Em Thelma & Louise, uma garçonete e uma dona de casa assassinam um homem e passam a fugir da polícia, em uma viagem que mudará suas vidas. Este road movie foi dirigido por Ridley Scott e estrelado por Susan Sarandon e Geena Davis (as duas concorreram ao Oscar). O filme se tornou marcante por mostrar duas mulheres como foras-da-lei, cometendo crimes e tomando as rédeas das próprias vidas, rumo à liberdade. A Cena do Diamostra a saborosa vingança das protagonistas contra um caminhoneiro importuno e assanhado que as assediou na estrada.
Quentin Tarantino se inspirou em filmes de artes marciais chineses e japoneses dos anos 60 e 70 e no western spaghetti, que tem como maior representante o cineasta Sergio Leone, para realizar Kill Bill vol.1.O filmeé recheado de ação e de cenas de luta muito bem coreografadas e extremamente sangrentas. O filme conta a história de uma mulher, a Noiva (Uma Thurman), que foi atacada por um bando de assassinos no dia do seu casamento e que fica por anos em coma. Ela finalmente acorda e planeja a vingança de cada um dos ex-membros do grupo assassino. A Cena do Dia mostra o confronto entre a Noiva e a jovem Gogo Yubari. A direção de Tarantino revela-se extremamente elegante e ágil.
Atores: Jesse Eisenberg, Anne Hathaway, Rodrigo Santoro, Jamie Foxx.
Duração: 96 min
Gênero: Animação
Um espetáculo visual a serviço do clichê
Carlos Saldanha foi co-diretor do filme A Era do Gelo e diretor dos dois filmes seguintes da série. Neste ano, o brasileiro lançou Rio, um sucesso de bilheteria. O filme conta a história de um filhote de arara azul, chamado Blu, que é contrabandeado para os Estados Unidos e lá encontra uma adorável menina, Linda, que se torna sua dona. 15 anos depois, um ornitólogo brasileiro o encontra e sugere que Linda o leve ao Brasil para que Blu possa se acasalar com Jade, uma fêmea da mesma espécie. Esse acasalamento se faz necessário já que a ave está em extinção. Completamente domesticado, Blu não sabe voar e terá certa dificuldade em conquistar sua pretendente.
Apesar de ser carioca, Carlos Saldanha parece enxergar a cidade maravilhosa como um turista estrangeiro que não consegue ver muito além dos estereótipos. Com o argumento do próprio Saldanha e escrito a quatro mãos (Don Rhymer, Joshua Sternin, Jeffrey Ventimilia e Sam Harper), o roteiro é, sem dúvida, o maior problema do filme. Tal problema torna-se previsível quando verificamos o currículo nada impressionante dos roteiristas (responsáveis pela série Vovó Zona e os longas Sobrevivendo ao Natal, O Agente Teen 2, além de outras bombas).
O roteiro incrivelmente bobo cria figuras como um guarda que é travesti, um cão babão que se fantasia de Carmen Miranda, um ornitólogo completamente idiotizado e macacos que roubam turistas. Além desses, temos como vilão uma cacatua malévola chamada Nigel, cujas motivações nunca são efetivamente exploradas. O filme raramente consegue soar engraçado e quando o consegue, isso se deve muito mais a gags visuais do que a uma piada bem elaborada. Além disso, a construção da narrativa não é particularmente empolgante para um filme de aventura, já que o filme cai sempre no lugar-comum.
Os protagonistas Blu e Jade, assim como os passarinhos coadjuvantes Nico e Pedro, são as figuras mais interessantes da animação. Tais personagens são beneficiados pelas dublagens inspiradas de Jesse Eisenberg, Anne Hathaway, Will i Am e Jamie Foxx. Deve-se destacar também que, visualmente, o filme é um espetáculo, contando com um belo design de produção e uma fotografia que abusa de cores fortes. É interessante observar o calor exalado pelo filme em contraste à estética glacial dos filmes anteriores de Saldanha. Outro destaque é a trilha sonora animada de John Powell que contou com o auxílio dos brasileiros Sérgio Mendes e Carlinhos Brown. Os números musicais do longa também não deixam a desejar, apesar de não serem particularmente marcantes.
Rio apresenta alguns momentos interessantes. Vale destacar aquele em que o menino Fernando senta no alto de um barracão, no morro, com vista para a baía da Guanabara. Outra cena interessante é aquela em que Blu e Jade andam de bondinho, enquanto Nico e Pedro tentam criar um clima romântico para que finalmente ocorra o primeiro beijo entre o casal. Também merece elogios a mensagem ecológica que o filme veicula, denunciando a venda animais silvestres. O filme, no entanto, não deixa de ser um acúmulo de estereótipos e clichês sobre o Rio de Janeiro, se assemelhando a um material publicitário para turistas. Por fim, o filme não tem o humor delicioso presente na série A Era do Gelo, assim como personagens tão encantadores e divertidos como Manny, Sid, Diego e o esquilo Scratte.
O romântico Uma linda mulher ocupa um lugar especial no coração de muita gente. O filme dirigido por Garry Marshall fez de Julia Roberts uma estrela de primeira grandeza em Hollywood. Detalhe: ela não era, nem de longe, a primeira opção para o papel.Uma linda mulher é um conto de fadas moderno sobre o envolvimento de uma prostituta, Vivian, com um executivo bem-sucedido, Edward. A Cena do Dia mostra a ida do casal para a ópera. Eles irão assistir justamente La traviata que conta o caso de amor entre uma cortesã e um jovem rico. Não é por acaso que Vivian se emociona tanto. Logo no início da cena, Richard Gere oferece um colar para que Roberts use e, quando ela vai pegá-lo, ele fecha a caixa. O gesto foi improvisado pelo ator e a reação de susto de Julia foi tão espontânea e engraçadinha que o diretor resolveu manter a cena.
Inspirado pelo meu post anterior, continuarei falando de Dogville (2003). A Cena do Dia é o final catártico do filme (contém spoilers). Após Grace (Nicole Kidman) comer o pão que o diabo amassou, ela tem, finalmente, a oportunidade de experimentar o agridoce sabor da vingança. Grace, filha na verdade de um poderoso gângster, acaba por compreender que a crueldade de Dogville só pode ser contida com a dizimação de todos os habitantes daquele lugar. Após o reencontro e a reconciliação com o pai, ela ordena então o massacre. Este acerto de contas é uma das cenas mais fortes do filme, já recheado de outras tantas. Após uma experência emocional muito forte, o espectador, que sofre com Grace, não pode deixar de sentir certo prazer com a morte dos algozes da protagonista. Será esta a pegadinha de Lars Von Trier: fazer com que desejemos a violência, nos igualando aos monstruosos moradores de Dogville? É justo responder à violência com mais violência? Grace teria outra opção? A humanidade é fatalmente corrompida? Não há maneira de salvá-la? O final do filme nos deixa com essas e muitas outras interrogações. Dirigida magistralmente por Trier e com um desempenho maravilhoso de Kidman, esta cena é uma das mais interessantes e polêmicas do cinema contemporâneo.
Esta fala de Grace ao matador é impressionante:
"Existe uma família com crianças. Matem as crianças antes e faça a mãe olhar. Diga que vai parar se ela conseguir segurar as lágrimas. Eu devo isso a ela. [o matador sai] Temo que ela chore muito facilmente (irônica)."
Em uma daquelas arrumações radicais, que de vez em quando a gente se propõe a fazer, encontrei um caderno que continha o que pode ser considerada a minha primeira crítica cinematográfica. Tinha quase 16 anos quando a escrevi. Ela foi inspirada pelo impacto que o filme Dogville (2003), de Lars Von Trier, teve sobre mim. A descoberta deste texto me foi muito grata e mesmo emocionante. Na época, apesar de já ser um cinéfilo convicto, não tinha a pretensão de ser crítico. Compartilho esse texto com vocês:
Há filmes que vemos e logo esquecemos e outros que nos marcam para a vida inteira. Isto é o que se pode dizer de Dogville que conta com a direção poderosa e ousada de Lars Von Trier. O filme, já à primeira vista, apresenta uma inovação estética, pois todo cenário é composto apenas por riscos no chão e alguns objetos e móveis. Esse "detalhe" gera um grande estranhamento, além de tornar a obra muito mais teatral. Os diálogos e atuações ganham, assim, mais importância e a "ausência" de cenário deixa muita coisa por conta da nossa imaginação.
Nicole Kidman interpreta Grace, bela moça, que, fugindo de gângsteres, acaba parando em um Dogville, pequeno lugarejo. Para ser aceita e não ser denunciada, Grace deve prestar inúmeros favores aos moradores, que logo passam a explorá-la. A narração é feita por John Hurt, que consegue, com uma pitada de ironia, desvendar a alma dos moradores, nos confidenciando suas fraquezas e seus segredos.
O elenco é primoroso, mas o maior destaque é mesmo Kidman que com todo seu talento e carisma, faz com que nos importemos com o destino de Grace e soframos com ela. E por falar em sofrer, Lars Von Trier está se tornando mestre em "torturar" o espectador. Depois de nos fazer derramar rios de lágrimas no belo Dançando no escuro, dessa vez ele nos aterroriza com a crueldade humana, representada pelos atos dos moradores de Dogville.
Dogville é um retrato pessimista, mas talvez realista da natureza humana. Intenso, assustador e comovente, o filme é uma das obras mais interessantes que o cinema nos proporcionou nos últimos anos.
Texto escrito em 2004.
O blog de cinema para cinéfilos agora também faz parte do Portal Uai.
Criado em janeiro de 2011, o Clube do Filme foi idealizado para ser um espaço de crítica cinematográfica, informação e entretenimento. Ele não deixa de ser, no entanto, o diário apaixonado de um cinéfilo. Em quase oito meses, foram mais de 100 posts e mais de 21.000 visitas. Abordando produções atuais, assim como filmes de outras épocas e múltiplas nacionalidades, o Clube do Filme procura desempenhar o papel de uma enciclopédia viva da sétima arte, um clube virtual sempre em construção.
Atenção: o endereço no blogspot continua existindo normalmente.
Piaf – Um hino ao amor é a cinebiografia de uma das cantoras francesas mais famosas e amadas em todo o mundo, Edith Piaf. Sua história foi transposta para o cinema no bem-sucedido filme francês de 2007, dirigido por Olivier Dahan. A produção ganhou dois Oscar’s: de Melhor Atriz (para a sensacional Marion Cotillard) e de Melhor Maquiagem. A Cena do Dia é uma das melhores, senão a melhor do longa, e mostra Piaf descobrindo a morte do amante, Marcel. Como se fosse um aviso ou uma despedida, ele vem visitá-la no quarto e ela o recebe animadamente. No entanto, quando ela sai do quarto para buscar um presente, ela começa a perceber que existe alguma coisa errada, principalmente pela fisionomia das pessoas que estão nos cômodos da casa. Muito bem construída, a cena é filmada em um plano sequência que atravessa as partes do imóvel, seguindo o movimento de Piaf. Angustiante, sombria e triste, a cena é abrilhantada pelo talento de Cotillard. Ao final da sequência, a transição da casa para o palco é uma metáfora belíssima da superação`da dor através da arte.
Atores: Brad Pitt, Sean Penn, Jessica Chastain, Fiona Shaw.
Duração: 138 min
Gênero: Drama
Pôster do filme
Um dos exercícios que mais gosto de pôr em prática quando vou ao cinema é a observação da reação das pessoas após a projeção do filme. Tal prática me mostra invariavelmente que uma obra de arte pode provocar reações e sentimentos bem distintos nas pessoas. Em filmes pouco convencionais como A árvore da vida esta discrepância se torna ainda mais visível. Após a exibição do novo filme de Terrence Malick, quando as luzes se acenderam, ao meu lado, vi uma senhora visivelmente emocionada, com os olhos encharcados de lágrimas. Na saída do cinema, uma outra senhora reclamava que este era o filme mais chato que já havia visto.
Terrence Malick provavelmente tem consciência de que seu último trabalho está longe de ser uma unanimidade. Existe uma aura mítica em torno do diretor americano que, em mais de 40 anos de carreira, tem apenas 5 longas-metragens no currículo. Terra de Ninguém (1973), Days of Heaven (1978) e Além da linha vermelha (1998) são filmes aclamados do diretor. O Novo Mundo (2005), seu penúltimo projeto,não teve a mesma recepção de seus filmes anteriores, mas, mesmo assim, encontra defensores ferrenhos e fãs incondicionais. Reservado e avesso à publicidade, Malick é uma figura quase lendária na indústria cinematográfica. Não é por acaso que jornalistas perguntaram, uma vez, em tom de brincadeira, a Brad Pitt, se o cineasta realmente existe. O diretor confirmou sua fama de avesso aos holofotes ao não comparecer, este ano, a Cannes, até mesmo no dia de premiação, quando A árvore da Vida levou a Palma de Ouro, maior prêmio do festival.
A árvore da vida é provavelmente o filme mais metafísico do diretor, um trabalho de recortes, um mosaico de representações e de símbolos. O filme ilustra a infância de Jack (Hunter McCracken), sua relação com o pai autoritário (Brad Pitt) e a mãe amorosa (Jessica Chastain), assim como sua convivência com os dois irmãos mais novos (Laramie Eppler e Tye Sheridan). O filme também mostra Jack adulto (Sean Penn), carregando o resultado das mágoas, das perdas e das lembranças. Em meio à exibição desses dois momentos da vida do protagonista, Malick reconstitui o nascimento do universo e as diversas formas de vida da natureza.
O filme se inicia com a morte de um dos filhos. Esta e outras perdas suscitam questionamentos sobre os mistérios de Deus, sobre o significado da vida e sobre a justiça divina. Malick cria uma ponte entre o micro (a história de uma família americana dos anos 50) e o macro (o universo). A voz off dos personagens são pontuações filosóficas sobre a existência. O fluxo de imagens da formação do mundo e da evolução dos seres na terra busca mostrar que a história de um indivíduo está intimamente ligada à história de todo o universo.
Esteticamente exuberante, A árvore da vida parece tentar, através de suas belíssimas imagens, abarcar todos os sentimentos do mundo. Contando com uma fotografia linda de Emmanuel Lubezki e com fantásticos efeitos visuais de Douglas Trumbull, o filme poderia ser chamado de "O espetáculo da vida". Apesar de algumas imagens carregarem muitas representações e serem capazes de emocionar e provocar diversas sensações no espectador, o exagero parece prejudicar a experiência proposta por Malick. Explico: a sequência que ilustra as forças da natureza e a constituição do universo é belíssima, mas extremamente longa, o que de certa forma cria um distanciamento no espectador. Outro problema é que a sequência acaba por se aproximar muito mais de um documentário do Discovery Channel, do que de uma obra de arte com profundidade e significado. Devo confessar que durante a “masturbação visual” de Malick, me veio o pensamento de que adoraria ter as tais imagens como screensaver do meu computador, o que indica que por um momento me distanciei completamente do filme.
Considero mais interessantes as sequências que retratam a vida familiar, as descobertas eróticas de Jack, os ciúmes do irmão, o embate interno entre o bem e o mal, os conflitos familiares e os momentos de brincadeira entre as crianças. Tais momentos da narrativa, que abordam o mundo famíliar, não deixam de ser cinematograficamente interessantes, uma vez que Malick aposta em enquadramentos não usuais, cortes inesperados e o mais interessante, ele adota a perspectiva da criança, mantendo a câmera baixa.
A árvore da vida não é um filme de diálogos. A mãe, interpretada com uma sensibilidade maravilhosa por Jessica Chastain, é uma figura silenciosa. Pura representação do amor, ela tem uma relação íntima com a natureza, estando sempre em contato com ela. O pai, interpretado de maneira correta pelo sem-muita-expressão Brad Pitt, é a figura da ordem e da autoridade. O multipremiado Sean Penn não tem muito o que fazer com seu personagem, que parece apenas vaguear buscando o sentido da vida. Por fim, as crianças são excelentes, com destaque para o talentoso Hunter McCracken, que interpreta o jovem Jack.
A árvore da vida é um filme bastante ambicioso. Poderia afirmar que ele é do tipo “ame-o ou o odeie”, mas estaria mentindo, já que não me encontro em nenhum desses extremos. Apesar de suas qualidades técnicas inegáveis e de sua sensibilidade ao tratar de várias questões humanas, A árvore da vida, tal qual o ser humano, é imperfeito, mas muito interessante.
Kill Bill vol. 1 é recheado de grandes cenas e com certeza aparecerá muitas vezes na Cena do Dia. Dirigido por Quentin Tarantino, o filme conta a história de uma mulher que, após ter ficado anos em coma devido ao ataque de um bando de assassinos, volta para se vingar de cada um dos ex-membros do grupo. A Cena do Dia é genial e mostra a luta entre a Noiva (Uma Thurman) e Vernita Green (Vivica A. Fox). A sequência é tensa e de tirar o fôlego, a coreografia da luta é sensacional e a performance das atrizes é fantástica. Observe o interessante contraste entre o ambiente familiar, pacífico, colorido, cheio de brinquedos e a violência da luta. A interrupção da filha de Vernita e o diálogo que se segue entre as três acrescentam uma tensão ainda maior. A conversa entre a Noiva e Vernita na cozinha é um dos grandes momentos do filme e o desfecho da cena não é menos genial.
Assista à cena (a qualidade deste vídeo é ótima, mas tem dublagem em espanhol):