segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Tess - 1979

Título original: Tess
País: Inglaterra/ França
Lançamento: 1979
Diretor: Roman Polanski
Atores: Nastassja KinskiPeter Firth,  Leigh Lawson
Gênero: Drama




Roman Polanski e a origem do filme

Roman Polanski, cineasta polonês, nascido na França, estreou no cinema como ator, função que nunca abandonou por completo. Ele dirigiu seu primeiro longa-metragem aos 29 anos, em 1962. Seu primeiro filme, A Faca na água, já revelava o quão promissor ele era e lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar, por Melhor Filme Estrangeiro. Em 1979, quando lançou Tess, ele já possuía grande prestígio e alguns clássicos no currículo, filmes que se tornaram, quase instantaneamente, cults, tais como Repulsa ao Sexo (1965), A Dança dos Vampiros (1967), O Bebê de Rosemary (1968) e Chinatown (1974).

Em 1969, a esposa de Roman Polanski, a belíssima atriz Sharon Tate, foi assassinada por seguidores do líder fanático Charles Manson. Ela estava grávida de oito meses. Pouco tempo antes de morrer, Tate havia dado para o marido uma cópia de Tess of the d'Urbervilles, romance de Thomas Hardy,. A atriz acreditava que a obra poderia render um grande filme. Ela interpretaria o papel principal. Dez anos depois, o diretor finalmente realizou o projeto. O filme se inicia com a simples e singela dedicatória “Para Sharon”. Como substituta de Tate, Polanski escalou a atriz Nastassja Kinski, com quem matinha uma relação amorosa desde 1976. Ela tinha apenas 16 anos quando eles se conheceram. Em 1978, o cineasta foi acusado de violentar uma menina de 13 anos. Em Tess, a protagonista, também adolescente, é estuprada por um homem mais velho. Material para uma análise psicanalítica é que não falta na vida e obra de Polanski.

O romance

O romance de Thomas Hardy, publicado em 1891, teve uma recepção mista na época de sua aparição, sendo visto, por muitos, como ultrajante, uma vez que desafiava os valores morais de seu tempo. A obra é hoje considerada um dos grandes textos da literatura inglesa e um dos melhores trabalhos de seu autor. Parte do êxito do romance é sua fascinante protagonista, Tess. Nastassja Kinski, atriz alemã, filha do grande ator Klaus Kinski, tinha apenas 18 anos quando encarnou a personagem nas telonas. Ela foi considerada uma das grandes revelações do cinema em 1979, chamando atenção também pela sua beleza.

Tess é a história de uma adolescente, de aproximadamente 16 anos, que vê sua vida tomar um rumo completamente inesperado a partir de uma revelação feita pelo pároco do lugarejo onde mora. Tal indivíduo, que havia estudado a árvore genealógica das famílias locais, revela ao pai beberrão de Tess, que sua família, os Durbeyfield, são, na verdade, uma ramificação de um nobre e antigo clã, os D’Urberville. Essa descoberta vem como um choque para os Dubeyfield que, vivendo numa quase miséria, tentam tirar alguma vantagem desse parentesco nobre. A mãe de Tess a envia, então, à casa de uns prováveis parentes, que portavam o nome de D’Urberville, para pedir ajuda financeira. Tratava-se de uma família rica, que habitava há alguns quilômetros do vilarejo. Chegando à mansão dos D’Urberville, Tess se depara com Alec, filho da matriarca. Ele se encanta com a garota e propõe que ela trabalhe na propriedade. Após várias tentativas frustradas de seduzi-la, ele a estupra, aproveitando-se de um momento de fraqueza da jovem. Após algumas semanas vivendo como amante de Alec, Tess decide ir embora da mansão para tentar recomeçar sua vida. Ela estava grávida. A má reputação, originada do fato de ter perdido a virgindade antes do casamento, a perseguirá, mesmo depois de encontrar o grande amor, Angel. 

Um filme épico?

Tess, o filme, apresenta evidentes características do gênero épico. Para começar, o enredo é centrado numa personagem elevada, pelas suas qualidades morais, à condição de heroína. O filme acompanha a trajetória dessa heroína, que é também uma jornada de autoconhecimento, aprendizado e iniciação. Essa trajetória é marcada por sofrimentos, encontros, desafios e dificuldades que devem ser superadas. Além disso, Tess é uma grandiosa e monumental obra cinematográfica. Não por acaso, o filme de Polanski me fez lembrar E o vento levou (1939).

Tess D’Urberville

Assim como no clássico de 1939, temos uma protagonista feminina que atravessa uma verdadeira via crucis ao longo da história. O que me fez ligar os dois filmes e as duas personagens é o fato de Tess e Scarlett O’Hara serem praticamente o oposto simétrico uma da outra, ambas sendo exemplos de superação e vivendo mais ou menos na mesma época: uma na Inglaterra, a outra nos Estados Unidos. Enquanto a primeira é uma heroína tradicional, uma mulher de alma pura, romântica, de valores inabaláveis e de conduta admirável, a segunda é a grande anti-heroína, manipuladora, pragmática, ardilosa, avant-garde e egoísta. As razões que nos fazem amar Scarlett são as mesmas que nos fazem, muitas vezes, ter certo distanciamento por Tess. Tess opta pelo caminho mais difícil, ela escolhe sofrer. Analisando, no entanto, a personagem com um pouco mais de cuidado, percebemos que ela é muito mais complexa do que aparenta.

Tess abraça intensamente a tragédia, como exemplifica bem o final da trama. Podemos supor que inconscientemente ela busque o sofrimento. Será ela uma suicida em potencial? Se, a princípio, ela parece ser uma mulher forte e decidida, por fim, podemos constatar sua fraqueza e vulnerabilidade. Por mais que ela tente se impor, ela acaba sempre cedendo àqueles que a feriram. Ela cede ao manter um breve caso com Alec; ao aceitá-lo de volta, após o abandono de Angel; e ao voltar para Angel quando ele lhe pede perdão.

Tess é uma personagem claramente melancólica, tipicamente romântica. Sensível, introspectiva e amante da natureza, ela encontra em Angel (Peter Firth) seu par perfeito. O rapaz, que também sofre de certa melancolia romântica, é rebelde, sorumbático, despreza a burguesia e tem interesse por música e literatura. Ele tem espírito de poeta. Não por acaso os personagens se apaixonam um pelo outro. O amor que nasce entre os dois é tão lindo, quanto idealizado. Quando a dura realidade vem afrontá-los, a ilusão se desmancha.

A protagonista pode ser também analisada sob outro ângulo. Ela pode ser vista como uma personagem mística. É muito intrigante a relação dela com a natureza, com Deus, com rituais religiosos e com o paganismo (refiro-me aqui à cena em que ela deita no altar de um antigo templo pagão, como prestes a ser sacrificada). Assim, é possível estudar a maneira com a qual a personagem é associada ora à figura da santa, ora à da mártir religiosa (como Joana D’Arc), ora à da deusa.

O nome

O filme não deixa de ser também um interessante retrato histórico-social da época vitoriana. A hipocrisia social, a situação da mulher, a diferença entre classes e a transformação da sociedade são retratados pelo filme. O nome, marca de status social, é mostrado pela trama como uma simples mercadoria. Até os “mal-nascidos”, membros da ascendente burguesia ligada à indústria, podem adquirir um nome nobre. O que chama a atenção na história é a transformação que um detalhe, a princípio tão insignificante, traz para a vida de Tess. A associação de Tess ao nome D’Urberville é marco inicial da desgraça na vida da protagonista. Como em Romeu e Julieta, o nome sela o destino funesto dos personagens. A importância do novo nome é explicitada no título da obra original que é Tess de D’Urberville e não Tess Durbeyfield ou, simplesmente, Tess.

O filme: a direção de Polanski, Ingrid Bergman e James Dean e a influência da pintura

A minúcia da direção Roman Polanski se deixa transparecer na maneira com a qual ele revela cada detalhe; ao nos apresentar Tess sempre como um personagem a parte dos demais; ao introduzir Alec em cena de forma inesperada, como se ele fosse um predador; ao retardar ao máximo a descoberta do rosto de Angel... O filme encanta tanto nos planos gerais, que mostra as belas paisagens inglesas, as pradarias, os campos de centeio, quanto nos lindos closes sobre o rosto da estonteante Nastassja Kinski. Apesar de não ser perito no assunto, vejo uma imensa influência da pintura na fotografia do filme. Os planos são tão bem construídos que muitas vezes nos remetem a telas clássicas. Não só a utilização das cores nos remete à pintura, mas também a escolha dos temas recorrentes, como a vida do camponês, o trabalho dos agricultores, o campo de centeio, cenas mitológicas (ver fotos abaixo). Detalhe curioso: o diretor de fotografia inicial do filme Geoffrey Unsworth morreu no início das filmagens, deixando, no entanto, muitas cenas prontas. Ele foi substituído por Ghislain Cloquet. É possível, por isso, reconhecer dois momentos diferentes da fotografia. A magistral fotografia do longa-metragem, por sinal, foi premiada com o Oscar, assim como a direção de arte e o figurino do filme, igualmente fantásticos. A bela trilha sonora de Philippe Sarde é essencial para o filme. 

Natassja Kinski me lembra a maravilhosa Ingrid Bergman em Tess. Este é o maior elogio que posso lhe fazer. A atuação da jovem é impressionante, apesar da falta de experiência da atriz na época. Ela está em 90% das cenas do filme e, de certa forma, ela é o filme. Talvez a atriz nunca tenha conseguido superar essa performance tão icônica. Já Peter Firth me lembra James Dean. Além de uma semelhança física (será que ninguém nunca fez essa associação?), parece que Firth se inspirou nos personagens do ator de Juventude Transviada para compor Angel. É inevitável não reconhecer a amargura e angustia de James Dean na atuação de Firth. Fechando o triângulo amoroso, temos Leigh Lawson que confere ambigüidade a Alec. Nunca sabemos ao certo o quão mau ele é, ou o quanto ele realmente gosta de Tess, o que o torna extremamente interessante e perigoso.

Tess é um belíssimo filme que nos oferece diversas possibilidades de análise. É impossível esgotar em apenas um post tudo o que o longa pode nos suscitar. Infelizmente, esta obra de Polanski é pouco lembrada, em comparação a outros clássicos mais populares do diretor. O cineasta, que lançará, este ano, seu trigésimo filme, Carnage (2011), é um dos grandes diretores vivos do cinema e em Tess ele nos comprova isso a cada cena.  

Tess: o retrato de uma camponesa

Uma das cenas antológicas do filme: Alec oferece morango a Tess. 

A bela fotografia do filme nos faz lembras obras clássicas de Monet, por exemplo.


Os camponeses - cena do filme

O almoço dos camponeses - cena do filme

A dança das virgens - cena do filme

A descoberta do amor - uma das cenas mais românticas do filme





quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

As cenas mais tristes do cinema

Quem pode dizer que nunca derramou uma lágrima sequer ao assistir uma cena emocionante de um filme? Eu posso confessar que sou um chorão de marca maior, daqueles que chegam ao constrangedor estágio de soluçar (foi o caso quando vi muitos dos filmes abaixo). Muitas vezes, acontece de assistirmos a um filme triste justamente porque queremos chorar, botar para fora toda a melancolia e tristeza que nos consomem. As pessoas que passam por essa situação com certa frequência irão achar a nossa lista de hoje muito útil. O Clube do Filme selecionou as 30 cenas campeãs em fazer a gente se desmanchar em prantos. São as cenas mais tristes do cinema (em ordem aleatória). 

Não concordou com a lista? Não chore, nem fique triste. Deixe seu comentário, mencionando as cenas que mexem com você.


(ATENÇÃO: Se não quiser saber detalhes da trama de um filme, pois ainda não o viu, pule para o seguinte. Para facilitar, indicamos primeiro o nome do filme.)



1 - Dançando no Escuro (2000, dir. Lars von Trier) - 2 cenas são absurdamente tristes: aquela em que Selma (Björk, de cortar o coração) se vê obrigada a cometer um crime e a cena final da execução.

2 - As Horas (2002, dir. Stephen Daldry) - Cena em que Laura Brown (Julianne Moore) abandona seu filho.

3 - Duas Mulheres (1960, dir. Vittorio de Sica) - Cena em que Cesira (Sophia Loren) pega no colo a filha que, assim como ela, havia acabado de ser vítima de estupro.

4 - Luzes da Cidade (1931, dir. Charles Chaplin) - Cena em que a vendedora de flores ex-cega reconhece em Carlitos (Charles Chaplin) o seu benfeitor.

5 - O Rei Leão (1994, dir. Roger Allers, Rob Minkoff) -  Cena do assassinato de Mufasa.

6 - Titanic (1997, dir. James Cameron) - Cena em que Jack (Leonardo DiCaprio) morre congelado e afunda no mar.

7 - À Espera de Um Milagre (1999, dir. Frank Darabont) - Cena em que John Coffey (Michael Clarke Duncan) é executado.

8 - Ladrões de biclicletas (1948, dir. Vittorio de Sica) - Cena final do filme, em que pai e filho, desconsolados, marcham em meio à multidão.

9 - A Escolha de Sofia (1982, dir. Alan J. Pakula) - Cena em que Sofia (Meryl Streep) deve escolher de qual dos dois filhos ela vai se separar.



10 - Gladiador (2000, dir. Ridley Scott) - Cena da morte de Maximus e evocação do campo.

11 - Melhor é impossível (1997, dir. James L. Brooks) - Cena em que Carol (Helen Hunt) lê para Melvin Udall (Jack Nicholson) uma carta de agradecimento por ele ter dado ao seu filho doente a chance de ter um tratamento digno.

12 - O Campeão (1979, dir. Franco Zeffirelli) - Cena em que o boxeador Billy (John Voigt) morre na frente do filho (Ricky Schroeder), que ainda o chama: "Campeão, acorda!". Recentemente, cientistas classificaram a cena como a mais triste do cinema.

13 - A Vida é Bela (1997, dir. Roberto Benigni) - Cena em que Guido (Roberto Benigni), prestes a ser executado por um soldado fascista, finge para o filho, que o observa escondido, que tudo não passa de uma brincadeira.

14 - A Última Ceia (2001, dir. Marc Foster) - Cena em que vemos o sofrimento de Letícia (Halle Berry), quando o filho é atropelado e levado para o hospital, onde vem a morrer.

15 - Bambi (1942, dir. James Algar, Samuel Armstrong e outros) - Cena da morte da mãe de Bambi.

16 - Uma Rua Chamada Pecado (1951, dir. Elia Kazan) - Última cena do filme, em que Blanche Dubois diz: "Eu sempre dependi da bondade de estranhos".

17 - Crash - No Limite (2004, dir. Paul Haggis) - Cena em que o policial Ryan (Matt Dillon) salva Christine (Thandie Newton) de um carro que está preste a explodir.

18 -  Cidade dos anjos (1998, dir. Brad Silberling) - Cena trágica em que Maggie (Meg Ryan) sofre um acidente e morre, deixando Seth (Nicolas Cage), que havia deixado de ser anjo por amor a ela, sozinho.


19 - Central do Brasil (1998, dir. Walter Salles) - Cena da despedida de Isadora (Fernanda Montenegro) e Josué (Vinícius de Oliveira).

20 - 21 Gramas (2003, dir. Alejandro González Iñárritu) - Muitas cenas poderiam ser escolhidas. Para citar apenas uma: aquela em que contam para Cristina (Naomi Watts), no hospital, que seu marido e suas filhas morreram em consequência do atropelamento.

21 - Sobre Meninos e Lobos (2003, dir. Clint Eastwood) - Cena em que Jimmy Markum (Sean Penn) descobre que sua filha está morta.

22 - O Nevoeiro (2007, dir. Frank Darabont) - Cena final do filme, em que a ajuda finalmente chega, no momento em que já é tarde demais.

23 - Toy Story 3 (2010, dir. Lee Unkrich) - Cena em que os brinquedos enfrentam com resignação a morte na incineradora.

24 - A Cor Púrpura (1985, dir. Steven Spielberg) - Muitas cenas poderiam também ser escolhidas. Destaco aquela em que Celie (Whoopi Goldberg, em sua melhor interpretação no cinema) e sua irmã são separadas a força, pelo terrível Albert (Danny Glover).

25 - A Lista de Schindler (1993, dir. Steven Spielberg) - Apenas para citar uma: a cena em que vemos o corpo da menina de casaco vermelho entre os mortos.

26 - Ondas do Destino (1996, dir. Lars von Trier) - O final do filme quando Bess (Emily Watson) se sacrifica pelo marido.



27 - A Outra História Americana (1998, dir. Tony Kaye) - Cena em que Derek (Edward Norton) encontra o irmão baleado.

28 - Menina de Ouro (2004, dir. Clint Eastwood) - Todo o final do filme, mas especialmente a cena em que a mãe da ex-boxeadora Maggie (Hilary Swank), que ficou paraplégica após um golpe baixo em uma luta, tenta obrigá-la a assinar uma procuração, enfiando uma caneta em sua boca.

29 - UP - Altas aventuras (2009, dir. Pete Docter, Bob Peterson) - A cena em que a mulher do velhinho Carl morre.

30 - Bonnie & Clyde - Uma Rajada de Balas (1967, dir. Arthur Penn) - Cena do assassinato brutal do casal.


Qual dessas cenas é a mais triste para você? Faltou alguma que te faz chorar? Compartilhe com a gente!


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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Shame - 2011

Título original: Shame
Lançamento: 2011
País: Inglaterra
Direção: Steve McQueen
Atores: Michael Fassbender, Carey Mulligan, James Badge Dale, Hannah Ware.
Duração: 99 min
Gênero: Drama
Michael Fassbender, o ator do ano, em cena de Shame

No dia 22 de novembro, aconteceu a pré-estreia oficial de Shame em Paris. O longa-metragem levou o prêmio de Melhor Ator, no Festival de Veneza, este ano, e é apenas o segundo filme de Steve McQueen. O diretor inglês estreou nas telonas em 2008, com o excepcional Hunger. Uma sala gigantesca do MK2, grande rede de cinemas em Paris, ficou arrebatada de centenas de pessoas, a maioria delas ansiosas para ver um dos grandes astros do momento: Michael Fassbender. O ator, alemão de nascimento e irlandês de criação, aos 34 anos, estampa várias capas de revistas, lançou três filmes em 2011 e é considerado um dos maiores símbolos sexuais dos últimos tempos. Shame apenas reforça esse status.

O novo filme de McQueen conta a história de Brandon, um homem belo e desejado pelas mulheres, que cultiva um estilo de vida invejável em Nova York e que tem trabalho estável numa empresa de publicidade. Tudo estaria perfeito em sua vida, se não fosse por um detalhe: ele é viciado em sexo. Na entrevista realizada logo após a projeção do filme, Fassbender afirmou que, a princípio, não sabia  como encarar seriamente essa situação. Afinal, por que ser viciado em sexo seria, necessariamente, um problema? O maravilhoso roteiro de Steve McQueen e Abi Morgan, no entanto, nos leva às profundezas desse vício, nos revelando sua face mais deprimente e dolorosa. Para complicar, a irmã caçula do protagonista, Sissy (Carey Mulligan), que sofre de depressão e tem tendências suicidas, se instala no apartamento de Brandon, invadindo a vida e o espaço do irmão, que não sabe como lidar com a sua presença.

Cena inicial do filme
McQueen nos apresenta a dois personagens à beira do precipício, em uma situação extrema. A carente e problemática Sissy lança um pedido de socorro mudo e desesperado para o seu irmão, que a ignora.  Por mais que no fundo ele se preocupe com ela, Brandon não consegue demonstrar nenhum afeto pela irmã ou  por qualquer outra pessoa. Mas, afinal, qual a origem do vício do personagem? O que ele tenta sublimar através da sua compulsão sexual? De fato, pouco sabemos do passado dos dois personagens. Pouco nos é dito pelo filme. Só sabemos que, aparentemente, Sissy e Brandon só têm um ao outro e que a vida pregressa desses dois irmãos, provavelmente, não foi nada fácil. A moça diz em certo momento: "Nós não somos más pessoas. Só viemos de um lugar ruim". Shame é, então, um sensível estudo de personagens, que não procura fazer deles meras caricaturas de seres "problemáticos". O filme também não se interessa em justificar os atos de seus protagonistas ou mesmo lhes proporcionar um artificial final feliz. Cabe ao espectador formular suas hipóteses. 

Certos elementos encontrados em Hunger, podem ser vistos no novo filme de McQueen. Chamam a atenção o interesse pelos detalhes, a abundância de closes, os longos silêncios e o interesse pelo o que se repete. A frieza da câmera de McQueen esconde um vulcão que está prestes a entrar em erupção. Assim, a medida que o filme se desenrola, a história vai ficando dramática, até a irrupção do catártico último ato, o grande momento do filme. A direção, combinada com a qualidade das performances, nos proporciona um filme angustiante, profundamente triste e melancólico. 

Algumas cenas demoram a sair da memória, como aquela em que Brandon ataca sua irmã, após ela tê-lo surpreendido se masturbando no banheiro. É impressionante como McQueen brinca com nossas expectativas, transformando bruscamente o tom da cena. A princípio, parece  que estamos diante de lutinha entre irmãos. Sissy ri, como se finalmente pudesse ter um momento descontraído e de intimidade com Brandon, mas logo percebemos a agressividade do protagonista. O olhar de Sissy muda, tanto ela quanto o espectador percebem, subitamente, que não se trata de uma brincadeira. Brandon se sente coagido, no fundo, envergonhado de si mesmo. Ele não sabe como lidar com a vergonha que sente de sua compulsão e o título em inglês (Shame = vergonha) não poderia ser mais apropriado para a história. A presença de Sissy o faz confrontar esse sentimento.


Carey Mulligan canta New York, New York em cena do filme

O longa ainda deixa espaço para várias especulações. Por exemplo, o que teme Brandon com aproximação de sua irmã? Por que ele a rejeita tanto? Por que ele recusa qualquer contato físico com ela? Seria um possível medo do incesto? O filme nos permite essa leitura, ou mesmo, essa hipótese. Mas o que parece mais claro é que Brandon não consegue se relacionar afetivamente com mulheres, tudo passa pelo viés do sexo. No momento em que uma mulher se envolve romanticamente com ele, caso de Marianne (ótima participação de Nicole Beharie), ele não consegue consumar o ato sexual. Ele só consegue fazer sexo e é incapaz de fazer amor.

Michael Fassbender se entrega completamente ao papel. Uma entrega física e emocional. O ator protagoniza cenas de nu e cenas ousadas de sexo. Mas o que impressiona mesmo é a composição do personagem. Brandon é um homem calado, introspectivo, tímido a ponto de mal conseguir estabelecer uma conversa em um primeiro encontro. Sob essa superfície, encontra-se um indivíduo completamente atormentado, capaz de ser cruel, sórdido, vulgar, mas também capaz de se emocionar ao ouvir a irmã cantar pela primeira vez. Em uma das mais belas cenas do filme (ver foto abaixo), em que Brandon pede a Sissy para ir embora, a voz de Fassbender, carregada de ódio, é tão violenta quanto as coisas que ele diz para sua frágil irmã, interpretada por Carey Mulligan. A atriz é o perfeito contraponto de Fassbender. Ela encarna com extrema vulnerabilidade e sensibilidade a sua personagem, um ser perdido e carente. E uma grata surpresa: ela canta muito bem.


Cena digna de Oscar em Shame
Infelizmente, Shame só estreará no Brasil no ano que vem. O filme está cotado para algumas categorias do Oscar, sendo um dos favoritos a de Melhor Ator. Steve McQueen confirma ser um cineasta relevante, interessante e seu estilo é ao mesmo tempo sofisticado e visceral. 



Pôster francês do filme



sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Zuzu Angel e sua cinebiografia

Título original: Zuzu Angel                        
Lançamento: 2006 
País: Brasil
Direção: Sergio Rezende
Atores: Patrícia Pillar, Daniel de Oliveira, Luana Piovani, Leandra Leal.
Duração: 110 min
Gênero: Drama



Zuzu Angel, ou Zuleika Angel Jones, nasceu em Curvelo, Minas Gerais, em 1921. Mudou-se ainda jovem para Belo Horizonte e morou por muito tempo na Bahia. Em 1947, se mudou para o Rio de Janeiro, onde se dedicou à costura. Nos anos 70, abriu sua loja em Ipanema, que veio a se tornar muito famosa. Suas roupas misturavam tecidos bem brasileiros, como a chita, e rendas, seda e outros materiais. Adepta de estampas, Zuzu fazia referência, em suas criações, ao folclore, à fauna e à flora do Brasil. Ela se tornou umas das estilistas nacionais mais famosas da época e suas roupas fizeram sucesso dentro e fora do país.

Mas não foi somente como estilista que Zuzu ficou conhecida. No início dos anos 70, seu filho, Stuart Jones, estudante de economia e militante político, foi torturado e assassinado pelo serviço de inteligência da Aeronáutica (CISA). A partir daí, começou a luta de Zuzu Angel contra a ditadura para tentar reaver o corpo do filho. Zuzu chamou a atenção de celebridades, do então secretário de estado norte-americano, organizou desfiles-protesto e comprou muitas brigas. Ela morreu em um misterioso acidente de carro, em 1976. A música, Angélica, é uma homenagem de Chico Buarque a ela. 

Zuzu Angel, longa-metragem brasileiro, foi dirigido por Sérgio Rezende, responsável por Lamarca (1994) e Guerra de Canudos (1997). O filme retrata a busca desesperada de Zuzu pelo corpo de seu filho. Como exemplar cinematográfico, o filme tem mais erros do que acertos. Ele falha em sua estrutura caótica (recheada de flashbacks), em seu tom exagerado e por vezes piegas, na trilha sonora excessivamente dramática e no trabalho irregular de seu elenco. O longa, no entanto, também apresenta qualidades. Algumas cenas são extremamente bem-feitas, como aquela em que Zuzu discursa no avião e a impactante cena da tortura nos porões da ditadura. Patrícia Pillar está excelente no papel-título, provando mais uma vez que é uma ótima atriz. 

Zuzu Angel é um filme que falho, mas comovente. A história da estilista brasileira merecia ser contada no cinema. A trajetória desta mãe merece sempre ser lembrada, afinal muitos filhos da Ditadura continuam desaparecidos. 



quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A Separação - 2011

Título original: Jodaeiye Nader az Simin
Lançamento: 2011 
País: Irã
Direção: Asghar Farhadi
Atores: Peyman Moaadi, Leila Hatami, Sareh Bayat, Shahab Hosseini.
Duração: 123 min
Gênero: Drama

Simin (Leila Hatami) e Nader (Peyman Moaadi)

É mágico quando um cineasta consegue captar em sua obra as incongruências e contradições humanas. É o que faz o iraniano Asghar Farhadi em seu belíssimo filme A Separação. Mas ele faz muito mais do que isso. O diretor e roteirista retrata, de uma maneira rara no cinema, o doloroso processo da separação de um casal. A intriga principal pode até parecer outra, mas o que assistimos, na verdade, é o esfacelamento de uma família, o desligamento gradual de duas pessoas que se amam, mas que não podem mais viver juntas. E mais: o filme mostra ainda o lugar da criança, do filho, a terceira e talvez mais frágil vítima da separação. Com tudo isso, Asghar Farhadi faz um dos melhores filmes do ano, candidato iraniano a uma  das cinco vagas na categoria de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar. 

Em A Separação, Simin (Leila Hatami) pede o divórcio ao marido, Nader (Peyman Moaadi), por ele se recusar a deixar o Irã e começar uma nova vida no exterior, junto com a filha, Termeh (Sarina Farhadi). Nader se justifica dizendo que não poderia deixar para trás o pai, que sofre de mal de Alzheimer. No entanto, ele não se opõe à partida da esposa, concedendo facilmente o divórcio, não permitindo, entretanto, que a mesma leve a filha. Simin não viaja, mas sai de casa e Nader e Termeh têm que se adaptar a uma nova realidade. Para cuidar do pai doente, Nader contrata Razieh (Sareh Bayat). Certo dia, Nader chega em casa e encontra seu pai caido no chão, com o braço amarrado na cama. Quando Razieh retorna, Nader é agressivo com ela e a põe pra fora do apartamento a força. Após sofrer um aborto que seria consequência da agressão, Razieh e seu intempestivo marido, Hodjat (Shahab Hosseini), prestam queixa contra Nader, virando a vida dele e de sua família de cabeça para baixo. 

O brilhante roteiro de Fahardi mostra o choque de duas famílias em crise. Simim, Nader e Termeh devem lidar com a nova configuração de suas vidas após o divórcio. Já Reziah e Hodja atravessam uma grave crise financeira, causa e consequência da instabilidade emocional deste último. Não existem bandidos, ou mocinhos, nem bons e ruins. Boas intenções também podem trazer o mal. Nenhum personagem é unidimensional, nenhum personagem pode ser rotulado. Assim, o filme reúne indivíduos que não podem se comunicar, que não podem se compreender, separados por um abismo. Eles se confrontam por egoísmo, por falta de compreensão, mas não por falta de humanidade. Os personagens de A Separação são imensamente humanos, imperfeitos, falhos, capazes dos maiores atos de bondade e de mesquinharia. 

Fahardi opta por uma câmera inquieta e viva que confere um realismo desconfortável às cenas. Por vezes, sentimos que estamos diante de um documentário, tamanho efeito de realismo promovido pelo diretor. A abordagem sensível e, ao mesmo tempo, a forma crua com que Fahardi pinta certas situações, como as cenas que se passam na delegacia, é uma combinação que se revela brilhante. A transformação da relação de Simin e Nader é metaforizada pelo primeiro e pelo último planos do longa-metragem. A primeira sequência mostra o casal diante do juiz e lança o contexto do filme. Apesar de estarem pedindo o divórcio, os dois personagens  encontram-se no mesmo recinto, lado a lado. Ainda há esperança, ainda há diálogo e comunicação. No último plano, os personagens já se encontram separados e em lados opostos do tela, em completo silêncio. É a ruptura total.

O elenco do filme é uma preciosidade. A começar por Peyman Moaadi que confere ao protagonista uma complexidade ímpar (este é apenas o segundo longa-metragem do ator). Nader é um personagem dúbio, suas atitudes são questionáveis, ele se revela por vezes fraco e covarde, outras vezes sua conduta é admirável. É belíssima a forma com a qual a relação dele com o pai (Ali-Asghar Shahbazi) e com a filha é retratada. E por falar em Termeh, sua intérprete, a jovem Sarina Farhadi, filha do diretor, oferece uma das melhores performances do filme. A atriz atua com a sensibilidade de uma veterana. Difícil não se comover com a performance de Sarina. Já a belíssima Leila Hatami, confere humanidade a uma personagem que poderia ser vista como a grande egoísta da trama. Simin vive a dor da rejeição do marido, que permitiu que ela se fosse. Sareh Bayat dá um show em cada cena, seu olhar é carregado de dor, de cansaço e de sofrimento. Por fim, Shahab Hosseini interpreta brilhantemente o instável, depressivo e perigoso Hodjat, conseguindo a proeza de não cair na caricatura do vilão. Se justiça houvesse, muitos desses atores maravilhosos seriam lembrados no Oscar, mas por se tratar de um filme não-americano as chances são quase nulas.

A Separação é um filme relevante, comovente e surpreendente. Esse belo drama familiar revela o olhar sensível, crítico e apaixonado de um cineasta fascinante sobre o ser humano e sobre as relações humanas. Não deixe de ver essa pérola do cinema iraniano!


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Filmes que a gente adora, mas com certa vergonha...


Dentre os filmes que você pode ver um milhão de vezes sem se cansar, há algum de gosto duvidoso? Você tem vergonha de admitir para as pessoas que certo filme está na lista dos seus favoritos? Existem produções, muitas vezes sem relevância cinematográfica nenhuma, obras formulaicas, cheias de clichês, bobas ou que a crítica é unânime em afirmar que ruim, mas que, mesmo assim, você adora? Não se puna. Você é humano e esse fenômeno acontece com todo mundo. Um filme pode nos conquistar por diversas razões, nem sempre relacionadas a sua qualidade. 

O Clube do Filme selecionou as produções que muita gente ama, mas tem vergonha de admitir. Primeiramente, fiz minha lista pessoal, depois selecionei alguns títulos de grande apelo popular, de acordo com uma pesquisa que realizei e depoimentos colhidos na internet.

Meus filmes:

1 -  Séries de paródia: Corra Que a Polícia Vem Aí (1988, 1991, 1994), Loucademia de polícia (1984, 1985, 1986, 1987, 1988, 1989, 1994) e Todo mundo em pânico (2000, 2001, 2003, 2006).

Meu professor de História do Cinema costumava dizer que filmes de paródia são as coisas mais abjetas do cinema. Mesmo assim, não contenho as gargalhadas com Leslie Nielsen em
Corra Que a Polícia Vem Aí. Fazer o que?!

2 - Esqueceram de mim 1 e 2 (1990, 1992)

Esqueceram de mim faz parte da infância de muita gente. Para mim, o filme remete a Natal e a macarronada. Outro dia, não resisti e revi a comédia no avião. Em alguns momentos, me pegava rindo super alto. Embaraçoso, não?

3 - Miss Simpatia (2000), Enquanto você dormia (1995) e outras comédias com Sandra Bullock.

Será que agora que Sandra Bullock tem um Oscar, pega menos mal admitir que eu adoro as comédias românticas da atriz?

4 - A Lagoa Azul (1980) e De volta a Lagoa Azul (1991)

Para falar a verdade, não sei bem qual que é qual, já que os dois filmes contam praticamente a mesma história. Mas adorava ver à tarde na televisão... Mas quando eu era novinho, ok?

5 - Filmes de pessoas que trocam de corpo: Se eu fosse você 1 e 2 (2006, 2009), Sexta-feira muito louca (2003) e outros.

A ideia já foi repetida inúmeras vezes, com algumas pequenas mudanças: mãe e filha que trocam de corpo, marido e esposa, homem e cachorro... Originalidade para quê, não é mesmo? O "problema" é que a maioria desses filmes me faz rir. 

6 - Filmes feitos para chorar: Titanic (1997), Love Story (1970), Um amor para recordar (2002) e outros...

Filmes cheios de sentimentalismo, que manipulam os sentimentos do espectador e nos quais desgraças se sucedem... Ok, eu assumo: choro (e muito). 

7 -  Musicais adolescentes, como: High School Musical (2006, 2007, 2008)

Esse é um dos mais difíceis de admitir. Já me defendo dizendo que os vi por livre espontânea pressão. No entanto, tem músicas que grudam na cabeça e esses adolescentes parecem tão felizes... Pudera, não têm preocupações, não estudam, só dançam e cantam.

8 - Filmes de homens que se vestem de mulher: As Branquelas (2004), Uma babá quase perfeita (1993), Tootsie (1982) e outros.

O que existe de tão engraçado em ver um homem se travestir de mulher? É um dos maiores clichês do cinema desde o clássico Quanto mais quente melhor (1959), mas ainda faz o povo rir (eu inclusive)...

 9 - Filmes de terror trash: The Evil Devil - A Morte do Demônio (1981), Uma Noite Alucinante (1987), Elvira  - A Rainha das trevas (1988), Gremlins (1984) e outros. 

Eu adoro esses filmes! Nem sei se tenho vergonha mais... Quando vi Uma Noite Alucinante pela primeira vez, era um susto, uma gargalhada, um susto, uma gargalhada e dá-lhe sangue verde e mão decepada voando!

10 - Minha mulher é uma extraterrestre (1988)

Pouca gente deve lembrar-se desse filme, mas quando eu era pequeno, adorava (tinha gravado em casa). É uma comédia que conta a história de uma mulher que vem do espaço para uma missão e se apaixona por um homem. O que não me esqueço é do ET/Olho bizarro que saía da bolsa da protagonista e que era, na verdade, o vilão do filme. Ah... eu adorava!

Filmes que muitas pessoas amam, mas sentem vergonha de admitir (ou deveriam sentir):

1 - A série Crepúsculo (2008, 2009, 2010, 2011)

Depois da minha lista-confissão, quem sou eu para julgar o mau gosto alheio, né? Mas, me pergunto como uma coisa tão ruim pode fazer tanto sucesso? Histórias de vampiro, no entanto, sempre exerceram fascínio sobre as pessoas...

2 - Vovó Zona 1, 2 e 3 (2000, 2006, 2011), O professor aloprado 1 e 2 (1996, 2000), Norbit (2007) e filmes do tipo.

Martin Lawrence e Eddie Murphy já nos legaram diversas pérolas e o cinema (não) agradece. 

3 - A série Harry Potter (2001, 2002, 2004, 2005, 2007, 2009, 2010, 2011)

Tudo bem que a série melhorou bastante no final (os dois últimos filmes são excelentes), mas ainda dá uma vergonhinha alheia quando alguém assume que é super fã, né?  Ou sou só eu?

4 - A série Jogos Mortais (2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 – isso mesmo, um por ano!)

A cada nova continuação que surge (e já são muitas!) os roteiristas nos provam que existe sempre uma nova maneira de torturar as pessoas. Criatividade para isso é que não falta. Daqui a pouco a tortura vai ser a assistir os sete filmes em sequência até os olhos sangrarem.

5 - Qualquer filme protagonizado por  Rob Shneider.

Outra sugestão de tortura para o próximo Jogos Mortais é fazer alguém assistir a filmografia completa de Rob Schneider. Tem gente, no entanto, que adora Gigolô Por Acidente (1999), Gigolô Europeu por Acidente (2005), Animal (2001), Garota veneno (2002) e outros. 

6 - Todas as continuações de Rambo (1982, 1985, 1988, 2008) e Rocky (1976, 1979, 1982, 1985, 1990, 2006).

Eu sou da opinião de que deveriam ter parado no primeiro.

7 - Sex and the city 1 e 2 (2008 e 2010)

Sex and the City era uma série boa, mas quando foi para o cinema...

8 -  Todos os filmes de Michael Bay: como Armageddon (1998), Pearl Habor (2001), Transformers 1, 2 e 3 (2007- 2011).

Michael Bay sabe ganhar dinheiro, só não sabe fazer cinema... No entanto, ele está podre de rico e continua fazendo filmes comerciais que a galera adora. Arte que nada, o bom é criar um monte de explosões!

9 - Filmes de destruição da Terra : Independence Day (1996), O dia depois de amanhã (2004), 2012 (2009) e outros.

Não satisfeito de destruir o planeta em seu quotidiano, o homem ainda faz questão de destruí-lo no cinema.

10 - Filmes de monstros gigantes: Anaconda (1997), Godzila (1998) e outros.

É mesmo divertido ver Jennifer Lopez fugindo de uma cobra gigante no meio da floresta amazônica, não tem como negar.

11 - Filmes de cachorros que falam ou filmes de cachorro simplesmente.

Adoro cachorro, mas não suporto filme de cachorro. Faz sentido? Só do tal do Beethoven foram feitos seis filmes!!! O cão tem a filmografia mais extensa que muito ator por aí.

12 - Musicais ruins: Dreamgirls (2006), Mamma Mia (2008) e Nine (2009).

Os dois primeiros são constrangedores, o último é um fracasso um pouco mais digno. Mas vai dizer a um fã de Abba que Mamma Mia (com Meryl Streep saltitante) é ruim?

13 - Alguns filmes baseados em quadrinhos como: O Quarteto Fantástico 1 e 2 (2005 e 2007), Batman e Robin (1997), Mulher Gato (2004), Homem- Aranha 3(2007).

Existem ótimos filmes baseados em histórias em quadrinhos, mas os citados acima são uma tristeza...

14 -  A série American Pie (1999, 2001, 2003)

Jovens americanos super excitados e sem-noção em situações vexatórias e escatológicas é uma mistura de sucesso, ao que parece.

15 - Filmes protagonizados por cantoras que não sabem atuar (e cantar, no caso da Britney): Glitter - O brilho de uma estrela (2001), Crossroads - Amigas Para Sempre (2002), De Justin para Kelly (2003). 

Infelizmente, o cinema teve que passar por essas três experiências traumáticas. Até hoje, ele não se recuperou totalmente.


16 - Filmes de monstros consagrados do cinema vs. outros montros famosos. Ex: Alien vs. Predador (2004)
Quem teve essa ideia é um gênio!


E você? Qual filme você adora mas tem receio de espalhar aos quatro ventos? Conte quais são seus guilty pleasures movies...


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