sexta-feira, 18 de março de 2011

Darling - 1965


Darling é um filme longo, bem longo... em suas duas horas de duração. Longo porque fala do vazio, é uma não-história. Concentrando-se em um estudo de personalidade mais do que em uma trama propriamente dita, o filme acompanha as desventuras de uma personagem egocêntrica, imatura, ambiciosa, frívola, egoísta, indecisa... e lá se vai uma série de adjetivos pouco lisonjeiros. Diana Scott, a "darling" do filme, que no Brasil saiu com o subtítulo no mínimo irônico "a que amou demais", é uma mulher que não sabe o que quer, mas que sabe que quer muita coisa. Falo mal dela, mas na verdade é uma personagem extremamente interessante porque mostra todas as incongruências humanas. Assistimos, durante duas horas, a tentativas dessa mulher de se tornar algo, mas ela constantemente se boicota, ignorando completamente o que sente. Devo estar dando a impressão de que não gostei do filme... pois bem: ele é fantástico!

Para começar, a abertura de Darling exibe um outdoor com uma imagem de africanos passando fome, sendo substituída por um luxuoso anúncio publicitário que tem a protagonista em destaque. Essa é uma metáfora recorrente na produção, que de certa forma nos informa: esse filme mostra a superficialidade em seu máximo... O filme inglês tem um diálogo com o clássico italiano A doce vida, de Fellinni. Ambos retratando um grupo de pessoas ricas, narcisistas, artificiais, vazias e entediadas com a própria existência. O diretor John Schlesinger olha com uma ironia mordaz para os tipos que apresenta e sua direção é genial, inteligente, extremamente elegante e sensível... O filme é um colírio para os olhos, com planos e enquadramentos belíssimos e uma fotografia em preto e branco maravilhosa. 

Diana Scott é interpretada por Julie Christie, no papel que lhe rendeu o Oscar. É uma grande interpretação, em um filme que também é uma homenagem a sua beleza. A produção foi lançada no mesmo ano em que o  famoso épico Dr. Jivago, filme que rendeu à atriz fama mundial. Dois outros atores se destacam: os fantásticos Laurence Harvey (que tem ótimas frases ácidas no filme) e Dirk Bogarde (em uma bela atuação). Darling possui cenas maravilhosas, como a sequência de um strip-tease enraivecido em uma mansão italiana e um jogo bizarro em uma festa em Paris. 

Darling talvez te deixe tão entediado quanto sua protagonista... para mim, foi a descoberta de um cinema elegante e cínico.

Veja as belas fotos do filme:

domingo, 13 de março de 2011

Psicose (1960)

Janet Leigh na mais famosa cena de chuveiro de todos os tempos

Psicose, uma das quatro obras-primas mais conhecidas de Hitchcock, é um clássico do terror que permanece tão perturbador quanto a 50 anos atrás. O terror do filme, no entanto, vem menos do enredo do que da maestria com que Hitchcock dirige o espectador. O mestre inglês manipula seu público, a seu bel-prazer, nos deixando a par do que o ocorre em um sinistro hotel de beira de estrada, mas nunca nos revelando tudo de uma vez só... 

Ao assistir o filme pela segunda vez, depois de um long hiato, me surpreendi com a bela fotografia em preto e branco do filme, uma das responsáveis pela construção de uma atmosfera sombria e tensa. E existe certa frieza na maneira com que o diretor conduz sua narrativa que aumenta ainda mais a sensação de desconforto. Longe de conter uma tragédia amorosa, como em O corpo que cai, o filme nos apresenta falsas pistas com relação ao centro de sua intriga. Logo na primeira cena do filme, a câmera invade um quarto de motel onde dois amantes aproveitam uma hora furtiva durante o dia... Mas o filme não conta uma história de amor. Depois, a mesma moça do motel (Janet Leigh) rouba uma grande soma de dinheiro do escritório em que trabalha, mas tampouco a trama do roubo é o centro do filme. E (não leia esta frase se você não tiver a mínima idéia do que acontece filme e se quiser assisti-lo antes) é no mínimo inusitado que a protagonista, apresentada a nós como tal, seja assassinada na metade do filme.

Uma das tiradas de gênio de Hitchcock é a maneira com que ele nos despista, para nos apresentar quase na metade da projeção uma trama macabra, representada pelo fantástico personagem Norman Bates e o seu hotel no meio do nada. Bates é uma das personalidades mais interessantes do cinema, tendo sido imortalizado pelo grande ator Anthony Perkins. É brilhante a forma com que Perkins constrói seu personagem: a princípio, um jovem naturalmente simpático e agradável que pouco a pouco vai mostrando seu desequilíbrio. Há alguns posts atrás, eu disse que Marnie era o filme mais "freudiano" do diretor, mas Psicose não fica muito atrás, o que o título em si já revela. Toda a questão do complexo de Édipo e outras questões de ordem psicanalítica estão envolvidas na relação do reprimido Bates com sua mãe.

A cena mais célebre do filme é tão famosa, que a maioria das pessoas a conhecem sem nunca ter visto o filme. E não é por acaso que ela se tornou um marco na história do cinema e é considerada, até hoje, como a cena mais assustadora de todos os tempos. O mais interessante é observar que a sequência é construída como uma sucessão de cortes ritmados pela trilha sonora e pelo som da faca. E se observarmos atentivamente, vemos que em nenhum momento a arma sequer encosta na atriz. A violência está na genial montagem de Hitchcock e na trilha sonora de arrepiar de Bernard Herrmann.

Psicose é cinema no que ele tem de melhor... A última cena e o último olhar de Norman Bates são deliciosamente assustadores. 

Anthony Perkins, fantástico e assustador como Norman Bates





Trailer do filme:

quinta-feira, 10 de março de 2011

Easy A - 2010


Cartaz do filme

Deveria existir um bom filme debaixo de todos os clichês de Easy A, mas temo que nem isso aconteça. Esta comédia recém-produzida, que ainda não estreou no Brasil, conta a história de uma garota que  acaba assumindo a fama de "fácil" para toda a escola, após uma mentira contada por ela mesma. No Brasil,  ele deve sair com o péssimo título de "A mentira". O universo adolescente é muito  interessante e deveria produzir obras que não fossem tão limitadas quanto esta.  Apesar de ter um argumento válido, que fala do jogo de aparências e da necessidade de ser aceito, o filme é no mínimo, raso.  A produção parece ser mais uma fraca comédia adolescente escrita para Lindsay Lohan. Atriz que pelo menos fez uma coisa boa do gênero, um filme chamado Meninas Malvadas (2004), que consegue ser divertido. Easy A  tem uma história que muito lembra o filme de 2004, mostrando como sua estrutura repete o mesmo do mesmo. Temos: a garota boa não popular (mas que quer o ser), que acaba fazendo besteira; pessoas  se voltam contra ela; ocorre redenção, etc. Alguns planos são, inclusive, os mesmos, como quando ocorre a também típica "transformação".

Apelando para estereótipos, mesmo que disfarçados, não tem como assistir Easy A sem pensar: já vi este filme antes. Ele repete uma fórmula que parece agradar o público adolescente. E isso me impressiona já que, de nenhuma forma, ele retrata a realidade deste público, uma vez que o olha de uma maneira simplista e até mesmo preconceituosa. A melhor coisa do filme é sua simpática protagonista, interpretada por Emma Stone. Mas, infelizmente, o filme desperdiça, ou pior, expõe ao ridículo grandes atores como Stanley Tucci, Patricia Clarkson, Lisa Kudrow, Thomas Haden Church, Malcon McDowell e Amanda Bynes. A última, ótima atriz, aos 24 anos, parece fadada a fazer papéis adolescentes eternamente e este, com certeza, é o pior de todos que ela já fez. Não é de surpreender que, há algum tempo atrás, ela tenha dito que iria parar de atuar.

Com poucas boas tiradas, uma trama fraca e previsível,e acúmulos de clichês bisonhos (como certa simulação de sexo, por exemplo), o filme mostra o que a falta de criatividade pode fazer com um bom elenco.




domingo, 6 de março de 2011

Os melhores choros do cinema 1

Kate Winslet chorando na chuva em Razão e sensibilidade
O fato de não estar no Brasil no Carnaval, me fez ter a ideia deste post das melhores cenas de choro do cinema. Obviamente, fiz uma lista baseada em minha memória de cinéfilo. Esta é, então, uma pequena lista dos choros que mais me marcaram no cinema e que me fizeram chorar junto (o que não é lá muito difícil). Quando eu ficar triste novamente, farei uma segunda seleção de cenas, porque não tem coisa melhor para curtir uma tristezinha do que se deixar emocionar com a desgraça (ou alegria) de um personagem.


1 - Razão e sensibilidade (1995)

Este lindo filme, adaptado da obra de Jane Austen, tem a direção do fantástico Ang Lee e o roteiro de Emma Thompson. Conta a história de duas irmãs: a mais velha, que representa a razão (Emma Thompson) e a mais nova que representa a sensibilidade (Kate Winslet). Escolhi uma cena de choro de cada uma. A primeira para mim é simplesmente genial. Spoiler: Ela se encontra no final do filme, quando a personagem de Thompson descobre que o seu amado não se casou com outra. Boa, abnegada, racional, sensata e generosa, é impossível não ter empatia pela personagem. Thompson atua de maneira contida durante todo o filme e quando ela recebe a notícia do não-casamento, ela explode e extravasa toda a emoção que estava reprimida, numa das melhores cenas de choro de alegria do cinema.
 
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A segunda cena é igualmente importante e, ao contrário da rimeira, é um choro contido de tristeza. Após uma grande decepção amorosa, a personagem de Kate Winslet vai em direção ao castelo do amado, numa linda paisagem inglesa, e aos prantos, no meio da chuva,  murmura um trecho de um poema de Shakespeare. Esta cena é loucamente romântica, como a personagem.

Ela diz: Love is not love which alters when it alteration finds. Or bends with the remover to remove. Oh no! It is an ever fixed mark that looks on tempests and is never shaken. Willoughby. Willoughby. Willoughby.  

Para as almas românticas, aí vai o soneto integral  e traduzido de Shakespeare, de onde a personagem tirou a citação (dá vontade de decorar):


Soneto 116

De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça. Amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.

Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;

È astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.

Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe nenhuma idade;
Amor não se transforma de hora em hora,

Antes se afirma, para a eternidade.
Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.


 


2 - O brilho de uma paixão (2009)

Outro belo filme, também poético (o que não poderia deixar de ser, visto que o personagem principal é o poeta John Keats), que deve ser visto nem que seja só por esta cena. O choro da personagem, interpretada por Abbie Cornish é uma das coisas mais lindas e sofridas que eu vi nos últimos anos. Spoiler: Ela recebe a notícia da morte do amado (não chega a ser um grande spoiler, porque é sabido que o poeta morreu muito jovem) e sua reação é de uma dor absurda e realista. Uma atuação, que só por essa cena, já merecia o Oscar. 



3 - Dançando no escuro (2000)

Este filme é dificílimo de assistir, como todos os filmes de Lars Von Trier, porque ele te deixa  completamente arrasado no final. Poderia ter escolhido também uma cena de Ondas do Destino, com a atuação sobrenatural de Emily Watson, mas vai ficar para próxima lista. Neste filme de 2000, Bjork tem uma performance tão entregue e linda, que nos faz ficar com o coração pequenininho. A cena que eu selecionei corresponde ao final do filme e me fez soluçar de choro. Quem ainda não viu o filme, não veja a cena ainda e assista a esta obra-prima desde o início. 



4 - E o vento levou (1939)

Uma cena clássica, de um dos filmes mais famosos do cinema. É o choro final de Scarlett O'Hara, interpretado pela Vivien Leigh. É um choro de súplica, de arrependimento, de medo e de força ao final. A personagem descobre o quanto amava o marido quando já era tarde demais. Para completar, é a cena em que aparece a frase mais célebre do cinema: "Frankly, my dear, I don't give a damn" (que poderia ser muito bem traduzida por: "Francamente minha querida, estou pouco me fu#$%&!"). É pra chorar mesmo...



5 - Preciosa (2009)

Em Preciosa, Mo'nique, com certeza, interpreta a mãe mais asquerosa já vista na telona. Mesmo assim, em sua última cena no filme, ela consegue humanizar a personagem em um monólogo maravilhoso. Sentimos um misto de raiva, ultraje e pena pela personagem. Em meios as lágrimas, ela ainda diz: "Who was gonna love me?" (Quem ia me amar?). Uma atuação incrível, ganhadora do Oscar no ano passado.

Cena completa com legenda: http://www.youtube.com/watch?v=FIB6WeewTNw


Mo'nique chorando em Preciosa


quinta-feira, 3 de março de 2011

Bravura Indômita - 2010

Jeff Bridges e Hailee Steinfeld

O filme começa: uma casa iluminada, ao longe, tudo ao redor na penumbra e uma fina neve que, pela luz que vem da casa, parece ser formada de gotas de fogo. Aos poucos, a câmera se aproxima, nos revelando um cadáver. Esta cena é o momento mais belo da fantástica fotografia de Deakins e tive o prazer de vê-la (e o resto do filme obviamente) na maior tela de cinema que eu já vi. E eu indico: Bravura Indômita é um filme para se apreciar no cinema.

A direção dos irmãos Coen é surpreendente para quem acompanha o trabalho desses gênios do cinema. Eles fazem uma direção convencional e "clássica", o que não é característica da carreira dos dois. Ousados, criativos, com um humor negro e sempre dispostos a subverter gêneros, eles optaram, desta vez, por filmar um faroeste, respeitando suas características. O resultado é um grande filme que nos remete aos clássicos de Hollywood. Algumas pessoas me falaram que o filme era chato e ouvi até mesmo um francês, chamá-lo de "ennuyant", aborrecido. Ou seja, ele não é unanimidade. Mas acredito que essas opiniões se devem muito a não gostar do gênero ou a não estar familiarizado com ele. 

O filme é baseado em um romance de Charles Portis que já tinha sido levado às telonas em 1969, com John Wayne no papel principal. Não vi este primeiro Bravura, mas, de acordo com os críticos, o filme não envelheceu bem, e este de 2010, o supera em todos os quesitos. A trama é simples, é uma história de perseguição. Mattie Ross, cujo pai é assassinado, busca, com a ajuda de um caçador de criminosos, encontrar o assassino para se vingar. 

O elenco é maravilhoso: Jeff Bridges (concorreu merecidamente ao Oscar este ano), Matt Damon, Josh Brolin (sempre fantástico, numa participação pequena) e Hailee Steinfeld. Esta última é a revelação do ano e uma grande promessa para o cinema. A atuação desta garota de 14 anos é de uma energia encantadora. Para se ter uma idéia, Jeff Bridges faz uma composição fantástica (com um jeito de falar e de andar peculiares) e a jovem atriz não se deixa ofuscar, coisa que Matt Damon, por exemplo, não consegue. Ela é a protagonista do filme e foi indicada pelo Oscar como coadjuvante e não seria injustiça se levasse a estatueta para casa. Gosto, particularmente, da cena em que a personagem de Hailee faz uma negociação envolvendo certos cavalos. É fantástica a forma como, através dessa cena, os diretores apresentam a personalidade da menina.

O filme não cai no maniqueísmo bem contra o mal, seus personagens são figuras complexas. O grande bandido tem os seus valores e o herói  é  um homem cheio defeitos. Ótima direção, grande elenco, belíssima fotografia (que perdeu injustamente o Oscar), um roteiro que é fiel a obra original, uma bela trilha sonora, tudo isso faz de Bravura Indômita um grande filme. Ainda prefiro os irmãos Coen de Fargo e de O grande Lebowski, mas é bom vê-los fazendo algo diferente. O filme concorreu a dez Oscars e não levou nenhum. Não acredito que seja o melhor do ano. Da lista da Academia ainda fico com o meu querido Toy Story 3 ou A Origem, mas ele é melhor do que o bom O discurso do Rei, que acabou saindo vitorioso. Vai entender...

Trailer legendado:


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Oscar 2011

O Oscar 2011 foi previsível e morno. Os apresentadores da noite estavam particularmente não-inspirados. As injustiças (que não foram muitas) já eram esperadas. Mas, felizmente, nenhuma aberração saiu premiada, como já aconteceram inúmeras vezes na premiação.  Não podemos tomar os vencedores do Oscar como os melhores do ano, é uma festa do cinema americano, em que inúmeros fatores estão em jogo: marketing, política, fama, popularidade, entre outros. No entanto, é ainda a premiação mais famosa do cinema e é super divertido  torcer por nossos filmes e atores favoritos.

Vamos aos resultados!


Direção de arte: Alice no país das maravilhas - Não gosto do filme, mas a direção de arte é merecedora do prêmio!

Melhor Fotografia: A Origem - Seu principal concorrente nesta categoria era Bravura Indômita do veterano Deakins. Não é injusto, mas Deakins merecia ganhar não só por este ano, mas pela carreira.

Atriz coadjuvante: Melissa Leo (O vencedor) - Discurso estranho, mas extremamente merecido o prêmio. Ela é uma grande atriz e arrasa no filme. Jacki Weaver também está excelente e também seria uma escolha interessante, mas é desconhecida do publico americano.

Melhor Curta de Animação: Lost Thing - Não visto.

Melhor Longa de Animação: Toy Story 3 - Amo este filme, por mim poderia facilmente ganhar o prêmio de Melhor Filme. Melhor do que o vencedor, ele é!

Melhor roteiro adaptado: A rede social - Excelente, uma boa escolha!

Melhor roteiro adaptado: O discurso do rei - O roteiro é bom, não foi injusto.

Melhor filme estrangeiro: Em um mundo melhor - Irei ver em breve.

Melhor ator coadjuvante: Christian Bale (O vencedor) - Quando falei de Psicopata Americano, afirmei que ele ganharia o Oscar este ano. Muito justo! Grande ator e grande desempenho neste filme. 

Melhor Trilha Sonora: A rede social - Muito injusto na minha opinião. A trilha de "A origem" é fantástica, muito mais bonita e inesquecível!

Melhor Mixagem de Som: A origem - Muito justo!

Melhor Edição de som: A origem - idem do anterior.

Melhor maquiagem: O lobisomem - Não visto.

Melhor figurinoAlice no país das maravilhas - Merecido prêmio. Belo e criativo trabalho.  

Melhor Curta Documentário: Strangers no more - Não visto.

Melhor Curta de Ficção: God of love - Não visto.

Melhor Longa documentário: Inside Job - Não visto. Ganhou do nosso brasileiro: a gente não da sorte mesmo no Oscar!

Melhores Efeitos Visuais: A Origem - Justíssimo, os efeitos são brilhantes!

Melhor Edição: A rede social - Prefiro "A Origem" e "A ilha do medo", mas não foram nem indicados.

Melhor Canção: Toy Story 3 - A melhor das indicadas (que eram todas fracas). E o compositor Randy Newman é fantástico! 

Melhor Diretor
: O discurso do Rei - Não é uma vergonha absurda o prêmio, mas com certeza é injusto: não é nem o melhor diretor do ano, nem dos indicados nesta categoria.

Melhor Atriz: Natalie Portman (Cisne Negro) - Justo! A atuação da carreira da atriz, uma grande entrega à personagem.

Melhor Ator: Colin Firth (O discurso do rei) - Merecido!

Melhor Filme: O discurso do Rei - Bom filme, mas não o melhor da lista e muito menos do ano. 

O discurso do Rei saiu como o grande vencedor da noite (Roteiro, Ator, Diretor e Filme).


Marnie - Confissões de uma ladra (1964)

Mais um Hitchcock! Explico: tenho que fazer o "sacrifício" de ver uma parte da filmografia do diretor inglês para uma disciplina da faculdade.

Muitos viram a cara, torcem o nariz para este filme. Tive a curiosidade de buscar a opinião de algumas pessoas que o viram e, enquanto uma minoria o descreve como genial, brilhante o melhor de Hitch, a maioria não gosta mesmo e alguns detestam! Marnie faz parte do final da carreira do diretor e não teve um orçamento considerável como "Os pássaros", por exemplo. Para variar, Hitchcock teve dificuldade para encontrar atores para os papéis do filme. Por exemplo, ele queria Rock Hudson e ganhou Sean Connery para o papel principal. Já Tippi Hedren (a mesma do já mencionado Os pássaros) não deveria ser nunca a primeira opção do diretor, se ele tinha algum juízo. 

Marnie é um filme que definitivamente não tem nada do humor delicioso de Hitchcock. A sinopse nos leva a crer que será um filme leve e engraçadinho como Ladrão de casaca, observe: uma ladra em série se vê como alvo da paixão da sua próxima vítima (detalhe: ele sabe que ela é uma ladra). Mas o filme não tem nada de comédia, ao contrário, é pesado e incômodo, um verdadeiro drama psicológico. E chamá-lo de drama psicológico é extremamente adequado, já que é, provavelmente, o filme mais freudiano do diretor. "Sexo" é uma palavra que aparece em filigrana durante todo o filme, o que não poderia ser mais freudiano.

Tippi Hedren dá vida a uma ladra de vários nomes e um grande trauma de infância. O esforço dela é comovente no papel; a personagem é interessante e ela dá o máximo que o modesto talento dela permite. Ela está melhor e mais bonita em Marnie, mas sua voz fina e infantil me incomodou muito mais desta vez. O drama, inclusive, permite que ela tenha boas cenas (mas é inevitável não imaginá-las com uma atriz melhor). Quanto a Sean Connery... dois anos antes, ele tinha feito a sua estreia como James Bond. Em Marnie, ele desempenha eficientemente o papel do apaixonado que deseja salvar sua amada de sua vida de crime e de seu trauma infantil. Para mim, Louise Lathan, a atriz que interpreta a mãe de Hedren, é a que mais se destaca e ela só tem duas cenas. Ao final, Marnie é um filme que tem grandes momentos dramáticos e pouco suspense. Acredito que, nos dias de hoje, o tema abordado possa parecer um pouco démodé e sua força dramática empalidecer. 

Ao que parece, pertenço à rara categoria daqueles que nem amaram e nem odiaram o filme. De qualquer maneira, vale a pena conferir este Hitchcock mais dark

Trailer (sem legendas):

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Psicopata americano - 2000

Christian Bale, interpreta o psicopata narcisista Patrick Bateman.
Estou me sentindo ligeiramente doido após assistir a este insano Psicopata Americano. O filme é uma constante hibridação de gêneros e tons. O espectador nunca sabe onde está pisando, ou melhor, a que tipo de filme está assistindo. O filme sai do extremo trash, vai para o drama psicológico, passa pelo humor negro, visita o thriller e chega ao terror (não necessariamente nesta mesma ordem). De fato, nesta obra do ano 2000, nada é o que parece; desde sua forma até o seu conteúdo, temos um grande jogo de aparências.

Embarcando na onda alucinatória do filme, acredito que ele é uma fábula sobre todas as mazelas que atingem o "homem moderno". Nele, temos retratados: o individualismo, a competitividade, o consumismo, a vaidade extrema, o narcisismo, a ambição, o egocentrismo e a falta de conteúdo. Tudo isso é personificado com brilhantismo na perfeita atuação de Christian Bale, o psicopata americano.  (O ator vai finalmente ganhar o seu Oscar neste próximo domingo, dia 27, por The fighter.) Seu personagem em Psicopata é um bem sucedido executivo que admite ser um serial killer sem sentimentos.

Contando com um elenco cheio de nomes famosos, como Reese Witherspoon, Jared Leto, Willem Dafoe, e Josh Lucas, Psicopata Americano é, no mínino, um filme interessante. É curioso perceber, após 1h40 de filme e após a fantástica frase final, o maravilhoso trabalho de manipulação que a diretora Mary Harron conseguiu realizar sobre nós, espectadores.  Pouco conhecida e tendo muitos trabalhos na televisão (me espanta que nenhum deles seja em Dexter, série com o qual o filme estabelece certo diálogo), a diretora nos presenteia com uma obra crítica, instigante, estranha e criativa, que permite muitas interpretações e reflexões, mas que sabe também ser um ótimo entretenimento.

O filme ainda utiliza de maneira inteligente e divertida músicas do anos 80 e faz uma reconstituição farsesca da época. Gostaria de falar das ótimas cenas do filme, como uma certa perseguição com serra elétrica,  mas não quero diminuir o prazer de quem quiser embarcar nesta aventura louca e surpreendente.

Trailer (sem legenda):

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Os melhores insultos do cinema 1

Inspirado por um vídeo americano que elege os 100 maiores insultos do cinema, resolvi fazer a minha própria seleção, evidentemente mais modesta, dos seis xingamentos, que, na minha opinião, são os mais arrasadores da telona. Quem já não se divertiu secretamente ao ver alguém ser achincalhado? 

Não consegui encontrar todos os vídeos correspondentes, mas indico fortemente a assistir aos filmes. Quem se lembrar de outros insultos ultrajantes pode indicar para a próxima lista.

1 - Cena de Billy Madison, o herdeiro bobalhão (1995)

Este insulto é de deixar no chão! Provavelmente a melhor cena desta boba comédia de Sessão da Tarde com Adam Sandler e que fica para a posteridade como um dos insultos mais bem articulados do cinema. Para contextualizar, trata-se de uma competição de perguntas e respostas e o personagem de Sandler acaba de dar uma resposta. Pelo visto, dar um zero não era o suficiente!

Quem insulta:  "o apresentador", interpretado por Josh Mostel.

Quem é insultado:  Billy Madison, interpretado por Adam Sandler.

Fala original:

"Mr. Madison, what you've just said is one of the most insanely idiotic things I have ever heard. At no point in your rambling, incoherent response were you even close to anything that could be considered a rational thought. Everyone in this room is now dumber for having listened to it. I award you no points, and may God have mercy on your soul."

Fala traduzida:

"Senhor Madison o que acaba de dizer, foi uma das coisas mais insanamente idiotas que eu já ouvi, em nenhum momento de sua resposta incoerente, o senhor chegou perto do que pudesse ser considerado um pensamento racional. Todos neste salão estão mais burros por ter ouvido a isso. Não lhe concedo nenhum ponto e que Deus tenha piedade da sua alma." 



2 - Cena de As bruxas de Eastwick (1987)

Cher era uma ótima atriz! E, nesta cena do divertido As bruxas de Eastwick, ela tem um texto de arrasar qualquer Jack Nicholson. Completamente genial!

Quem insulta: Alexandra Medford, interpretada por Cher

Quem é insultado: Daryl Von Horne,  interpretado por Jack Nicholson

Fala original:

"I think... no, I am positive... that you are the most unattractive man I have ever met in my entire life. You know, in the short time we've been together, you have demonstrated EVERY loathsome characteristic of the male personality and even discovered a few new ones. You are physically repulsive, intellectually retarded, you're morally reprehensible, vulgar, insensitive, selfish, stupid, you have no taste, a lousy sense of humor and you smell. You're not even interesting enough to make me sick. "

Fala traduzida:

"Eu acho... não, eu tenho certeza. Você é o homem menos atraente que eu já conheci na minha vida. Você  sabia que, no curto período que estivemos juntos, você demonstrou todas as características mais desprezíveis da personalidade masculina e ainda descobriu algumas novas. Você é fisicamente repulsivo, intelectualmente retardado, moralmente repreensível, vulgar, insensível, egoísta, burro, você não tem bom gosto, tem um péssimo senso de humor e você fede. Você não é nem interessante o suficiente para me fazer vomitar."



3 - Cena de O nevoeiro (2007)

Descendo um pouco de nível, mas continuando com os grandes insultos, temos este feito pela fantástica Marcia Gay Harden no ótimo O nevoeiro. No filme, ela é uma religiosa completamente fanática e desequilibrada.

Quem insulta: Mrs. Carmody, interpretada por Marcia Gay Harden

Quem é insultado: Amanda Dunfrey, interpretada por Laurie Holden

Fala original:

"The day I need a friend like you, I'll just have myself a little squat and shit one out."


Fala traduzida:

"O dia que eu precisar de uma amiga como você, eu vou dar uma agachadinha e defecar uma."

Marcia Gay Harden, em "O nevoeiro"


4 - Cena de O grande Lebowski (1998)

Adoro este filme e este insulto é particularmente engraçado pela forma que o ator o interpreta e pela repetição do intraduzível e inusitado "jerk-off".

Quem insulta: chefe de polícia de Malibu, interpretado por Leon Russon

Quem é insultado: Lebowski (The Dude), interpretado por Jeff Bridges


Fala original:

"So let me make something plain. I don't like you sucking around, bothering our citizens, Lebowski. I don't like your jerk-off name. I don't like your jerk-off face. I don't like your jerk-off behavior, and I don't like you, jerk-off. Do I make myself clear?"

Fala traduzida:

"Então me deixa esclarecer uma coisa. Eu não gosto de ver você enchendo o saco por aí, incomodando nossos cidadãos, Lebowski. Não gosto da "porra" do seu nome. Eu não gosto da "porra" da sua cara. Eu não gosto da "porra" do seu comportamento, e eu não gosto de você, sua "porra"! Fui claro?"

Jeff Bridges "the dude"


5 - Cena de Melhor é Impossível (1997)

Jack Nicholson ofende Deus e todo mundo em Melhor é impossível, mas, nesta cena, ele consegue ofender todas as mulheres de uma vez só. Quando uma fã pergunta para o escritor Melvin Udall, como ele escreve tão bem sobre as mulheres ele responde com um grande insulto.

Quem insulta: Melvin Udall, interpretado por Jack Nicholson

Quem é insultado: todas as mulheres

Fala original:

"I think of a man, and I take away reason and accountability. "

Fala traduzida:

"Eu penso no homem e tiro dele a razão e a responsabilidade."


6 - Cena de Monty Python e o cálice sagrado (1975)

O que esperar da trupe de Monty Python a não ser um insulto completamente exdrúxulo, nonsense e genial?

Quem insulta: Guarda Francês, interpretado por John Cleese

Quem é insultado: soldados inimigos

Fala original:

" I don't want to talk to you no more, you empty headed animal food trough wiper. I fart in your general direction. Your mother was a hamster and your father smelt of elderberries."

Fala traduzida:

"Eu não quero falar mais com você, seu cabeça-vazia, comida de animal, ração de peixe. Eu peido em sua direção 'general'. Sua mãe era um hamster e seu pai fede a fruto de sabugueiro"

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Os pássaros - 1963

Um corpo que cai, Janela indiscreta, Os pássarosPsicose são os filmes mais celebrados de Hitchcock. Todos de sua fase americana. Na retrospectiva realizada pela Cinemateca de Paris, tive a oportunidade de assistir aos três primeiros, o que foi uma experiência fantástica de redescoberta.

Os pássaros é o último grande clássico do diretor, produzido em 1963. A trama do filme é simples: uma cidade do litoral americano, Bodega Bay, próxima a San Francisco, se vê como alvo de ataques de aves das mais diversas espécies. Junto a Psicose, este é o filme de Hitchcock que mais se aproxima do terror. Como é de costume em suas obras, uma mulher (normalmente uma loira platinada) é a responsável pela chegada do "mal" na vida dos personagens. Desta vez, quem ocupa este papel é a atriz Tippi Hedren. Sua personagem chega à cidade por causa de um namorado em potencial e, logo após, os ataques se iniciam.

Meu professor de cinema disse, uma vez, que Hedren era tão má atriz quanto a filha, a mais famosa Melanie Griffith, mas que Hitchcock conseguiu usar a sua falta de talento à favor do filme, ao filmar, por exemplo, em quadros estáticos as expressões da atriz no momento de uma certa explosão. Não tenho uma opinião tão dura da atriz, mas acho que podemos chamá-la de uma "canastrona " simpática, já que definitivamente ela não era (porque continua viva e na ativa e pode ter melhorado) muito expressiva. 

Os pássaros não conta com trilha sonora ou música de nenhum tipo, somente os sons das aves e o canto das crianças, ambos utilizados como amplificadores da tensão. O uso dos pássaros foi extremamente difícil e as cenas de ataque foram feitas com auxílio dos efeitos especiais disponíveis na época. A cena de ataque à personagem de Hedren foi filmada em uma semana, ao final da qual a atriz teve que ser levada para o hospital para recuperar-se da exaustão. O brilhantismo do filme consiste justamente na maneira como Hitchcock conseguiu filmar de maneira assustadoramente realista os ataques dos pássaros.

No elenco também temos Rod Taylor, Suzanne Pleshette e Jessica Tandy e ótimas participações menores. Provavelmente, dos quatro filmes citados inicialmente, este é o que tenha o roteiro menos interessante. Ele tenta, por exemplo, dar uma profundidade psicológica aos personagens de Hedren e Tandy, sem jamais conseguir. Nele, podemos observar também a ausência do humor e das tiradas sarcásticas tão comuns em filmes de Hitchcock. 

Se o roteiro não é tão inspirado, a direção não poderia ser mais impressionante. O diretor faz um magnífico uso do suspense ao introduzir a presença ameaçadora dos pássaros, o que faz o espectador, até hoje, tremer nas cadeiras. E o final não poderia ser mais interessante...

Veja algumas fotos deste grande filme:



Foto de ataque a Hedren, cena do filme que demorou uma semana para ser filmada.


Cena de perseguição às crianças.
Hitchcock e o seu humor peculiar...



Assista à ótima apresentação do filme feita pelo próprio Hitchcock (infelizmente sem legendas):