sábado, 1 de outubro de 2011

Alice no País das Maravilhas (1951) e a Cena do Dia: O Julgamento

Nesta semana o Clube do Filme homenageou a animação Alice no País das Maravilhas. A última Cena do Dia corresponde ao clímax da história quando a doce Alice será julgada pelo "atentado" contra a Rainha de Copas. A moça passa maus bocados ao chegar ao reino habitado por cartas de baralho, principalmente por causa da temperamental Rainha que dá sinais de precisar urgentemente de um Lexotan. A frase preferida da megera é "Cortem as cabeças!". Por sorte, o minúsculo rei sugere um julgamento. A cena, que é cheia de emoções e reviravoltas, introduz o fim da trama. A maneira magistral com que a animação compõe a furiosa rainha, com sua grande boca e seu corpanzil, é um show a parte. 



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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Alice no País das Maravilhas (1951) e a Cena do Dia: Encontrando o Mestre Gato

Uma das figuras mais célebres de Alice no Pais das Maravilhas (filme homenageado da semana) é o Mestre Gato. A Cena do Dia mostra justamente o encontro de Alice com o bichano mais estranho do cinema (confesso que tinha medo dele quando criança). Com seu sorriso lunar, seus poderes "mágicos" e seu humor peculiar, Mestre Gato é capaz de aprontar muita coisa só para se divertir. A cena de apresentação do gato com certeza é um show a parte (e o que dizer do mantra impronunciável que ele entoa?). Divirta-se com o encontro e o diálogo entre os dois personagens!

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Howard Hughes e sua cinebiografia

Título original: The Aviator
Lançamento: 2004
País: EUA
Direção: Martin Scorsese
Atores: Leonardo DiCaprio, Kate Beckinsale, John C. Reilly, Alec Baldwin, Cate Blanchett
Duração: 168 min
Gênero: Drama



Howard Hughes se notabilizou por diversos motivos: por seu trabalho como produtor e diretor de cinema, por seu exímio talento de aviador e por ser considerado, por muito tempo, um dos homens mais ricos do mundo. Hughes nasceu em 1905, no Texas, estado norte-americano. Sua carreira de produtor começou no final dos anos 20. Suas primeiras produções foram sucessos comerciais, com destaque para Dois Cavaleiros Árabes (1927), que ganhou o Oscar de Melhor Diretor (para Lewis Milestone). Hughes também produziu um grande clássico do cinema, o filme Scarface - A Vergonha de uma Nação (1932).

Em 1930, ele dirigiu seu primeiro filme, chamado Anjos do Inferno, com a bela Jean Harlow no papel principal. Nele, Hughes pôde reunir sua paixão pela aviação e seu amor pelo cinema. Durante a filmagem deste longa, aviadores profissionais se recusaram a fazer uma manobra arriscada em uma cena do filme. Não é para menos: três pilotos já haviam morrido nas filmagens. Hughes então decidiu fazer a manobra ele mesmo. Apesar de ter batido o avião, Hughes conseguiu filmar o que queria e sair são e salvo. Anjos do inferno, custou quase 4 milhões de dólares, sendo o filme mais caro a ser realizado até então. A produção não obteve nenhum lucro em seu lançamento. O segundo filme dirigido por Hughes, O proscrito (1943) teve inúmeros problemas com a censura, especialmente pela atenção que o filme dava ao busto da atriz Jane Russell (Hughes chegou a fabricar um soutien especial para atriz).

Hughes tem seu nome gravado na história da aviação: ele foi responsável pela quebra inúmeros recordes de velocidade. O milionário chegou a ter sua própria companhia aérea. Hughes também se tornou famoso por sua vida pessoal. Ele namorou ou teve affairs com muitas atrizes da Era de Ouro de Hollywood. Entre elas: Bette Davis, Ava Gardner, Olivia de Havilland, Katharine Hepburn, Ginger Rogers e Gene Tierney. Hughes morreu em 1976, aos 70 anos, a bordo de um avião (como não poderia deixar de ser). Sua morte foi decorrência de uma falência dos rins e desnutrição. Ao fim de sua vida, ele vivia recluso. Hughes sofria de Transtorno Obsessivo-Compulsivo, cujos sintomas começaram a se fazer visíveis no início dos anos 30. 

A cinebiografia de Howard Hughes foi transposta para a telona por um dos maiores cineastas da atualidade, o grande Martin Scorsese. Scorsese é mestre em contar histórias de personagens “marginais” ou problemáticos. Muitos deles foram interpretados pelo seu maior astro, Robert de Niro. O diretor americano encontrou no jovem Leonardo DiCaprio, um novo protagonista e com ele já acumula diversos trabalhos, inclusive este O aviador. A estrela de Titanic (1997) não decepciona ao encarnar Hughes, com grande energia e sensibilidade. Versátil, perfeccionista, louco, brilhante, todas essas características estão presentes no Howard Hughes de Scorsese. O personagem vai adquirindo aos poucos contornos trágicos, já que passamos a ter acesso ao seu mundo de fobias, paranóias e compulsões, pulsões que ele não pode controlar.  E DiCaprio está impecável ao mostrar a gradativa decadência de seu personagem, ainda mais se levarmos em conta, o fato de ator ter de retratá-lo em diversas fases. 

Mas não é só de Leonardo DiCaprio que vive o longa. As atuações de Alan Alda, John C. Reilly, Noah Dietrich e de Cate Blanchett dão ainda mais brilho ao filme. Blanchett, em particular, faz um trabalho muito interessante e meticuloso ao interpretar a grande Katharine Hepburn. Por esta atuação, a atriz ganhou o Oscar de  atriz coadjuvante. Não se saindo tão bem quanto Blanchett, Kate Beckinsale não faz jus à diva Ava Gardner, numa atuação bem apagada. 

Um dos maiores êxitos do filme é sua fotografia (de Robert Richardson), direção de arte e figurino que, fenomenais, conseguem recriar a Hollywood dos anos 30 e 40. O preciosismo técnico de Scorsese faz com que o filme seja esteticamente deslumbrante. Além disso, Scorsese parece ter aproveitado a oportunidade de viver aquela época de ouro no cinema e nesse sentido, o filme não deixa de ser uma aula sobre uma parte importante da história da sétima arte. O roteiro de John Logan se vira muito bem ao contar mais de 30 anos de história, sem fazer com o filme torne-se muito episódico ou cansativo

Apesar de não se equiparar às melhores obras de Scorsese (Taxi Driver, O touro indomável, Os bons companheiros), O aviador é uma excelente cinebiografia, que com certeza está à altura do homem que a inspirou. 


quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Alice no País das Maravilhas (1951) e a Cena do Dia: Festa de Desaniversário

Nesta semana o Clube do Filme homenageia Alice no País das Maravilhas, a animação de 1951. A segunda cena da semana é, sem dúvida, uma das mais divertidas do longa. Que criança não gostaria de ter uma festa de (des)aniversário todo dia? Por que comemorar somente a data de nascimento, sendo que existem mais 364 dias no ano? Lewis Carroll brinca com tudo isso e institui a Festa de Desaniversário. A Cena do Dia mostra Alice chegando no meio de uma dessas comemorações, encontrando o Chapeleiro Maluco (com a sua charmosa língua presa), a Lebre de Março e o Dormidongo (ligeiramente esquizofrênico), todos viciados em chá. Detalhe: a canção de desaniversário gruda mais na cabeça que o próprio "Parabéns pra você". Alice, mais uma vez, se vê numa situação completamente insana e, pelo comportamento dos três anfitriões, só nos resta perguntar: "O que tem nesse chá?".


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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Alice no País das Maravilhas (1951) - A Foca e o Carpinteiro

O Clube do Filme homenageia, essa semana, a animação sexagenária Alice no Pais das Maravilhas. A versão de 1951 de Walt Disney para o clássico de Lewis Carroll tem um lugar especial em minha memória afetiva. A animação consegue captar magistralmente a essência da obra do grande escritor inglês, com uma criatividade impressionante, brincando com os desenhos, assim como Carroll brincava com as palavras. O filme, que é a combinação dos livros "Alice no País das Maravilhas" e "Alice no País do espelho", demorou mais de dez anos para ser concluído e, apesar de não ter sido um sucesso de bilheteria, foi visto, quase instantaneamente, como um filme cult. Divertido, inventivo, recheado de ótimas canções, deliciosamente insano e por, vezes assustador, o filme permanece sendo a melhor referência cinematográfica para a obra de Carroll (que me perdoe Tim Burton). Vale ainda destacar a belíssima dublagem em português!

A Cena do Dia corresponde à fábula da Foca e do Carpinteiro (ou a História das Ostras Furiosas). A história é contada, ou melhor, cantada, por dois gêmeos bizarros que atravessam o caminho de Alice. Eles se chamam Tweedledum e Tweedledee (ambos retirados de Alice no Pais do Espelho). Impressionantemente triste e impiedosa, a fábula veicula uma visão realista e crítica do mundo. 

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Tweedledum e Tweedledee (ou vice-versa)
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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Harvey Milk e sua cinebiografia

Título original: Milk
Lançamento: 2008
País: EUA
Direção: Gus Van Sant
Atores: Sean Penn, Emile Hirsch, Josh Brolin, Diego Luna.
Duração: 128 min
Gênero: Drama

 Sean Penn e Harvey Milk


Harvey Milk foi o primeiro político assumidamente homossexual a ser eleito para um cargo público nos Estados Unidos. Milk nasceu em 1930 em Nova Iorque e se mudou para São Francisco em 1972, mais especificamente para o distrito Castro, habitado por uma grande comunidade gay. Antes de ser eleito membro do San Francisco Board of Supervisors, em 1977, ele concorreu três vezes ao cargo de supervisor sem obter sucesso. Harvey Milk ficou conhecido por sua luta pelos direitos LGBT e é considerado o mais importante e influente político gay eleito nos Estados Unidos. Ele foi assassinado em 1978, após 11 meses de trabalho, por um ex-colega, Dan White. 

White manifestava oposição a diversos posicionamentos de Milk e de outros colegas. Após abandonar o cargo de supervisor, Dan White passou a querer recuperá-lo. Após a recusa do prefeito Moscone, ele cometeu um duplo assassinato à queima roupa. O prefeito e Milk foram encontrados mortos em seus gabinetes. O último se tornou um “mártir da causa gay” e White o homem mais odiado de São Francisco. Após um julgamento controverso, o executor foi indiciado a  apenas cinco anos de prisão. Após dois anos preso, ele foi libertado e cometeu suicídio. 

Milk – A voz da igualdade retrata a vida de Milk (Sean Penn) a partir dos 40 anos, momento em que ele assume sua homossexualidade e se muda para o distrito Castro com seu namorado, o jovem Scott Smith (James Franco). Juntos, eles abrem uma loja na famosa Rua Castro, que se tornaria o grande palco da luta pelos direitos gays em São Francisco. Logo, Milk viraria líder da comunidade, decidindo concorrer ao posto de “supervisor” do Estado (que equivale ao cargo de vereador no Brasil). Após três tentativas, ele é eleito. 

Gus Van Sant optou por iniciar seu longa com imagens de arquivo referentes ao assassinato de Harvey Milk e do prefeito Moscone. Essa, no entanto, não é a única vez que o diretor opta por utilizar imagens reais durante o filme. Ele faz, inteligentemente, uso deste artifício ao mostrar Anita Bryant, uma personagem importante da trama, apenas em imagens recuperadas, transformando-a em uma figura ainda mais temível.  O uso de cenas de arquivo aproxima o filme de um documentário e é essencial para o tom de realismo trágico que Sant deseja transmitir. Tais imagens provocam um impacto ainda maior para o espectador, por lembrar-nos incisivamente que a história realmente aconteceu. A partir da revelação das mortes, segue-se um longo flashback que mostra a trajetória de Milk até o momento do assassinato.

O talentoso Sean Penn presenteia o espectador com mais uma de suas memoráveis performances. Ele nos faz esquecer completamente seus trabalhos anteriores. Sua composição para o personagem é extremamente rica, sutil e convincente. Sem apelar para o estereótipo ou para o exagero, Penn constrói um personagem cativante, cujos trejeitos são naturais e espontâneos. Ele modifica até mesmo a forma de falar, com um tom de voz levemente anasalado. O ator ganhou seu segundo Oscar por esta atuação em Milk. Josh Brolin, que interpreta Dan White, consegue passar toda a complexidade de seu personagem, numa atuação que foge do estereótipo do vilão. Ele constrói um antagonista humano, inseguro e, de certa forma, patético. Além de Penn e Brolin, o filme ainda conta com ótimas participações de James Franco, Diego Luna e Emile Hirsh.

Gus Van Sant já provou seu talento em filmes como Elefante (2003), Últimos Dias (2005), Gênio Indomável (1997) e Um sonho sem imites (1995). Milk – A voz da igualdade já pode ser considerada uma de suas melhores obras. O longa de 2008 não é somente um ótimo drama biográfico, mas também uma obra relevante que denuncia um tipo de intolerância e discriminação que, infelizmente, ainda existe. Além disso, é uma grande homenagem a importante ativista gay, que foi também um exemplo de perseverança e coragem. 

 Assista ao trailer:




quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Missão: Madrinha de casamento - 2011

Título original: Bridesmaids
Lançamento: 2011
País: Estados Unidos
Direção: Paul Feig
Atores: Kristen Wiig, Maya Rudolph, Terry Crews, Matt Lucas, Melissa McCarthy.
Duração: 125 min
Gênero: Comédia

Cartaz de Missão: madrinha de casamento, uma das comédias mais vistas nos EUA em 2011

O programa televisivo Saturday Night Live lançou ao estrelato ótimos comediantes que se tornaram também estrelas do cinema.  O programa conta com mais de 30 anos de existência e é responsável pela constante renovação do humor nos EUA. Estrelas como Will Ferrell, Mike Myers, Chevy Chase, Dan Aykroyd, entre outros, surgiram no Saturday Night Live. A última década do show nos presenteou com quatro das melhores comediantes americanas da atualidade: Tina Fey, Amy Poehler, Kristen Wiig e Maya Rudolph. As duas últimas estrelam a comédia Missão: Madrinha de casamento, do diretor Paul Feig, que tem no currículo a comédia Ligeiramente grávidos (2007). 

O filme conta a história de Annie (Kristen Wiig) uma divertida "quarentona" que atravessa uma má fase: seu projeto profissional fracassou e sua vida amorosa caiu em ruínas. A moça, que passou a trabalhar como atendente de loja, foi escolhida para ser a "primeira" madrinha de sua melhor amiga, Lilian (Maya Rudolph). Ela não esperava, no entanto, ter uma concorrência pesada pelo posto. A rival de Annie, Helen (Rose Byrne), é linda, elegante, rica e faz de tudo para ocupar o lugar da protagonista  tanto na vida de Lilian, quanto nos preparativos da cerimônia. Em meio às crises pré-casamento e outros problemas, as coisas vão ficando cada vez mais complicadas para Annie.

Apesar de escrita por 2 mulheres (Kristen Wiig e Annie Mumolo), ter 80% do seu elenco formado também por mulheres e focalizar o mundo feminino,  a comédia é capaz de atingir o publico masculino que também dará boas risadas. Isso porque o roteiro acerta em cheio ao mostrar, de forma bem-humorada, situações ridículas pelas quais qualquer pessoa pode passar e sentimentos que todo mundo experimenta pelo menos uma vez na vida. Assim, é fácil de se identificar com Annie, por exemplo, quando ela se sente desconfortável ao ver a melhor amiga falando carinhosamente ao telefone com o noivo. E não é de se espantar este desconforto, já que a protagonista atravessa um momento oposto ao da noiva e, por mais que ela esteja feliz pela amiga, o sucesso alheio lhe faz lembrar seu próprio fracasso. É inevitável não se ver no lugar da personagem, em outras situações, como quando, morrendo de ciúmes de Lilian, ela não consegue disfarçar seu desprezo por Helen, já no primeiro encontro. 

Com um olhar inteligente e bem-humorado sobre a vida moderna, o longa aborda importantes questões: o que é necessário para que uma pessoa se sinta realizada?  E o que fazer quando nada parece dar certo? Mas, Missão: madrinha de casamento consegue ser divertido não apenas por sua capacidade de fazer humor com preocupações e problemas da vida real, mas também graças a sua carismática e desastrada protagonista. É impossível não sentir compaixão e simpatia pela personagem que atravessa uma verdadeira via crucis durante todo o filme, bem de acordo com a filosofia "o que está ruim, pode piorar". Logo no início da trama, por exemplo, a moça tem que ouvir a seguinte frase de um "ficante", após uma tórrida noite de amor: "Eu realmente quero que você vá embora, mas eu não sei como te pedir isso sem parecer um idiota". Com um carisma que muito lembra o de suas ex-colegas Tina Fey e Amy Poehler e um timing cômico delicioso, Kristen Wiig faz de Annie a maior atração do filme.

Falando de atuação, deve-se enfatizar que a comédia se destaca, sobretudo, pela qualidade de seu elenco. Além do desempenho formidável de Wiig, temos ótimas participações de Maya Rudolph, Wendi McLendon-Covey e Chris O'Dowd. Rose Byrne constrói uma antagonista à altura de Wiig e se sai extremamente bem, interpretando uma personagem que amamos odiar. Uma grata e deliciosa surpresa é Melissa McCarthy, que interpreta Megan, uma das personagens mais divertidas do longa. Melissa acabou de ganhar o prêmio de Melhor Atriz no Emmy, pela série Mike e Molly.

Apesar de desapontar um pouco na parte final, Missão: madrinha de casamento é uma comédia divertida,  atual e com excelentes tiradas. A fórmula pode até parecer, em alguns momentos, repetitiva ou previsível, mas o longa consegue superar várias outras comédias atuais por ser efetivamente engraçado, sem soar completamente imbecilizante ou apelativo. O filme tem estreia prevista no Brasil  para amanhã, 23 de setembro. Cheque nos cinemas de sua cidade!

Assista ao trailer:


terça-feira, 20 de setembro de 2011

Cena do Dia - E o vento levou... (1939)

Para comemorar o dia do meu aniversário, escolhi um dos meus filmes favoritos. Trata-se  do clássico produzido pelo genial David O. Selznick e baseado no best-seller de Margareth Mitchell: E o vento levou. O longa de quase quatro horas de duração, já apareceu nessa seção. A cena de hoje é uma das mais eloquentes do épico e marca o fim da primeira parte do filme. Nela, a (anti)heroína Scarlett O'Hara (vivida pela fenomenal Vivien Leigh) jura que nunca mais passará fome, nem que para isso tenha que cometer os mais abomináveis crimes. E não é que a moça comete todos que cita? Ela rouba, mente, trai e até mata. A sequência é engrandecida pela fotografia magistral de Ernest Haller, pelo design de produção de William Cameron Menzies (um dos grandes "autores" do filme) e pela trilha sonora densa e inesquecível de Max Steiner. Relembre esta cena e aprecie um dos momentos mais mágicos do cinema. 


I'LL NEVER BE HUNGRY AGAIN!!!










 

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Cena do Dia - Elvira, a Rainha das Trevas (1988)

Elvira, a Rainha das Trevas (1988) é um clássico trash. O filme conta a história de uma bruxa sedutora que se muda para uma cidadezinha super conservadora da Nova Inglaterra, onde escandaliza os moradores locais com seus hábitos extravagantes e provoca muitas confusões. A Cena do Dia é antológica e dispensa comentários. Basta dizer que Cassandra Peterson mostra provavelmente seu maior dote artístico e fecha o longa com chave-de-ouro.

Clique aqui e assista à cena. (Para quem não sabe exatamente o que é ser trash, eis a melhor definição)


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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Erin Brockovich e sua cinebiografia

Título original: Erin Brockovich
Lançamento: 2000
País: EUA
Direção: Steven Soderbergh
Atores: Julia Roberts, Albert Finney, Aaron Eckhart, Marg Helgenberger.
Duração: 145 min
Gênero: Drama

Erin Brockovich: a original

Erin Brockovich nasceu em 22 de junho de 1960, na cidade de Lawrence (Kansas) no centro-oeste dos Estados Unidos. Ex-miss Pacific Coast, Erin ganhou notoriedade pela sua preciosa contribuição no processo contra a poderosa companhia americana de gás e eletricidade, a PG&E, em 1993. Um importante detalhe é que Erin não tinha nenhuma formação em Direito na época. Atualmente, ela é a presidente da firma de consultoria Brockovich Research & Consulting. Ela também trabalha como consultora na Girardi & Keese, Weitz & Luxenberg e na Shine Lawyers. A também ativista ambiental já apresentou os programas Challenge America with Erin Brockovich e Final Justice na televisão americana.

O filme Erin Brockovich – Uma mulher de talento foi dirigido por Steven Soderbergh, que tem no currículo Sexo, mentira e videotapes (1989), Traffic (2000) e Onze homens e um segredo (2001). Baseado no famoso processo contra a PG&E, o filme conta a história de uma mulher comum, Erin, que, após perder um processo envolvendo uma batida de carro, acaba indo trabalhar com o advogado que a defendeu, Ed Masry (Albert Finney). Trabalhando na firma de advocacia, ela descobre documentos médicos arquivados que levavam à suspeita de uma contaminação dos lençóis freáticos de um lugarejo dos Estados Unidos, chamado Hinkley. Com a permissão de Marsry, ela se dedica à investigação, angariando provas contra a companhia PG&E.

O roteiro de Susannah Grant cria uma narrativa que consegue ser eletrizante, divertida e, em muitos momentos, emocionante, contando ainda com diálogos afiados.  Ainda que aqui e ali, o filme faça uso artifícios clichês, como a heroicização da personagem e previsíveis conflitos amorosos, ele se destaca por ser extremamente envolvente. O filme foi indicado a cinco Oscar’s: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original, Melhor Ator Coadjuvante (Albert Finney) e Melhor Atriz (Julia Roberts). Apenas Roberts saiu vitoriosa.

Julia Roberts é a alma do filme. Ela tem uma das melhores atuações da sua carreira, interpretando uma personagem verborrágica, vulgar, sedutora e inteligente. Roberts está excelente ao interpretar uma mulher comum, tão distante do glamour associado à estrela na vida real. O filme de Soderbergh parece ser feito para fazer a atriz brilhar. Ao lado de Roberts, o grande Albert Finney faz um ótimo trabalho, demonstrando uma ótima química com a atriz. O filme ainda conta com a ótima participação de Marg Helgenberger e um carismático Aaron Eckhart.

Erin Brockovich – Uma mulher de talento é um excelente drama biográfico e uma ótima oportunidade de conhecer a história de uma mulher comum que conseguiu se tornar uma heroína nacional, além de uma profissional de sucesso, ao fazer a coisa certa: ajudar as pessoas.

Julia Roberts como Erin