domingo, 14 de agosto de 2011

Melhores pais do cinema

Veja nossa lista especial sobre os melhores pais do cinema:

1 - George Bailey (James Stewart) em A Felicidade não se compra (It's a Wonderful Life, 1946)


2 - Stanley Banks (Spencer Tracy) em O pai da noiva (Father of the Bride, 1950)


3 - Atticus Finch (Gregory Peck) em O sol é para todos (To Kill A Mockingbird,1962)




4 - Vito Corleone (Marlon Brando) em O poderoso chefão (The Godfather, 1972)



5 - Ted Kramer (Dustin Hoffman) em Kramer vs. Kramer (Kramer vs. Kramer, 1979)

 

6 - Sam Baldwin (Tom Hanks) em Sintonia de Amor (Sleepless in Seattle, 1993) 

 

7 - Sam Dawson (Sean Penn) em Uma lição de amor (I am Sam, 2001)

 


8 -  Daniel (Liam Neeson) em Simplesmente amor (Love Actually, 2003)


  
9 - Marlin em Procurando Nemo (Finding Nemo, 2003) 


10 - Chris Gardner (Will Smith),  À procura da felicidade (The Pursuit of Happyness, 2006) 

 

 

Feliz dia dos Pais!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Cena do Dia - O grande ditador (1940)

O grande ditador já esteve presente na nossa seção Cena do Dia. Hoje, o longa está de volta com um de seus momentos mais emocionantes. Trata-se da cena final do filme em que o barbeiro judeu, confundido com o ditador Hynkel (sátira de Hitler), faz um belo discurso humanista, antibélico e cheio de esperança. Em seu primeiro filme totalmente sonoro, Charlie Chaplin solta a voz contra o fascismo que começava a reinar na Europa no final dos anos 30. Seu discurso continua relevante e atual.

Leia:

Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.  A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.
 
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

Assista à cena:



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Cena do Dia - A pequena sereia (1989)

A Cena do dia vem do clássico A Pequena Sereia, um dos filmes mais queridos da Disney. Nele, uma linda sereia quer ter pernas para poder se casar com um príncipe por quem se apaixonou a primeira vista. Nesta cena musical, temos um dos momentos mais famosos do longa, no qual é cantada a música Aqui no mar (Under the sea) ganhadora do Oscar de Melhor Canção. 

Assista à cena:



Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo - 2011

Título original: Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo
Lançamento: 2011 
País: Brasil
Direção: Hugo Carvana
Atores: Tarcísio Meira, Gregório Duvivier, Flávia Alessandra, Mariana Rios.
Duração: 99 min
Gênero: Comédia

Tarcísio Meira, Gregório Duvivier em cena do filme.

É raro se deparar com um filme que desperta sentimentos tão variados quanto sono, vergonha alheia, raiva e tristeza. Foi este o poder que teve sobre mim o lançamento nacional Não se preocupe, nada vai dar certo. Ao título, faltou acrescentar obviamente o parênteses “inclusive o filme”, já que a produção é um acúmulo de erros do início ao fim. Trocadilhos a parte, dói-me ver o veterano e respeitado ator Hugo Carvana ter em seu currículo essa bomba homérica. Carvana, que assina a direção do longa, dá a impressão de ser completamente iniciante no cinema. 

O filme conta a história de Lalau (Gregório Duvivier), um comediante de stand up (muito sem graça por sinal), filho de um golpista de marca maior, Ramon Velasco (Tarcísio Meira), que se faz passar por um famoso guru em troca de uma grande soma em dinheiro. Se o argumento promete uma boa comédia, a execução é uma verdadeira tragédia. Carvana teve a idéia até interessante de mesclar a ação com o show de stand up de Duvivier, como uma forma de pontuar e narrar a história. Mas o show do rapaz é tão sem graça e a montagem é tão mal feita, que o recurso acaba mais atrapalhando que ajudando. Talvez por isso o diretor tenha resolvido abandoná-lo logo após a metade do filme.  

O roteiro de Paulo Halm está entre as coisas mais bisonhas que já pude conferir no cinema nacional. Além da fragilidade da história, muito mal amarrada e cheia de furos, e da inverossimilhança da trama, o roteiro falha por não conseguir criar uma única fala engraçada. Em uma sala de cinema bem vazia (será que as pessoas já sabiam da qualidade do filme e não me avisaram?) o silêncio era sepulcral nas várias tentativas fracassadas do longa de fazer rir. Mas não é só o roteiro que deixa a desejar, a falta de energia da direção é tamanha que nos primeiros 30 minutos da enfadonha introdução, temos o ímpeto de abandonar a projeção. Mas, se você insistir e ficar na sala, verá que a falta de energia e a montagem inexplicável continuam até o fim. (O que dizer dos cortes abruptos que insistem em mostrar os personagens tendo a mesma conversa em locais diferentes, ou que ligam uma cena a outra sem a mínima coerência?). Outro detalhe que vale ser comentado é a insistência do roteiro em colocar os atores recitando poemas consagrados, sem a mínima justificativa ou motivação para isso. Os dois momentos musicais do filme também desafiam qualquer lógica, o último mais parecendo o final de um episódio do humorístico Sai de Baixo.

Chegamos agora à parte da vergonha alheia. Tarcísio Meira encarna um golpista que alterna momentos de pura senilidade e outros em que parece ser o único personagem inteligente da trama. Já outros famosos globais que compõe o elenco, como Flávia Alessandra, Herson Capri e Guilherme Piva não têm o que fazer com personagens tão unidimensionais e nem um pouco interessantes. As personagens de Lu Grimaldi e Ângela Vieira deixam as atrizes em situações muito constrangedoras e embaraçosas. Quem se dá menos mal é a jovem Mariana Rios que, por ter uma participação relâmpago (e injustificável), sai incólume ao filme. Já o protagonista Gregório Duvivier exibe aqui e ali um verdadeiro talento que poderia ter sido muito melhor aproveitado se não fosse boicotado pelo roteiro.

Não se preocupe, nada vai dar certo é, infelizmente, um filme que deixa a desejar em praticamente todos os aspectos, sendo difícil imaginá-lo, inclusive, como um especial da Globo. O longa, no entanto, contém em seu germe uma ideia que poderia gerar uma boa comédia. É triste ver um investimento tão mal utilizado, sendo que tantos bons cineastas brasileiros encontram dificuldade para realizarem seus projetos e tão pouco espaço na mídia e dinheiro para fazerem o marketing de suas produções. 

Assista ao trailer:


Sonhos Roubados - 2009

Título original: Sonhos Roubados
Lançamento: 2010
País: Brasil
Direção: Sandra Werneck
Atores: Nanda Costa, Amanda Diniz, Kika Farias, Marieta Severo.
Duração: 85 min
Gênero: Drama

As protagonistas de Sonhos Roubados (da esq. para direita as atrizes Nanda Costa, Kika Farias e Amanda Diniz)

Sonhos Roubados, longa-metragem de ficção de Sandra Werneck, tem uma relação muito íntima com o filme anterior da cineasta, o ótimo documentário Meninas (2006), realizado em parceria com Gisela Camara. As duas produções acompanham o cotidiano de adolescentes que vivem uma realidade de extrema precariedade, tendo que lidar com a sexualização precoce e com a gravidez na adolescência. O filme Sonhos Roubados é uma adaptação do livro As meninas da esquina, da jornalista Eliane Trindade, que assina também o roteiro. 

Sonhos Roubados acompanha a trajetória de três adolescentes: Jéssica (Nanda Costa), Daiane (Amanda Diniz) e Sabrina (Kika Farias). Jéssica tem 17 anos, mora em um barracão com o avô doente, que trabalha concertando bicicletas. Ela tem uma filha de aproximadamente dois anos e se prostitui para ganhar dinheiro e sustentar a menina. Daiane tem apenas 14 anos, mora com os tios e tem um pai que não a reconhece e que não quer saber dela. Sua mãe, tida como louca, desapareceu. Ela deve ainda conviver com os abusos do tio. Sabrina tem aproximadamente a mesma idade de Jéssica. Ela foi expulsa de casa pela mãe, trabalha em um botequim, se prostitui com Jéssica e se apaixona por um criminoso local.  As três amigas compartilham uma realidade semelhante, em que a sobrevivência está intimamente ligada ao sexo. 

Sandra Werneck e Eliane Trindade se apropriam de um tema que pode ser tido como batido no cinema brasileiro e constroem um filme verdadeiramente relevante. Sem fazer uso do melodrama ou do exagero, para dar a dimensão dos dramas vividos pelas protagonistas, Werneck opta, sobretudo, pela simplicidade. Com uma direção limpa, segura e com uma trama extremamente bem amarrada, a diretora, que tem no currículo filmes como Cazuza - O Tempo Não Pára (2004) e Amores Possíveis (2001), faz um de seus melhores trabalhos no cinema. 

Um dos maiores méritos do filme, se não for o maior, é a qualidade de seu elenco. As três atrizes principais estão formidáveis em cena. Nanda Costa interpreta Jéssica, a mais mulher do trio e a que tem a personalidade mais forte, exibindo também muita sensualidade. A atriz (premiada em vários festivais) é uma das maiores revelações do cinema brasileiro nos últimos anos. Ela está no último filme de Claudio Assis, Febre do Rato (2011), pelo qual foi premiada recentemente com o troféu de Melhor Atriz no Festival de Paulínia. As jovens Amanda Diniz (minha favorita) e Kika Farias estão também excelentes, mesclando certa melancolia no olhar à imaturidade da adolescência. O filme ainda conta com grandes nomes em papéis coadjuvantes: Marieta Severo, Nelson Xavier, M.V. Bill e Daniel Dantas estão fantásticos. Ângelo Antônio e Zezeh Barbosa têm participações pequenas, mas marcantes. 

Sonhos Roubados não veicula nenhum tipo de julgamento com relação às escolhas de suas protagonistas. Ao contrário, é com certo carinho que as adolescentes são retratadas, afinal no fundo apesar da vida que levam, elas são praticamente crianças. Assim, é impossível não se sentir tocado ao ver Daiane dançar com o pai em determinada cena do filme, ou ao ver Sabrina sentada na calçada, sem saber para onde fugir, ou ainda ao ver Jéssica dormir na porta do Conselho Tutelar para tentar reaver a guarda da filha. O filme ainda acerta ao não sentenciar à tragédia o destino das três moças e, ao final, temos a sensação de que elas conseguirão sobreviver mais uma vez. Sonhos Roubados sem ser panfletário, veicula uma grande denúncia social e consegue se diferenciar de muitos filmes que apresentam a mesma preocupação social por ser também cinematograficamente muito bom.

Assista ao trailer:




quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Cena do Dia - Os guarda-chuvas do amor (1964)

Os guarda-chuvas do amor, o famoso musical francês de Jacques Demy, é considerado um dos filmes mais românticos de todos os tempos. Inteiramente cantado, o romance conta a história de Geneviève (interpretada pela musa Catherine Deneuve), uma jovem moça de 17 anos, que se apaixona por um frentista, Guy (Nino Castelnuovo). Apesar da oposição da mãe, os dois tem um lindo affair que é interrompido quando Guy tem que ir para a guerra, na Argélia, deixando Geneviève grávida. A Cena do Dia mostra a despedida dos dois amantes. O filme foi indicado a 4 Oscar's entre eles Melhor Canção, Trilha Sonora e Roteiro. A bela música é de responsabilidade de Michel Legrand.

Assista à cena:

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Cena do Dia - Pulp fiction (1994)

Pulp Fiction é um dos filmes mais importantes e influentes da década de 90 e um jovem clássico que tem uma posição de destaque na história do cinema. Ambientado na Los Angeles dos anos 90, o longa de Quentin Tarantino conta várias histórias que se entrelaçam: a de dois assassinos profissionais, a de um gângster e sua esposa, a de um boxeador e a de um casal que tenta assaltar um restaurante. Na Cena do Dia, temos uma das cenas mais fortes do filme. Nela, Jules Winnfield (interpretado magistralmente por Samuel L. Jackson) interroga um moço, um pequeno criminoso, que teria tentado passar para trás o poderoso Marsellus Wallace, para quem Jules trabalha. A cena é violenta, mas recheada de um humor negro bem caractéristico das obras de Tarantino. Algumas falas são antológicas, como o diálogo que gira em torno da palavra "what" e o momento em que Jules pergunta se Marsellus parecia uma "bitch". Mas nada se compara ao insólito momento em que Jules recita um trecho da Bíblia.

"O caminho do homem justo é rodeado por todos os lados pelas injustiças dos egoístas e pela tirania dos homens maus. Abençoado é aquele que, em nome da caridade e da boa-vontade pastoreia os fracos pelo vale da escuridão, pois ele é verdadeiramente o protetor de seu irmão e aquele que encontra as crianças perdidas. E Eu atacarei, com grande vingança e raiva furiosa aqueles que tentam envenenar e destruir meus irmãos. E você saberá: chamo-me o Senhor quando minha vingança cair sobre você". (Ezequiel 25:17)




segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Chaplin (1992)

Título original: Chaplin
Lançamento: 1992
País: EUA
Direção: Richard Attenborough
Atores: Robert Downey Jr., Geraldine Chaplin, Paul Rhys, John Thaw.
Duração: 144 min
Gênero: Drama


Charlie Chaplin, ou Charles Spencer Chaplin, nasceu em 1889, em Londres. Ele, que viria a ser o maior ícone do cinema de todos os tempos, teve uma infância pobre e extremamente difícil. Seu pai, cantor e alcoólatra, o abandonou quando tinha apenas três anos e morreu quando Chaplin tinha doze anos. Sua mãe, também cantora, sofria de crises nervosas e foi se tornando cada vez mais emocionalmente instável, chegando a ser internada duas vezes em um asilo londrino.


 Aos cinco anos, Chaplin estreou nos palcos, substituindo sua mãe que acabara de ter uma crise nervosa em meio a uma apresentação. Chaplin tinha um meio-irmão mais velho, Sidney, de quem se tornou muito próximo e que o acompanhou por muitos anos. O jovem Charles chegou a passar por reformatórios e internatos. Em 1910, ele começou uma turnê nos Estados Unidos com o produtor de talentos Fred Karno e, em terras americanas, ele desenvolveu seu talento, entrando para o mundo do cinema em 1913, através do convite do produtor Mack Sennett, que havia visto uma performance do comediante. 


A abertura de Chaplin, o filme de 1992, mostra o ator retirando meticulosamente sua maquiagem de Carlitos ou O Vagabundo, seu personagem mais celebrado e conhecido. O filme faz entender, desde a cena de abertura, que pretende descobrir a verdadeira identidade de um gênio. O roteiro adota a estratégia de abordar fatos importantes da vida do artista através de uma entrevista informal que Chaplin teria tido com o editor de sua autobiografia, Minha vida (1964). O editor, que em cena é interpretado pelo grande Anthony Hokins, é o único personagem ficcional do longa. 


O filme foi dirigido por Richard Attenborough, diretor que ganhou o Oscar em 1983 por outra cinebiografia, Gandhi. Attenborough tem a difícil tarefa de contar os 78 anos de vida de um prolífico artista, em pouco mais de duas horas. O diretor ainda brinca, pontualmente, com o estilo e a montagem do cinema mudo, adicionando aqui e ali artifícios típicos da linguagem deste cinema. Apesar de burocrático e convencional, como muitas cinebiografias, o filme consegue se sustentar muito bem graças à opção do roteiro em abordar com certa agilidade os principais acontecimentos da vida do grande astro. Assim, por mais que tenhamos a sensação de que muitas fases da vida de Chaplin são tratadas muito rapidamente e, mesmo superficialmente, este artifício garante, ao menos, que o filme tenha certa energia e não se torne cansativo. 


Assim, vemos retratados a iniciação de Chaplin no cinema; as distribuidoras pelas quais ele passou; a amizade com a estrela Douglas Fairbanks; seus muitos casamentos; seu interesse por mulheres bem jovens; seu perfeccionismo; seu posicionamento político e sua expulsão dos Estados Unidos, após a Segunda Guerra Mundial, ao ser considerado comunista. O filme ainda retrata o multifacetado artista como um indivíduo humanista, audacioso e melancólico, ainda que tenha feito do humor o seu ganha-pão. 


Nomes famosos do cinema fazem pequenas participações no filme. Além do já mencionado Anthony Hopkins, temos Dan Aykroyd, Kevin Kline, Milla Jovovich e Diane Lane. Geraldine Chaplin, filha de Chaplin, interpreta sua própria avó e tem umas das melhores cenas do longa, em uma participação pequena, mas muito bonita. O talentoso Robert Downey Jr. foi merecidamente indicado ao Oscar por interpretar Chaplin. Sua composição é inteligente e foge completamente da pura imitação. 


Outros aspectos do filme que merecem elogios é a direção de arte, figurino e maquiagem que fazem um bom trabalho ao reconstituir quase 80 anos de história. A trilha sonora ficou a cargo do renomado compositor John Barry, que faleceu este ano aos 77 anos, e que tem no currículo trabalhos em filmes da franquia 007 e no filme Dança com os lobos (1990), além de 5 Oscar’s. A música de Barry é maravilhosa e talvez seja superior ao próprio filme. 


Chaplin, o filme, é uma ótima oportunidade para se conhecer um pouco mais da obra e da vida do ator, diretor, produtor, comediante, dançarino, roteirista e músico britânico. Mas, como o próprio Chaplin afirmou certa vez, a melhor maneira de conhecê-lo é através de seus filmes; e revisitar ou descobrir a obra inigualável deste gênio não é nenhum sacrifício. 



Autobiografia:


Minha Vida

Ed. José Olympio


Biografias:


1 – Chaplin - uma vida

Autor: Stephen Weissman


2 – A vida de Charlie Chaplin

Autor: David Robinson



Principais filmes de Charlie Chaplin:


O Imigrante (1917)

Idílio no Campo (1919)

O Garoto (1921)

Em Busca do Ouro (1925)

O Circo (1928)

Luzes da Cidade (1931)

Tempos Modernos (1936)

O Grande Ditador (1940)

Monsieur Verdoux (1947)
Luzes da Ribalta (1952)



Trailer do filme Chaplin (1992):



Matéria publicada originalmente na minha coluna no Somos Biografia.


Cena do Dia - Fargo (1996)

Fargo é um dos filmes mais celebrados da dupla Joel e Ethan Coen, tendo nascido como um instantâneo clássico. O humor negro, o rídiculo de seus personagens e atuações fantásticas marcam este longa de 1996. No filme, Jerry Lundegaard (William H. Macy) arma o sequestro da própria mulher, mas a situação sai do controle, já que os desastrados bandidos encarregados do trabalho deixam um rastro sagrento, fazendo com que uma policial grávida, Marge Gunderson (Frances McDormand), comece a investigar o caso. A Cena do Dia mostra a tensa, violenta, mas ao mesmo tempo hilária, cena do sequestro.

Confira: http://www.youtube.com/watch?v=8o6fDoTToY4




domingo, 7 de agosto de 2011

Cena do Dia - Aladin (1992)

A Cena do Dia fez parte da infância de muitas pessoas. Ela vem do filme Aladin, produção da Disney e direção de Ron Clements, John Musker. O filme ganhou o Oscar de Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Canção (A Whole New World). A cena de hoje é uma das minhas preferidas da animação. Nela, o Gênio apresenta seus poderes, cantando a música Friend Like Me, que também foi indicada ao Oscar. O talento e a criatividade de Clements e Musker são responsáveis por uma cena divertida e grandiosa.

Assista à cena e divirta-se: