Título original: Drive
Lançamento: 2011
País: EUA
Direção: Nicolas Winding Refn
Atores: Ryan Gosling, Carey Mulligan, Bryan Cranston, Albert Brooks.
Duração: 100 min
Drive é o primeiro filme americano do cineasta dinamarquês Nicolas Winding Refn. O diretor de 41 anos, no entanto, não é nenhum estreante. Ele tem 8 longas-metragens no currículo, entre produções dinamarquesas e inglesas. A maioria de seus filmes são elogiados thrillers como Medo X (2003), Bronson (2008) e a trilogia Pusher (1996, 2004 e 2005). O prêmio de Melhor Diretor em Cannes, recebido este ano por Drive, é o ponto alto de sua carreira. O respeitado prêmio deu visibilidade ao diretor, pouco conhecido até então.
Drive se passa em Los Angeles e conta a história de um habilidoso motorista que acumula trabalhos como dublê de filmes de ação, mecânico e ainda participa de assaltos. O motorista se apaixona por sua vizinha Irene, mulher casada com um presidiário. Enquanto o marido está na cadeia, ela e o filho se aproximam do vizinho, criando uma intensa relação de afeto entre os três. Quando o marido de Irene sai da prisão, o mundo do motorista vira de cabeça para baixo.
O filme é centrado em um personagem que já nasce com uma aura mítica. O simples fato de o protagonista ser identificado pela sua função e não pelo seu nome, já constrói um mistério em torno de sua identidade. Sem passado e sem nome, Motorista já entra para a lista dos grandes personagens vividos pelo talentosíssimo Ryan Gosling. O ator canadense de 31 anos já nos presenteou com grandes atuações em Half Nelson (2006), Namorados para sempre (2010) e na pérola cinematográfica A garota Ideal (2007). Em Drive, sua atuação nos remete a alguns personagens vividos por Clint Eastwood em seus clássicos faroestes (o palito que Gosling leva na boca, acentua ainda mais essa aura de cowboy errante). Motorista é um homem de poucas palavras, de expressão sempre séria e com um talento impressionante para a violência. Muitas perguntas giram em torno de seu passado: Por que ele se mudou para Los Angeles? De onde veio toda a sua habilidade para a violência? Refn não se preocupa em respondê-las, o que faz com que o personagem soe ainda mais intrigante.
Drive nos dá a impressão de ser um filme de outra época. A espetacular trilha sonora pop-eletrônica de Cliff Martinez, por exemplo, é a cara dos anos 80. A trama, por sua vez, parece ser inspirada em clássicos de ação como Bullit (1968) e Operação França (1971). Drive é um desses raros filmes que são muito mais do que uma história. Refn cria todo um universo ficcional para sua narrativa e o espectador se vê repentinamente inserido em uma atmosfera ao mesmo tempo estranha e familiar. O filme poderia muito bem ser definido como um conto de fadas moderno ou, como um faroeste moderno, ou ainda, como um filme noir modernizado. Mas ele também poderia ser chamado de thriller retro, por que não? Essa é a mágica operada por Refn: fazer um filme único e indefinível, a partir de muitas referências e inspirações.
Fato é que Nicolas Winding Refn cria uma obra que já nasce com alma de clássico. Algumas cenas já soam imediatamente antológicas, como toda sequência inicial, a cena do assassinato de um personagem a beira-mar e aquela da perseguição após um assalto que não dá certo. E o que dizer do ótimo final? Devo confessar que minha cena preferida é a do beijo no elevador, um momento de um romantismo dramático que é seguido por um chocante ato de violência. Cena em que os dois extremos da personalidade do Motorista se revelam. Um primor de direção! Refn ainda se mostra genial, ao explorar tanto uma montagem rápida, quanto no uso da câmera lenta para aumentar a tensão.
Ryan Gosling está muito bem acompanhado em Drive. Além da adorável Carey Mulligan, temos os ótimos Bryan Cranston e Ron Perlman em papéis marcantes. Albert Brooks é um dos grandes destaques do filme, na pele de um personagem extremamente ambíguo e perigoso. Já o roteiro de Hossein Amini, baseado no livro James Sallis, merece aplausos por mesclar magistralmente romance e ação.
Drive é um filme que valeria a pena apenas pela sua viciante trilha sonora. Mas ele ainda conta com uma bela história de amor e com um protagonista que mereceria toda uma série à la James Bond.
























