domingo, 6 de fevereiro de 2011

A história de Adèle H. - 1975


Título original: L'Histoire d'Adèle H.
Lançamento: 1975
País: França
Direção: François Truffaut
Atores: Isabelle Adjani, Bruce Robinson, Sylvia Marriott, Cecil De Sausmarez.
Duração: 97 min
Gênero: Drama


Victor Hugo foi o autor mais celebrado da França, provavelmente um dos escritores mais populares de todos os tempos. Ícone não só literário, ele foi uma figura importante também pela sua ativa participação política no conturbado cenário francês do século XIX. Morto em 1885, seu funeral teve a presença de aproximadamente dois milhões de pessoas.

A história de Adèle H., filme francês de 1975, conta a história de Adèle Hugo, filha do escritor de Os miseráveis. A filha de Victor Hugo tornou-se uma personagem mítica de seu tempo. Seus diários foram descobertos posteriormente e revelaram ao mundo a história de um amor obsessivo. Adèle nasceu em 1830 e morreu em 1915, aos 85 anos. Durante o período de exílio de sua família na Ilha de Guernsey, motivado pela ascensão de Napoleão III ao poder, Adèle é seduzida por Albert Pinson, um oficial inglês. Em 1863, ela atravessa o Atlântico até Nova Escócia (EUA) atrás do grande amor da sua vida. O oficial, no entanto, não quer nada com ela. Ela faz de tudo para conquistá-lo, se humilha, pede dinheiro emprestado ao pai, persegue Albert, mas tudo em vão. Ela acaba ficando louca e passa o resto da sua vida (1872 – 1915) em um manicômio.

O filme é dirigido pelo grande cineasta e crítico francês, François Truffaut, que escolheu como protagonista de seu filme, uma atriz iniciante na época, a belíssima Isabelle Adjani. Adèle Hugo deve ter ficado bastante lisonjeada com a escolha de sua intérprete. Aos 19 anos, a atriz francesa seduziu o mundo com sua beleza e com seu talento, em uma performance intensa e emocionante.

Existem rumores que afirmam que Truffaut estava completamente obcecado pela jovem atriz. Anedotas a parte, o filme é dela. Uma atuação a ser apreciada cena a cena. Adèle H. é uma personagem completamente romanesca que busca o ideal, o sonho. São maravilhosas as cenas em que ela se entrega a escrita alucinante e poética de seu diário ou livro, como o chamava. Adèle H. é uma personagem hiperbólica, que manifesta um amor sem limites.

A direção de Truffaut é sublime. Em alguns momentos, parece que estamos diante de uma pintura, tamanha a perfeição da composição dos quadros, da direção de arte e da fotografia. A história de Adèle H. não só é uma ótima oportunidade de ver mais um grande filme de Truffaut e de ver Isabelle Adjani (indicada ao Oscar de Melhor Atriz) em um dos seus grandes papéis no cinema, mas também de conhecer a história verídica de uma mulher que perdeu toda a paz e sanidade por conta de um grande amor. 


Trailer do filme:

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O discurso do rei - 2010

- Longas pausas são boas, adicionam solenidade às grandes ocasiões. 
- Então eu sou o rei mais solene que já existiu!


O discurso do rei conta a história do Duque de York (que viria a ser o Rei George VI do Reino Unido), segundo na linha de sucessão ao trono inglês. Por causa de uma gagueira crônica, ele se viu obrigado a procurar a ajuda de especialistas renomados que se revelam incapazes de lhe ajudar. George nasceu em 1895 e reinou de 1936 a 1952, ano em que morreu. No filme, sua mulher, Elizabeth, ao procurar ajuda para o marido, encontra um especialista australiano que possui uma abordagem nada convencional. 

Diversas matérias publicadas na época do lançamento do filme foram categóricas ao afirmar que o roteirista de O discurso do rei tomou algumas liberdades históricas, criando uma intimidade que não existiu entre o rei da Inglaterra e seu "fonoaudiólogo". Apesar de muitos historiadores virarem a cara para o filme, devido ao seu romantismo, O discurso do rei foi realmente baseado em fatos e documentos reais.

O filme inglês, vencedor de quatro Oscar’s, é extremamente bem produzido. A direção de arte, o figurino, a reconstituição de época são fantásticos. Tom Hooper, cineasta responsável pela obra, é um diretor com poucos trabalhos no cinema, mas que tem bastante experiência na televisão inglesa.  O discurso do rei é apenas seu segundo trabalho no cinema. Ele faz um bom trabalho: uma direção segura e interessante, apesar de convencional, assim como o próprio filme. Os Oscar’s de Melhor Filme e Melhor Direção foram um exagero que pode ser explicado pelo fato do filme ser o mais “certinho” e agradável entre os indicados no ano e também pela intensa campanha de marketing realizada para que ele saísse vitorioso na noite de premiação.

Colin Firth, Helena Bonhan Carter e Geoffrey Rush encabeçam um excelente elenco, formado, em sua maioria, por atores ingleses. Guy Pearce, sempre interessante, tem uma ótima participação no longa, interpretando o irmão mais velho de George. O grande destaque do filme é, sem dúvida, a dupla Firth e Rush. O primeiro tem a atuação mais marcante de sua carreira, o segundo entrega mais uma de suas belas composições (o grande ator australiano já ganhou o Oscar pelo excelente Shine). O roteiro de David Seidler, por sua vez, acerta ao investir na relação do rei e do plebeu, baseada em um crescente respeito e cumplicidade.

A produção inglesa pode ser encarada como uma representação da relação mestre-aluno, assim como elogiosa alegoria ao papel do professor, representado muito bem pelo personagem de Rush. O discurso do rei é um filme convencional, mas muito bem realizado, interpretado e com momentos verdadeiramente tocantes. A família real britânica e a Rainha Elizabeth elogiaram bastante a produção e apreciaram a maneira com a qual foi retratado o Rei George VI.


Assista ao trailer:

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Digam o que disserem - 1989

Lloyd Dobler, 19 anos, recém-formado do high school, se apaixona por Diane Court, 18 anos, oradora da turma. Ela ganhou uma bolsa para estudar na melhor universidade da Inglaterra. Ele, quando perguntado o que iria fazer da vida, responde:

"Eu não quero vender nada, comprar nada, ou processar nada como carreira. Eu não quero vender nada comprado ou processado; ou comprar nada vendido ou processado; ou processar, ou reparar nada vendido, comprado ou processado. Você sabe... como carreira. Eu não quero fazer nada desse tipo."

Deu para entender o drama?

Fiquei sabendo da existência deste Digam o que disserem através de uma lista de melhores filmes românticos de todos os tempos do site guardian.co.uk. Por mais que toda lista do tipo seja no mínimo duvidosa, é sempre útil para conhecermos novos filmes. Nunca tinha ouvido falar deste, que é o primeiro filme de Cameron Crowe, diretor de Quase Famosos e Jerry Maguire.

Com um argumento simples e não muito original, Crowe (que também é o roteirista do filme e que tem uma filmografia relativamente curta, com 9 filmes no currículo) consegue fazer deste pequeno filme, uma linda história de amor, ou melhor, uma linda história de primeiro amor... O filme focaliza o delicado momento de transição da adolescência para a vida adulta. O olhar de Crowe é carinhoso com os adolescentes mesmo quando eles fazem as coisas mais esdrúxulas. Essa sensibilidade ao encarar os personagens, fazem deles seres extremamente humanos e encantadores.

Lloyd, interpretado pelo talentoso John Cusack, parece decidido a não só conquistar Diane, mas também o espectador. É impossível não se identificar com a simplicidade e o romantismo do rapaz. Já a atriz Ione Skye, hoje pouco conhecida, é bastante eficiente ao nos convencer que sua personagem Diane é digna do amor de Lloyd e, ainda mais, que ela é realmente quase perfeita (ela tem um jeito de falar bem bunitim).

Quem gosta de filmes românticos, vai se apaixonar por este filme... e por este casal.

Veja o trailer (infelizmente não o achei com legenda):


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Músicas em filmes 2

Como adoro fazer listas e enumerar coisas que gosto, publico minha segunda lista de cenas de filmes em que os personagens cantam. Estou selecionando as cenas menos óbvias e menos conhecidas ou lembradas, mas que são particularmente importantes para mim e que têm um lugar especial em minha memória afetiva. Poderia citar Over the rainbow (O mágico de Oz), Singing in the rain (Dançando na Chuva) e As time goes by (Casablanca), mas essas cenas já são devidamente e justamente exaltadas.

1 - All In The Golden Afternoon
 
Alice no país das maravilhas é um dos desenhos que mais gosto da Disney. Ele consegue transmitir toda a originalidade, criatividade e loucura presentes na história de Lewis Carroll. Divertido, assustador em alguns momentos, recheado de gags visuais, o filme é, para mim, um dos maiores clássicos da Disney, infelizmente pouco lembrado hoje em dia. A cena em questão é o coral das flores, observe os seres híbridos, a flor em forma de leão, a mariposa em forma de cavalo de madeira, as lagartas que são gato e cachorro... 


2 -Miss Celie's Blues

Cena que eu amo demais e que me faz chorar invariavelmente, vendo o filme de Spielberg A cor púrpura. Uma declaração de amor e de solidariedade para uma das personagens mais sofridas do cinema. Observe o olhar de Whoopi Goldberg que transborda a emoção e a timidez de sua personagem, pela primeira vez, centro das atenções. Um blues maravilhoso do mestre Quincy Jones, cuja letra é uma jóia rara e uma mensagem destinada a elevar a auto-estima da personagem, Miss Celie.

Veja um trecho:


"Irmã, você tem estado na minha cabeça
Irmã, nós somos duas do mesmo tipo
Então, irmã, estou de olho em você
Aposto que você pensa que eu não sei  fazer nada além de cantar blues
Oh, irmã, tenho novidades para você
Eu sou ALGUÉM
Espero que você pense que é ALGUÉM também"



3 - Hail Holy Queen

Mudança de hábito é o típico filme que eu posso ver um milhão de vezes. Eu o tinha gravado em VHS, em casa, e era um dos filmes que mais gostava de ver quando era criança. A trilha sonora do filme é fantástica. Escolhi essa cena porque ela mostra a primeira vez em que Dolores (mais uma vez Whoopi) comanda o coral do covento. A apresentação começa convencional, pára, recomeça agitada e ao final Whoopi Goldberg já está dançando insanamente no altar.


4 - I've Written A Letter To Daddy

Cena inesquecível de O que terá acontecido com Baby Jane?. Assistir Bette Davis cantando vestida de criança, com uma maquiagem exagerada e sua voz nada agradável, pode ser algo bem traumatizante. Experimentamos, no entanto, um misto de compaixão e repulsa ao ver essa cena verdadeiramente bizarra. É uma das grandes cenas da carreira da atriz, que encarna uma personagem completamente perturbada e prisioneira do passado.


5 - Cruisin'

Um dueto muito fofo de pai e filha em Duets, me arrisco ao dizer que ficou melhor do que a gravação original. E Gwyneth Paltrow tem uma voz muito bonita.


6 - Isn't it Romantic?

Sequência musical clássica do filme Love me tonight (1932). Observe como a melodia vai contagiando as pessoas, fazendo um efeito dominó até chegar à princesa. Sim, é muito romântico e a melodia gruda na cabeça!




domingo, 30 de janeiro de 2011

Janela Indiscreta - 1954

Domingo, 14h10 em Paris e uma Cinemateca completamente lotada para ver Janela Indiscreta. A funcionária do cinema gritando com as pessoas: "Não deixem espaços, sentem um do lado do outro, porque a sala vai ter  ocupação máxima!". E, nisso, ela ia andando entre as fileiras de cadeiras e mandando as pessoas se juntarem: "Sem buracos! Sem buracos!". A quantidade de crianças presentes na sessão era impressionante, muitas inclusive bem novinhas 6, 7 anos. Comentei isso com a simpática senhora ao meu lado e ela falou: "Mas não se vê esse tanto de crianças em Psicose ou Os pássaros". Boa observação, se esses dois últimos podem ser bem assustadores para adultos, imagine para crianças?!

Eu guardava uma ótima lembrança do filme, que devo ter visto pela primeira vez há uns 5 anos. Neste filme, temos dois grandes parceiros de Hitchcock: James Stewart e Grace Kelly. Ele é um repórter fotográfico aventureiro que quebrou a perna em um de seus trabalhos e se vê obrigado a ficar engessado em seu apartamento cuja janela dá para vários outros apartamentos, o que lhe permite acompanhar a vida de seus vizinhos. Grace Kelly é Lisa, sua linda e elegante namorada que trabalha com moda e frequenta a elite novaiorquina. Ela quer casar, ele não quer. A princípio, ele chega a mostrar grande rejeição a ela (o que de certa forma é impressionante porque Grace Kelly está irresistível). 

Jeff (Stewart) passa a acompanhar os hábitos de seus vizinhos. Motivado talvez por sua curiosidade de réporter ele vai constatando o perfil de cada morador, muitos baseados em estereótipos: a bailarina sexy, a solteirona, o casal recém-casado, o pianista boêmio, o casal excêntrico, entre outros. Certa noite, ele observa alguns fatos estranhos em um apartamento, chegando à conclusão de que um homem matou sua esposa. 

Jeff é, assim como nós, um espectador e as janelas são como telas de cinema. Stewart encarna brilhantemente a figura do voyeur, mas Hitchcock faz com que o espectador também o seja. Ele dirige nosso olhar, ele nos instiga e, no decorrer do filme, também sentimos que estamos vendo o que não deveríamos, invadindo a privacidade daqueles personagens, mas também fascinados por eles.

Provavelmente seja o meu filme favorito de Hitchcock. Ele consegue ser um grande suspense, mas também é muito leve e engraçado o que de certa forma explica um público tão recheado de crianças e pré-adolescentes. Grace Kelly e James Stewart tem uma química excelente. A cena em que a atriz aparece pela primeira vez, a do primeiro beijo, é inesquecível. Ela surge como uma bela aparição, como em um sonho. Observe a mudança da velocidade no momento do beijo (talvez um dos mais belos do cinema):



A fantástica atriz Thelma Ritter faz o papel da enfermeira bem-humorada. Com o mesmo jeito atrevido que mostra em A malvada, ela é responsável por alguns bons risos durante a projeção. A enfermeira, Jeff e Lisa vão se envolver numa arriscada investigação. E é, a parttir desse momento, que Jeff vê o lado aventureiro da namorada, o que o faz se apaixonar pela moça.

Janela indiscreta é uma aula de cinema e diversão garantida!

Seguindo a tradição, mais um vídeo de um cameo (aparição) de Hitchcock, dessa vez em Janela Indiscreta:



Trailer do filme:

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Musicas em filmes 1

Fiquei  com a música Moon River na cabeça e me deu vontade de rever a cena de Audrey Hepburn cantando na beira da janela em Bonequinha de Luxo, aí me veio a ideia de fazer um post com as cenas de filmes em que os atores cantam...  várias canções me vieram em mente. Procurei no youtube e achei algumas e aí vão elas:

1- Moon River

Esta cena é maravilhosa, simples e diz tudo sobre a personagem, no fundo solitária e sonhadora. Hepburn se tornou um ícone do mundo do cinema e da moda. Talvez hoje ela seja um ícone maior do  que Marilyn Monroe. Ao passear pelas feiras ou à beira do Seine, por exemplo, vê-se várias fotos, pinturas, pôsters da atriz. O filme que mais contribuiu para isso é, sem dúvidas, Bonequinha de Luxo. E, além de tudo, é ótimo ouvir a voz dela, genuína, uma vez que ela foi dublada em My fair lady.


2 - Wise Up

Outra cena linda, do fantástico Magnólia. Inesquecível... como se os personagens partilhassem a dor através da música. E que letra!


3 - I say a little prayer for you

Além de eu adorar o filme O casamento do meu melhor amigo, eu acho essa cena muito gostosa de assistir. 


4 - Supercalifragilisticexpialidocious 

Sim, esse é o nome da música!!! O mais longo e "sem noção" da história do cinema. Fico impressionado: como Julie Andrews consegue cantar isso em Mary Poppins?! Esse vídeo tem a letra para quem tiver fôlego e quiser cantar.


5 - Someday my prince will come

Muito romântica a músiquinha de Branca de neve e os sete anões, apesar de achar, desde pequeno, a voz dela bem estridente. Da Disney, existem várias músicas que eu amo.


6 - I could have danced all night

Outra de Hepburn, mas, dessa vez, a voz não é dela. A cena é de My fair Lady. O interessante é que a personagem manifesta através da música o começo da paixão dela pelo professor, sem saber muito bem o que está acontecendo. O filme conta uma história de amor, mas, em nenhum momento, eles falam a palavra amor. 







quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Um corpo que cai - 1958

Ao fim da sessão na Cinemateca, uma senhora falou com uma expressão realmente assustada: "Detesto essa música, ela é assustadora, sempre me fez mal!". Ela se referia à trilha sonora de Vertigo (traduzido em português pelo dramático título, mas não de tudo infeliz, Um corpo que cai). De fato, a fantástica trilha de Bernard Herrmann é um dos elementos que deixa o espectador tenso, completamente imerso numa história que a cada momento parece nos guiar para um precipício. Ver o filme de Hitchcock numa sala de cinema, com as condições de som adequadas me fez apreciar ainda mais essa trilha bela e "assustadora". Mas ao contrário da senhora, eu adorei cada acorde.

Um corpo que cai é um suspense com toques trágicos. Sua trama é sombria, séria, com toques de melancolia. O enredo fala de um detetive afastado da polícia por causa do seu grave problema com lugares altos (acrofobia). Após seu afastamento, ele é procurado por um ex-colega de universidade para seguir sua mulher que parece estar sob a influência de uma força espírital. James Stewart, o ator que melhor encarnou no cinema o homem comum, dá a vida ao detetive. Acredito que seja sua melhor interpretação em um filme de Hitchcock (ele esteve presente em vários filmes do diretor). Kim Novak é a loira platinada da vez, o objeto do desejo. Ela não é tão talentosa e bela quanto Grace Kelly, mas é eficiente e melhor que Tippi Hedren (loira que faz Os pássaros). Detalhe: a atriz só fala aos 45 minutos da produção.

Apesar de ter sido um fracasso de bilheteria em sua estréia, o filme é uma das maiores obras-primas do diretor... mestre na criação do suspense. O motivo da vertigem é evocado pela constante referência à formas circulares e de espirais, como na abertura dos créditos iniciais feita pelo famoso designer Saul Bass.

Assim como em Ladrão de Casaca, Hitchcock faz seu cameo. Mas desta vez sua aparição é bem mais discreta e não provoca riso como no filme de 1955.

Observe e o encontre em cena:



Cena do filme: (famosa sequência do pesadelo)


Trailer:

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Vestígios do dia - 1993

Merchant (produtor) e Ivory (diretor) são uma dupla de sucesso do cinema inglês. Entres os seus filmes de maior sucesso estão Uma janela para o amor, Retorno a Howard's End e este Vestígios do dia. A dupla inglesa é famosa por revitalizar o drama de época. Focalizando muitas vezes seus enredos na aristocracia inglesa, assim como na diferença entre classes, seus filmes são famosos pela luxuosidade de seus cenários, por mostrar a beleza das paisagens inglesas e por veicular dramas humanos em um estilo frio e comedido.

Apesar de não ser um grande fã do cinema da dupla justamente pela frieza mencionada, Vestígios do Dia é um filme extremamente bem sucedido. Indicado a 8 Oscar's, a produção conta com o talento de Anthony Hopkins e Emma Thompson em seus papéis principais.  Ele interpreta um leal mordomo completamente dedicado a sua função, alienado de sua própria vida e das suas próprias vontades. Ele trabalha para um grande gentleman inglês, envolvido politicamente com os nazistas no pós Segunda Guerra Mundial. Thompson é a governanta da mansão. O filme, assim como em O assassinato de Gosford Park do mestre Altman, mostra a realidade da aristocracia inglesa e a vida dos empregados. Mas, na verdade, o filme conta,  em flashback,  uma grande história de amor, nunca consumada.

A atuação de Hopkins é comovente, como um homem completamente reprimido em suas vontades e convicto de que está destinado a sempre servir. A sempre fantástica Thompson também faz muito com muito pouco. A atuação deles está no olhar, no não dito, nos gestos mais simples...

Um belo filme, roteiro, direção de arte e direção...


Assista ao trailer:



terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O leão no Inverno - 1968

Eu adoro filmes de atores. Explico: são filmes que têm como grande triunfo a força de seu elenco. E nada melhor do que adaptações de peças teatrais para encontrar grandes atuações, uma vez que a ação é concentrada e o diálogo é a alma do filme. Hoje falarei de um filme de atores. Assim como aconteceu com Quem tem medo de Virgínia Woolf?, tive uma grande e repentina vontade de rever O leão no Inverno, de 1968, baseada na peça teatral de James Goldman (também roteirista do filme). Este é o segundo filme do pouco conhecido diretor Anthony Harvey. Ao contrário de Quem tem medo... o filme de Harvey carece de uma linguagem mais cinematográfica, se limitando  a quase um teatro filmado. 

Mas, como disse, é um filme de atores e, neste caso, de Katharine Hepburn, Peter O'Toole, Anthony Hopkins, Jonh Castle e Timothy Dalton. Esse encontro por si só é um espetáculo. A trama gira em torno do rei Henri II (O'Toole) que precisa escolher seu sucessor entre seus três filhos homens. Uma guerra de poder e ambição é então iniciada com a participação ativa da rainha, Eleanor (Hepburn), mulher e inimiga íntima do rei. Se deixarmos um pouco de lado a nobreza, o enredo fala de uma família disfuncional, cheia de mágoas, rancores, mentiras e traições. Vemos também um terrível jogo de poder e estratégia fruto de uma ambição sem limites. 

Katharine Hepburn, tem, na minha opinião uma de suas melhores performances. Sua personagem é complexa, inteligente, fria, calculista, mas também uma mulher ferida pelo desprezo do marido e que o ama apesar de se opor a ele. Ela consegue me comover em diversas cenas, como quando ela se olha no espelho procurando a beleza de outrora. Fantástica interpretação que foi recompensada com o Oscar (único caso da história de um Oscar dividido, com Barbra Streissand). Temos também o genial Peter O'Toole, o ótimo Anthony Hopkins e Thimoty Dalton (que tem uma participação menor, mas uma cena fantástica).

O leão no inverno tem diálogos afiadíssimos, alguns cheios de veneno, humor e crueldade. História, jogos de poder, grandes frases e atuações maravilhosas... este filme merece ser redescoberto e visto.

Grandes momentos (infelizmente sem legendas):




Assista também ao trailer:

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Ladrão de casaca - 1955 e Waltzes from Vienna - 1934

Ladrão de casaca

Na Cinemateca de Paris, está passando uma retrospectiva dos filmes de Hitchcock. Hoje compareci a uma sessão dupla para ver o famoso Ladrão de casaca e o pouco conhecido Waltzes from Vienna. A primeira sessão se deu numa sala completamente lotada, tão cheia que um francês ao meu lado comentou: "está tão cheio como se fosse para ver Um corpo que cai ou Psicose" (obras-primas de Hitchcock). Ao que o amigo respondeu: "talvez seja por causa do Cary Grant e pela Grace Kelly".  O primeiro ainda acrescentou que achava esse filme, Ladrão de Casaca, um filme menor do grande diretor.  Eu já o tinha assistido há alguns anos e francamente não me lembrava muito bem dele, mas assisti-lo novamente foi uma redescoberta deliciosa. Sim, com certeza, não é o melhor Hitchcock, mas o filme carrega um charme fascinante. Ele se passa na França, nas cidades de Nice e Cannes (Riviera francesa), e conta a história de uma série de roubos de diamantes cuja culpa e autoria recai sobre um famoso ladrão do passado, Cary Grant. O tema recorrente do falso culpado é, então, novamente posto em cena. O filme é leve e a trama central não se leva tão a sério. Cheio de humor e com ótimos diálogos, recheados de malícia, o filme é uma boa oportunidade de ver Cary Grant e seu imenso carisma e Grace Kelly no auge da sua beleza (e ela também não era má atriz). A fotografia é maravilhosa, ganhadora do Oscar daquele ano e o figurino é impecável. Essa foi a última parceria de Grace Kelly com o diretor. Curiosidade mórbida: a atriz, já princesa de Mônaco, morreu em um acidente na mesma estrada em que ela aparece dirigindo em alta velocidade em cenas do filme.

Uma das marcas registradas do diretor eram suas rápidas aparições em suas tramas (cameo), tente o encontrar na cena abaixo do filme (é bem fácil):






Assista  também ao trailer do filme:



 Waltzes from Vienna

Assisti a essa produção que remonta ao início da carreira do diretor, em uma sessão bem menos cheia. Após ver o filme, li que Hitchcock o considerava o pior de sua carreira, o que ele repetiu em diversas entrevistas. Essa pode ser uma informação desestimuladora, mas não nos podemos deixar levar pela crítica tão dura de seu diretor. O filme realmente não se encaixa à filmografia de Hitchcock. É uma biografia romântica de Strauss Jr. Estranhamente, eu adorei. Super leve, engraçado e bobo, em um bom sentido, o filme apresenta uma história que carrega um pouco da inocência dos filmes mudos. O enredo fala da composição da famosa valsa Danúbio azul. Essa biografia-comédia-romântica me fez rir muitas vezes e sair com um sorriso no rosto ao fim da sessão. Não é um grande filme, mas é um filme que vale a pena ser visto.

Veja os primeiros minutos do filme: