçado? O fenomenal Ben Kinsley dá um show como o perigoso gângster Don Logan. Principais prêmios: Indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante e prêmio da Associação de Críticos de Boston. 

97 - Ellen Burstyn como Sara Goldfarb em Réquien para um sonho (2000) - Uma performance embasbacante da atriz veterana. Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz e prêmio  Independent Spirit Awards de Melhor Atriz.

96 - Jeff Bridges como Jeffrey Lebowski [The Dude] em O Grande Lebowski (1998) - Ninguém é tão cool quanto o Dude. Bridges está hilário na ótima comédia dos Irmãos Coen. Principais prêmios: nenhum, mas o Dude não precisa.  

95 - Tatum O'Neal como Addie em Lua de Papel (1973) - Tatum O'Neal faz melhor do que muita gente grande e rouba o filme todo para ela, em uma atuação inesquecível. Principais prêmios: a mais jovem atriz a ganhar o Oscar (de Melhor Atriz Coadjuvante). 

94 - Natalie Portman como Nina Sayers em Cisne Negro (2010) - Um espetáculo de atuação. Portman encarna com intensidade uma dançarina reprimida e perfeccionista. Principais prêmios: Oscar e Globo de Ouro (Drama) de Melhor Atriz e prêmio do Independent Spirit Awards. 

93 - Halle Berry como Leticia Musgrove em A Última Ceia (2001) - Halle Berry se entrega completamente à trágica personagem, em uma performance arrasadora. Principais prêmios: Oscar de Melhor Atriz, prêmio de Melhor Atriz no Festival de Berlim. 

92 - Fernanda Montenegro como Isadora em Central do Brasil (1998) - Fernanda Montenegro em uma das melhoras atuações de sua carreira. Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz e prêmio de Melhor Atriz em Berlim. 



91 - Frances McDormand como Marge Gunderson em Fargo (1996) - McDormand está irresistivelmente engraçada como a heroína insólita da comédia de humor negro dos Irmãos Coen. Raro caso de uma atuação que já nasce clássica. Principais prêmios: Oscar de Melhor Atriz, SAG de Melhor Atriz e prêmio Independent Spirit Awards. 

90 - Whoopi Goldberg como Celie Johnson em A Cor Púrpura (1985) - Uma atuação de cortar o coração, linda e emocionante. Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz, prêmio de Melhor Atriz (Drama) no Globo de Ouro. 

89 - Peter Finch como Howard Beale em Rede de Intrigas (1976) - A última atuação de Finch no cinema e a melhor de sua carreira. Sua performance é pura fúria. Principais prêmios: Oscar de Melhor Ator, Globo de Ouro de Melhor Ator (Drama) e BAFTA. 

88 - Gong Li como Juxian em Adeus, minha concubina! (1983) - Só o olhar de Gong Li já é capaz de mover montanhas. Uma belíssima atuação. Principais prêmios: Prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante pela Associação de Críticos de Nova Iorque. 

87 - Isabelle Adjani como Adele H. em A História de Adele H. (1975) - A bela atriz francesa encarna uma mulher levada à loucura por conta de um amor obsessivo, em uma interpretação emocionante. Principais prêmios: indicada ao Oscar de Melhor Atriz, prêmio de Melhor Atriz do National Society of Film Critics Awards e da Associação de Críticos de Nova Iorque. 

86 - Anne Bancroft como Anne Sullivan em O Milagre de Anne Sullivan (1962) - Anne Bancroft em um atuação de tirar o fôlego. Principais prêmios: Oscar de Melhor Atriz, BAFTA de Melhor Atriz e  prêmio do National Board of Review. 

85 - Jack Nicholson como Melvin Udall em Melhor é Impossível (1997) - Jack Nicholson usando e abusando de todos os seus maneirismos e criando um de seus personagens mais divertidos. Principais prêmios: Oscar de Melhor Ator, Globo de Ouro de Melhor Ator Comédia, prêmio do National Board of Review. 

84 - Sigourney Weaver como Ripley na série Alien (1979, 1986, 1992, 1997) - Sigourney Weaver compôs uma das maiores heroínas do cinema. Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por Aliens - O Resgate. 

83 - Naomi Watts como Betty Elms/Diane Selwyn em Cidade dos sonhos (2000) - Naomi Watts foi revelada para o grande público neste incrível filme de David Lynch. Sua atuação é um espetáculo.  Principais prêmios: Melhor Atriz pelo National Board of Review e pelo National Society of Film Critics Awards. 



82 - Ryan Gosling como Lars Lindstrom em A Garota Ideal (2007) - Ryan Gosling nos oferece uma das melhores atuações masculinas dos últimos anos, no belo e delicado A Garota Ideal. Principais prêmios: Indicado ao SAG de Melhor Ator e Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Ator (Comédia). 

81 - Giulietta Masina como Maria 'Cabiria' Ceccarelli em Noites de Cabíria (1957) - A atriz italiana Giulietta Masina no maior papel de sua carreira, uma performance arrasadora no belo filme de Federico Fellini. Principais prêmios: prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes. 

80 - Lázaro Ramos como João Francisco dos Santos / Madame Satã em Madame Satã (2002) - Lázaro Ramos está impressionante ao encarnar a figura mítica do Rio de Janeiro, em todas suas facetas: herói, criminoso, travesti, sonhador... Principais prêmios:  Melhor Ator pelo Cinema Brasil e pelo Festival Internacional de São Paulo. 

79 - Christian Bale  como Patrick Bateman em O Psicopata Americano (2000) - Um show de atuação! Nenhum outro psicopata conseguiu ser tão sexy, narcisista e louco como o Bateman de Christian Bale. Principais prêmios: prêmio de Melhor Ator pelo Chlotrudis Awards. 

78 - Mia Farrow como Rosemary Woodhouse em O Bebê de Rosemary (1968) - Mia Farrow está inesquecível como Rosemary. A frágil e vulnerável personagem é atormentada pelo próprio diabo no clássico do terror dirigido por Roman Polanski. Principais prêmios: Indicada ao Globo de Ouro de Melhor Atriz (Drama). 

77 - Klaus Kinski como Don Lope de Aguirre em Aguirre (1972) - Kinski está soberbo e brutal no filme de Werner Herzog. Principais prêmios: nenhum. 

76 - Anthony Perkins como Norman Bates em Psicose (1960) - Perkins nos faz gostar do tímido Bates para depois revelar que ele é louco de jogar pedra. Uma atuação icônica, no clássico de Hitchcock. Principais prêmios: nenhum, por incrível que pareça. 

75 - Dustin Hoffman como Michael Dorsey/Dorothy Michaels em Tootsie (1982) - Impossível não se apaixonar por Dorothy. Em Tootsie, Dustin Hoffman prova sua versalidade, carisma e talento em uma de suas grandes atuações no cinema. Principais prêmios: Indicado ao Oscar de Melhor Ator, prêmio de Melhor Ator (Comédia) no Globo de Ouro. 

74 - Gene Tierney como Ellen Berent Harland em Amar foi minha ruína (1945) - Ela é linda, mas má e obsessiva. Gene Tierney faz de Ellen uma das maiores vilãs do cinema. Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz. 

73 - Andy Serkins como Gollun/Smeagol na trilogia O Senhor dos Anéis (2001, 2002, 2003) - Além de fazer um trabalho corporal admirável, Andy Serkins dá voz ao bipolar Gollun, um dos grandes personagens do cinema dos últimos tempos. Principais prêmios: Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante (2003). 



72 - Orson Welles como Kane em Cidadão Kane (1941) - As pessoas normalmente falam do trabalho de Welles como diretor, mas sua atuação é igualmente extraordinária. Principais prêmios: Indicado ao Oscar de Melhor Ator. 

71 - Susan Hayward como Barbara Graham em Quero Viver! (1958) - Uma atuação visceral de Hayward, na pele de uma mulher condenada injustamente à pena de morte. Principais prêmios: Oscar de Melhor Atriz, Globo de Ouro de Melhor Atriz (Drama). 

70 - Johnny Depp como Edward em Edward Mãos de Tesoura (1990) - Uma performance mágica de Johnny Depp. Principais prêmios: Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Ator. 

69 - Susannah York como Cathryn em Imagens (1972) - Susannah York está fenomenal ao interpretar uma mulher que sofre de esquizofrenia e não consegue distinguir o que é real e o que é fruto de sua mente, no pouco conhecido, porém brilhante filme de Robert Altman. Principais prêmios: prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes. 

68 - Sophia Loren como Cesira em Duas Mulheres (1960) - A interpretação de Sophia Loren é praticamente uma força da natureza. Impossível não se sentir tocado pelo drama de Cesira. Principais prêmios: Oscar e BAFTA de Melhor Atriz, Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes. 

67 - Ingrid Bergman como María em Por quem os sinos dobram (1943) - Ingrid Bergman é, sem dúvida, uma das maiores atrizes do cinema. Impossível igualar a doçura do olhar de Bergman. Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz. 

66 - Maggie Smith como Jean Brodie em A Primavera de uma Solteirona (1969) - A grande Maggie Smith coleciona alguns papéis de megera inglesa, mas nenhum se compara a Jean Brodie. É com absoluta maestria que a atriz encarna a professora fascista e manipuladora. Principais prêmios: Oscar e BAFTA de Melhor Atriz. 

65 - Charlotte Gainsbourg como Ela em O Anticristo (2009) - Charlotte Gainsbourg é a pura personificação da dor em O Anticristo. Principais prêmios: Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes. 

64 - George C. Scott como Gen. Patton  em Patton - Rebelde ou Herói? (1970) - George C. Scott em uma atuação icônica, que dispensa comentários. Principais prêmios: Oscar de Melhor Ator, Globo de Ouro de Melhor Ator (Drama). 

63 - Jack Lemmon como Jerry em Quanto Mais Quente Melhor! (1959) - Jack Lemmon em sua hilária performance no clássico de Billy Wilder. Principais prêmios: Indicado ao Oscar de Melhor Ator, prêmio BAFTA e Globo de Ouro de Melhor Ator. 

62 - Geraldine Page como Eve em Interiores (1978) - Geraldine Page foi uma das maiores atrizes americanas. No drama de Woody Allen, ela está soberba como uma mulher depressiva, que não consegue lidar com a separação. Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz, prêmio BAFTA de Melhor Atriz. 

61 - Björk como Selma em Dançando no Escuro (2000) - Sim, Björk não é atriz. Mas o que ela faz no filme de Lars von Trier é pura arte, uma performance quase sobrenatural e de cortar o coração. A experiência de interpretar Selma e ser dirigida por Trier foi tão intensa que ela prometeu nunca mais atuar. Principais prêmios: Prêmio de Melhor Atriz em Cannes. 

Amanhã divulgaremos da 60a à 31a colocação. Não perca! Sua atuação favorita ainda não foi citada? Não se preocupe, ela ainda pode aparecer. 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Fish Tank - 2009

Título original: Fish Tank
Lançamento: 2009
País: Inglaterra
Diretora: Andrea Arnold 
Atores: Katie JarvisMichael Fassbender, Kierston Wareing e Rebecca Griffiths
Gênero: Drama

Katie Jarvis interpreta a protagonista Mia

A inglesa Andrea Arnold realizou seu primeiro filme, o curta-metragem Milk (1998), aos 37 anos. Em seu terceiro trabalho como diretora, ela foi agraciada com o Oscar de Melhor Curta-metragem, por Wasp (2003). Red Road (2006), seu primeiro longa-metragem, recebeu diversos elogios e foi bastante premiado, principalmente na Europa, levando, por exemplo, o prêmio do Juri no Festival de Cannes. Em 2009, ela lançou Fish Tank (2009), premiado como melhor filme britânico pelo BAFTA, também ganhador do Prêmio do Juri em Cannes, além de muitos outros prêmios nos Estados Unidos e na Europa. Este ano, a diretora lançou, no Festival de Veneza, sua adaptação do clássico O Morro dos Ventos Uivantes, que teve uma recepção mista, mas não indiferente. A indústria cinematográfica é amplamente dominada por diretores masculinos. Uma mulher só foi levar o Oscar de Direção em 2010 (Kathryn Bigelow por Guerra  ao Terror). Andrea Arnold se destaca, portanto, por ter conseguido seu espaço, em um cenário ainda tão machista. Ela é, sem dúvida, uma das  cineastas mais interessantes que surgiram nos últimos anos. 

Fish Tank (Aquário em português) retrata um tipo de organização familiar, infelizmente comum, que pode ser encontrado em vários lugares do mundo, não só em Essex, onde o filme se passa. Trata-se de uma família em que a mãe, solteira, que teve filhos provavelmente muito jovem, não tendo nenhum preparo psicológico para cuidar dos mesmos, deixa que eles se criem sozinhos. No filme, Mia (Katie Jarvis), 15 anos, é uma adolescente agressiva, "boca-suja", rebelde, solitária, que sonha em se tornar dançarina de Hip-Hop. Ela mora com a irmã, Tyler (Rebecca Griffiths) de nove anos, que bebe e fuma, e com sua mãe, Joanne (Kierston Wareing), que pouco se preocupa com as filhas e que não hesita em organizar festas-orgia no pequeno apartamento em que elas vivem. Certo dia, Mia se depara, em sua cozinha, com o novo namorado da mãe, Connor (Michael Fassbender), um belo homem de aproximadamente 30 anos. Uma relação bastante incomum nasce entre eles, no que podemos chamar de iniciação erótica da adolescente. 


Mia em seu "aquário"

Por que Fish Tank (aquário)? As razões podem ser múltiplas. O mais óbvio seria afirmar que o aquário é a própria metáfora da situação de Mia, uma adolescente presa em uma redoma de violência e de falta de afetividade. O desejo de libertação da garota é representado por sua insistência em soltar uma égua velha acorrentada em um terreno baldio, perto de sua casa. O fato de Mia constantemente olhar através do vidro das janelas e mesmo a estrutura da sala onde ela ensaia também nos remete ao aquário. Se considerarmos que Mia é aproximada à figura do peixe, a cena em que Connor captura um peixe com as próprias mãos ganha uma forte dimensão simbólica. Ou seja, a captura do peixe representa a fascinação que o homem mais velho exerce sobre a menina, talvez uma armadilha construída pelo primeiro para possuí-la. 

Andrea Arnold, responsável  também pelo ótimo roteiro, opta por utilizar a "câmera no ombro" para mostrar a realidade de Mia, numa linguagem próxima do documentário. O filme é quase todo construído através de um ponto de vista semi-subjetivo. Arnold nos faz ter acesso ao olhar de Mia, que está em todas as cenas do longa. Ao forçar a identificação do espectador com sua protagonista, a diretora consegue fazer com que tenhamos uma profunda empatia com a personagem que é, a princípio, antipática. A instabilidade da câmera confere intensidade e "efeito de real" ao filme. Além disso, o roteiro é despudoradamente cruel e realista. Em determinado momento, Tyler, uma criança de nove anos, diz a Connor que cuidava de um corte no pé de Mia: "Cuidado com a AIDS!". Esse tipo de brincadeira revela o quanto a educação dessa criança foi contaminada pela maldade do mundo adulto. Outra cena chocante é aquela em que Mia joga uma criança de 5 anos num rio. A própria cena de pedofilia (porque, afinal de contas, é isso o que ocorre) se torna grotesca quando reanalisamos o filme ao final. 

O filme é imensamente favorecido pela performance de Katie Jarvis. A garota tinha menos de 18 anos quando fez o filme. Ela foi descoberta na rua enquanto tinha uma discussão acalorada com o namorado. Na época, ela tinha largado a escola e estava desempregada. O uso de uma atriz não profissional talvez tenha sido uma escolha genial de Arnold. Podemos nos perguntar o que de Mia, Katie Jarvis tem? Ou o que de sua vida, de seus problemas ela emprestou à personagem? Fato é que, no mesmo ano em que o filme foi lançado, ela deu a luz a uma menina e, desde então, não fez mais cinema. Confesso que tenho curiosidade de saber o que aconteceu com a atriz. No entanto, de qualquer forma, a atuação de Jarvis é impressionante, sensível, visceral. As performances de Kierston Wareing e da pequena Rebecca Griffiths são também excelentes. Provavelmente, a mais bela cena do filme é aquela em que a mãe e as duas filhas dançam juntas. Um momento único de comunicação entre as três personagens, e na cena as três atrizes brilham. O sempre interessante Michael Fassbender interpreta um personagem ambíguo e sedutor. Seria ele um lobo na pele de cordeiro? Existe alguma boa intenção em suas ações? Aos poucos seu caráter duvidoso vai se revelando ao espectador.

Fish Tank é um filme assustadoramente bonito, violento e triste. Vale a pena conferir!




sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Cena do Dia - Um Tiro na Noite (1981)


Brian de Palma é um dos cineastas mais apaixonados pelo cinema. Ele domina como poucos a linguagem cinematográfica e quase todas as suas obras contém sequências exemplares e extremamente sofisticadas, muitas vezes, referências a cenas clássicas ou a grandes diretores do cinema. Seu virtuosismo técnico pode ser comprovado na sequência escolhida como a nossa Cena do Dia

Palma é um verdadeiro discípulo de Alfred Hitchcock, mas, diferentemente do mestre, ele acumula um número significativo de filmes mal-sucedidos e medianos, como A Fogueira das Vaidades (1990), Missão: Marte (2000) e outros. Hitchcock conseguia contar grandes histórias sempre reinventando a forma de se contar e, por consequência, revolucionando o cinema. Talvez justamente por dar prioridade ao estilo, Brian de Palma deixe um pouco de lado a história que conta. Muitas vezes, temos a impressão de estarmos diante de um meta-cinema, um cinema voltado para si mesmo. No entanto, o diretor americano também tem no currículo grandes filmes como O Pagamento Final (1993), Scarface (1983), Os Intocáveis (1987) que representam o melhor do seu cinema. 

A premissa de Um Tiro na Noite (Blow out em inglês) é uma homenagem ao clássico de Michelangelo Antonioni, Blow up - Depois daquele beijo (1966). No filme de Antonioni, um fotógrafo descobre, em suas fotos, indícios de um crime. No filme de Palma, um técnico de efeitos sonoros capta em seu gravador o que ele também considera ser o indício de um crime. Não é a primeira vez que um filme de Brian de Palma dialoga com um clássico. Em Os Intocáveis, por exemplo, ele faz referência explícita a O Encouraçado Potemkin (1925), de Sergei Eisenstein

A Cena do Dia corresponde ao início de Um Tiro na Noite. Nela, Jack Terry (John Travolta) está numa ponte quase deserta, imerso numa mata, ao lado de uma rodovia. Ele grava os sons da floresta com a ajuda de um microfone direcional. A cena pode ser dividida em 5 momentos, de acordo com o que Jerry capta em seu gravador:  o som de um casal namorando, o coaxar de um sapo, o som da coruja,  um barulho misterioso e o cantar de pneus do acidente. É interessante observar que o som precede a imagem de sua origem. A origem do som é mostrada numa amplificação da escala do plano, através de cortes secos. Temos acesso ao que ouve Jerry, no que poderíamos chamar de ponto de escuta subjetiva. Já com relação ao ponto de vista, temos uma variação constante de ângulos, enquadramentos e de posicionamentos da câmera. Ou seja, o ponto de vista não corresponde ao ponto de escuta. A complexidade visual da cena envolve grande planos em plongée (do alto), em contre-plongée (de baixo), zoom nos fones de ouvido de Jerry, no gravador, etc. O movimento da câmera em alguns momentos parece imitar o movimento do microfone. O diretor opta também em não utilizar nenhuma profundidade de campo ao mostrar simultaneamente a coruja e Jerry, dando um efeito quase de split screen. A cena termina após o acidente, com um maravilhoso plano plongée e a introdução da música grandiosa bem ao estilo de Palma. 

Assista a essa belíssima cena de suspense (até 02'30):


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Albert Nobbs - 2011

Título original: Albert Nobbs
País: Inglaterra / Irlanda
Lançamento: 2011
Diretor: Rodrigo García
Atores: Glenn Close, Janet McTeer, Mia Wasikowska e Aaron Johnson
Gênero: Drama


Glenn Close como Albert Nobbs

Depois de um longo período sem se envolver em projetos de destaque no cinema, Glenn Close volta com tudo em 2011, pronta para dar o que falar na temporada de premiações. A atriz de Atração Fatal foi uma estrelas de maior prestígio nos anos 80, chegando a concorrer 5 vezes ao Oscar (1983, 1984, 1985, 1988 e 1989). A partir dos anos 90, ela teve dificuldade em encontrar trabalhos interessantes. Os bons papéis dificilmente batem na porta de uma atriz de mais de 40 anos em Hollywood (exceto se ela for Meryl Streep). O maior sucesso de Close, desde Ligações Perigosas, foi 101 Dálmatas - O Filme (1996). Mesmo emendando elogiados trabalhos na televisão americana, em The Shield (2005) e Damages (2007-2011), muitos defendiam que a atriz merecia uma nova chance de brilhar no cinema. Outros já apostavam que ela entraria para a lista dos atores que mais concorreram ao Oscar sem ganhar, mais uma injustiçada. Mas eis que, este ano, Close ressurge das cinzas com um projeto pelo qual ela lutou por anos para levar aos cinemas e que poderá revitalizar sua carreira, assim como a levar rumo à estatueta dourada, 22 anos após sua última indicação. A única coisa que pode atrapalhar a atriz é a qualidade do filme, que não faz jus à qualidade de sua performance.

Estamos falando de Albert Nobbs. O filme, dirigido por Rodrigo Gargía, conta a história do personagem-título (Glenn Close), valet de uma pensão na Irlanda do século XIX. Ninguém sabe que o sério e respeitável senhor é na verdade uma mulher. Quando Hubert (Janet McTeer), que passa pela mesma situação de Albert, aparece na pensão, o criado começa a ver outras possibilidades para sua vida. A história de Hubert dá esperanças a Albert. Hubert é casado com outra mulher e Albert, que é secretamente apaixonado pela jovem empregada Helen Dawes (Mia Wasikovska), começa a acreditar que é possível conquistá-la, casar-se com ela e iniciar uma nova vida. Helen, no entanto, se envolve com o aproveitador Joe Macken (Aaron Johnson), novo empregado da pensão; o que instaura um triângulo amoroso insólito.

A premissa do filme revela-se extremamente interessante, uma vez que uma mulher no século XIX, não poderia exercer certas funções de acordo com as normas sociais da época. Para sobreviver, é verossímil acreditar que muitas se sentissem obrigadas a se travestir a fim de obter determinados trabalhos. A questão da orientação sexual é também intrigante. Afinal, como manifestar a homossexualidade no século XIX? Ainda mais sendo mulher e pobre? Levando todas essas questões em consideração, podemos nos identificar com o drama vivido pela personagem principal. O roteiro do filme é baseado no conto de George Moore e foi escrito por Glenn e John Banville. Se o trabalho de Close como roteirista fosse tão interessante quanto sua composição como atriz, teríamos um filme mais bem-sucedido.

O principal problema do roteiro é que, mesmo se aproximando eventualmente do melodrama, raramente consegue emocionar. O filme é tão frio quanto a paisagem invernal irlandesa. E se a premissa nos faz pensar em uma história lacrimejante ou emocionante, o arco dramático do longa revela-se, sobretudo, insosso. Mesmo acertando ao mostrar a realidade dos criados e a dos senhores à la Assassinato em Gosford Park (2001), o roteiro não permite que nos identifiquemos com Albert ou Helen (que é uma figura quase antipática, o que não funciona para se contar uma história de amor). O final do filme é tão insatisfatório que faz com que esqueçamos os acertos do mesmo. Saímos do filme com a sensação: “ok, é uma história triste e daí?”. Mas o problema do roteiro é agravado pela direção fria e burocrática de Rodrigo García (filho do fantástico escritor colombiano Gabriel García Marquez).

O filme, no entanto, não é desprovido de qualidades. São belíssimos a fotografia, a direção de arte e o figurino do filme, que reconstituem brilhantemente a Irlanda do século XIX. O espectador realmente se sente imerso em outro universo. A atuação de Glenn Close é o absoluto oposto do que ela faz em Atração Fatal, por exemplo. Sua composição é minuciosa e extremamente contida. A atriz não precisa mais do que um olhar para comunicar uma emoção. E, por mais que o roteiro seja falho, ele cria momentos em que a atriz pode brilhar, como aquele em que Albert se veste como mulher e experimenta a sensação de liberdade. Já Janet McTeer, igualmente excelente, encarna o personagem mais simpático do filme e suas cenas estão entre as melhores do longa-metragem. As duas atrizes seriam fortes candidatas ao Oscar de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante, mesmo que seja ainda um pouco cedo para garantir as indicações de ambas. O resto do elenco também não deixa a desejar com destaque para Pauline Collins (ótima), Brendan Gleeson, Mia Wasikovska e Aaron Johnson.

Albert Nobbs não corresponde, infelizmente, às expectativas que poderíamos colocar no projeto. A memorável performance de Close é, sem dúvida, um motivo mais que suficiente para conferir o longa. No entanto, é inevitável pensar o que poderia ter sido o filme, se ele fosse escrito e dirigido por outrem.