sexta-feira, 4 de novembro de 2011

As mulheres mais sexies do cinema - Parte III

O Clube do Filme finaliza sua lista das 51 personagens femininas mais sexies do cinema. Nesta última parte, elegemos as mulheres mais sensuais do cinema americano e inglês dos anos 60 até os anos 2000. Confira!

Parte III - Dos anos 60 até hoje...


1 - Honey (Ursula Andress)

3 - Bonnie Parker (Faye Dunaway)
2 - Diana Scott (Julie Christie)


















4 - Barbarella (Jane Fonda)
5 - Jenny Hanley (Bo Derek)


















7 - Emmeline (Brooke Shields)
6 - Ripley (Sigourney Weaver)



















8 - Matty Walker (Kathleen Turner)

9 -  Madison (Daryl Hannah)



















11 -  Jessica Rabbit (voz de Kathleen Turner)
10 - Elizabeth (Kim Basinger)



















12 - Vivian Ward (Julia Roberts)
13 - Catherine Tramell  (Sharon Stone)


15 - Tina Carlyle (Cameron Diaz)
14 - Catwoman / Selina Kyle (Michelle Pfeiffer)




















17 -  Elena (Catherine Zeta-Jones)

16 - Rose (Kate Winslet)


















18 - Mystique (Rebecca Romijn)

19 - Leticia Musgrove (Halle Berry)




20 - Satine (Nicole Kidman)

21 - Alice (Milla Jovovich)
22 - Alice (Natalie Portman)













23 - Jane Smith (Angelina Jolie)

1 - Ursula Andress como Honey em OO7 Contra o Satãnico Dr. No (1962), dirigido por Terence Young.

2 - Julie Christie como Diana Scott em Darling - A que amou demais (1965), dirigido por John Schlesinger.

3 - Faye Dunaway como Bonnie Parker em Bonnie e Clyde - Uma rajada de balas (1967), dirigido por Arthur Penn.

4 - Jane Fonda como Barbarella em Barbarella (1968), dirigido por Roger Vadin.

5 - Bo Derek como Jenny Hanley em Mulher nota 10 (1979), dirigido por Blake Edwards.

6 - Sigourney Weaver como Ripley em Allien - o oitavo passageiro (1979), dirigido por Ridley Scott.

7 - Brooke Shields como Emmeline em A Lagoa Azul (1980), dirigido por Randal Kleiser.

8 - Kathleen Turner como Matty Walker em Corpos Ardentes (1981), dirigido por Lawrence Kasdan.

9 - Daryl Hannah como Madison em Splash - Uma sereia em minha vida (1984), dirigido por Ron Howard.

10 - Kim Basinger como Elizabeth em 9 1/2 semanas de amor (1986), dirigido por Adrian Lyne.

11 - Kathleen Turner dubla Jessica Rabbit em Uma cilada para Roger Rabbit (1988), dirigido por Robert Zemeckis.

12 - Julia Roberts como Vivian Ward em Uma linda mulher (1990), dirigido por Garry Marshall.

13 - Sharon Stone como Catherine Tramell em Instinto selvagem (1992), dirigido por Paul Verhoeven.

14 - Michelle Pfeiffer como Mulher-Gato/Selina em Batman - O Retorno (1992), dirigido por Tim Burton.

15 - Cameron Diaz como Tina Carlyle em O Máskara (1994), dirigido por Chuck Russell.

16 - Kate Winslet como Rose em Titanic (1997), dirigido por James Cameron.

17 - Catherine Zeta-Jones como Elena em A máscara do Zorro (1998), dirigido por  Martin Campbell.

18 - Rebecca Romijn como Mística em X-Men: o Filme (2000), dirigido por Bryan Singer.

19 - Halle Berry como Leticia em A última ceia (2001), dirigido por Marc Forster.

20 - Nicole Kidman como Satine em Moulin Rouge (2001), dirigido por Baz Luhrmann.

21 - Milla Jovovich como Alice em Resident Evil - O hóspede maldito (2002), dirigido por Paul W.S. Anderson.


22 - Natalie Portman como Alice em Closer - Perto demais (2004), dirigido por Mike Nichols.

23 - Angelina Jolie como Jane Smith em Sr. & Sra. Smith (2005), dirigido por Doug Liman.



Relembre as outras 28 personagens:




quarta-feira, 2 de novembro de 2011

As mulheres mais sexies do cinema - Parte II

Continuando a empreitada de escolher as mulheres mais sexies do cinema, o Clube do Filme lança a Parte II de sua lista. Na Parte I, nos limitamos à Era de Ouro de Hollywood. Desta vez, selecionamos personagens interpretadas por atrizes de língua não-inglesa. 


Parte II - De Hollywood para o mundo...

1 -  Juliete Hardy (Brigitte Bardot)

3 -  Pupe (Romy Schneider)
2 - Sylvia (Anita Ekberg)



















4 -  Filumena Marturano (Sophia Loren)

5 - Séverine Serizy/Belle de Jour (Catherine Deneuve)

7 -  Maria Braun (Hanna Schygulla)


6 - Jill McBain (Claudia Cardinale)















9 - Sabina (Lena Olin)




8 - Gabriela (Sônia Braga)


  
10 - Rainha Margot (Isabelle Adjani)

   11 - Satanico Pandemonium (Salma Hayek)





12 - Malèna (Monica Bellucci)

14 - Imperadora Phoenix (Gong Li)
13 - Luisa (Maribel  Verdú)


                 
15 - Maria Elena (Penélope Cruz)


1 - A francesa Brigitte Bardot como Juliete Hardy no filme E Deus criou a mulher (1956), do diretor Roger Vadim.

2 - A sueca Anita Ekberg como Sylvia, no clássico italiano A Doce Vida (1960), de Federico Fellini. 

3 - A austríaca Romy Schneider como Pupe, em Boccaccio 70 (segmento "O trabalho", dirigido por Luchino Visconti).

4 - A italiana Sophia Loren como Filumena Marturano, na comédia dramática Matrimônio à Italiana (1964), de Vittorio De Sica. 

5 - A francesa Catherine Deneuve como Séverine Serizy/Belle de Jour, no inesquecível A Bela da Tarde (1967), de Luis Buñuel.

6 -  A tunisiana Claudia Cardinale como Jill McBain, no brilhante faroeste de Sérgio Leone, Era Uma Vez no Oeste (1968).

7 - A alemã/polonesa Hanna Schygulla como Maria Braun, no fantástico O casamento de Maria Braun (1979), de  Rainer Werner Fassbinder.

8 -A brasileira Sônia Braga como Gabriela, no filme Gabriela, Cravo e Canela (1983), de Bruno Barreto.

9 - A sueca Lena Olin como Sabina, no filme A insustentável Leveza do Ser (1988), de Philip Kaufman.

10 - A francesa Isabelle Adjani como Marguerite de Valois (ou Rainha Margot), no filme A Rainha Margot (1994), de Patrice Chéreau. 

11 - A mexicana Salma Hayek como Satanico Pandemonium, no filme Um drink no inferno (1996), de Robert Rodriguez.

12 - A italiana Monica Bellucci como Malèna, em Malèna (2000), de Giuseppe Tornatore.

13 - A espanhola Marbel Verdú como Luisa, em E sua mãe também (2001), de Alfonso Cuarón.

14 - A chinesa Gong Li como Imperadora Phoenix, no exuberante filme A Maldição da Flor Dourada (2006), de Yimou Zhang.

15 - A espanhola Penélope Cruz como Maria Elena, em Vicky Cristina Barcelona (2008), de Woody Allen. 


Parte1

Parte 3



segunda-feira, 31 de outubro de 2011

As mulheres mais sexies do cinema

O Clube do Filme homenageia, nesta semana, a sensualidade feminina no cinema. Selecionamos algumas personagens inesquecíveis, em grandes filmes, que são importantes  na filmografia de atrizes reconhecidas pelo talento, beleza e sex appeal

No post de hoje, elegemos as personagens mais sexies do cinema clássico hollywoodiano. Confira, opine e contribua com a nossa lista!


Parte I - A Era de Ouro de Hollywood

1 - Helen Jones (Marlene Dietrich)

3 - Poppea (Claudette Colbert)

2 - Grusinskaya (Greta Garbo)
5 - Laura Hunt (Gene Tierney)

4 - Rio McDonald (Jane Russell)
6 - Marie 'Slim' Browning (Lauren Bacall)
7 - Cora Smith (Lana Turner)

                 
8 - Gilda (Rita Hayworth)

9 - Maria Vargas (Ava Gardner)

10 - Carmen Jones (Dorothy Dandridge)
11 - The Girl (Marilyn Monroe)
               
12 - Frances Stevens (Grace Kelly)
13 - Maggie Pollit (Elizabeth Taylor)





















1 - Marlene Dietrich como Helen Jones, em Blonde Venus (1932), dirigida pelo genial Josef von Sternberg. 

2 - Greta Garbo como Grusinskaya, em Grande Hotel (1932), filme dirigido por Edmund Goulding. Neste clássico, a atriz imortalizou a frase "I want to be alone". 

3 - Claudette Colbert como Pompéia, em O Sinal da Cruz (1932), épico exuberante de Cecil B. DeMille. No filme, a atriz chega a mostrar parcialmente seus seios. Nesta época, ainda não vigorava a censura. 

4 - Jane Russell como Rio McDonald, em O proscrito (1943), dirigido por Howard Hughes. Os volumosos seios da atriz chamaram bastante atenção e a censura, já consolidada nesta época, fez vários embargos ao filme. 

5 - Gene Tierney como Laura Hunt, em Laura (1944), clássico de Otto Preminger. 

6 - Lauren Bacall como "Slim", em seu filme de estreia no cinema, Uma Aventura na Martinica (1944), de Howard Hawks. 

7 - Lana Turner como Cora Smith, em O destino bate à sua porta (1946), filme de Tay Garnett. 

8- Rita Hayworth como Gilda, em Gilda (1946), filme de Charles Vidor. Os cartazes do filme diziam "There never was a woman like Gilda!". 

9 - Ava Gardner como Maria Vargas em A Condessa Descalça (1954), filme de Joseph L. Mankiewicz.  

10 - Dorothy Dandridge como Carmen Jones, em Carmem Jones (1954), musical de Otto Preminger inspirado na ópera de Bizet. Dorothy Dandridge foi a primeira mulher negra a concorrer ao Oscar de Melhor Atriz, ela foi indicada por este papel. 

11 - Marilyn Monroe como The Girl, em O pecado mora ao lado (1955), comédia de Billy Wilder. A atriz também esbanja sensualidade em Os homens preferem as loiras (1953) e Quanto mais quente melhor (1959).

12 - Grace Kelly como Frances Stevens, em Ladrão de casaca (1955), filme de Alfred Hitchcock. 

13 - Elizabeth Taylor como Maggie Pollit, em Gata em teto de zinco quente (1958), adaptação da peça homônima de Tennessee Williams, dirigida por Richard Brooks. 


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Bob Dylan e sua cinebiografia

Título original: I'm Not There
Lançamento: 2007
País: EUA, Alemanha
Direção: Todd Haynes
Atores: Christian Bale, Marcus Carl Franklin, Richard Gere, Ben Whishaw, Cate Blanchett.
Duração: 135 min
Gênero: Drama



Bob Dylan é, provavelmente, o cantor/compositor americano mais celebrado de todos os tempos. Ele nasceu em 24 de maio de 1941, no estado de Minnesota, norte dos Estados Unidos. Nos anos 60, suas músicas viraram hinos antiguerra. Em 50 anos de carreira, Dylan explorou diversos estilos musicais: folk, blues, country, gospel, rock and roll, Irish folk music, jazz e swing. Muitas de suas letras são consideradas políticas, filosóficas e falam da vida em sociedade e de si mesmo. A revista Times o elegeu como uma das 100 pessoas mais importantes do século XX e a revista Rolling Stone o escolheu, em 2004, como o segundo maior artista de todos os tempos, atrás apenas dos Beatles. George Harrison afirmou, certa vez, que até mesmo a banda inglesa era fã de Dylan. A música mais famosa do compositor, "Like a Rolling Stone", foi eleita, por diversas vezes, a melhor de todos os tempos. Dylan, além de cantor e compositor, tem outros talentos: é pintor, poeta e já publicou vários livros, entre eles, sua autobiografia. [Confira a matéria da revista Rolling Stone que elegeu as 8 maiores canções de Bob Dylan]


Não estou lá é dirigido por Todd Haynes, responsável também pelo roteiro do longa, ao lado de Oren Moverman. O diretor americano tem no currículo os excelentes Safe (1995) e Longe do paraíso (2002), ambos estrelados por Julianne Moore. A cinebiografia de Bob Dylan idealizada por Haynes revela-se genial por não se contentar em retratar fatos importantes da vida do cantor e, sim, por tentar captar sua essência. Dessa forma, nada melhor do que múltiplos Dylan’s para representar um artista que se reinventou várias vezes e que passou por diversas fases em sua carreira. 


A missão de interpretar o gênio da música foi dividida entre seis atores, cada um representando uma fase e um estilo do cantor. Assim, as diversas facetas de Dylan são personificadas pelos famosos Christian Bale, Cate Blanchett, Heath Ledger e Richard Gere e pelos não tão conhecidos Marcus Carl Franklin e Ben Whishaw. Bale ilustra a fase engajada de Dylan. Ledger mostra o lado família do cantor e seu primeiro casamento. A Cate Blanchett cabe a fase em que o músico se dedicou a guitarra elétrica, período em que o artista era dependente de estimulantes. Gere interpreta um Dylan que quer fugir do sucesso. O garoto Franklin mostra as origens e as principais influências do artista. Por fim, Winshaw é o Dylan-poeta. Cada “personagem” tem um nome diferente, que de certa forma resume a personalidade retratada do artista, Billy the Kid (Gere) e Rimbaud (Winshaw) são dois dos “pseudônimos” atribuídos por Haynes. 


Além de utilizar vários atores, Haynes, auxiliado por seu excelente diretor de fotografia, também atribui um visual específico para cada fase do cantor. Temos, por exemplo, o preto-e-branco agressivo da fase “guitarra”, uma fotografia que lembra imagens de arquivo, na fase política, e, na fase que mostra a origem humilde do artista, uma fotografia que ressalta as cores da paisagem rural. Haynes ainda nos premia com várias metáforas visuais, como a cena em que Blanchett “metralha” seu público ou outra em que ela prende um repórter numa gaiola. 


O longa é ainda beneficiado por um trabalho de elenco primoroso. Dos ótimos Dylan’s o maior destaque é, sem dúvida, a versátil e surpreendente Cate Blanchett. O filme ainda conta com participações fantásticas de Charlotte Gainsbourg, Michelle Williams e Julianne Moore. Não estou lá é um exemplo de uma cinebiografia não convencional e, ao mesmo tempo, extremamente fiel. Sem tentar abarcar toda uma vida em poucas horas e sem querer ser didático, o filme consegue nos transportar para o mundo de Bob Dylan, nos fazendo vivenciar suas diversas facetas.




Bob Dylan

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Drive - 2011

Título original: Drive
Lançamento: 2011
País: EUA
Direção: Nicolas Winding Refn
Atores: Ryan Gosling, Carey Mulligan, Bryan Cranston, Albert Brooks.
Duração: 100 min
Gênero: Ação


Drive é o primeiro filme americano do cineasta dinamarquês Nicolas Winding Refn. O diretor de 41 anos, no entanto, não é nenhum estreante. Ele tem 8 longas-metragens no currículo, entre produções dinamarquesas e inglesas. A maioria de seus filmes são elogiados thrillers como Medo X (2003), Bronson (2008) e a trilogia Pusher (1996, 2004 e 2005).  O prêmio de Melhor Diretor em Cannes, recebido este ano por Drive, é o ponto alto de sua carreira. O respeitado prêmio deu visibilidade ao diretor, pouco conhecido até então.

Drive se passa em Los Angeles e conta a história de um habilidoso motorista que acumula trabalhos como dublê de filmes de ação, mecânico e ainda participa de assaltos. O motorista se apaixona por sua vizinha Irene, mulher casada com um presidiário. Enquanto o marido está na cadeia, ela e o filho se aproximam do vizinho, criando uma intensa relação de afeto entre os três. Quando o marido de Irene sai da prisão, o mundo do motorista vira de cabeça para baixo. 

O filme é centrado em um personagem que já nasce com uma aura mítica. O simples fato de o protagonista ser identificado pela sua função e não pelo seu nome, já constrói um mistério em torno de sua identidade. Sem passado e sem nome, Motorista já entra para a lista dos grandes personagens vividos pelo talentosíssimo Ryan Gosling. O ator canadense de 31 anos já nos presenteou com grandes atuações em Half Nelson (2006), Namorados para sempre (2010) e na pérola cinematográfica A garota Ideal (2007). Em Drive, sua atuação nos remete a alguns personagens vividos por Clint Eastwood em seus clássicos faroestes (o palito que Gosling leva na boca, acentua ainda mais essa aura de cowboy errante). Motorista é um homem de poucas palavras, de expressão sempre séria e com um talento impressionante para a violência. Muitas perguntas giram em torno de seu passado: Por que ele se mudou para Los Angeles? De onde veio toda a sua habilidade para a violência? Refn não se preocupa em respondê-las, o que faz com que o personagem soe ainda mais intrigante. 

Drive nos dá a impressão de ser um filme de outra época. A espetacular trilha sonora pop-eletrônica de Cliff Martinez, por exemplo, é a cara dos anos 80. A trama, por sua vez, parece ser inspirada em clássicos de ação como Bullit (1968) e Operação França (1971). Drive é um desses raros filmes que são muito mais do que uma história. Refn cria todo um universo ficcional para sua narrativa e o espectador se vê repentinamente inserido em uma atmosfera ao mesmo tempo estranha e familiar. O filme poderia muito bem ser definido como um conto de fadas moderno ou,  como um faroeste moderno, ou ainda, como um filme noir modernizado. Mas ele também poderia ser chamado de thriller retro, por que não? Essa é a mágica operada por Refn: fazer um filme único e indefinível, a partir de muitas referências e inspirações.

Fato é que Nicolas Winding Refn cria uma obra que já nasce com alma de clássico. Algumas cenas já soam imediatamente antológicas, como toda sequência inicial, a cena do assassinato de um personagem a beira-mar e aquela da perseguição após um assalto que não dá certo. E o que dizer do ótimo final? Devo confessar que minha cena preferida é a do beijo no elevador, um momento de um romantismo dramático que é seguido por um chocante ato de violência. Cena em que os dois extremos da personalidade do Motorista se revelam. Um primor de direção! Refn ainda se mostra genial, ao explorar tanto uma montagem rápida, quanto no uso da câmera lenta para aumentar a tensão.

Ryan Gosling está muito bem acompanhado em Drive. Além da adorável Carey Mulligan, temos os ótimos Bryan Cranston e Ron Perlman em papéis marcantes. Albert Brooks é um dos grandes destaques do filme, na pele de um personagem extremamente ambíguo e perigoso. Já o roteiro de Hossein Amini, baseado no livro James Sallis, merece aplausos por mesclar magistralmente romance e ação. 

Drive é um filme que valeria a pena apenas pela sua viciante trilha sonora. Mas ele ainda conta com uma bela história de amor e com um protagonista que mereceria toda uma série à la James Bond. 




segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Hunger - 2008

Título original: Hunger
Lançamento: 2008
País: Inglaterra
Direção: Steve McQueen
Atores: Larry Cowan, Liam Cunningham, Michael Fassbender, Stuart Graham
Duração: 90 min
Gênero: Drama

Importante cena de Hunger

Ah se todos os primeiros filmes de diretores fossem como Hunger! A estreia de Steve McQueen no cinema (não confundir com seu xará, o famoso ator americano que morreu nos anos 80) é visceral, arrasadora e, ao mesmo tempo, sofisticada e econômica. O longa-metragem é o resultado de um trabalho de direção inspirado, inteligente e que vem arejar a forma de se falar de História e de violência no cinema. Hunger, escrito por McQueen e por Enda Walsh, aborda o tumultuado ano de 1981 na Irlanda do Norte.  O filme focaliza a realidade carcerária de terroristas do grupo IRA, que lutavam para obter do governo inglês o status de presos políticos (que os diferenciariam dos outros criminosos). Para terem este e outros pedidos aceitos, os presos iniciaram uma greve de fome que causou a morte de nove homens. 


Ótimos filmes, como Em nome do Pai (1993) e Domingo Sangrento (2002), já retrataram a violenta guerra pelo poder na Irlanda do Norte, que é alimentada também pela rivalidade entre católicos e protestantes. [Entenda mais sobre a situação da Irlanda na matéria especial da Folha Online.] O diretor inglês, sem se mostrar partidário ou opositor, explora em seu filme a paixão política dos radicais membros do IRA, paixão esta que os move a comportamentos extremos. Steve McQueen atua de forma metonímica, ao se apropriar de um capítulo de uma história sangrenta que, ao mesmo tempo, nos dá toda a dimensão da gravidade de um conflito que é social, político, cultural e religioso.


O filme é metonímico também em sua estrutura e montagem. McQueen abusa dos planos-detalhes e dos closes para focalizar objetos, partes do corpo de seus personagens, marcas e detalhes. A estratégia  do diretor é reveladora de um olhar agudo sobre o ambiente carcerário, sobre o cotidiano dos presos e dos policiais e sobre os pequenos gestos que parecem preencher o vazio da vida na prisão. É interessante observar a forma com a qual o roteiro constrói sua narrativa, de maneira quase episódica, se interessando a personagens que são representativos de um grupo maior. Isso ocorre, por exemplo, com o policial mostrado no início da trama, um homem aparentemente normal, mas cuja rotina é invadida, a contragosto, pela violência e pelo medo. Os dois companheiros de cela focalizados, em um segundo momento, representam o grupo de jovens rebeldes, que obedecem, sem muita visão crítica, a uma liderança que está muito mais interessada na Causa do que em suas vidas. O discurso do poder dominante é representado pela voz-off de Margaret Thatcher, primeira-ministra britânica na época, que é inserida em momentos pontuais no filme.  


Finalmente, o filme chega a Bobby Sands (Michael Fassbender), figura central da história. Ele representa a própria liderança do movimento terrorista. Um homem de uma ideologia inabalável, que manifesta uma auto-entrega absurda à causa pela qual luta. Para ele, a própria vida e a vida dos seus companheiros são instrumentos que devem estar à disposição de algo maior. Por mais que suas atitudes sejam questionáveis, Bobby não deixa de ser admirável pela sua perseverança. Suas motivações são exploradas de maneira brilhante em um diálogo do personagem com o Padre, filmado em um plano sequência de aproximadamente 16 minutos. Brilhantemente escrita e interpretada, a cena atípica no filme, se destaca também por quebrar o silêncio que reina durante a maior parte do longa.


Steve McQueen compreende que o cinema é, sobretudo, imagético e poderia muito bem contar essa história sem a presença de diálogos. Tudo está nas imagens e na forma com que elas se sucedem. Na brilhante sequência de abertura, por exemplo, o diretor constrói toda a natureza de um personagem, mostrando também seu conflito, sem utilizar uma fala sequer. Sóbrio, McQueen foge do supérfluo, do drama fácil e do óbvio, criando uma história chocante, sem ser sensacionalista. As cenas de violência se destacam pelo seu realismo e pela entrega física dos atores. 


E por falar em entrega física, não devemos deixar de mencionar o assombroso Michael Fassbender (o astro do momento em Hollywood). O ator teve que passar por uma dieta extrema, controlada por médicos, para encarnar Bobby Sands. A transformação de Fassbender para o papel é impressionante. O ator germânico (de origem irlandesa) é uma das maiores revelações dos últimos anos e sua performance em Hunger o lançou ao estrelato. Depois deste filme, ele fez os grandes sucessos Bastardos Inglórios (2009) e X-Man: primeira classe (2011). O ator (premiado em Veneza este ano) repetirá a parceria com Steve McQueen no aguardado filme "Shame", que deve estrear ainda em 2011.


Hunger conta também com a belíssima fotografia de Sean Bobbitt. Mesmo se aproximando bastante do olhar objetivo de um documentário, o filme encontra espaço para cenas de puro lirismo, como aquela em que a imagem de Bobby se funde com a imagens de pássaros voando, já no final do longa. O filme de Steve McQueen parece indicar que uma bela carreira está começando. Seu segundo filme, Shame, já vem recebendo ótimas críticas. Estou ansioso!


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Alfred Kinsey e sua cinebiografia

Título original: Kinsey
Lançamento: 2004
País: EUA
Direção: Bill Condon
Atores: Liam Neeson, Laura Linney, Chris O'Donnell, Peter Sarsgaard.
Duração: 118 min
Gênero: Drama

Liam Neeson como Alfred Kinsey 

Alfred Kinsey era um biólogo americano, professor de entomologia e zoologia na Universidade de Indiana, nos Estados Unidos. Em 1947, ele fundou o Instituto para Pesquisa em Sexo, Gênero e Reprodução. É de sua autoria os famosos Kinsey Reports, dois livros sobre os comportamentos sexuais dos homens e das mulheres. Ele também criou a Escala Kinsey, uma tentativa de descrever a vida sexual de uma pessoa. A escala ia de 0 (exclusivamente heterossexual) a 6 (exclusivamente homossexual), além de um nível adicional “X”, para os assexuados. Os trabalhos de Kinsey eram extremamente controversos, mas foram fundamentais para o desenvolvimento do estudo da sexologia. Kinsey casou-se com Clara Bracken McMillen, em 1921, e teve quatro filhos com ela.

Os métodos de pesquisa de Kinsey nem sempre se limitavam a entrevistas e provaram não ser nada convencionais. Muitos afirmam que ele costumava participar de diversos atos sexuais para alimentar sua pesquisa. Dizem também que ele filmava relações sexuais e incentivava sua equipe a se envolver sexualmente com seus entrevistados, para ganhar a confiança dos mesmos. Denúncias afirmam que Kinsey adulterou diversas informações em sua pesquisa, além de ter tido diversas atitudes antiéticas. Nada pôde, no entanto, ser provado oficialmente. Ele morreu em 1956, aos 62 anos, devido a uma pneumonia.

O filme Kinsey – Vamos falar de sexo é escrito e dirigido por Bill Condon, que tem no currículo o ótimo Deuses e Monstros (1998) e o fraco Dreamgirls (2006). Ele também será o responsável pelos dois últimos filmes da saga teen Crepúsculo. Condon aborda o tema da sexualidade de uma maneira madura e natural, sem receios de tocar em temas tabus, como a homossexualidade. Assim, seu roteiro e direção são um espelho da própria atitude do protagonista diante do sexo. 

Kinsey é interpretado pelo sempre interessante Liam Neeson. O ator constrói um personagem intrigante: um cientista extremamente racional, objetivo, metódico e que vive para suas pesquisas. Apesar de lidar com a sexualidade humana, o personagem, muitas vezes, se vê incapaz de lidar com as pessoas à sua volta e com as emoções das mesmas. Outro grande destaque do elenco é a maravilhosa atriz Laura Linney, que interpreta a mulher do protagonista. Em uma atuação sensível, contida e emocionante, Linney faz de sua personagem uma parceira incondicional do marido, uma mulher com certa melancolia no olhar. A indicação ao Oscar foi mais do que merecida. 

Kinsey – Vamos falar de sexo é uma cinebiografia eficiente e muito interessante. O maior mérito fime é a forma franca e direta com a qual ele aborda a sexualidade humana, fazendo jus, portanto, ao biólogo que o inspirou.




O verdadeiro Alfred Kinsey




segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Histórias Cruzadas (2011)

Título original: The Help
Lançamento: 2011 
País: EUA
Direção: Tate Taylor
Atores: Emma Stone, Viola Davis, Bryce Dallas Howard, Octavia Spencer.
Duração: 137 min
Gênero: Drama

Octavia Spencer e Viola Davis: destaques de Vidas Cruzadas

Histórias Cruzadas foi produzido com um orçamento de "apenas" 25 milhões de dólares. Desde o seu lançamento nos cinema americanos, no dia 14 de agosto, até hoje, o filme arrecadou mais de 173 milhões de dólares. Líder de bilheteria por várias semanas consecutivas nos Estados Unidos, o segundo longa-metragem de Tate Taylor já pode ser considerado como um dos maiores sucessos hollywoodianos do ano. A popularidade do filme vem fazendo com que ele seja apontado por muitos como um dos favoritos ao próximo Oscar.

O filme é escrito e dirigido por um ilustre desconhecido. Tate Taylor é um jovem galã, que coleciona vários trabalhos como ator, sendo o último deles no excelente Inverno da Alma (2010). Taylor já trabalhou como produtor, roteirista e, antes de Vidas Cruzadas, havia dirigido apenas um longa-metragem, a comédia pouco conhecida Pretty Ugly People (2008). Esta havia feito pouco mais de 6 mil dólares de bilheteria nos Estados Unidos. (Que evolução, Sr. Taylor!)

Histórias Cruzadas é a adaptação de um best-seller de Kathryn Stockett, chamado The Help. O romance é o livro de estreia da escritora e chegou a ser recusado por 60 editores antes de finalmente ser publicado em 2009. O nome do filme em inglês, o mesmo do romance, foi pessimamente traduzido para o português por um título que mais parece nome de novela. Ironicamente, o longa acaba fazendo jus ao título brasileiro. O filme conta a história de uma aspirante a escritora e jornalista, Eugenia "Skeeter" Phelan (Emma Stone), que, em meados dos anos 60, decide colher e publicar diversos depoimentos de empregadas negras da sua cidade natal, Jackson, capital do Mississipi. Ambientado no sudeste dos Estados Unidos, região onde a discriminação racial era uma realidade ainda mais evidente, o filme retrata o período em que a luta pelos direitos civis (cujo grande ícone é Martin Luther King) começou a ganhar força.

Consciente do forte potencial dramático e do apelo emocional da história, Taylor não se contém e usa e abusa de clichês e do melodrama para tentar fazer o espectador chorar. O que  definitivamente é desnecessário! A trajetória das mulheres negras que continuam sendo tratadas como escravas por suas hipócritas senhoras brancas, é, por si só, tocante. O tratamento que Taylor dá à história acaba esbarrando aqui e ali na pieguice e derrapa de vez na parte final do filme. Seu roteiro é falho também por não construir uma história coesa. A princípio, o espectador é induzido a crer que Aibileen (Viola Davis) é a personagem central do filme, mas logo vemos uma acumulação de tramas e personagens com as quais o roteiro não sabe lidar. 

O mau agenciamento das diferentes tramas e subtramas do filme acaba fazendo com que ele soe mais longo do que o necessário, com suas 2h20. Taylor demonstra também inexperiência no uso do flashback (que ele parece adotar sem muito critério), o que torna a estrutura do filme um pouco irregular. O diretor aparentemente se divide entre criar uma narrativa episódica ou uma trama linear e acaba não fazendo nenhuma coisa, nem outra. Além disso, a inclusão de um interesse amoroso para Skeeter (Emma Stone) revela-se completamente supérflua. O romance não convence e não precisaria constar no filme, mesmo que constasse na obra original.

Dito isso, é difícil não se deixar envolver pelo filme ou não se emocionar, pelo menos uma vez, durante a projeção de Histórias Cruzadas. Mesmo com claros problemas em sua narrativa, o filme torna-se adorável pela qualidade excepcional de seu elenco. Se Tate Taylor demonstra inexperiência em certos aspectos, ele se revela um ótimo diretor de atores. O filme é dominado por grandes atuações femininas. Viola Davis, que já havia arrasado com a penas uma cena em Dúvida, comprova seu imenso talento ao fazer de Aibileen uma personagem que carrega a dor no olhar e que parece chorar mesmo quando não está. Algumas cenas da atriz, como a sequência final, seriam suficientes para uma indicação ao Oscar. Octávia Spencer dá um show em cada cena que aparece, assumindo o papel mais cômico do longa. A jovem Emma Stone esbanja carisma e Bryce Dallas Howard está irreconhecível como a vilã do filme, em uma atuação impressionante. Jessica Chastain que já havia feito um ótimo trabalho em A árvore da vida (2011) prova sua versatilidade e é, sem dúvida, uma das maiores revelações de 2011. Já a veterana Allison Janney, vem se especializando em papéis de mãe e brilha em suas cenas. O filme ainda se dá ao luxo de usar a participação especial da maravilhosa Sissy Spacek.

Histórias Cruzadas
é uma comédia (melo)dramática que não deixa de ser adorável, mesmo com seus tropeços. Isso se deve aos personagens humanos e encantadores que povoam sua narrativa. Destacando-se ainda pela caprichada direção de arte e figurino, o filme é uma coleção de grandes performances, embalada por uma história emocionante.