Alien, o 8º passageiro é o filme que inaugura a bem-sucedida quatrilogia formada também por Aliens – O Resgate (1986), Alien 3 (1992) e Alien – A Ressurreição (1997). O filme de 1979 é o melhor da franquia e parte do seu sucesso deve-se a direção fantástica de Ridley Scott. O filme foi o vencedor do Oscar de Melhor Efeitos Visuais. A Cena do Dia mostra a morte de Kane, um dos tripulantes da nave Nostromo. A cena começa com um tom descontraído. Os tripulantes estão conversando e rindo à mesa, quando Kane começa a engasgar.Os longos planos dão lugar a planos rápidos e a cena fica gradualmente mais tensa (observe leve o som das batidas do coração que dão ritmo a cena e que dão lugar a uma trilha sonora tradicional). A cena tem um final trágico, em que o grande antagonista da trama é apresentado.
A Bela e a Fera é o primeiro longa-metragem de animação a concorrer ao Oscar de Melhor Filme, além de ter sido indicado a outros 5 Oscar's, levando o de Melhor Trilha Sonora e o de Melhor Canção (Beauty and the Beast). O filme também foi a primeira animação a ganhar o Globo de Ouro de Melhor Filme Musical. Por isso e por muito mais, A Bela e a Fera é uma das animações mais bem sucedidas do cinema, sendo também uma das histórias de amor mais amadas de todos os tempos. A Cena do Dia é um momento mágico do filme, em que os criados (que foram transformados pela maldição de uma feiticeira em Candelabro, Relógio e Chaleira) entretêm Bela com um show digno da Broadway ao som da canção indicada ao Oscar e ao Globo de Ouro, "Be our Guest".
Atores: Yeong-ae Lee, Choi Min-Sik, Go Su-Hee, Kim Bu-Seon, Kim Byeong-Ok.
Duração: 112 min
Gênero: Drama
Uma das melhores cenas do filme: o sonho de Geum-ja
Lady Vingança fecha a "trilogia da vingança" idealizada pelo cineasta sul-coreano Chan-wook Park. Oldboy (2003), filme que antecede Lady, foi um grande sucesso de público e crítica. O multipremiado thriller conta a história de um homem que, raptado e aprisionado por 15 anos, deve encontrar o seu sequestrador para se vingar. Se em Oldboy temos a perspectiva masculina, no filme de 2005 a vingança é um sentimento puramente feminino (vide o título "Senhora Vingança"). No longa, uma jovem mulher chamada Geum-ja Lee vê-se obrigada a assumir, no lugar do amante, a culpa do sequestro e assassinato de uma criança de seis anos. Ela permanece presa por 13 anos, durante os quais planeja a sua vingança com a ajuda das outras detentas.
Apesar de ser tão intenso quanto o filme anterior, Lady Vingança aborda a questão da vingança de uma maneira bem diferente. Chan-wook Park abre mão da ação e de grande parte da violência física presente em Oldboy, para criar um filme muito mais experimental, lírico e complexo. O diretor investe durante toda a primeira metade da projeção em uma narrativa que alterna ações do passado e do presente para reconstituir o drama de Geum-ja. A escolha de uma estrutura não linear obriga o espectador a participar da construção da história. No entanto, este não é um filme de ligar pontos e buscar a lógica, Park nos convida a uma viagem emocional e até mesmo sensorial. Assim, ele brinca com as cores (fortes, avermelhadas), com os ângulos e com a música.
Criando composições belíssimas, buscando enquadramentos diferentes, apostando na sobreposição de imagens e em closes dramáticos, Park faz um filme esteticamente impecável. Auxiliado por uma direção de arte fantástica e uma bela fotografia, o filme é o sucesso da forma. O conteúdo, por sua vez, não sai prejudicado. Park lida com questões como a culpa, a morte e o ódio de uma maneira extremamente rica, fazendo o uso de alegorias e de símbolos. Tais questões são personificadas maravilhosamente bem pela protagonista e é com uma sutileza fenomenal que a atriz Yeong-ae Lee mostra a transformação da personagem, suas angústias e seu sofrimento. Carregando em si a ambiguidade do bem e do mal, a vingadora Geum-ja tem tanto a alcunha de bruxa, como a de anjo e seu olhar diz muito mais do que suas palavras.
Lady Vingança talvez seja um filme menos acessível e menos empolgante que seu irmão mais famoso, Oldboy, mas talvez ele aborde de forma mais sensível sentimentos como o vazio da vingança, a necessidade da redenção, a dificuldade de recomeçar e a dor da perda e da culpa. Chan-wook Park mostrou ser um verdadeiro mestre ao usar brilhantemente tudo o que a linguagem cinematográfica tem a oferecer para traduzir sentimentos que são a priori intraduzíveis.
Erin Brokovich conta a história de uma mãe solteira que consegue um emprego em uma firma de advocacia e acaba por descobrir que uma grande companhia está poluindo a água de uma região na Califórnia, causando o desenvolvemento de doenças em muitos dos seus habitantes. A história verídica de Erin foi transposta com muita competência pelo diretor Steven Soderbergh. Uma das grandes forças do filme é a atuação intensa e verborrágica de Julia Roberts, que levou pelo filme o Oscar de Melhor Atriz. Com uma grande inteligência prática, agressividade e sensualidade, a protagonista é praticamente uma heroína moderna. Na Cena do Dia, temos o momento em que Erin cala a boca de todos os advogados da companhia, em um monólogo sensacional.
Leia o trecho:
"Pense bem o quanto vale a sua coluna, Sr. Walker...
ou quanto gostaria que pagassem pelo seu útero, Srta. Sanchez.
Peguem suas calculadoras e multipliquem isso por 100.
Qualquer coisa abaixo disso é desperdício do nosso tempo.
[A advogada pega o copo de água para beber]
A propósito, mandamos trazer essa água especialmente para vocês. Veio de um poço de Hinkley. "
Atores: Joel Courtney, Riley Griffiths, Elle Fanning, Ryan Lee.
Duração: 112 min
Gênero: Ficção Científica
Elle Fanning e Joel Courtney em cena do filme
J.J. Abrams dirigiu e roteirizou Super 8. O diretor ganhou notoriedade nos anos 2000 após dirigir episódios do famoso seriado Lost (do qual também é co-criador). Sempre na ativa e com muitos trabalhos na televisão americana, como diretor e produtor de séries, Abrams encontrou um tempinho nos últimos anos para se dedicar também ao cinema e dirigiu três longas-metragens: Missão: Impossível III (2006), Star Trek (2009) e este Super 8 (2011). Apesar de contar com a produção de Steven Spielberg, o filme de 2011 é o menos interessante da sua ainda curta filmografia.
Super 8 se passa no verão de 1979 e conta a história de um grupo de amigos formado por Joe (Joel Courtney), Charles (Riley Griffiths), Cary (Ryan Lee), Martin (Gabriel Basso) e Preston (Zach Mills). Eles estão gravando um filme amador em 8mm (daí o título em referência à câmera Super 8) e convidam Alice (Elle Fanning) para ser a protagonista. No meio da gravação de uma das cenas, os adolescentes testemunham o descarrilamento de um trem. Por causa do acidente, um monstro alienígena é libertado e passa a aterrorizar a cidade em que vivem os meninos.
A maioria dos críticos apontam o quanto Super 8 bebe na fonte de clássicos como E.T. - O extraterrestre (1982), Os Gonnies (1985), Contatos imediatos do Terceiro Grau (1977) e até mesmo do recente Cloverfield (2008), entre outros. Abrams parece fazer uma homenagem não só a um gênero (ou subgênero), a aventura/fantasia sci-fi, mas, sobretudo, ao seu cineasta ícone, Steven Spielberg. No filme, estão presentes alguns elementos temáticos recorrentes no cinema de Spielberg, como a passagem da infância para a adolescência, o crescimento, a relação pai e filho e a presença humanizada do extraterrestre. Também vemos inspirações técnicas, como o uso de certos movimentos de câmera, como o travelling se aproximando do rosto dos atores. Outro artifício spielbergiano utilizado por Abrams é adiar ao máximo a exibição do monstro, como foi feito em Tubarão (1975). Até mesmo detalhes, como a presença de bicicletas nos remete à filmografia de Spielberg.
Se o filme provoca uma deliciosa nostalgia, ao mesmo tempo, ele não consegue, nem de longe, se equiparar aos longas que homenageia. Os trinta minutos iniciais do filme são excelentes, com destaque para a cena do descarrilamento do trem, que é de tirar o fôlego, mas, a partir deste momento, o filme perde completamente a sua força, tornando-se previsível e sendo dominado por clichês. O problema maior, no entanto, não é sentirmos que já vimos este filme antes, é sabermos que já o vimos mais bem contado, já que o longa de Abrams apresenta vários furos em sua narrativa. A relação problemática de Alice com seu pai nunca se torna clara, já o que não sabemos o que o personagem faz para ser considerado um mau elemento. O mesmo ocorre com a relação de Joe e seu pai, que jamais é bem explorada pelo roteiro. O acidente inicial que provocou a morte da mãe de Joe, também fica na obscuridade. O que o monstro faz com suas vítimas e sua motivação ao capturar algumas pessoas também acabam sendo incógnitas no filme.
Abrams acerta, inicialmente, ao mostrar a relação dos adolescentes e ao construir sua história sob o ponto de vista deles. Infelizmente, o diretor não investe nesta relação, preocupando-se muito mais em realizar impactantes cenas de suspense, que apesar de bem realizadas, não contribuem para o sucesso da narrativa. Isto é uma pena, principalmente, porque as melhores cenas do filme são aquelas em que os garotos se interagem, como na ótima sequência que antecede o desastre do trem e que mostra o ensaio dos meninos. Dos seis adolescentes, apenas três ganham efetivo destaque: Joe, Alice e Charles. Merece elogios a maneira sensível com a qual o diretor retrata a descoberta amorosa de Joe e Alice. Deve-se destacar ainda o carisma do jovem ator Joel Courtney e o talento e beleza de Elle Fanning.
A produção técnica do filme merece elogios por reconstituir muito bem o final da década de 70, prestando devida atenção aos detalhes, como as músicas, a tecnologia, as roupas e os carros da época. A trilha sonora de Michael Giacchino pontua muito bem a história, carregando um tom saudosista, já que parece ser inspirada nas trilhas dos filmes de aventura dos anos 80.
Super 8 está longe de ser um fiasco ou mesmo um filme ruim, mas o seu maior mérito é o de reconstituir, mesmo que parcialmente, uma aura de inocência e diversão, presente nos filmes de aventura e fantasia dos anos 80. Quanto a mim, vou correndo assistir Os Gonnies!
O Rei Leão é uma das produções Disney mais amadas de todos os tempos. Ganhadora de dois Oscar's (Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção), o filme conta a história quase shakespeana de Simba, um principe leão que, após o assassinato do pai, deve retomar o seu lugar no trono, confrontando o malvado e ambicioso tio. A Cena do Dia mostra o assassinato de Mufasa, pai de Simba. Observe a maravilhosa trilha sonora de Hans Zimmer. Após a queda do Rei, a trilha desaparece, causando uma sensação de extrema tristeza para depois ser retomada gradualmente, com acordes ainda mais melancólicos.
A Malvada é um dos melhores filmes a retratar os bastidores do teatro: a guerra de egos, a vaidade, a inveja, a ambição de se tornar uma estrela, o talento genuíno e a falsidade. O filme não se reduz, no entanto, ao mundo teatral e pode ser compreendido como uma crítica ou uma alegoria de todo o show business. Contando com um dos melhores roteiros e diálogos já escritos na história do cinema, A Malvada foi indicado a 14 Oscar's, tendo levado seis, entre eles os de Melhor Filme e Melhor Diretor. A malvada conta a história de Eve (Anne Baxter), uma aspirante a atriz, que faz de tudo para roubar o lugar da grande estrela Margo Channing (Bette Davis). A Cena do Dia pode ser descrita como um verdadeiro "barraco". Explico: a temperamental Margo fica furiosa ao saber que Eve tornou-se sua atriz-substituta na peça e que todos (o diretor, o crítico e até o próprio namorado) estavam maravilhados com a performance desta em um teste com outra atriz. Sentindo-se traída, ela explode em uma cena maravilhosa em que podemos nos deliciar com todo o talento de Bette Davis.
Louca obsessão é um delicioso filme de Rob Reiner, baseado em um romance do famoso escritor Stephen King, que constantemente tem sua obra adaptada para o cinema. O thriller conta a história de Paul Sheldon (James Caan), um escritor de romances açucarados que é sequestrado por uma fã obcecada, após um acidente de carro. No papel de Annie Wilkes, a sequestradora, temos Kathy Bates em sua performance mais celebrada. A atriz é a alma do filme e merecidamente ganhou o Oscar de Melhor Atriz. As mudanças de humor da personagem, os trejeitos, a forma de falar fazem de Wilkes uma figura assustadora e ao mesmo tempo cômica. Na Cena do Dia, temos o momento mais famoso do longa, em que Annie impõe um baita castigo a Paul, por ele ter saído do quarto e roubado uma faca, enquanto ela estava fora. Observe o "Eu te amo" da moça ao final da cena e a câmera que se aproxima de seu rosto, dando um ar ainda mais bizarro à personagem.
Quem tem medo de Virginia Woolf? é um clássico indiscutível do cinema. Nenhum outro filme conseguiu superar ferocidade de suas falas, a violência psicólogica, a verborragia e os jogos crúeis vivenciados por dois casais cheios de problemas. Baseado na peça de Edward Albee, o filme ganhou 5 Oscars (Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia e Melhor Figurino). A Cena do Dia é a segunda cena do longa, que mostra a chegada de Martha e George em casa, após uma festa. Esta cena é uma apresentação da casa, cenário onde se passa grande parte do filme, e do próprio casal. O primeiro diálogo entre os protagonistas gira em torno de uma fala da grande atriz Bette Davis, que é personificada de certa forma pela atuação maravilhosa de Taylor. Curiosidade: o filme de que fala Taylor, estrelado por Davis, chama-se "A filha do Satanás" (1949).