segunda-feira, 11 de julho de 2011

Os homens mais loucos do cinema

Ser louco no cinema não é privilégio das mulheres. Muitos personagens masculinos já perderam a cabeça, aterrorizaram muita gente e marcaram a história do cinema.

Veja nossa lista especial:

Os Jack Nicholson’s
 
Jack Nicholson é, definitivamente, o ator com mais cara de louco do cinema. Não é por acaso que muitos de seus personagens são meio birutinhas. 

1 – Jack Nicholson como Jack Torrance, em O iluminado (1980)


Shelley Duvall deve ter pesadelo até hoje por causa da interpretação genialmente insana e cheia de caretas de Nicholson. Outro que aterrorizava a coitada no set era o próprio diretor Stanley Kubrick, que a fazia repetir suas cenas até a exaustão.

2 - Jack Nicholson como Coringa, em Batman (1989)


O Coringa de Nicholson é mais legal que o próprio Batman. O colorido personagem é irreverente e maluquinho no filme de Tim Burton.

Assista ao trailer:  http://www.youtube.com/watch?v=VRqa47-jv0M

3 – Jack Nicholson como Melvin Udall, em Melhor é impossível (1997)

 
Melvin Udall já é um personagem clássico de Nicholson, criado para a ótima comédia romântica de James L. Brooks. O cara é detestavelmente sincero, tem transtorno obsessivo compulsivo e nenhum traquejo social! O Oscar de Melhor Ator não poderia ir para outro naquele ano. 


4 – Jack Nicholson como Frank Costello, em Os infiltrados (2006)


Esse é recente. Nicholson interpreta um mafioso bem desequilibrado e um pouco agressivo, no ótimo filme de Martin Scorsese. No filme, Nicholson parece se divertir com seus maneirismos!


Os psicopatas

5 – Anthony Perkins como Norman Bates, em Psicose (1960)


Norman Bates deixaria Freud de cabelo em pé! O moço simpático e acanhado revela-se um psicopata de marca maior, em um dos melhores filmes de Hitchcock. A atuação de Perkins é tão marcante, que ele nunca mais conseguiu se livrar do estigma do personagem. 

6 - Christian Bale como Patrick Bateman, em Psicopata americano (2000)


Não é por acaso que o personagem de Bale contém Bates no nome. Uma clara homenagem ao psicopata mais famoso do cinema! Patrick Bateman é narcisista, egocêntrico, pervertido e completamente louco. A atuação de Bale merecia, no mínimo, uma indicação ao Oscar. 


7 – Anthony Hopkins como Hannibal Lecter, em O silêncio dos inocentes (1991)


Hannibal Lecter é o canibal mais elegante do cinema. A atuação de Anthony Hopkins marcou o cinema e seu personagem consegue ser ao mesmo tempo assustador e fascinante. 

8 – Michael Myers (interpretado por Tony Moran e Tommy Lee Wallace) em Halloween (1978)


O insano serial killer mascarado de Halloween é psicopata desde criança, tendo matado a própria irmã. Só por isso, ele merece estar na nossa lista. 


O adorável 

9 - James Stewart como Elwood P. Dowd, em Meu amigo Harvey (1950)


James Stewart é o maluquinho mais fofo do cinema. No excelente filme de 1950, ele interpreta um homem que tem como amigo imaginário um coelho gigante. A atuação de Stewart valeu uma indicação ao Oscar. 


Os engraçados

10 – Ben Kingsley como Don Logan, em Sexy Beast (2000)

 
Ben Kingsley está hilário em Sexy Beast, ao interpretar um gangster bem doidão e boca suja na comédia inglesa dirigida por Jonathan Glazer. O fantástico e versátil ator, que já interpretou Gandhi, foi indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por esta performance. 


11 – Gênio, dublado por Robin Williams, em Aladdin (1992)


O gênio da lâmpada de Alladdin é completamente hiperativo, performático e maluquinho. A dublagem de Robin Williams é fantástica. 


12 - Jim Carrey, como Máskara, em O Máskara (1994)


O Máskara não é bem um personagem, talvez uma entidade. Mesmo assim garante um lugar especial na nossa lista, já que é completamente aloprado!


Múltiplas personalidades
 
13 – Andy Serkis como Gollun, na Trilogia - Senhor dos Anéis (2001/2002/2003)


Gollun é o personagem mais complexo da trilogia dos Senhor dos Anéis e um dos mais adorados pelo público. Quem gosta do homenzinho com dupla personalidade pode ficar feliz, pois ele estará de volta em O Hobbit, que está em produção. 


Os agressivos

14 - Joe Pesci como Tommy DeVito, em Os bons companheiros (1990)


Não dá para mexer com Joe Pesci, em Os bons companheiros, de Martin Scorsese. O moço é esquentado e extremamente agressivo. A performance valeu ao ator o Oscar de Melhor ator Coadjuvante.

Assista ao trailer: http://www.youtube.com/watch?v=qo5jJpHtI1Y

15 - Dennis Hopper como Frank Booth, em Veludo Azul (1986)


Não há nada de engraçado em Frank, interpretado genialmente por Dennis Hopper, ator que faleceu no ano passado. Doentio e mau que nem o capeta, ele faz da vida de Isabella Rossellini um inferno, no filme de David Lynch. 


16 – Robert de Niro como Travis Bickle, em Taxi Driver (1976)


Outro personagem oriundo de um filme de Scorsese. (Será que o “problema” é com o diretor?) O violento Travis Brickle é um sujeito bem complicado. Terapia nele! 


17 - Malcolm McDowell como Alex, em Laranja mecânica (1971)


O ultraviolento Alex conseguiu dar outra conotação à música Singing in the rain. Pervertido e cheio de neologismos, o personagem é um grande ícône do cinema.

Assista ao trailer: http://www.youtube.com/watch?v=roqncHDN_i0

Os bizarros

18 – Marlon Brando como Cel. Walter E. Kurtz, em Apocalipse Now (1979)


Careca, gordo, suado, sempre nas sombras e definitivamente perturbado, o coronel interpretado por Marlon Brando em Apocalipse Now está entre as coisas mais bizarras do cinema. A magnífica interpretação do ator reflete o que o horror da guerra pode fazer a uma pessoa.

Assista ao trailer: http://www.youtube.com/watch?v=2Vucani2GNg

19 - Heath Ledger como Coringa, em O cavaleiro das trevas (2008) 


Esta é a versão hardcore do já mencionado Coringa. Heath Ledger compõe um personagem bizarro e assustador no excelente filme de Christopher Nolan. Pela atuação, ele foi premiado postumamente com o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.
Esqueci algum? Contribua com a nossa lista, citando outros casos críticos.

sábado, 9 de julho de 2011

Homens e Deuses - 2010

Título original: Des Hommes et des Dieux
Lançamento: 2010 
País: França
Direção: Xavier Beauvois
Atores: Lambert Wilson, Michael Lonsdale, Olivier Rabourdin, Philippe Laudenbach.
Duração: 122 min
Gênero: Drama

"Deixe passar o homem livre!"


Cena de Homens e Deuses, que conta com a bela fotografia de Caroline Champetier

Homens e Deuses foi o filme selecionado pela França para disputar o Oscar de 2010. Curiosamente, o filme não conseguiu ficar entre os cinco finalistas, mesmo tendo todos os atributos que a Academia costuma apreciar. Ele foi premiado, no entanto, com o grande prêmio do júri em Cannes e ganhou três prêmios Cézar. O filme de Xavier Beauvois se passa em 1996 e conta a história verídica de oito monges franceses, residentes em um monastério de uma pequena vila na Argélia, que vêm sua rotina perturbada pela ação de terroristas. O grupo radicalista promoveu diversos atos bárbaros contra a população local. Formado por fundamentalistas islâmicos, tal grupo não hesitava em promover assassinatos daqueles que se opunham a eles. 

O roteiro, escrito por Etienne Comar e Xavier Beauvois, adota a perspectiva dos monges, pessoas não envolvidas politicamente no conflito. Por isso, os terroristas não são mostrados como monstros, apesar das barbaridades que cometem. Um deles é inclusive capaz de um ato de extrema civilidade e respeito em determinado momento da trama. O exército oficial também não é visto com simpatia, apesar de oferecerem, a princípio, proteção aos monges. O filme não é panfletário, nem se propõe a eleger mocinhos e bandidos, afinal a questão é muito mais complexa do que se pode imaginar. Como um dos personagens afirma, a situação da Argélia é, em grande parte, consequência de uma colonização violenta, que deixou uma herança de ódio e intolerância.

O filme acompanha o cotidiano dos monges, assemelhando-se, muitas vezes, a um documentário e a um big brother do monastério. O longa presenteia o espectador com belíssimos planos de  paisagens do Marrocos (onde foi filmado), mas também mostra a intimidade, os ritos e os pequenos detalhes da rotina dos religiosos. A espiritualidade dos monges é explorada em sequências contemplativas que poderiam ser enfadonhas, mas que se revelam emocionantes. Um grande êxito do longa encontra-se justamente no olhar minucioso com o qual revela a fé dos protagonistas em pequenos e grandes gestos do dia-a-dia deles. Outro mérito da produção é a maneira com a qual a relação entre monges é construída. É comovente o carinho com o qual os religiosos, a maioria idosos, se tratam e a devoção que eles têm pela missão de servir a Deus.

O filme acerta ao mostrar que os monges também têm suas dúvidas e momentos de fraqueza. Os personagens se mostram dignos de admiração por passarem por um processo de superação do medo. É com muita delicadeza e sensibilidade que os personagens são encarnados por seus respectivos intérpretes. Lambert Wilson, Michael Lonsdale, Olivier Rabourdin, Philippe Laudenbach, Jacques Herlin, Loïc Pichon, Xavier Maly e Jean-Marie Frin têm performances que se complementam, em um trabalho de elenco sensacional. Algumas cenas são particularmente marcantes pela força da atuação dos atores, como a da última votação e a fantástica cena em que os monges ouvem o "Lago dos cisnes". Esta cena emocionante e magistralmente dirigida mostra a transformação das expressões dos personagens e carrega, de certa forma, um tom premonitório. 

Contando ainda com uma fotografia belíssima, Homens e Deuses é um filme emocionante e uma bela homenagem a homens que foram exemplos de fé e perseverança. O filme francês é o retrato da fé verdadeira e da prática dessa fé, independente de rótulos religiosos.

Assista ao trailer:






segunda-feira, 4 de julho de 2011

As mulheres mais loucas do cinema

Todo cinéfilo que se preze adora fazer listas das coisas mais absurdas possíveis, envolvendo o mundo encantado do cinema. Dessa vez, o Clube do Filme se aventurou a fazer a seleção das mulheres mais desequilibradas, perturbadas, emocionalmente instáveis, transtornadas, insanas, tresloucadas, birutas, maluquinhas da Silva, doidivanas, loucas de jogar pedra, abiloladas, descompensadas e tantãs do cinema. Essa é uma forma de homenagear as atrizes que entraram para a história da sétima arte ao personificarem mulheres que se encontram no limite entre a sanidade e a loucura. Nem todas as eleitas são completamente loucas, mas todas precisariam, no mínimo, visitar um psicólogo urgentemente. Confira a nossa lista e contribua com outros casos críticos!

As psicopatas 


1 - Glenn Close como Alex Forrest, em Atração Fatal (1987)


Glenn Close (indicada ao Oscar) deixa Michael Douglas apavorado com sua personagem ninfomaníaca, obsessiva, perigosa e matadora de coelhinhos. Que medo!

Assista ao trailer: http://www.youtube.com/watch?v=k1QuLIPFZL0 
 
2 - Kathy Bates como Annie Wilkes, em Louca obsessão (1990)


Quem precisa de uma fã como Annie Wilkes, interpretada magistralmente por Kathy Bates (ganhadora do Oscar)? James Caan sofre na mão da gordinha, que consegue ser, ao mesmo tempo, assustadora e divertida.

Assista ao trailer: http://www.youtube.com/watch?v=wAzmhrctuz0
 

3 - Rebecca De Mornay como Peyton Flanders, em A mão que me balança o berço (1992)


Ela é linda e tem rosto de anjo, mas é fria, vingativa e perigosa. Não é por acaso que este é o papel mais famoso de Rebecca De Mornay, sua performance é tão boa quanto o título do filme!

Assista ao trailer: http://www.youtube.com/watch?v=wjtfG8r14Uk
 

4 - Charlize Theron como Aileen Wuornos, em Monster – Desejo assassino (2003)


Charlize Theron se transfigura para viver Aileen Wuornos, uma serial killer que realmente existiu. Belíssima composição da atriz, premiada com o Oscar.

Assista ao trailer: http://www.youtube.com/watch?v=vq70brIQP40

As obsessivas 


5 - Gene Tierney  como Ellen Berent Harland,  em Amar foi minha ruína (1945)


Gene Tierney, além de belíssima, era extremamente talentosa. Neste, que é o seu melhor papel no cinema, ela interpreta uma mulher obcecada por um homem e que é capaz de fazer qualquer coisa para tê-lo só para ela. Ellen Harland é a grande predecessora de famosas personagens obsessivas e perigosas do cinema, como Alex Forrest.

Assista ao trailer: http://www.youtube.com/watch?v=lBpIgetXN-g
 

6 - Isabelle Adjani como Adele Hugo, em A história de Adele H. (1975)


Isabelle Adjani interpreta uma personagem verídica, a filha de Victor Hugo. A moça vai enlouquecendo aos poucos por causa de um amor obsessivo. Ela, ao contrário de Ellen, não faz mal a ninguém, somente a si mesma. A atriz foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz em 1976, aos 20 anos, tornando-se, na época, a mais jovem atriz a concorrer ao prêmio.

Assista ao trailer: http://www.youtube.com/watch?v=fvH77u47d7k

A caçula


7 - Ellen Page como Hayley Stark, em Meninamá.com (2005)


Ellen Page despontou no cinema ao interpretar uma adolescente de 14 anos que deixaria qualquer marmanjo morrendo de medo. Difícil não pensar duas vezes antes de marcar um encontro pela internet, após ver esse filme.

Assista ao trailer: http://www.youtube.com/watch?v=J7jkLEhVvDI

Mamães más


8 - Faye Dunaway como Joan Crawford, em Mamãezinha querida (1981)


Neste filme de 1981, Faye Dunaway interpreta a grande estrela Joan Crawford. Se estivesse viva na época, a diva da Era de Ouro de Hollywood, provavelmente, não iria ficar nada feliz com a “homenagem”. Baseado em um livro escrito pela filha de Crawford, em que esta denuncia os maus tratos da mãe, o filme é medíocre, mas a performance de Dunaway é fantástica e monstruosa.

Assista ao trailer: http://www.youtube.com/watch?v=EjRaU8hRVJs 

9 - Mo’ nique como Mary, em Preciosa (2009)



Outra personagem obviamente desequilibrada e sem muito instinto maternal é Mary, mãe de Precious. A personagem se assemelha a um mostro: joga uma panela na filha, a ameaça, a xinga e a explora. Atuação soberba da ganhadora do Oscar,  Mo´nique.

Assista ao trailer: http://www.youtube.com/watch?v=_RC71lTB6W4 

Malvadas e sexys 


10 - Angelina Jolie como Lisa Rowe, em Garota Interrompida (1999)


Lisa é a prova de que Angelina Jolie sabe atuar quando quer. Internada em um hospital psiquiátrico, a moça tem uma maldade doentia e é a amiga da onça da personagem de Winona Ryder. Jolie foi premiada com o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.

Assista ao trailer:   http://www.youtube.com/watch?v=U4-GD1VqdOA

11 - Rainha má, dublada por Lucille La Verne, de Branca de Neve e os sete anões (1937)


Pode ser controverso eleger a madrasta de Branca de Neve como uma personagem perturbada. Mas uma mulher que manda um lenhador cortar a cabeça da enteada, fala com um espelho e ainda se metamorfoseia de velha para envenenar a mesma, não pode ser muito normal. Só para constar, sempre a achei mais bonita que a própria Branca de Neve.

Assista ao trailer: http://www.youtube.com/watch?v=XESn0SPHcRI

As autodestrutivas


12 - Isabelle Hupert como Erika Kohut, em A professora de piano (2001)


Ganhadora do Prêmio de Melhor Atriz em Cannes por este papel, no filme de Michael Haneke, Isabelle Huppert é uma das atrizes francesas mais talentosas da atualidade. Sua personagem, em A professora de piano, é uma mulher sexualmente reprimida, com ares de megera e que leva à loucura um jovem pianista. Perturbada é pouco para ela!

Assista ao trailer:  http://www.youtube.com/watch?v=XNCBd2DaSpc


13 - Charlotte Gainsbourg como Ela, em Anticristo (2009)


Anticristo é um dos filmes mais interessantes do insano e genial Lars Von Trier. A personagem da também francesa Charlotte Gainsbourg sofre uma grande perda e a dor do trauma aliado à culpa lhe faz infligir a si mesma e ao marido grandes dores. Seu desequilíbrio emocional é tamanho que ela chega a praticar uma automutilação. 
As adoráveis 


14 - Emily Watson como Bess McNeill, em Ondas do destino (1996)


Em outro filme de Lars Von Trier, o maravilhoso Ondas do Destino, encontramos uma personagem inesquecível. Nesse filme, Emily Watson tem um dos desempenhos mais emocionantes do cinema. Sua personagem é uma mulher difícil de descrever. Dona de uma inocência e de uma fé quase infantis, ela faz coisas inimagináveis por amor.

Assista ao trailer: http://www.youtube.com/watch?v=b_3Nio8P5gQ 

15 - Gena Rowlands como Mabel, em Uma mulher sob influência (1974)


Gena Rowlands, no excelente filme de John Cassavetes, é aquela que mais se aproxima do estereótipo da louca. Rowlands está inacreditável e consegue exprimir perfeitamente os conflitos da personagem e a dificuldade da mesma de se comunicar e de ser compreendida pelos familiares. Ainda não consigo entender como que a atriz não foi premiada no Oscar de 1975.

Assista ao trailer: http://www.youtube.com/watch?v=X4Uzdlgv2G8


16 - Maggie Gyllenhaal como Lee Holloway, em Secretária (2002) 


Lee Holloway é uma moça que saiu de um hospital psiquiátrico e conseguiu o emprego de secretária. Sadomasoquista e adepta do autoflagelamento, ela começa a ter um relacionamento bem estranho com seu chefe. Maggie Gyllenhaal está ótima nessa comédia de humor negro.

Assista ao trailer:  http://www.youtube.com/watch?v=YmSO07r_zTc

As clássicas 


17 - Viven Leigh como Blanche Dubois, em Uma rua chamada pecado (1951)


Vivien Leigh, uma das minhas atrizes favoritas, lutava na vida real contra o transtorno bipolar. No clássico Uma rua chamada pecado, ela interpreta uma mulher que tenta sobreviver em um mundo muito cruel para ela.  Ela passa a se abrigar pouco a pouco em um mundo de ilusões.

Assista ao trailer:  http://www.youtube.com/watch?v=ilW32IKJoM0


18 - Gloria Swanson como Norma Desmond, em Crepúsculo dos Deuses (1950)


Personagem icônica do cinema, a egocêntrica e vaidosa Norma Desmond não aceita a decadência da própria carreira e segue em um caminho sem volta rumo à loucura. Gloria Swanson, grande atriz do cinema mudo, tem em Crepúsculo dos Deuses, do mestre Billy Wilder, seu maior papel.

Assista ao trailer:  http://www.youtube.com/watch?v=io0GBjw30fw

19 - Bette Davis como Baby Jane, em O que terá acontecido com Baby Jane? (1962)


A grande Bette Davis exagera tudo o que pode, ao interpretar Jane Hudson, ex-estrela infantil, que se diverte em torturar a irmã que é paraplégica, esta interpretada pela arquiinimiga da atriz, Joan Crawford. A bizarrice da personagem atinge seu ápice quando ela se veste de criança e canta “I’ve written a letter to daddy”.

Assista ao trailer:  http://www.youtube.com/watch?v=zAcf9QqXprc


20 - Elizabeth Taylor como Martha, em Quem tem medo de Virginia Wolf? (1966)


Martha pode não ser louca, mas é a personagem mais perturbada de Elizabeth Taylor. Agressiva e rancorosa, ela não mede esforços para ferir moralmente o marido George. Essa é sem dúvida a melhor interpretação da carreira da atriz, pela qual ela ganhou seu segundo Oscar.

Assista ao trailer:  http://www.youtube.com/watch?v=hZEKQnMCze8

Múltiplas personalidades

21 - Joanne Woodward como Eva, em As três máscaras de Eva (1957)


A atriz Joanne Woodward ganhou o Oscar ao interpretar as três personalidades de Eva. O filme não é nenhuma obra-prima, mas a atuação dela é muito boa e a história é baseada em fatos reais.

Assista ao trailer: http://www.youtube.com/watch?v=G-B0_m6fW94


22 - Natalie Portman como Nina Sayers, em Cisne negro (2010)


A última ganhadora do Oscar de Melhor Atriz, Natalie Portman, interpretou em Cisne Negro uma bailarina perfeccionista e reprimida sexualmente, que acaba descobrindo um lado obscuro de sua personalidade.


quinta-feira, 30 de junho de 2011

Os nomes do amor - 2010

Título original: Le Nom des Gens 
País: França   Ano: 2010
Direção: Michel Leclerc
Atores:Jacques Gamblin, Sara Forestier, Zinedine Soualem, Carole Franck.
Duração: 100 min
Gênero: Comédia


A talentosa Sara Forestier salvando caranguejos em cena de Os nomes do amor

Francesa, pai argelino, grandes olhos azuis e um belo corpo (sempre à mostra). Também esquerdista, não depila as axilas, fala muito, foi violentada quando criança e se descreve como uma "puta política". Ela se chama Bahia Benmahmoud e todo mundo pergunta se o seu primeiro nome é brasileiro. A personagem principal de Os nomes do amor é, por si só, uma obra-prima irresistível.

Devo confessar que, quando a sessão de Os nomes do amor terminou, me deu uma vontade louca de sair indicando-o para mais e mais pessoas, talvez por ter me ressentido do fato de que tantos filmes medíocres são vistos por milhões, enquanto este delicioso filme está fadado a ser visto por poucos, pelo menos em território brasileiro. Talvez o espírito subversivo e questionador da protagonista tenha surtido algum efeito em mim. Fato é que a comédia romântica de Michel Leclerc é um dos meus filmes favoritos do ano.

Os nomes do amor (tradução piegas para o que deveria ser Os nomes das pessoas) conta a história de um homem de origem judia, Arthur Marthin, e uma jovem mulher de origem mulçumana, Bahia Benmahmoud, que se encontram e passam a ter uma história de amor inusitada. Bahia leva ao pé da letra o ditado "faça amor, não faça guerra". Ela leva para cama homens cujo ideal político se diferencie do seu para tentar mudar a mentalidade dos mesmos. E o mais interessante é que normalmente ela consegue. Arthur Marthin é um biólogo que estuda a morte de aves e que não é, particularmente, politizado. Ele vive uma vida aparentemente sem graça, até encontrar Bahia.

Não é por acaso que o filme é intitulado, em francês, de Os nomes das pessoas já que os nomes são extremamente simbólicos na trama. Nomes são uma forma de identidade e cada um carrega em si uma história e pode, até mesmo, ser um elemento que gere discriminação. Assim, os nomes dos  protagonistas nos dizem muito sobre eles. Arthur Martin, nome muito comum na França, indica um sujeito comum, que tem uma vida também comum. Ele, no entanto, poderia ter outro nome, um nome judeu que lhe foi negado no momento do registro, uma tentativa de esquecimento. Seus avós maternos foram mortos no campo de concentração. Bahia, ao contrário, teve sua origem marcada em seu nome e se tornou uma ativista em prol dos direitos não só dos mulçumanos, mas de todas as minorias discriminadas. Bahia é uma rebelde com muitas causas.

Os nomes do amor tem como uma das maiores qualidades o fato de lidar, de forma bem humorada e com um olhar crítico, com temas espinhosos para os franceses, como o racismo. Os direitos dos estrangeiros residentes no país, a xenofobia latente e o preconceito são questões bastante delicadas no país. Paris, por exemplo, onde se passa a história do filme, abriga pessoas de todos os lugares do mundo. O filme toca em um assunto que é, portanto, bastante pertinente e atual no país, ainda mais se levarmos em conta polêmicas recentes como a proibição do véu total (que cobre todo o corpo) para mulheres mulçumanas. O filme também não se exime de falar da Guerra da Argélia e da Segunda Guerra Mundial e de suas consequências para as gerações que se seguiram, os filhos daqueles que foram exterminados. O filme se permite ainda falar da política mais atual (uma das melhores cenas do filme envolve a eleição do atual presidente Nicolas Sarkozy).

Os nomes do amor é uma comédia que consegue ser hilária ao tratar de assuntos muitos sérios (ora, a protagonista, por exemplo, foi violentada quando criança por seu professor de piano). Leclerc acerta ao apostar em alguns recursos que encontramos em filmes de Woody Allen, principalmente se pensarmos em Noivo neurótico, noiva nervosa (1977), como a introdução do sujeito adulto no flashback da infância, os depoimentos para a câmera, a introdução de uma figura real na história fictícia (no caso, o político Lionel Jospin) e outros. Leclerc, que também é um dos roteiristas, investe em um humor rápido, por vezes ácido e sem algum pudor. 

O filme também é bem-sucedido ao construir uma bela história de amor. Mesmo recorrendo aqui e ali a clichês romanescos, como os opostos que se atraem e os famosos mal-entendidos, o filme conseguirá agradar e emocionar os corações sedentos de romantismo. O sucesso do filme, neste aspecto, se deve muito aos dois atores principais: Jacques Gamblin e Sara Forestier.

Sara Forestier, jovem atriz de 24 anos, tem uma  performance absolutamente fenomenal na pele de Bahia. Ela encarna a personagem com um desprendimento e uma falta de pudor maravilhosos e a naturalidade com que ela fala os maiores absurdos é cativante. O filme é dela do início ao fim e ela faz com que nos apaixonemos por sua desavergonhada personagem. A atriz levou merecidamente o prêmio  Cézar (Oscar Francês) de melhor atriz este ano. Jacques Gamblin também faz um ótimo trabalho, principalmente por conseguir expressar tão bem o encantamento do seu personagem por Bahia. O filme conta ainda com os ótimos trabalhos de Michèle Moretti, Jacques Boudet, Carole Franck e Zinedine Soualem.

Os nomes do amor emociona, nos faz rir e ainda dar grandes suspiros. A inteligência e sensibilidade de seu roteiro me faz lembrar outra jóia do cinema francês, O fabuloso destino de Amélie Poulin (2001). O longa, que também fez parte do Festival Varilux de Cinema Francês, é imperdível!

Trailer do filme:



segunda-feira, 27 de junho de 2011

Violência gratuita (Funny Games) - 1997 e 2007

Susanne Lothar excelente em cena de Violência gratuita (1997)
 
Michael Haneke é um diretor e roteirista austríaco, provavelmente o melhor cineasta de língua alemã da atualidade. Antes de ingressar no mundo do cinema, ele estudou filosofia e psicologia em Viena, o que explica, de certa forma, seu interesse por patologias e dramas humanos. Temas como o trauma, a violência, o sadismo, a incapacidade de comunicar-se, a inadaptaçao dos indivíduos, as pulsões irracionais e a sexualidade são trabalhados constantemente em sua filmografia. Primando pela construção psicológica de seus personagens, em detrimento da própria ação, as narrativas de Haneke se caracterizam por serem experiências intensas e perturbadoras. Em Violência gratuita, o cineasta exibe toda sua genialidade. Outros grandes filmes do diretor são: A fita branca (2009), Caché (2005) e A professora de piano (2001).

Violência gratuita, primeira versão, foi lançado em 1997 e fez parte da seleção oficial do Festival de Cannes. 10 anos depois, Haneke fez uma refilmagem americana quadro a quadro, com novo elenco. A discussão de qual versão é a melhor mostra-se, muitas vezes, infrutífera uma vez que Haneke optou por fazer uma refilmagem absolutamente fiel à obra original. Obviamente, quando se assiste primeiramente a versão de 1997, a de 2007 se torna menos impactante e vice-versa. O que me faz preferir a primeira versão é o trabalho extraordinário da atriz Susanne Lothar, o fato de que a língua alemã me soa mais agressiva e sonora do que a língua inglesa e a impressão de que o filme de 1997 é mais escuro e claustrofóbico do que o segundo filme. O elenco da versão alemã conta com Susanne Lothar, Ulrich Mühe, Stefan Clapczynski, Arno Frisch, Frank Giering. O elenco da versão americana conta com nomes mais conhecidos: Naomi Watts, Tim Roth e Michael Pitt. 

Violência gratuita conta a história de uma família de classe média alta, formada pela mãe Anna, o pai George e o filho Schorschi (ou Georgie), que vão passar alguns dias em uma casa de campo no interior. Logo após a chegada da família, eles são abordados por dois jovens ameaçadores, Peter e Paul, que fazem a família de refém. Apesar do título em português não ser uma tradução correta do irônico título original (Funny games), ele representa bem o fato de que não há nenhum motivo aparente para a ação dos rapazes a não ser a simples crueldade humana. Os jogos divertidos do título em inglês não se referem apenas às torturas físicas e psicológicas promovidas pelos dois algozes, mas também à direção de Haneke que brinca, a cada instante, com as emoções e expectativas do espectador.

Podemos afirmar que Haneke cumpre o papel de terceiro torturador no filme. Ele parece se divertir, por exemplo, ao introduzir, inesperadamente, um rock heavy metal na abertura do filme, causando um extremo estranhamento desde esse primeiro momento. Em uma das melhores sequências do filme, ele sugere a presença de um dos torturadores, apenas com o barulho de um objeto associado a ele no início do longa, provocando uma tensão sem precedentes. Violência gratuita parece ser um tratado de Haneke sobre o poder de manipulação da arte fílmica sobre as emoções humanas. O diretor deixa claro, em diversos momentos, que se trata de uma obra de ficção. Peter, por exemplo, se dirige ao espectador duas vezes, comentando suas próprias ações. Ao mesmo tempo, Haneke exibe seu poder de envolver o espectador de forma com que o mesmo sofra e se importe com o destino dos personagens.

Um dos aspectos mais interessantes do longa é o fato de Haneke não exibir, em nenhum momento, nenhuma das ações violentas dos criminosos, que são indicadas apenas pelos sons e pela atuação dos atores. O único momento de violência realmente exibido é aquele que parte da vítima. Neste momento, o espectador tende a comemorar a ação da mesma, ou seja, até mesmo o espectador é maculado pelo desejo de violência. As escolhas de Haneke se mostram sempre inteligentes. Ele, por exemplo, mostra o impacto de uma morte importante no filme, fazendo um longo plano em que os personagens, de certa forma, assimilam o que acabou de ocorrer e pensam o que devem fazer a seguir.

Tanto o elenco do primeiro filme, quanto o do segundo fazem um ótimo trabalho, mas o grande destaque em termos de atuação é Susanne Lothar, a mãe do primeiro filme. A personagem Anna  cumpre uma função importantíssima na trama, ela carrega a responsabilidade de lutar pela própria sobrevivência e a da sua família, enquanto o pai se vê impotente desde o início. Em uma das melhores atuações do cinema, Lothar se transforma fisicamente ao longo da projeção, o esgotamento da personagem é algo real e pungente. É quase impossível conter a emoção face às reações da atriz. É fundamental para o jogo de Haneke, que o público torça por sua heroína e Lothar é a grande parceira do diretor para o sucesso do longa.

O filme conta com uma fotografia que opta pelos tons pastéis e com uma iluminação que vai aos poucos se tornando fraca. A ausência de trilha sonora, exceção feita à introdução do rock já mencionado em momentos pontuais da trama, gera uma sensação de um realismo perturbador. Violência gratuita é um exercício cinematográfico genial. A necessidade do remake é discutível, o que não se pode discutir é o talento de Haneke na construção desta história, que pode ser descrita como um verdadeiro soco no estômago e um  tratado sobre a violência.

Trailer do filme de 1997: 
Trailer do filme de 2007:




terça-feira, 21 de junho de 2011

Potiche - 2010

Título Original: Potiche
Gênero: Comédia
Direção: François Ozon
Roteiro: François Ozon, Jean-Pierre Grédy, Pierre Barillet
Produtores: Eric Altmeyer, Genevieve Lemal, Nicolas Altmeyer
Elenco: Catherine Deneuve , Gérard Depardieu, Fabrice Luchini, Karin Viard, Judith Godrèche, Jérémie Renier, Évelyne Dandry, Sergi López , Bruno Lochet , Elodie Frégé
País de Origem: França
Duração: 103 minutos

Catherine Deneuve e Judith Godréche em cena de Potiche

O Festival Varilux de Cinema Francês traz a 22 cidades brasileiras uma programação imperdível de filmes contemporâneos do cinema de língua francesa. Para conferir a programação, basta entrar no site do festival (http://www.festivalcinefrances.com/). Dentre as produções que serão exibidas, está a comédia Potiche - Esposa troféu, do badalado diretor François Ozon. Depois da parceria no divertido 8 mulheres, ele reencontra a eterna diva Catherine Deneuve, em um filme que é feito para a atriz brilhar. 

"Potiche", que literalmente denomina um tipo de vaso decorado chinês ou japonês, é uma expressão popular usada para caracterizar homens ou mulheres-bibelôs, pessoas que podem até ter alguma posição honorífica, mas que não têm nenhum poder efetivo, sendo usadas, muitas vezes, apenas como um tipo de adorno. É o caso da protagonista do novo filme de Ozon. Suzanne Pujol (Catherine Deneuve) é casada com o diretor de uma fábrica de guarda-chuvas, que é a maior empregadora de uma pequena cidade francesa. A potiche se vê obrigada a assumir o controle da fábrica, quando seu marido se envolve em um sério conflito com o sindicato de trabalhadores local. Ela logo toma gosto pelo poder, causando uma série de conflitos na família. 

Como afirmei no primeiro parágrafo, o filme é feito para Catherine Deneuve e não é de se espantar, por exemplo, que a fábrica comandada pela personagem no filme seja de guarda-chuvas, já que um dos trabalhos mais famosos da atriz é no cultuado musical francês Os guarda-chuvas do amor (1964); uma homenagem sutil e divertida. O filme também promove o reencontro da estrela com outro grande astro francês, Gérard Depardieu com quem ela trabalhou em O último metrô (1980), de Truffaut. Deneuve, com sua elegância e beleza habituais, canta, dança e exibe um carisma encantador em Potiche.

A comédia farsesca de Ozon é ambientada no final dos anos 70. A produção de arte e o figurino inspiradíssimos brincam com o estilo e  a moda deste período. Elementos do filme, como o cabelo à la Farrah Fawcett da filha da protagonista e a dança na discoteca que muito lembra Os embalos de sábado a noite, são referências divertidas à década retratada. Ozon opta também por usar uma palheta de cores variada, criando um filme bem colorido e alegre. 

A trama, que aborda a questão dos direitos das mulheres e da submissão destas diante do poder masculino, não se leva, no entanto, muito a sério. Mesmo que tenha um leve toque subversivo e crítico, a abordagem é, sobretudo, cômica. Em um momento de consagração da protagonista, por exemplo, ela não hesita em agir como uma Evita de cabaré. É exatamente por conseguir surpreender o espectador, indo em direção ao melodrama e fazendo reviravoltas ousadas, que o filme  mostra-se tão divertido. Um momento-chave, nesse sentido, é quando a protagonista revela seu passado sexual.

Contando também com um elenco afiadíssimo, Potiche - Esposa troféu é um filme leve, divertido e que lhe deixará com um sorriso no rosto por muito tempo após sessão. 

Trailer do filme:

sábado, 18 de junho de 2011

Meia noite em Paris - 2011

Título original: Midnight in Paris
País: EUA/Espanha/França  
Ano: 2011 
Duração:100 minutos
Gênero: Comédia 
Dirigido por: Woody Allen
Escrito por: Woody Allen
Estrelado por:  Owen Wilson, Marion Cotillard, Rachel McAdams, Carla Bruni-Sarkozy, Michael Sheen, Nina Arianda, Alison Pill, Tom Hiddleston, Kathy Bates, Corey Stoll, Kurt Fuller, Mimi Kennedy 

Owen Wilson e Rachel McAdams em cena do filme.
Desde 1977, quando lançou o clássico Noivo neurótico, noiva nervosa, Woody Allen nos presenteia com pelo menos um filme a cada ano. O prolífico e multifacetado cineasta de 75 anos é, aparentemente, contra qualquer tipo de folga do cinema e, pelo visto, nem cogita a aposentadoria, uma vez que já está produzindo seu próximo filme, Bop Decameron (2012). Apesar de seus longas gerarem sempre grande expectativa, a última década revelou ser a menos interessante do diretor. Filmes como Dirigindo no escuro (2002), Igual a tudo na vida (2003), Scoop - O Grande Furo (2006) e O Sonho de Cassandra (2007) foram considerados grandes decepções pela crítica. O último lançamento do diretor, Você vai conhecer o homem dos seus sonhos (2010), também não a empolgou. Seus maiores sucessos da década, Match Point (2005) e Vicky Cristina Barcelona (2008), empalidecem quando comparados a obras como Interiores (1978), Manhattan (1979) e o já citado, Noivo Neurótico, noiva nervosa (1977). 

Já há alguns anos, Woody Allen deixou de usar como cenário de seus filmes a sua cidade natal, Nova York, para filmar em cidades européias, como Londres, Barcelona e, dessa vez, Paris. O cineasta explicou que a causa dessa mudança é, sobretudo, econômica, já que filmar na Europa é bem menos oneroso que filmar em Nova York. Seu novo filme, Meia noite em Paris, estreou em Cannes este ano e recebeu uma acolhida calorosa por parte da crítica, sendo um dos destaques do festival. Por enquanto, Meia noite em Paris é o filme de Allen que recebeu as melhores críticas dos últimos anos. Nos sites especializados IMDB e Rotten Tomatoes, o filme tem uma cotação bastante alta. Vale destacar que este último site aponta a produção como o melhor trabalho do diretor desde Tiros na Broadway (1994).

Meia noite em Paris conta a história de Gil (Owen Wilson), um roteirista de Hollywood que sempre  sonhou em ser um grande escritor americano e que viaja a Paris, com sua noiva Inez (Rachel McAdams) e os pais da moça, John (Kurt Fuller) e Helen (Mimi Kennedy). John viaja a Paris para fechar um grande negócio e tanto ele, quanto sua mulher, deixam claro a desaprovação pelo futuro genro. No passeio, Gil ainda tem que suportar um irritante amigo pseudointelectual de Inez (Michael Sheen). Durante sua estada na capital francesa, Gil passa a questionar os rumos da sua vida e de sua obra, se evadindo em um mundo de sonhos e ilusões. Durante uma série de noites, o rapaz faz uma viagem no tempo e volta aos anos 20, convivendo com grandes ídolos, como Fitzgerald, Hemingway, Salvador Dalí, Gauguin, Degas, Cole Porter, Pablo Picasso e Buñuel.

Muitas produções americanas já exaltaram a beleza e o charme de Paris. Talvez a mais famosa entre elas seja o clássico musical Sinfonia em Paris (1951), de Vincent Minelli. O novo filme de Woody Allen entra para a história do cinema como mais uma grande homenagem à capital francesa. O longa funciona, inclusive, como um belo guia turístico, ao mostrar, por exemplo, em sua abertura, sucessivos planos que mais se assemelham a cartões postais em movimento. Mas não é somente a beleza parisiense que é exibida, mas também tudo que é associado à herança cultural e artística da cidade e sua influência sobre grandes nomes da literatura norte-americana como Ernest Hemingway e F. Scott Fitzgerald. 

Gil é um sensível roteirista, completamente apaixonado por Paris e que tem o desejo de se tornar um grande escritor. Ele vive um interessante tipo de nostalgia: aquela por um tempo que não vivenciou, a Paris dos anos 20. O personagem é personificado maravilhosamente bem por Owen Wilson, em seu melhor papel no cinema. O ator compõe um personagem que é, por diversas razões, encantador. Wilson, conhecido por seus papéis cômicos, consegue expressar o drama pelo qual seu personagem atravessa, assim como o entusiasmo do mesmo pela arte. Talvez o momento máximo de sua performance seja quando, em um longo primeiro plano do filme, o ator consegue apenas através do olhar demonstrar todas as emoções vividas por Gil. 

Sonhador, desajeitado, romântico, Gil contrapõe-se a sua detestável noiva, Inez, que assim como seus pais, é materialista, pedante e preconceituosa. Rachel McAdams, que tem no currículo algumas personagens bem irritantes, se supera ao fazer com que o espectador realmente deteste sua personagem. O mundo paralelo de Gil é habitado por grandes nomes da arte que, por sua vez, são interpretados por grandes atores. Kathy Bates, Adrian Brody, Corey Stoll estão absolutamente inspirados e parecem se divertir ao máximo com seus personagens. Já a delicada Marion Cotillard surge, mais uma vez, belíssima como a musa idealizada de Gil. Para mim, uma grata revelação foi Alison Pill, que interpreta Zelda Fitzgerald. Carla Bruni, atual primeira-dama da França, tem uma participação bem pequena e talvez, por isso, não faça muito feio. 

Meia-noite em Paris conta com uma bela fotografia, de Darius Khondji, que ressalta, através das cores, a diferença entre os dois mundos de Gil. Quando este se encontra no passado as cores são mais quentes, levemente puxadas para o sépia. Já a vida real do rapaz é mostrada através de tons acinzentados. O trabalho da direção de arte e do figurino também é genial ao reconstituir 3 épocas diferentes (o presente, os anos 1920 e os anos 1890). Mas um dos aspectos técnicos que mais saltam aos olhos, ou melhor, aos ouvidos, é a belíssima trilha sonora do filme, responsabilidade do também músico Woody Allen. 

Neste novo longa, encontramos ainda pitadas do delicioso humor de Woody Allen e inúmeras referências a grandes artistas e obras, como a bem-humorada passagem sobre o filme O anjo exterminador (1962), de Buñuel . Fazendo uso do realismo fantástico presente também em A rosa púrpura do Cairo (1985), Meia noite em paris é um conto de fadas leve e encantador.

Trailer do filme: