segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Cena do Dia - Kill Bill vol. 2

Kill Bill vol. 1 já foi citado algumas vezes na Cena do Dia. Já era a hora de Kill Bill vol. 2 aparecer por aqui. Nesta continuação, a Noiva vai atrás dos três últimos inimigos que ela pretende matar: Budd, Elle e Bill. A Cena do Dia mostra o aguardado confronto entre a Noiva (Uma Thurman) e Elle (Daryl Hannah). O embate das musas é super violento, com direito a vôos, golpes marciais, tentativa de afogamento no vaso, olho arrancado e uma quebradeira total do trailer. E as duas atrizes se superam, ambas com performances fenomenais! Tarantino não alivia em nada e faz uma das sequências de luta mais longas e violentas do cinema. Destaque para a ótima frase de efeito pronunciada pela Noiva: “Bitch, you don’t have a future!”

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Melancolia (2011)

Título original: Melancholia
Lançamento: 2011
País: Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Suécia 
Direção: Lars von Trier 
Atores: Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Kiefer Sutherland, Charlotte Rampling. 
Duração: 130 min 
Gênero: Drama/Ficção Científica




Lars Von Trier é conhecido por ser um dos cineastas mais pessimistas do cinema contemporâneo. Sua falta de fé na humanidade, ou melhor, sua consciência de que o ser humano é capaz das maiores atrocidades por motivos torpes ou obscuros se faz presente em boa parte de sua filmografia. Dito isso, Melancolia é o filme menos cruel do diretor. Apesar de narrar uma situação extrema, o fim do mundo, o diretor parece adotar um olhar mais complacente com o ser humano.

Melancolia
é dividido em duas partes, cada uma com o nome de uma das protagonistas: Justine (Kirsten Dunst) e Claire (Charlotte Gainsbourg). A primeira parte focaliza a festa de casamento de Justine, já a segunda, mostra a aproximação do planeta Melancholia que, ao que tudo indica, se chocará com a Terra. Assim como ocorreu em seu penúltimo filme, Lars Von Trier opta por iniciar sua narrativa com um prólogo que mostra imagens extremamente líricas em câmera lentíssima.

Dotados de uma plasticidade maravilhosa, esses planos iniciais se assemelham a pinturas e são carregados de simbologias.  Assim, os planos que mostram as raízes que prendem Justine ao solo e a mesma boiando em um rio (como a louca Ofélia de Hamlet), vestida de noiva, indicam a dificuldade da personagem em se entregar a uma nova etapa de sua vida, assim como sua resistência ao casamento. Impressiona também a fisionomia de Kirsten Dunst, impassível e obviamente melancólica. Coincidentemente, o prólogo de Melancolia carrega certa semelhança com a longa sequência que aborda a natureza, em A árvore da vida (2011).

Filmado em uma linda região da Suécia, o longa se passa basicamente em um belo e gigantesco château onde moram Claire, o marido e o filho. Na primeira parte do filme, vemos uma exuberante festa de casamento se transformar gradualmente em um pesadelo. Justine nos é apresentada como uma figura doce e feliz e, pouco a pouco, vemos essa máscara de felicidade desaparecer e sua personalidade depressiva vir à tona. Durante a festa, torna-se claro que Justine faz parte de uma família disfuncional, com um pai ausente e mulherengo, uma mãe amarga e uma irmã superprotetora. A personalidade melancólica de Justine revela ser um problema para família já que todos têm dificuldade de lidar com a mesma e insistem em perguntar se ela está feliz.

A segunda parte, ainda mais dramática, focaliza o medo e o desespero de Claire com a aproximação do planeta Melancholia e a possibilidade da colisão com a Terra. O tema do fim do mundo já foi tratado algumas vezes no cinema, mas provavelmente nunca de maneira tão dolorosamente realista. Assim, vemos a impotência do homem perante o incontrolável, a dor que vem do medo, a passagem lenta do tempo e a expectativa da morte. Além de ter que lidar com o próprio medo, Claire deve lidar com a prostração de Justine. É interessante observar, no entanto, que pouco a pouco esta se torna mais forte, como se toda sua melancolia fizesse finalmente sentido com a aproximação do fim do mundo.

Além de uma bela fotografia devidamente sombria e da maravilhosa trilha sonora, Melancolia é engrandecido com ótimas performances. Kirsten Dust tem seu melhor desempenho no cinema. Ela consegue comunicar a tristeza e dor de sua personagem apenas com o olhar. A talentosa Charlotte Gainsbourg também está excelente, repetindo a boa parceria com Lars Von Trier, com quem fez também Anticristo (2009). Kiefer Sutherland, Charlotte Rampling, John Hurt, Alexander Skarsgård e Stellan Skarsgård tem ótimas participações.

Melancolia
é mais uma grande obra de um dos cineastas mais controversos e interessantes da atualidade. Apesar de não ser tão intenso quanto Ondas do Destino (1996), tão violento quanto Dogville (2003) e tão ultrajante como Dançando no Escuro (2000), o novo filme de Lars Von Trier é uma fábula maravilhosa sobre a melancolia.


Assista ao trailer:

Cena do Dia - Elizabeth (1998)


Elizabeth, drama biográfico que mostra os primeiros anos de reinado da Rainha Elizabeth I, foi dirigido por Shekhar Kapur e lançou ao estrelato a atriz australiana Cate Blanchett. O longa concorreu a 7 Oscar’s e Cate Blanchett perdeu injustamente sua estatueta para Gwyneth Paltrow (por Shakespeare Apaixonado)Cena do Dia mostra a dança entre a rainha e seu amante e, logo após, o momento em que Elizabeth (Cate Blanchett) deixa claro a Robert (Joseph Fiennes) que ela não será submissa a ele. Nessa cena, podemos ver os sentimentos conflitantes da personagem que ama e sente ciúmes de Robert, mas que não pode permitir que nenhum homem pense que a possui. A cena termina com chave-de-ouro quando a rainha afirma para quem quiser ouvir: “Eu terei um amante aqui, mas nenhum mestre!”

Assista à cena:



quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Cena do Dia - Thelma & Louise (1991)

Em Thelma & Louise, uma garçonete e uma dona de casa assassinam um homem e passam a fugir da polícia, em uma viagem que mudará suas vidas. Este road movie foi dirigido por Ridley Scott e estrelado por Susan Sarandon e Geena Davis (as duas concorreram ao Oscar). O filme se tornou marcante por mostrar duas mulheres como foras-da-lei, cometendo crimes e tomando as rédeas das próprias vidas, rumo à liberdade. A Cena do Dia mostra a saborosa vingança das protagonistas contra um caminhoneiro importuno e assanhado que as assediou na estrada.

Assista à cena:



quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Cena do Dia - Kill Bill vol. 1

Quentin Tarantino se inspirou em filmes de artes marciais chineses e japoneses dos anos 60 e 70 e no western spaghetti, que tem como maior representante o cineasta Sergio Leone, para realizar Kill Bill vol.1. O filme é recheado de ação e de cenas de luta muito bem coreografadas e extremamente sangrentas. O filme conta a história de uma mulher, a Noiva (Uma Thurman), que foi atacada por um bando de assassinos no dia do seu casamento e que fica por anos em coma. Ela finalmente acorda e planeja a vingança de cada um dos ex-membros do grupo assassino. A Cena do Dia mostra o confronto entre a Noiva e a jovem Gogo Yubari. A direção de Tarantino revela-se extremamente elegante e ágil.

Assista à cena:

http://www.youtube.com/watch?v=VKQNkcSGFes


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Rio - 2011

Título original: Rio
Lançamento: 2011 
País: EUA
Direção: Carlos Saldanha
Atores: Jesse Eisenberg, Anne Hathaway, Rodrigo Santoro, Jamie Foxx.
Duração: 96 min
Gênero: Animação

Um espetáculo visual a serviço do clichê

Carlos Saldanha foi co-diretor do filme A Era do Gelo e diretor dos dois filmes seguintes da série. Neste ano, o brasileiro lançou Rio, um sucesso de bilheteria. O filme conta a história de um filhote de arara azul, chamado Blu, que é contrabandeado para os Estados Unidos e lá encontra uma adorável menina, Linda, que se torna sua dona. 15 anos depois, um ornitólogo brasileiro o encontra e sugere que Linda o leve ao Brasil para que Blu possa se acasalar com Jade, uma fêmea da mesma espécie. Esse acasalamento se faz necessário já que a ave está em extinção. Completamente domesticado, Blu não sabe voar e terá certa dificuldade em conquistar sua pretendente.

Apesar de ser carioca, Carlos Saldanha parece enxergar a cidade maravilhosa como um turista estrangeiro que não consegue ver muito além dos estereótipos. Com o argumento do próprio Saldanha e escrito a quatro mãos (Don Rhymer, Joshua Sternin, Jeffrey Ventimilia e Sam Harper), o roteiro é, sem dúvida, o maior problema do filme. Tal problema torna-se previsível quando verificamos o currículo nada impressionante dos roteiristas (responsáveis pela série Vovó Zona e os longas Sobrevivendo ao Natal, O Agente Teen 2, além de outras bombas). 


O roteiro incrivelmente bobo cria figuras como um guarda que é travesti, um cão babão que se fantasia de Carmen Miranda, um ornitólogo completamente idiotizado e macacos que roubam turistas. Além desses, temos como vilão uma cacatua malévola chamada Nigel, cujas motivações nunca são efetivamente exploradas. O filme raramente consegue soar engraçado e quando o consegue, isso se deve muito mais a gags visuais do que a uma piada bem elaborada. Além disso, a construção da narrativa não é particularmente empolgante para um filme de aventura, já que o filme cai sempre no lugar-comum.

Os protagonistas Blu e Jade, assim como os passarinhos coadjuvantes Nico e Pedro, são as figuras mais interessantes da animação. Tais personagens são beneficiados pelas dublagens inspiradas de Jesse Eisenberg, Anne Hathaway, Will i Am  e Jamie Foxx. Deve-se destacar também que, visualmente, o filme é um espetáculo, contando com um belo design de produção e uma fotografia que abusa de cores fortes. É interessante observar o calor exalado pelo filme em contraste à estética glacial dos filmes anteriores de Saldanha. Outro destaque é a trilha sonora animada de John Powell que contou com o auxílio dos brasileiros Sérgio Mendes e Carlinhos Brown. Os números musicais do longa também não deixam a desejar, apesar de não serem particularmente marcantes.

Rio apresenta alguns momentos interessantes. Vale destacar aquele em que o menino Fernando senta no alto de um barracão, no morro, com vista para a baía da Guanabara. Outra cena interessante é aquela em que Blu e Jade andam de bondinho, enquanto Nico e Pedro tentam criar um clima romântico para que finalmente ocorra o primeiro beijo entre o casal. Também merece elogios a mensagem ecológica que o filme veicula, denunciando a venda animais silvestres. O filme, no entanto, não deixa de ser um acúmulo de estereótipos e clichês sobre o Rio de Janeiro, se assemelhando a um material publicitário para turistas. Por fim, o filme não tem o humor delicioso presente na série A Era do Gelo, assim como personagens tão encantadores e divertidos como Manny, Sid, Diego e o esquilo Scratte. 


 Assista ao trailer:




Cena do Dia - Uma linda mulher (1990)

O romântico Uma linda mulher ocupa um lugar especial no coração de muita gente. O filme dirigido por Garry Marshall fez de Julia Roberts uma estrela de primeira grandeza em Hollywood. Detalhe: ela não era, nem de longe, a primeira opção para o papel.  Uma linda mulher é um conto de fadas moderno sobre o envolvimento de uma prostituta, Vivian, com um executivo bem-sucedido, Edward. A Cena do Dia mostra a ida do casal para a ópera. Eles irão assistir justamente La traviata que conta o caso de amor entre uma cortesã e um jovem rico. Não é por acaso que Vivian se emociona tanto. Logo no início da cena, Richard Gere oferece um colar para que Roberts use e, quando ela vai pegá-lo, ele fecha a caixa. O gesto foi improvisado pelo ator e a reação de susto de Julia foi tão espontânea e engraçadinha que o diretor resolveu manter a cena. 
 
Assista à cena:





segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Cena do Dia - Dogville (2003)

Inspirado pelo meu post anterior, continuarei falando de Dogville (2003). A Cena do Dia é o final catártico do filme (contém spoilers). Após Grace (Nicole Kidman) comer o pão que o diabo amassou, ela tem, finalmente, a oportunidade de experimentar o agridoce sabor da vingança. Grace, filha na verdade de um poderoso gângster, acaba por compreender que a crueldade de Dogville só pode ser contida com a dizimação de todos os habitantes daquele lugar. Após o reencontro e a reconciliação com o pai, ela ordena então o massacre. Este acerto de contas é uma das cenas mais fortes do filme, já recheado de outras tantas. Após uma experência emocional muito forte, o espectador, que sofre com Grace, não pode deixar de sentir certo prazer com a morte dos algozes da protagonista. Será esta a pegadinha de Lars Von Trier: fazer com que desejemos a violência, nos igualando aos monstruosos moradores de Dogville? É justo responder à violência com mais violência? Grace teria outra opção? A humanidade é fatalmente corrompida? Não há maneira de salvá-la? O final do filme nos deixa com essas e muitas outras interrogações. Dirigida magistralmente por Trier e com um desempenho maravilhoso de Kidman, esta cena é uma das mais interessantes e polêmicas do cinema contemporâneo.

Esta fala de Grace ao matador é impressionante:

"Existe uma família com crianças. Matem as crianças antes e faça a mãe olhar. Diga que vai parar se ela conseguir segurar as lágrimas. Eu devo isso a ela. [o matador sai] Temo que ela chore muito facilmente (irônica)."

Assista à cena:



http://www.youtube.com/watch?v=gLu-m0tohKs&feature=related



Minha primeira crítica - Dogville (2003)

Em uma daquelas arrumações radicais, que de vez em quando a gente se propõe a fazer, encontrei um caderno que continha o que pode ser considerada a minha primeira crítica cinematográfica. Tinha quase 16 anos quando a escrevi. Ela foi inspirada pelo impacto que o filme Dogville (2003), de Lars Von Trier, teve sobre mim. A descoberta deste texto me foi muito grata e mesmo emocionante. Na época, apesar de já ser um cinéfilo convicto, não tinha a pretensão de ser crítico. Compartilho esse texto com vocês:

Há filmes que vemos e logo esquecemos e outros que nos marcam para a vida inteira. Isto é o que se pode dizer de Dogville que conta com a direção poderosa e ousada de Lars Von Trier. O filme, já à primeira vista, apresenta uma inovação estética, pois todo cenário é composto apenas por riscos no chão e alguns objetos e móveis. Esse "detalhe" gera um grande estranhamento, além de tornar a obra muito mais teatral. Os diálogos e atuações ganham, assim, mais importância e a "ausência" de cenário deixa muita coisa por conta da nossa imaginação.

Nicole Kidman interpreta Grace, bela moça, que, fugindo de gângsteres, acaba parando em um Dogville, pequeno lugarejo. Para ser aceita e não ser denunciada, Grace deve prestar inúmeros favores aos moradores, que logo passam a explorá-la. A narração é feita por John Hurt, que consegue, com uma pitada de ironia, desvendar a alma dos moradores, nos confidenciando suas fraquezas e seus segredos.

O elenco é primoroso, mas o maior destaque é mesmo Kidman que com todo seu talento e carisma, faz com que nos importemos com o destino de Grace e soframos com ela. E por falar em sofrer, Lars Von Trier está se tornando mestre em "torturar" o espectador. Depois de nos fazer derramar rios de lágrimas no belo Dançando no escuro, dessa vez ele nos aterroriza com a crueldade humana, representada pelos atos dos moradores de Dogville.

Dogville é um retrato pessimista, mas talvez realista da natureza humana. Intenso, assustador e comovente, o filme é uma das obras mais interessantes que o cinema nos proporcionou nos últimos anos.

Texto escrito em 2004.

sábado, 27 de agosto de 2011

Novo endereço - Clube do Filme agora no Portal Uai

Clube do Filme agora também no Portal Uai

Caros leitores,

É com alegria que anuncio que o Clube do Filme será veiculado também em outro endereço:


O blog de cinema para cinéfilos agora também faz parte do Portal Uai

Criado em janeiro de 2011, o Clube do Filme foi idealizado para ser um espaço de crítica cinematográfica, informação e entretenimento. Ele não deixa de ser, no entanto, o diário apaixonado de um cinéfilo. Em quase oito meses, foram mais de 100 posts e mais de 21.000 visitas. Abordando produções atuais, assim como filmes de outras épocas e múltiplas nacionalidades, o Clube do Filme procura desempenhar o papel de uma enciclopédia viva da sétima arte, um clube virtual sempre em construção. 

Atenção: o endereço no blogspot continua existindo normalmente. 

Grande abraço, 

Leonardo Alexander
Cinéfilo, Blogueiro e Crítico de Cinema