quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

As maiores atuações do cinema - Parte 1

Nesta semana o Clube do Filme comemora 50.000 acessos em menos de um ano de existência! Para celebrar, fizemos a nossa mais ambiciosa lista. Elegemos as 101 Maiores Atuações do Cinema. A lista não pretende ser a verdade absoluta, uma vez que toda lista é necessariamente injusta. Através desta seleção, homenageamos grandes performances que marcaram a história da sétima arte. Nesta primeira parte, revelamos da 101a à 61a colocação. Confira:




101 - Imelda Staunton como Vera Drake em O Segredo de Vera Drake (2004) - Staunton capta com perfeição a simplicidade, a inocência e a beleza de sua personagem, em uma performance de cortar o coração. Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz,  prêmio BAFTA de Melhor Atriz e Volpi Cup de Melhor Atriz no Festival de Veneza. 

100 - Sean Penn como Harvey Milk em Milk (2008) - Uma composição minimalista, que foge, no entanto, da simples imitação. Sean Penn se transforma em Harvey Milk, em uma atuação cativante e emocionante. Principais prêmios: Oscar de Melhor Ator e SAG de Melhor Ator. 

99 - Diane Keaton como Annie Hall em Noivo neurótico, noiva nervosa (1977) - Graças à performance de Diane Keaton, Annie Hall se tornou uma das personagens inesquecíveis do cinema. Principais prêmios: Oscar de Melhor Atriz e Globo de Ouro de Melhor Atriz (Comédia). 

98 - Ben Kingsley como Don Logan em Sexy Beast (2000) - Quem poderia imaginar que o ator de Gandhi poderia ser tão engraçado? O fenomenal Ben Kinsley dá um show como o perigoso gângster Don Logan. Principais prêmios: Indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante e prêmio da Associação de Críticos de Boston. 

97 - Ellen Burstyn como Sara Goldfarb em Réquien para um sonho (2000) - Uma performance embasbacante da atriz veterana. Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz e prêmio  Independent Spirit Awards de Melhor Atriz.

96 - Jeff Bridges como Jeffrey Lebowski [The Dude] em O Grande Lebowski (1998) - Ninguém é tão cool quanto o Dude. Bridges está hilário na ótima comédia dos Irmãos Coen. Principais prêmios: nenhum, mas o Dude não precisa.  

95 - Tatum O'Neal como Addie em Lua de Papel (1973) - Tatum O'Neal faz melhor do que muita gente grande e rouba o filme todo para ela, em uma atuação inesquecível. Principais prêmios: a mais jovem atriz a ganhar o Oscar (de Melhor Atriz Coadjuvante). 

94 - Natalie Portman como Nina Sayers em Cisne Negro (2010) - Um espetáculo de atuação. Portman encarna com intensidade uma dançarina reprimida e perfeccionista. Principais prêmios: Oscar e Globo de Ouro (Drama) de Melhor Atriz e prêmio do Independent Spirit Awards. 

93 - Halle Berry como Leticia Musgrove em A Última Ceia (2001) - Halle Berry se entrega completamente à trágica personagem, em uma performance arrasadora. Principais prêmios: Oscar de Melhor Atriz, prêmio de Melhor Atriz no Festival de Berlim. 

92 - Fernanda Montenegro como Isadora em Central do Brasil (1998) - Fernanda Montenegro em uma das melhoras atuações de sua carreira. Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz e prêmio de Melhor Atriz em Berlim. 



91 - Frances McDormand como Marge Gunderson em Fargo (1996) - McDormand está irresistivelmente engraçada como a heroína insólita da comédia de humor negro dos Irmãos Coen. Raro caso de uma atuação que já nasce clássica. Principais prêmios: Oscar de Melhor Atriz, SAG de Melhor Atriz e prêmio Independent Spirit Awards. 

90 - Whoopi Goldberg como Celie Johnson em A Cor Púrpura (1985) - Uma atuação de cortar o coração, linda e emocionante. Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz, prêmio de Melhor Atriz (Drama) no Globo de Ouro. 

89 - Peter Finch como Howard Beale em Rede de Intrigas (1976) - A última atuação de Finch no cinema e a melhor de sua carreira. Sua performance é pura fúria. Principais prêmios: Oscar de Melhor Ator, Globo de Ouro de Melhor Ator (Drama) e BAFTA. 

88 - Gong Li como Juxian em Adeus, minha concubina! (1983) - Só o olhar de Gong Li já é capaz de mover montanhas. Uma belíssima atuação. Principais prêmios: Prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante pela Associação de Críticos de Nova Iorque. 

87 - Isabelle Adjani como Adele H. em A História de Adele H. (1975) - A bela atriz francesa encarna uma mulher levada à loucura por conta de um amor obsessivo, em uma interpretação emocionante. Principais prêmios: indicada ao Oscar de Melhor Atriz, prêmio de Melhor Atriz do National Society of Film Critics Awards e da Associação de Críticos de Nova Iorque. 

86 - Anne Bancroft como Anne Sullivan em O Milagre de Anne Sullivan (1962) - Anne Bancroft em um atuação de tirar o fôlego. Principais prêmios: Oscar de Melhor Atriz, BAFTA de Melhor Atriz e  prêmio do National Board of Review. 

85 - Jack Nicholson como Melvin Udall em Melhor é Impossível (1997) - Jack Nicholson usando e abusando de todos os seus maneirismos e criando um de seus personagens mais divertidos. Principais prêmios: Oscar de Melhor Ator, Globo de Ouro de Melhor Ator Comédia, prêmio do National Board of Review. 

84 - Sigourney Weaver como Ripley na série Alien (1979, 1986, 1992, 1997) - Sigourney Weaver compôs uma das maiores heroínas do cinema. Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por Aliens - O Resgate. 

83 - Naomi Watts como Betty Elms/Diane Selwyn em Cidade dos sonhos (2000) - Naomi Watts foi revelada para o grande público neste incrível filme de David Lynch. Sua atuação é um espetáculo.  Principais prêmios: Melhor Atriz pelo National Board of Review e pelo National Society of Film Critics Awards. 



82 - Ryan Gosling como Lars Lindstrom em A Garota Ideal (2007) - Ryan Gosling nos oferece uma das melhores atuações masculinas dos últimos anos, no belo e delicado A Garota Ideal. Principais prêmios: Indicado ao SAG de Melhor Ator e Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Ator (Comédia). 

81 - Giulietta Masina como Maria 'Cabiria' Ceccarelli em Noites de Cabíria (1957) - A atriz italiana Giulietta Masina no maior papel de sua carreira, uma performance arrasadora no belo filme de Federico Fellini. Principais prêmios: prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes. 

80 - Lázaro Ramos como João Francisco dos Santos / Madame Satã em Madame Satã (2002) - Lázaro Ramos está impressionante ao encarnar a figura mítica do Rio de Janeiro, em todas suas facetas: herói, criminoso, travesti, sonhador... Principais prêmios:  Melhor Ator pelo Cinema Brasil e pelo Festival Internacional de São Paulo. 

79 - Christian Bale  como Patrick Bateman em O Psicopata Americano (2000) - Um show de atuação! Nenhum outro psicopata conseguiu ser tão sexy, narcisista e louco como o Bateman de Christian Bale. Principais prêmios: prêmio de Melhor Ator pelo Chlotrudis Awards. 

78 - Mia Farrow como Rosemary Woodhouse em O Bebê de Rosemary (1968) - Mia Farrow está inesquecível como Rosemary. A frágil e vulnerável personagem é atormentada pelo próprio diabo no clássico do terror dirigido por Roman Polanski. Principais prêmios: Indicada ao Globo de Ouro de Melhor Atriz (Drama). 

77 - Klaus Kinski como Don Lope de Aguirre em Aguirre (1972) - Kinski está soberbo e brutal no filme de Werner Herzog. Principais prêmios: nenhum. 

76 - Anthony Perkins como Norman Bates em Psicose (1960) - Perkins nos faz gostar do tímido Bates para depois revelar que ele é louco de jogar pedra. Uma atuação icônica, no clássico de Hitchcock. Principais prêmios: nenhum, por incrível que pareça. 

75 - Dustin Hoffman como Michael Dorsey/Dorothy Michaels em Tootsie (1982) - Impossível não se apaixonar por Dorothy. Em Tootsie, Dustin Hoffman prova sua versalidade, carisma e talento em uma de suas grandes atuações no cinema. Principais prêmios: Indicado ao Oscar de Melhor Ator, prêmio de Melhor Ator (Comédia) no Globo de Ouro. 

74 - Gene Tierney como Ellen Berent Harland em Amar foi minha ruína (1945) - Ela é linda, mas má e obsessiva. Gene Tierney faz de Ellen uma das maiores vilãs do cinema. Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz. 

73 - Andy Serkins como Gollun/Smeagol na trilogia O Senhor dos Anéis (2001, 2002, 2003) - Além de fazer um trabalho corporal admirável, Andy Serkins dá voz ao bipolar Gollun, um dos grandes personagens do cinema dos últimos tempos. Principais prêmios: Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante (2003). 



72 - Orson Welles como Kane em Cidadão Kane (1941) - As pessoas normalmente falam do trabalho de Welles como diretor, mas sua atuação é igualmente extraordinária. Principais prêmios: Indicado ao Oscar de Melhor Ator. 

71 - Susan Hayward como Barbara Graham em Quero Viver! (1958) - Uma atuação visceral de Hayward, na pele de uma mulher condenada injustamente à pena de morte. Principais prêmios: Oscar de Melhor Atriz, Globo de Ouro de Melhor Atriz (Drama). 

70 - Johnny Depp como Edward em Edward Mãos de Tesoura (1990) - Uma performance mágica de Johnny Depp. Principais prêmios: Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Ator. 

69 - Susannah York como Cathryn em Imagens (1972) - Susannah York está fenomenal ao interpretar uma mulher que sofre de esquizofrenia e não consegue distinguir o que é real e o que é fruto de sua mente, no pouco conhecido, porém brilhante filme de Robert Altman. Principais prêmios: prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes. 

68 - Sophia Loren como Cesira em Duas Mulheres (1960) - A interpretação de Sophia Loren é praticamente uma força da natureza. Impossível não se sentir tocado pelo drama de Cesira. Principais prêmios: Oscar e BAFTA de Melhor Atriz, Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes. 

67 - Ingrid Bergman como María em Por quem os sinos dobram (1943) - Ingrid Bergman é, sem dúvida, uma das maiores atrizes do cinema. Impossível igualar a doçura do olhar de Bergman. Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz. 

66 - Maggie Smith como Jean Brodie em A Primavera de uma Solteirona (1969) - A grande Maggie Smith coleciona alguns papéis de megera inglesa, mas nenhum se compara a Jean Brodie. É com absoluta maestria que a atriz encarna a professora fascista e manipuladora. Principais prêmios: Oscar e BAFTA de Melhor Atriz. 

65 - Charlotte Gainsbourg como Ela em O Anticristo (2009) - Charlotte Gainsbourg é a pura personificação da dor em O Anticristo. Principais prêmios: Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes. 

64 - George C. Scott como Gen. Patton  em Patton - Rebelde ou Herói? (1970) - George C. Scott em uma atuação icônica, que dispensa comentários. Principais prêmios: Oscar de Melhor Ator, Globo de Ouro de Melhor Ator (Drama). 

63 - Jack Lemmon como Jerry em Quanto Mais Quente Melhor! (1959) - Jack Lemmon em sua hilária performance no clássico de Billy Wilder. Principais prêmios: Indicado ao Oscar de Melhor Ator, prêmio BAFTA e Globo de Ouro de Melhor Ator. 

62 - Geraldine Page como Eve em Interiores (1978) - Geraldine Page foi uma das maiores atrizes americanas. No drama de Woody Allen, ela está soberba como uma mulher depressiva, que não consegue lidar com a separação. Principais prêmios: Indicada ao Oscar de Melhor Atriz, prêmio BAFTA de Melhor Atriz. 

61 - Björk como Selma em Dançando no Escuro (2000) - Sim, Björk não é atriz. Mas o que ela faz no filme de Lars von Trier é pura arte, uma performance quase sobrenatural e de cortar o coração. A experiência de interpretar Selma e ser dirigida por Trier foi tão intensa que ela prometeu nunca mais atuar. Principais prêmios: Prêmio de Melhor Atriz em Cannes. 

Amanhã divulgaremos da 60a à 31a colocação. Não perca! Sua atuação favorita ainda não foi citada? Não se preocupe, ela ainda pode aparecer. 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Fish Tank - 2009

Título original: Fish Tank
Lançamento: 2009
País: Inglaterra
Diretora: Andrea Arnold 
Atores: Katie JarvisMichael Fassbender, Kierston Wareing e Rebecca Griffiths
Gênero: Drama

Katie Jarvis interpreta a protagonista Mia

A inglesa Andrea Arnold realizou seu primeiro filme, o curta-metragem Milk (1998), aos 37 anos. Em seu terceiro trabalho como diretora, ela foi agraciada com o Oscar de Melhor Curta-metragem, por Wasp (2003). Red Road (2006), seu primeiro longa-metragem, recebeu diversos elogios e foi bastante premiado, principalmente na Europa, levando, por exemplo, o prêmio do Juri no Festival de Cannes. Em 2009, ela lançou Fish Tank (2009), premiado como melhor filme britânico pelo BAFTA, também ganhador do Prêmio do Juri em Cannes, além de muitos outros prêmios nos Estados Unidos e na Europa. Este ano, a diretora lançou, no Festival de Veneza, sua adaptação do clássico O Morro dos Ventos Uivantes, que teve uma recepção mista, mas não indiferente. A indústria cinematográfica é amplamente dominada por diretores masculinos. Uma mulher só foi levar o Oscar de Direção em 2010 (Kathryn Bigelow por Guerra  ao Terror). Andrea Arnold se destaca, portanto, por ter conseguido seu espaço, em um cenário ainda tão machista. Ela é, sem dúvida, uma das  cineastas mais interessantes que surgiram nos últimos anos. 

Fish Tank (Aquário em português) retrata um tipo de organização familiar, infelizmente comum, que pode ser encontrado em vários lugares do mundo, não só em Essex, onde o filme se passa. Trata-se de uma família em que a mãe, solteira, que teve filhos provavelmente muito jovem, não tendo nenhum preparo psicológico para cuidar dos mesmos, deixa que eles se criem sozinhos. No filme, Mia (Katie Jarvis), 15 anos, é uma adolescente agressiva, "boca-suja", rebelde, solitária, que sonha em se tornar dançarina de Hip-Hop. Ela mora com a irmã, Tyler (Rebecca Griffiths) de nove anos, que bebe e fuma, e com sua mãe, Joanne (Kierston Wareing), que pouco se preocupa com as filhas e que não hesita em organizar festas-orgia no pequeno apartamento em que elas vivem. Certo dia, Mia se depara, em sua cozinha, com o novo namorado da mãe, Connor (Michael Fassbender), um belo homem de aproximadamente 30 anos. Uma relação bastante incomum nasce entre eles, no que podemos chamar de iniciação erótica da adolescente. 


Mia em seu "aquário"

Por que Fish Tank (aquário)? As razões podem ser múltiplas. O mais óbvio seria afirmar que o aquário é a própria metáfora da situação de Mia, uma adolescente presa em uma redoma de violência e de falta de afetividade. O desejo de libertação da garota é representado por sua insistência em soltar uma égua velha acorrentada em um terreno baldio, perto de sua casa. O fato de Mia constantemente olhar através do vidro das janelas e mesmo a estrutura da sala onde ela ensaia também nos remete ao aquário. Se considerarmos que Mia é aproximada à figura do peixe, a cena em que Connor captura um peixe com as próprias mãos ganha uma forte dimensão simbólica. Ou seja, a captura do peixe representa a fascinação que o homem mais velho exerce sobre a menina, talvez uma armadilha construída pelo primeiro para possuí-la. 

Andrea Arnold, responsável  também pelo ótimo roteiro, opta por utilizar a "câmera no ombro" para mostrar a realidade de Mia, numa linguagem próxima do documentário. O filme é quase todo construído através de um ponto de vista semi-subjetivo. Arnold nos faz ter acesso ao olhar de Mia, que está em todas as cenas do longa. Ao forçar a identificação do espectador com sua protagonista, a diretora consegue fazer com que tenhamos uma profunda empatia com a personagem que é, a princípio, antipática. A instabilidade da câmera confere intensidade e "efeito de real" ao filme. Além disso, o roteiro é despudoradamente cruel e realista. Em determinado momento, Tyler, uma criança de nove anos, diz a Connor que cuidava de um corte no pé de Mia: "Cuidado com a AIDS!". Esse tipo de brincadeira revela o quanto a educação dessa criança foi contaminada pela maldade do mundo adulto. Outra cena chocante é aquela em que Mia joga uma criança de 5 anos num rio. A própria cena de pedofilia (porque, afinal de contas, é isso o que ocorre) se torna grotesca quando reanalisamos o filme ao final. 

O filme é imensamente favorecido pela performance de Katie Jarvis. A garota tinha menos de 18 anos quando fez o filme. Ela foi descoberta na rua enquanto tinha uma discussão acalorada com o namorado. Na época, ela tinha largado a escola e estava desempregada. O uso de uma atriz não profissional talvez tenha sido uma escolha genial de Arnold. Podemos nos perguntar o que de Mia, Katie Jarvis tem? Ou o que de sua vida, de seus problemas ela emprestou à personagem? Fato é que, no mesmo ano em que o filme foi lançado, ela deu a luz a uma menina e, desde então, não fez mais cinema. Confesso que tenho curiosidade de saber o que aconteceu com a atriz. No entanto, de qualquer forma, a atuação de Jarvis é impressionante, sensível, visceral. As performances de Kierston Wareing e da pequena Rebecca Griffiths são também excelentes. Provavelmente, a mais bela cena do filme é aquela em que a mãe e as duas filhas dançam juntas. Um momento único de comunicação entre as três personagens, e na cena as três atrizes brilham. O sempre interessante Michael Fassbender interpreta um personagem ambíguo e sedutor. Seria ele um lobo na pele de cordeiro? Existe alguma boa intenção em suas ações? Aos poucos seu caráter duvidoso vai se revelando ao espectador.

Fish Tank é um filme assustadoramente bonito, violento e triste. Vale a pena conferir!




sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Cena do Dia - Um Tiro na Noite (1981)


Brian de Palma é um dos cineastas mais apaixonados pelo cinema. Ele domina como poucos a linguagem cinematográfica e quase todas as suas obras contém sequências exemplares e extremamente sofisticadas, muitas vezes, referências a cenas clássicas ou a grandes diretores do cinema. Seu virtuosismo técnico pode ser comprovado na sequência escolhida como a nossa Cena do Dia

Palma é um verdadeiro discípulo de Alfred Hitchcock, mas, diferentemente do mestre, ele acumula um número significativo de filmes mal-sucedidos e medianos, como A Fogueira das Vaidades (1990), Missão: Marte (2000) e outros. Hitchcock conseguia contar grandes histórias sempre reinventando a forma de se contar e, por consequência, revolucionando o cinema. Talvez justamente por dar prioridade ao estilo, Brian de Palma deixe um pouco de lado a história que conta. Muitas vezes, temos a impressão de estarmos diante de um meta-cinema, um cinema voltado para si mesmo. No entanto, o diretor americano também tem no currículo grandes filmes como O Pagamento Final (1993), Scarface (1983), Os Intocáveis (1987) que representam o melhor do seu cinema. 

A premissa de Um Tiro na Noite (Blow out em inglês) é uma homenagem ao clássico de Michelangelo Antonioni, Blow up - Depois daquele beijo (1966). No filme de Antonioni, um fotógrafo descobre, em suas fotos, indícios de um crime. No filme de Palma, um técnico de efeitos sonoros capta em seu gravador o que ele também considera ser o indício de um crime. Não é a primeira vez que um filme de Brian de Palma dialoga com um clássico. Em Os Intocáveis, por exemplo, ele faz referência explícita a O Encouraçado Potemkin (1925), de Sergei Eisenstein

A Cena do Dia corresponde ao início de Um Tiro na Noite. Nela, Jack Terry (John Travolta) está numa ponte quase deserta, imerso numa mata, ao lado de uma rodovia. Ele grava os sons da floresta com a ajuda de um microfone direcional. A cena pode ser dividida em 5 momentos, de acordo com o que Jerry capta em seu gravador:  o som de um casal namorando, o coaxar de um sapo, o som da coruja,  um barulho misterioso e o cantar de pneus do acidente. É interessante observar que o som precede a imagem de sua origem. A origem do som é mostrada numa amplificação da escala do plano, através de cortes secos. Temos acesso ao que ouve Jerry, no que poderíamos chamar de ponto de escuta subjetiva. Já com relação ao ponto de vista, temos uma variação constante de ângulos, enquadramentos e de posicionamentos da câmera. Ou seja, o ponto de vista não corresponde ao ponto de escuta. A complexidade visual da cena envolve grande planos em plongée (do alto), em contre-plongée (de baixo), zoom nos fones de ouvido de Jerry, no gravador, etc. O movimento da câmera em alguns momentos parece imitar o movimento do microfone. O diretor opta também em não utilizar nenhuma profundidade de campo ao mostrar simultaneamente a coruja e Jerry, dando um efeito quase de split screen. A cena termina após o acidente, com um maravilhoso plano plongée e a introdução da música grandiosa bem ao estilo de Palma. 

Assista a essa belíssima cena de suspense (até 02'30):


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Albert Nobbs - 2011

Título original: Albert Nobbs
País: Inglaterra / Irlanda
Lançamento: 2011
Diretor: Rodrigo García
Atores: Glenn Close, Janet McTeer, Mia Wasikowska e Aaron Johnson
Gênero: Drama


Glenn Close como Albert Nobbs

Depois de um longo período sem se envolver em projetos de destaque no cinema, Glenn Close volta com tudo em 2011, pronta para dar o que falar na temporada de premiações. A atriz de Atração Fatal foi uma estrelas de maior prestígio nos anos 80, chegando a concorrer 5 vezes ao Oscar (1983, 1984, 1985, 1988 e 1989). A partir dos anos 90, ela teve dificuldade em encontrar trabalhos interessantes. Os bons papéis dificilmente batem na porta de uma atriz de mais de 40 anos em Hollywood (exceto se ela for Meryl Streep). O maior sucesso de Close, desde Ligações Perigosas, foi 101 Dálmatas - O Filme (1996). Mesmo emendando elogiados trabalhos na televisão americana, em The Shield (2005) e Damages (2007-2011), muitos defendiam que a atriz merecia uma nova chance de brilhar no cinema. Outros já apostavam que ela entraria para a lista dos atores que mais concorreram ao Oscar sem ganhar, mais uma injustiçada. Mas eis que, este ano, Close ressurge das cinzas com um projeto pelo qual ela lutou por anos para levar aos cinemas e que poderá revitalizar sua carreira, assim como a levar rumo à estatueta dourada, 22 anos após sua última indicação. A única coisa que pode atrapalhar a atriz é a qualidade do filme, que não faz jus à qualidade de sua performance.

Estamos falando de Albert Nobbs. O filme, dirigido por Rodrigo Gargía, conta a história do personagem-título (Glenn Close), valet de uma pensão na Irlanda do século XIX. Ninguém sabe que o sério e respeitável senhor é na verdade uma mulher. Quando Hubert (Janet McTeer), que passa pela mesma situação de Albert, aparece na pensão, o criado começa a ver outras possibilidades para sua vida. A história de Hubert dá esperanças a Albert. Hubert é casado com outra mulher e Albert, que é secretamente apaixonado pela jovem empregada Helen Dawes (Mia Wasikovska), começa a acreditar que é possível conquistá-la, casar-se com ela e iniciar uma nova vida. Helen, no entanto, se envolve com o aproveitador Joe Macken (Aaron Johnson), novo empregado da pensão; o que instaura um triângulo amoroso insólito.

A premissa do filme revela-se extremamente interessante, uma vez que uma mulher no século XIX, não poderia exercer certas funções de acordo com as normas sociais da época. Para sobreviver, é verossímil acreditar que muitas se sentissem obrigadas a se travestir a fim de obter determinados trabalhos. A questão da orientação sexual é também intrigante. Afinal, como manifestar a homossexualidade no século XIX? Ainda mais sendo mulher e pobre? Levando todas essas questões em consideração, podemos nos identificar com o drama vivido pela personagem principal. O roteiro do filme é baseado no conto de George Moore e foi escrito por Glenn e John Banville. Se o trabalho de Close como roteirista fosse tão interessante quanto sua composição como atriz, teríamos um filme mais bem-sucedido.

O principal problema do roteiro é que, mesmo se aproximando eventualmente do melodrama, raramente consegue emocionar. O filme é tão frio quanto a paisagem invernal irlandesa. E se a premissa nos faz pensar em uma história lacrimejante ou emocionante, o arco dramático do longa revela-se, sobretudo, insosso. Mesmo acertando ao mostrar a realidade dos criados e a dos senhores à la Assassinato em Gosford Park (2001), o roteiro não permite que nos identifiquemos com Albert ou Helen (que é uma figura quase antipática, o que não funciona para se contar uma história de amor). O final do filme é tão insatisfatório que faz com que esqueçamos os acertos do mesmo. Saímos do filme com a sensação: “ok, é uma história triste e daí?”. Mas o problema do roteiro é agravado pela direção fria e burocrática de Rodrigo García (filho do fantástico escritor colombiano Gabriel García Marquez).

O filme, no entanto, não é desprovido de qualidades. São belíssimos a fotografia, a direção de arte e o figurino do filme, que reconstituem brilhantemente a Irlanda do século XIX. O espectador realmente se sente imerso em outro universo. A atuação de Glenn Close é o absoluto oposto do que ela faz em Atração Fatal, por exemplo. Sua composição é minuciosa e extremamente contida. A atriz não precisa mais do que um olhar para comunicar uma emoção. E, por mais que o roteiro seja falho, ele cria momentos em que a atriz pode brilhar, como aquele em que Albert se veste como mulher e experimenta a sensação de liberdade. Já Janet McTeer, igualmente excelente, encarna o personagem mais simpático do filme e suas cenas estão entre as melhores do longa-metragem. As duas atrizes seriam fortes candidatas ao Oscar de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante, mesmo que seja ainda um pouco cedo para garantir as indicações de ambas. O resto do elenco também não deixa a desejar com destaque para Pauline Collins (ótima), Brendan Gleeson, Mia Wasikovska e Aaron Johnson.

Albert Nobbs não corresponde, infelizmente, às expectativas que poderíamos colocar no projeto. A memorável performance de Close é, sem dúvida, um motivo mais que suficiente para conferir o longa. No entanto, é inevitável pensar o que poderia ter sido o filme, se ele fosse escrito e dirigido por outrem.




segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Tess - 1979

Título original: Tess
País: Inglaterra/ França
Lançamento: 1979
Diretor: Roman Polanski
Atores: Nastassja KinskiPeter Firth,  Leigh Lawson
Gênero: Drama




Roman Polanski e a origem do filme

Roman Polanski, cineasta polonês, nascido na França, estreou no cinema como ator, função que nunca abandonou por completo. Ele dirigiu seu primeiro longa-metragem aos 29 anos, em 1962. Seu primeiro filme, A Faca na água, já revelava o quão promissor ele era e lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar, por Melhor Filme Estrangeiro. Em 1979, quando lançou Tess, ele já possuía grande prestígio e alguns clássicos no currículo, filmes que se tornaram, quase instantaneamente, cults, tais como Repulsa ao Sexo (1965), A Dança dos Vampiros (1967), O Bebê de Rosemary (1968) e Chinatown (1974).

Em 1969, a esposa de Roman Polanski, a belíssima atriz Sharon Tate, foi assassinada por seguidores do líder fanático Charles Manson. Ela estava grávida de oito meses. Pouco tempo antes de morrer, Tate havia dado para o marido uma cópia de Tess of the d'Urbervilles, romance de Thomas Hardy,. A atriz acreditava que a obra poderia render um grande filme. Ela interpretaria o papel principal. Dez anos depois, o diretor finalmente realizou o projeto. O filme se inicia com a simples e singela dedicatória “Para Sharon”. Como substituta de Tate, Polanski escalou a atriz Nastassja Kinski, com quem matinha uma relação amorosa desde 1976. Ela tinha apenas 16 anos quando eles se conheceram. Em 1978, o cineasta foi acusado de violentar uma menina de 13 anos. Em Tess, a protagonista, também adolescente, é estuprada por um homem mais velho. Material para uma análise psicanalítica é que não falta na vida e obra de Polanski.

O romance

O romance de Thomas Hardy, publicado em 1891, teve uma recepção mista na época de sua aparição, sendo visto, por muitos, como ultrajante, uma vez que desafiava os valores morais de seu tempo. A obra é hoje considerada um dos grandes textos da literatura inglesa e um dos melhores trabalhos de seu autor. Parte do êxito do romance é sua fascinante protagonista, Tess. Nastassja Kinski, atriz alemã, filha do grande ator Klaus Kinski, tinha apenas 18 anos quando encarnou a personagem nas telonas. Ela foi considerada uma das grandes revelações do cinema em 1979, chamando atenção também pela sua beleza.

Tess é a história de uma adolescente, de aproximadamente 16 anos, que vê sua vida tomar um rumo completamente inesperado a partir de uma revelação feita pelo pároco do lugarejo onde mora. Tal indivíduo, que havia estudado a árvore genealógica das famílias locais, revela ao pai beberrão de Tess, que sua família, os Durbeyfield, são, na verdade, uma ramificação de um nobre e antigo clã, os D’Urberville. Essa descoberta vem como um choque para os Dubeyfield que, vivendo numa quase miséria, tentam tirar alguma vantagem desse parentesco nobre. A mãe de Tess a envia, então, à casa de uns prováveis parentes, que portavam o nome de D’Urberville, para pedir ajuda financeira. Tratava-se de uma família rica, que habitava há alguns quilômetros do vilarejo. Chegando à mansão dos D’Urberville, Tess se depara com Alec, filho da matriarca. Ele se encanta com a garota e propõe que ela trabalhe na propriedade. Após várias tentativas frustradas de seduzi-la, ele a estupra, aproveitando-se de um momento de fraqueza da jovem. Após algumas semanas vivendo como amante de Alec, Tess decide ir embora da mansão para tentar recomeçar sua vida. Ela estava grávida. A má reputação, originada do fato de ter perdido a virgindade antes do casamento, a perseguirá, mesmo depois de encontrar o grande amor, Angel. 

Um filme épico?

Tess, o filme, apresenta evidentes características do gênero épico. Para começar, o enredo é centrado numa personagem elevada, pelas suas qualidades morais, à condição de heroína. O filme acompanha a trajetória dessa heroína, que é também uma jornada de autoconhecimento, aprendizado e iniciação. Essa trajetória é marcada por sofrimentos, encontros, desafios e dificuldades que devem ser superadas. Além disso, Tess é uma grandiosa e monumental obra cinematográfica. Não por acaso, o filme de Polanski me fez lembrar E o vento levou (1939).

Tess D’Urberville

Assim como no clássico de 1939, temos uma protagonista feminina que atravessa uma verdadeira via crucis ao longo da história. O que me fez ligar os dois filmes e as duas personagens é o fato de Tess e Scarlett O’Hara serem praticamente o oposto simétrico uma da outra, ambas sendo exemplos de superação e vivendo mais ou menos na mesma época: uma na Inglaterra, a outra nos Estados Unidos. Enquanto a primeira é uma heroína tradicional, uma mulher de alma pura, romântica, de valores inabaláveis e de conduta admirável, a segunda é a grande anti-heroína, manipuladora, pragmática, ardilosa, avant-garde e egoísta. As razões que nos fazem amar Scarlett são as mesmas que nos fazem, muitas vezes, ter certo distanciamento por Tess. Tess opta pelo caminho mais difícil, ela escolhe sofrer. Analisando, no entanto, a personagem com um pouco mais de cuidado, percebemos que ela é muito mais complexa do que aparenta.

Tess abraça intensamente a tragédia, como exemplifica bem o final da trama. Podemos supor que inconscientemente ela busque o sofrimento. Será ela uma suicida em potencial? Se, a princípio, ela parece ser uma mulher forte e decidida, por fim, podemos constatar sua fraqueza e vulnerabilidade. Por mais que ela tente se impor, ela acaba sempre cedendo àqueles que a feriram. Ela cede ao manter um breve caso com Alec; ao aceitá-lo de volta, após o abandono de Angel; e ao voltar para Angel quando ele lhe pede perdão.

Tess é uma personagem claramente melancólica, tipicamente romântica. Sensível, introspectiva e amante da natureza, ela encontra em Angel (Peter Firth) seu par perfeito. O rapaz, que também sofre de certa melancolia romântica, é rebelde, sorumbático, despreza a burguesia e tem interesse por música e literatura. Ele tem espírito de poeta. Não por acaso os personagens se apaixonam um pelo outro. O amor que nasce entre os dois é tão lindo, quanto idealizado. Quando a dura realidade vem afrontá-los, a ilusão se desmancha.

A protagonista pode ser também analisada sob outro ângulo. Ela pode ser vista como uma personagem mística. É muito intrigante a relação dela com a natureza, com Deus, com rituais religiosos e com o paganismo (refiro-me aqui à cena em que ela deita no altar de um antigo templo pagão, como prestes a ser sacrificada). Assim, é possível estudar a maneira com a qual a personagem é associada ora à figura da santa, ora à da mártir religiosa (como Joana D’Arc), ora à da deusa.

O nome

O filme não deixa de ser também um interessante retrato histórico-social da época vitoriana. A hipocrisia social, a situação da mulher, a diferença entre classes e a transformação da sociedade são retratados pelo filme. O nome, marca de status social, é mostrado pela trama como uma simples mercadoria. Até os “mal-nascidos”, membros da ascendente burguesia ligada à indústria, podem adquirir um nome nobre. O que chama a atenção na história é a transformação que um detalhe, a princípio tão insignificante, traz para a vida de Tess. A associação de Tess ao nome D’Urberville é marco inicial da desgraça na vida da protagonista. Como em Romeu e Julieta, o nome sela o destino funesto dos personagens. A importância do novo nome é explicitada no título da obra original que é Tess de D’Urberville e não Tess Durbeyfield ou, simplesmente, Tess.

O filme: a direção de Polanski, Ingrid Bergman e James Dean e a influência da pintura

A minúcia da direção Roman Polanski se deixa transparecer na maneira com a qual ele revela cada detalhe; ao nos apresentar Tess sempre como um personagem a parte dos demais; ao introduzir Alec em cena de forma inesperada, como se ele fosse um predador; ao retardar ao máximo a descoberta do rosto de Angel... O filme encanta tanto nos planos gerais, que mostra as belas paisagens inglesas, as pradarias, os campos de centeio, quanto nos lindos closes sobre o rosto da estonteante Nastassja Kinski. Apesar de não ser perito no assunto, vejo uma imensa influência da pintura na fotografia do filme. Os planos são tão bem construídos que muitas vezes nos remetem a telas clássicas. Não só a utilização das cores nos remete à pintura, mas também a escolha dos temas recorrentes, como a vida do camponês, o trabalho dos agricultores, o campo de centeio, cenas mitológicas (ver fotos abaixo). Detalhe curioso: o diretor de fotografia inicial do filme Geoffrey Unsworth morreu no início das filmagens, deixando, no entanto, muitas cenas prontas. Ele foi substituído por Ghislain Cloquet. É possível, por isso, reconhecer dois momentos diferentes da fotografia. A magistral fotografia do longa-metragem, por sinal, foi premiada com o Oscar, assim como a direção de arte e o figurino do filme, igualmente fantásticos. A bela trilha sonora de Philippe Sarde é essencial para o filme. 

Natassja Kinski me lembra a maravilhosa Ingrid Bergman em Tess. Este é o maior elogio que posso lhe fazer. A atuação da jovem é impressionante, apesar da falta de experiência da atriz na época. Ela está em 90% das cenas do filme e, de certa forma, ela é o filme. Talvez a atriz nunca tenha conseguido superar essa performance tão icônica. Já Peter Firth me lembra James Dean. Além de uma semelhança física (será que ninguém nunca fez essa associação?), parece que Firth se inspirou nos personagens do ator de Juventude Transviada para compor Angel. É inevitável não reconhecer a amargura e angustia de James Dean na atuação de Firth. Fechando o triângulo amoroso, temos Leigh Lawson que confere ambigüidade a Alec. Nunca sabemos ao certo o quão mau ele é, ou o quanto ele realmente gosta de Tess, o que o torna extremamente interessante e perigoso.

Tess é um belíssimo filme que nos oferece diversas possibilidades de análise. É impossível esgotar em apenas um post tudo o que o longa pode nos suscitar. Infelizmente, esta obra de Polanski é pouco lembrada, em comparação a outros clássicos mais populares do diretor. O cineasta, que lançará, este ano, seu trigésimo filme, Carnage (2011), é um dos grandes diretores vivos do cinema e em Tess ele nos comprova isso a cada cena.  

Tess: o retrato de uma camponesa

Uma das cenas antológicas do filme: Alec oferece morango a Tess. 

A bela fotografia do filme nos faz lembras obras clássicas de Monet, por exemplo.


Os camponeses - cena do filme

O almoço dos camponeses - cena do filme

A dança das virgens - cena do filme

A descoberta do amor - uma das cenas mais românticas do filme





quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

As cenas mais tristes do cinema

Quem pode dizer que nunca derramou uma lágrima sequer ao assistir uma cena emocionante de um filme? Eu posso confessar que sou um chorão de marca maior, daqueles que chegam ao constrangedor estágio de soluçar (foi o caso quando vi muitos dos filmes abaixo). Muitas vezes, acontece de assistirmos a um filme triste justamente porque queremos chorar, botar para fora toda a melancolia e tristeza que nos consomem. As pessoas que passam por essa situação com certa frequência irão achar a nossa lista de hoje muito útil. O Clube do Filme selecionou as 30 cenas campeãs em fazer a gente se desmanchar em prantos. São as cenas mais tristes do cinema (em ordem aleatória). 

Não concordou com a lista? Não chore, nem fique triste. Deixe seu comentário, mencionando as cenas que mexem com você.


(ATENÇÃO: Se não quiser saber detalhes da trama de um filme, pois ainda não o viu, pule para o seguinte. Para facilitar, indicamos primeiro o nome do filme.)



1 - Dançando no Escuro (2000, dir. Lars von Trier) - 2 cenas são absurdamente tristes: aquela em que Selma (Björk, de cortar o coração) se vê obrigada a cometer um crime e a cena final da execução.

2 - As Horas (2002, dir. Stephen Daldry) - Cena em que Laura Brown (Julianne Moore) abandona seu filho.

3 - Duas Mulheres (1960, dir. Vittorio de Sica) - Cena em que Cesira (Sophia Loren) pega no colo a filha que, assim como ela, havia acabado de ser vítima de estupro.

4 - Luzes da Cidade (1931, dir. Charles Chaplin) - Cena em que a vendedora de flores ex-cega reconhece em Carlitos (Charles Chaplin) o seu benfeitor.

5 - O Rei Leão (1994, dir. Roger Allers, Rob Minkoff) -  Cena do assassinato de Mufasa.

6 - Titanic (1997, dir. James Cameron) - Cena em que Jack (Leonardo DiCaprio) morre congelado e afunda no mar.

7 - À Espera de Um Milagre (1999, dir. Frank Darabont) - Cena em que John Coffey (Michael Clarke Duncan) é executado.

8 - Ladrões de biclicletas (1948, dir. Vittorio de Sica) - Cena final do filme, em que pai e filho, desconsolados, marcham em meio à multidão.

9 - A Escolha de Sofia (1982, dir. Alan J. Pakula) - Cena em que Sofia (Meryl Streep) deve escolher de qual dos dois filhos ela vai se separar.



10 - Gladiador (2000, dir. Ridley Scott) - Cena da morte de Maximus e evocação do campo.

11 - Melhor é impossível (1997, dir. James L. Brooks) - Cena em que Carol (Helen Hunt) lê para Melvin Udall (Jack Nicholson) uma carta de agradecimento por ele ter dado ao seu filho doente a chance de ter um tratamento digno.

12 - O Campeão (1979, dir. Franco Zeffirelli) - Cena em que o boxeador Billy (John Voigt) morre na frente do filho (Ricky Schroeder), que ainda o chama: "Campeão, acorda!". Recentemente, cientistas classificaram a cena como a mais triste do cinema.

13 - A Vida é Bela (1997, dir. Roberto Benigni) - Cena em que Guido (Roberto Benigni), prestes a ser executado por um soldado fascista, finge para o filho, que o observa escondido, que tudo não passa de uma brincadeira.

14 - A Última Ceia (2001, dir. Marc Foster) - Cena em que vemos o sofrimento de Letícia (Halle Berry), quando o filho é atropelado e levado para o hospital, onde vem a morrer.

15 - Bambi (1942, dir. James Algar, Samuel Armstrong e outros) - Cena da morte da mãe de Bambi.

16 - Uma Rua Chamada Pecado (1951, dir. Elia Kazan) - Última cena do filme, em que Blanche Dubois diz: "Eu sempre dependi da bondade de estranhos".

17 - Crash - No Limite (2004, dir. Paul Haggis) - Cena em que o policial Ryan (Matt Dillon) salva Christine (Thandie Newton) de um carro que está preste a explodir.

18 -  Cidade dos anjos (1998, dir. Brad Silberling) - Cena trágica em que Maggie (Meg Ryan) sofre um acidente e morre, deixando Seth (Nicolas Cage), que havia deixado de ser anjo por amor a ela, sozinho.


19 - Central do Brasil (1998, dir. Walter Salles) - Cena da despedida de Isadora (Fernanda Montenegro) e Josué (Vinícius de Oliveira).

20 - 21 Gramas (2003, dir. Alejandro González Iñárritu) - Muitas cenas poderiam ser escolhidas. Para citar apenas uma: aquela em que contam para Cristina (Naomi Watts), no hospital, que seu marido e suas filhas morreram em consequência do atropelamento.

21 - Sobre Meninos e Lobos (2003, dir. Clint Eastwood) - Cena em que Jimmy Markum (Sean Penn) descobre que sua filha está morta.

22 - O Nevoeiro (2007, dir. Frank Darabont) - Cena final do filme, em que a ajuda finalmente chega, no momento em que já é tarde demais.

23 - Toy Story 3 (2010, dir. Lee Unkrich) - Cena em que os brinquedos enfrentam com resignação a morte na incineradora.

24 - A Cor Púrpura (1985, dir. Steven Spielberg) - Muitas cenas poderiam também ser escolhidas. Destaco aquela em que Celie (Whoopi Goldberg, em sua melhor interpretação no cinema) e sua irmã são separadas a força, pelo terrível Albert (Danny Glover).

25 - A Lista de Schindler (1993, dir. Steven Spielberg) - Apenas para citar uma: a cena em que vemos o corpo da menina de casaco vermelho entre os mortos.

26 - Ondas do Destino (1996, dir. Lars von Trier) - O final do filme quando Bess (Emily Watson) se sacrifica pelo marido.



27 - A Outra História Americana (1998, dir. Tony Kaye) - Cena em que Derek (Edward Norton) encontra o irmão baleado.

28 - Menina de Ouro (2004, dir. Clint Eastwood) - Todo o final do filme, mas especialmente a cena em que a mãe da ex-boxeadora Maggie (Hilary Swank), que ficou paraplégica após um golpe baixo em uma luta, tenta obrigá-la a assinar uma procuração, enfiando uma caneta em sua boca.

29 - UP - Altas aventuras (2009, dir. Pete Docter, Bob Peterson) - A cena em que a mulher do velhinho Carl morre.

30 - Bonnie & Clyde - Uma Rajada de Balas (1967, dir. Arthur Penn) - Cena do assassinato brutal do casal.


Qual dessas cenas é a mais triste para você? Faltou alguma que te faz chorar? Compartilhe com a gente!


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