domingo, 24 de julho de 2011

O milagre de Anne Sullivan (1962)

Título original: The Miracle Worker
Lançamento: 1962
País: EUA
Direção: Arthur Penn
Atores: Anne Bancroft, Patty Duke, Victor Jory, Inga Swenson, Andrew Prine.
Duração: 107 min
Gênero: Drama


Cena de O milagre de Anne Sullivan (1962)

Helen Keller foi uma importante escritora, jornalista, filósofa e ativista política americana. Ela teve uma fase crucial de sua vida transposta para o cinema em 1962, em uma obra-prima da sétima arte. O filme foi dirigido por Arthur Penn, cineasta que tem no currículo outro clássico, o mais famoso, Bonnie e Clyde – Uma rajada de balas (1967). A autora, nascida no Alabama, teve grande importância na luta pelos direitos de pessoas com deficiência. Engajada politicamente e membro do Partido Socialista Americano, Keller também é conhecida por sua luta pelos direitos das mulheres e por sua oposição à Segunda Guerra Mundial. Ela publicou aos 22 anos sua autobiografia, “A história da minha vida”, e, desde então, não parou de escrever.  

A obra escrita e o trabalho social de Helen Keller são por si só impressionantes, mas é impossível conter uma maior admiração ao saber que a escritora ficou surda e cega aos 19 meses, devido ao que hoje se presume ser escarlatina. Keller nasceu no final do século XIX, em 1880, em uma pequena cidade do sul dos EUA. Na época, sua enfermidade foi chamada de “febre cerebral”. Até os sete anos, ela era desprovida de qualquer tipo de linguagem. Foi somente com a chegada da professora Anne Sullivan, que Helen foi retirada do isolamento imposto por sua deficiência e dificuldade de comunicação. Anne Sullivan, por sua vez, era praticamente cega. Foi somente após algumas cirurgias que ela recuperou alguns graus de sua visão. A professora também teve uma bela história de superação. Órfã, ela foi mandada para uma casa de deficientes quando criança, onde morou por muitos anos. Essa experiência foi extremamente marcante em sua vida. Anne Sullivan conseguiu se formar e se tornar uma referência no ensino de pessoas com deficiência. 

O milagre de Anne Sullivan é a adaptação da peça de William Gibson (The Miracle Worker) que conta o encontro de Anne Sullivan e Helen Keller, assim como o início da educação da jovem garota. Apesar de ser baseado em uma peça teatral, o longa-metragem de Arthur Penn possui uma linguagem cinematográfica extremamente sofisticada, sendo uma das experiências fílmicas mais interessantes e bem-sucedidas da carreira do cineasta americano. A fotografia em preto e branco é um destaque da produção. Ela confere um tom inquietante à obra, lembrando, em muitas sequências, um filme de horror.

Arthur Penn presenteia o espectador com uma direção inspirada. A intensa sequência de abertura do filme revela a descoberta da deficiência de Helen e parece ter inspirações expressionistas. Outra cena que merece destaque é aquela que mostra a imagem de Helen refletida em uma bola da árvore de natal, que logo depois se despedaça no chão (provável homenagem à cena do globo de neve do clássico Cidadão Kane). Em outros momentos, principalmente naqueles envolvendo o trauma de Anne, Penn não hesita em usar a sobreposição de imagens, com o intuito de conferir um caráter onírico e perturbador a essas cenas. No entanto, a sequência mais célebre do filme envolve uma batalha em uma sala de jantar. Nesta sequência, Anne tenta disciplinar Helen e fazer com que ela coma com um talher à mesa. O resultado é uma das lutas mais longas do cinema. A cena exigiu muito fisicamente de suas atrizes e foi coreografada de maneira exemplar por Penn. 

E por falar nas atrizes, Anne Bancroft e Patty Duke, que interpretam respectivamente Anne Sullivan e Helen Keller, têm um desempenho notável. Anne Bancroft encarna com intensidade e muito carisma sua perseverante personagem. A jovem Patty Duke tem uma performance extraordinária, em um papel muito difícil e que é um desafio para qualquer ator. Ela tinha apenas 16 anos, quando interpretou Helen.  A química entre as atrizes é determinante para o sucesso do filme. Anne Sullivan e Helen desenvolvem uma relação muito peculiar e o roteiro focaliza a construção dessa relação. Mesmo que os métodos de Anne Sullivan pareçam pouco ortodoxos ou até mesmo violentos, sua preocupação com o aprendizado da garota é também fruto de um amor quase maternal e de uma grande identificação com o drama de Helen. É interessante assistir o esforço da professora em buscar a melhor forma de ensinar  Helen as palavras. Patty Duke tem como grande mérito mostrar o conflito de sentimentos de sua personagem, que mesmo se comportando de forma bestial, é um ser que faz de tudo para se comunicar e que tem grande facilidade em aprender. 

A já mencionada bela fotografia de Ernesto Caparrós merece elogios, assim como a trilha sonora composta por Laurence Rosenthal, que é linda, eficiente e, em vários momentos, angustiante. O milagre de Anne Sullivan é emocionante não só por se tratar de uma história verídica de duas grandes mulheres, mas também por mostrar de forma realista e intensa que todo ser humano é capaz de superar qualquer tipo de deficiência e ainda por cima encontrar forças para ajudar outras pessoas a enfrentarem problemas semelhantes. O milagre de Anne Sullivan ganhou o Oscar de Melhor Atriz (Anne Bancroft) e Melhor Atriz Coadjuvante (Patty Duke) e foi indicado a mais três prêmios, entre eles ao de Melhor Diretor (Arthur Penn).


Assista ao trailer:




Autobiografia:


A história da minha vida

Helen Keller     
Editora: José Olympio 

Crítica publicada originalmente na minha coluna no site Somos Biografia.

Cena do Dia - Cidade dos sonhos (2001)

Cidade dos sonhos é um dos mais intrigantes e interessantes filmes de David Lynch. Esta cena é emocionante, surpreendente e uma alegoria sobre o que é verdadeiro e ilusório. A versão de Crying/Llorando de Rebekah del Rio é intensa e a voz da cantora é maravilhosa.

Assista à cena:

sábado, 23 de julho de 2011

Cena do Dia - Grease - Nos tempos da brilhantina (1978)

A Cena do Dia vem do musical Grease. Protagonizado por John Travolta e Olivia Newton-John, o filme foi uma febre no final dos anos 70 e continua sendo um dos musicais mais queridos do cinema. Summer nights é a música mais famosa do longa e resume a história de como o casal se conheceu.

Assista à cena e, se quiser cantar, fique a vontade (segue a letra para dar um estímulo):

Summer Nights

[Danny]
Summer loving had me a blast


[Sandy]
Summer loving happened so fast


[Danny]
I met a girl crazy for me


[Sandy]
Met a boy cute as can be


[Both]
Summer days drifting away, to oh oh the summer nights


[Guys]
Well-a well-a well-a huh
Tell me more, tell me more
Did you get very far?


[Gals]
Tell me more, tell me more
Like does he have a car?


[Danny]
She swam by me, she got a cramp


[Sandy]
He ran by me, got my suit damp


[Danny]
I saved her life, she nearly drowned


[Sandy]
He showed off, splashing around


[Both]
Summer sun, something's begun, but oh oh the summer nights


[Gals]


Tell me more, tell me more
Was it love at first sight?


[Guys]
Tell me more, tell me more
Did she put up a fight?


[Danny]
Took her bowling in the arcade


[Sandy]
We went strolling, drank lemonade


[Danny]
We made out under the dock


[Sandy]
We stayed out 'till ten o'clock


[Both]
Summer fling, don't mean a thing, but oh oh the summer nights


[Guys]


Tell me more, tell me more
But you don't have to bragg


[Gals]
Tell me more, tell me more
Cause he sounds like a drag


[Sandy]
He got friendly, holding my hand


[Danny]
She got friendly down in the sand


[Sandy]
He was sweet just turned eighteen


[Danny]
Well she was good you know what I mean


[Both]
Summer heat, boy and girl meet, but oh oh the summer nights


[Gals]
Tell me more, tell me more
How much dough did he spend?


[Guys]
Tell me more, tell me more
Could she get me a friend?


[Sandy]
It turned colder - that's where it ends


[Danny]
So I told her we'd still be friends


[Sandy]
Then we made our true love vow


[Danny]
Wonder what she's doing now


[Both]
Summer dreams ripped at the seams, but oh those summer nights


[All]
Tell me more, tell me more


sexta-feira, 22 de julho de 2011

Cena do Dia - O cavaleiro das trevas (2008)

A Cena do Dia vem de O cavaleiro das trevas (2008), dirigido por Christopher Nolan. Esta cena é uma emboscada do Coringa. Nela, o simpático vilão dá uma de suas versões para o seu eterno sorriso: 

"Meu pai era um bêbado... E um monstro. E um dia ele ficou mais louco que de costume. Mamãe pegou uma faca de cozinha para se defender. Ele não gostou nada disso. Nem... um... pouco. Então - comigo olhando - ele leva a faca para ela, rindo enquanto o fazia. Vira para mim e diz: 'Por que tão sério, filho?'. Vem até mim com a faca... 'Por que tão sério?' Ele enfia a lâmina na minha boca...'Vamos colocar um sorriso neste rosto'..."

Destaque para a atuação de Heath Ledger e seu sibilante: "Why so serious?".

Assista à cena e coloque um sorriso em seu rosto:

http://www.youtube.com/watch?v=wQHfoz9Be7U

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Cena do Dia - Sete Noivas para sete irmãos (1954)

A Cena do Dia vem do clássico musical Sete noivas para sete irmãos. Este delicioso musical é repleto de boas músicas e fantásticas cenas de dança. O filme é dirigido por Stanley Donen, diretor do musical mais celebrado do cinema, Cantando na chuva (1952). As danças foram coreografadas por Michael Kidd. Nesta cena, os irmãos Pontipee, disputam as moças mais belas da cidadezinha com os playboys locais. A música é empolgante e fica na cabeça, a coreografia é excelente e os bailarinos são ótimos!

Assista à cena e comece sua tarde mais alegre:

http://www.youtube.com/watch?v=-PRmYK89pKc&feature=related

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Melhores amigos no cinema

Comemorando o Dia do Amigo, o Clube do Filme elegeu os melhores amigos do cinema:

1 - Thelma (Geena Davis) e Louise (Susan Sarandon), em Thelma & Louise (1991)


2 - Felix Ungar (Jack Lemmon) e Oscar Madison (Walter Matthau), em Um estranho casal (1968)


3 - As crianças de Os goonies (1985)


4 - Harry (Daniel Radcliffe), Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson), na saga Harry Potter (2001 - 2011)



5 - Frodo (Elijah Wood) e Sam (Sean Astin), na trilogia Senhor dos Anéis (2001-2003)


6 - Andy Dufresne (Tim Robbins) e Ellis Boyd 'Red' Redding (Morgan Freeman), em Um sonho de liberdade (1994)



7 - Lassie, Joe (Roddy McDowall) e Priscilla (Elizabeth Taylor), em Lassie come home (1943)


 8 - Ruth (Mary-Louise Parker) e Idgje (Mary Stuart Masterson) / Ninny (Jessica Tandy) e Evelyn (Kathy Bates), em Tomates verdes fritos (1991)


9 - ET e Elliot (Henry Thomas), em E.T. - O extraterrestre (1982)


10 - Marley e Sr. e Sra. Grogan (Owen Wilson e Jennifer Aniston ), em Marley & eu (2008)






Parabéns amigos!


Cena do Dia - Cortina rasgada (1966)

A Cena do Dia vem de outro filme de Alfred Hitchcock, Cortina Rasgada. O longa não está entre os melhores do diretor, mas tem uma das cenas mais comentadas de sua filmografia. Nesta cena, Michael Armstrong (Paul Newman) e a esposa de um fazendeiro (Carolyn Conwell) tentam assassinar o policial alemão Hermann Gromek (Wolfgang Kieling), um dos vilões da trama. A cena se destaca pela ausência total de trilha sonora, o que confere maior realismo à cena. Em compensação, os sons do ambiente, como o da faca que se quebra, são acentuados. O assassinato deve ser cometido em completo silêncio para não despertar a atenção de outro oficial que se encontra fora da casa. A sequência ilustra como pode ser difícil matar uma pessoa. Várias ferramentas são utilizadas nas tentativas: uma panela, uma faca, uma pá e o forno. A tensão e o impacto da cena são consequências da direção primorosa de Hitchcock. 

Assista à cena:

terça-feira, 19 de julho de 2011

Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2

Título original: Harry Potter and the Deathly Hallows, Part 2
Ano: 2011. 
País: Estados Unidos. 
Diretor: David Yates. 
Roteiro: Steve Kloves. 
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Ralph Fiennes, Michael Gambon, Alan Rickman, Helena Bonham Carter, John Hurt. 
Duração: 130 minutos.

Os excelentes Daniel Radcliffe e Ralph Fiennes em cena do filme.

A saga fílmica Harry Potter termina muito melhor do que começou. Sem dúvida houve um amadurecimento gradual do projeto e seus dois últimos filmes são provavelmente os mais sombrios e interessantes capítulos da série. Os filmes Harry Potter já se tornaram um marco no cinema pela mobilização de público, pela bilheteria arrecadada no mundo inteiro e também pela qualidade da produção. Vários diretores passaram pela série e, mesmo assim, é inegável a coerência da história contada nos oito filmes, assim como excelência das pessoas envolvidas, desde os aspectos técnicos até o maravilhoso elenco, formado, em sua maioria, por ótimos atores ingleses. 

Harry Potter e as Relíquias do Morte - Parte 2 acompanha o protagonista que, ao lado de seus amigos Hermione e Rony, devem encontrar as últimas horcruxes, artefatos que contém partes da alma de Voldemort, a fim de destruí-las para que o poderoso vilão possa finalmente ser aniquilado. O último filme da série não se preocupa em recapitular os eventos anteriores. David Yates, o talentoso diretor dos últimos longas, opta por não didatizar a trama. Para os fãs, essa é sem dúvida a melhor opção, mas para aqueles que não estão ligados nos principais fatos da saga, torna-se imprescindível uma revisitada aos outros capítulos da história antes de assistir ao filme. 

David Yates cria um filme tão sombrio e melancólico quanto o anterior. Apesar de recheado de muitas cenas de ação, o diretor acerta ao dar um tom de despedida ao clímax da história. A bela fotografia do português Eduardo Serra e a direção de arte do filme contribuem para a construção de um universo quase apocalíptico, sombrio e de destruição. A magnífica Hogwarts é símbolo do terror que se instala neste último capítulo da série, com sua imponência mórbida e triste. A bela trilha sonora de Alexandre Desplat carrega em alguns momentos tons épicos, mas é, sobretudo, melancólica e emocionante. Os efeitos especiais foram sempre essenciais para a série, afinal trata-se de um mundo mágico. Em Harry Potter e as relíquias da morte - Parte 2, os efeitos visuais criam um espetáculo fascinante e contribuem para a criação do universo encantado da obra de J. K. Rowling. 

O trio de atores principais foi crescendo com a série e é tocante ver a evolução de Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint ao longo da octologia. Com ansiedade espero os próximos trabalhos dos três atores, que provaram ter, além de carisma, muito potencial e talento. Os experientes Ralph Fiennes (Voldemort), Alan Rickman (Snape) e Michael Gambon (Dumbledore) são, no entanto, os destaques da produção. Compondo magistralmente três personagens icônicos da série, eles dão uma aula de interpretação em cada cena que aparecem. Apesar de me doer o fato de grandes atores, como Emma Thompson e Jim Broadbent, fazerem apenas uma pequena ponta, é maravilhoso o fato de ter se dado uma ótima cena para a octogenária Maggie Smith, que interpreta a professora Minerva.

Harry Potter e as Relíquias do Morte - Parte 2 acerta em quase tudo, mas certas perdas que ocorrem ao longo da trama e os momentos-chave do filme perdem um pouco de sua força provavelmente por uma escolha do diretor de evitar ao máximo o melodrama. Assim, certas cenas não têm o impacto emocional que poderiam ter. A última cena, a meu ver, poderia ter sido facilmente eliminada do filme, mesmo estando presente no livro. 

A saga Harry Potter merecia um grande fechamento. Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2 é um ótimo filme que faz jus ao amor que os fãs nutrem pela a história do bruxo mais famoso do cinema.

Assista ao trailer:




Cena do Dia - Corpos Ardentes (1981)

A Cena do Dia pertende ao filme Corpos Ardentes (Body Heat). O thriller erótico "neo-noir" pode não ser tão conhecido hoje em dia, mas causou furor na época do seu lançamento e lançou ao estrelato a atriz Kathleen Turner. O filme conta a história de Matty Walker, uma bela mulher, que tenta convencer seu amante a matar o seu rico marido. Nesta cena, Kathleen Turner se tranca na sua mansão, mas se exibe para William Hurt através das portas e janelas de vidro. Ele, completamente fora de si, quebra uma das portas para ter acesso a moça. Esta cena é um jogo de provocação e sedução e se tornou marcante pelo seu alto grau de erotismo. 


 
Kathleen Turner, inacessível e sedutora, em cena de Corpos Ardentes

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Cena do Dia - Intriga Internacional (1959)

A Cena do Dia de hoje vem do filme Intriga Internacional, de Hitchcock. A maestria da cena consiste em criar uma perseguição em um espaço aberto, sem possibilidade de escapatória. Cary Grant está em um campo, no interior dos Estados Unidos, sendo perseguido por um elemento aéreo, um pequeno avião. Como escapar de um assassinato quase certo, contra um perseguidor com tamanha vantagem? Como se proteger em um lugar que não oferece possibilidades de esconderijo? Hitchcock responde a essa pergunta: "com uma explosão"! Assista ao vídeo e veja como termina essa cena clássica.

Assista à cena: http://www.youtube.com/watch?v=M5D1aeNB2Bc