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domingo, 17 de abril de 2011

Filmes de terror da semana

Um dos aspectos essenciais dos filmes de terror é uma certa cumplicidade das vítimas com os seus algozes. De certa forma, o perigo é procurado pelos personagens, o que nos faz, muitas vezes, questionar: "Por que essa pessoa está fazendo isso?" No entanto, essas escolhas erradas são essenciais, sem elas o gênero não existiria... Nos 3 filmes desta semana, podemos ver esta cumplicidade em cena.

Uma noite alucinante - 1987

Bruce Campbell e a mão que é o próprio demônio


Eu me apaixonei por esta continuação de A morte do demônio. Sam Raimi, o diretor, é conhecido, atualmente, pela trilogia do Homem-Aranha. O filme conta a história de um casal que foi passar uma noite numa cabana no meio de uma floresta. Esta cabana pertencia a um arqueólogo que havia descoberto o livro dos mortos. Acidentalmente, os demônios são libertados através da leitura de passagens do livro e os tais demônios começam a perseguir os visitantes. Esta produção do final dos anos 80 é um filme de terror trash, extremamente engraçado e criativo. Os efeitos especiais e a direção de arte do filme são maravilhosos, porque o diretor não tem a mínima preocupação com a verossimilhança, nem com o realismo. Ele brinca com a arte de fazer cinema, criando tomadas maravilhosas (não me esqueço do plano subjetivo da mãozinha perseguindo alguém). O protagonista é interpretado por Bruce Campbell, que tem um talento questionável, mas um vigor fantástico. Suas caras e bocas são impagáveis. Seu personagem é perseguido de todas as formas possíveis, inclusive por uma mão e uma cabeça demoníacas. Uma noite alucinante é hilário e ainda dá para ter uns bons sustos!

Abismo do medo - 2005

Shauna Macdonald coberta de sangue em uma das melhores cenas do filme.


Este primeiro Abismo do medo conta a história de um grupo de mulheres que amam esportes radicais e resolvem desbravar uma caverna em um lugar remoto da Inglaterra. A expedição tem por objetivo reunir essas amigas e servir como recomeço para uma delas que perdeu o marido e a filha em um trágico acidente mostrado no início da trama. Na caverna, as belas mulheres passam a ser perseguidas por um bando de hominídeos mutantes das cavernas. A direção de Neil Marshall é muito eficiente, o filme garante ótimos sustos, uma trama verdadeiramente assustadora e belos momentos. O filme demora um pouco para engrenar, mas a partir do momento que as moças entram na caverna, ele nos deixa completamente angustiados até o fim. As atrizes estão muito bem, sobretudo Shauna Macdonald (a protagonista) que passa uma força tremenda a sua personagem. Não gostei tanto de Natalie Jackson Mendoza (a antagonista), um pouco artificial, mas ao final do filme ela passa a convencer e tem ótimas cenas. Abismo do medo não é uma obra-prima do gênero, mas é um ótimo filme.

Abismo do medo 2 - 2009

Novamente Shauna, em cena de luta

Abismo do medo não apresenta uma conclusão para o espectador, então essa sequência é aguardada com ansiedade para quem gostou do primeiro filme. Infelizmente, ele não é tão bem sucedido quanto seu antecessor. O enredo mostra a expedição de busca pelas garotas desaparecidas. Dirigido por outro diretor, Jon Harris, o filme constrói uma trama basicamente igual à anterior, com a mesma estrutura e o mesmo formato. O filme não consegue ser tão angustiante e assustador como o primeiro, já que o espectador já sabe mais ou menos o que vai acontecer com os novos personagens. O diretor ainda comete o erro de fazer um filme mais claro (a escuridão do filme anterior era um elemento essencial para o susto). Apesar da trama forçada, Abismo do medo 2 também tem seus bons momentos e garante alguns bons sustos. A produção conta novamente com a atriz Shauna Macdonald, em uma ótima interpretação. Já o resto do elenco é bem irregular, mas os personagens também não ajudam. O pior caso é o do delegado do filme, um personagem injustificadamente detestável. O filme também termina com um enigma, em um final nada satisfatório. Um terceiro filme seria necessário. Estou torcendo!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Deixe ela entrar - 2008

Lina Leanderson e os seus magníficos olhos

Dedicarei minhas próximas postagens a falar de filmes de terror, gênero às vezes tão subestimado e pouco levado a sério. Os filmes de terror falam dos nossos instintos mais básicos de sobrevivência, do medo e da morte. Claro que, como em todos os gêneros cinematográficos, existem exemplares que são completamente dispensáveis, muitos que se tornam risíveis e não assustadores. Mas também existem grandes filmes, como este recente Deixe ela entrar

Passei o filme inteiro me dizendo que este não ele não era um filme de terror e, sim, uma linda história de amor. Foi somente, após terminar o filme, que percebi o quão assustadora era a história que tinha acabado de ver. Se você estiver interessado em vê-lo, assista ao filme antes de ler qualquer crítica, inclusive o meu comentário abaixo. Deixe ela entrar é um filme sueco, que conta a história de Oskar, um menino de doze anos que sofre bullying cotidianamente na escola e por isso acaba reprimindo um grande desejos de violência. Um dia ele conhece uma garota da sua idade, Eli, nova vizinha em seu prédio e os dois começam uma linda amizade. O detalhe é que ela é um tipo de vampiro e, portanto, necessita de sangue humano para sobreviver. 

Deixe ela entrar é ambientado em uma cidadezinha sueca coberta de gelo e a linda fotografia do filme mostra o quão melancólica é essa claridade glacial. O branco e o vermelho são as cores do filme, representando a neve e o sangue. Ao mesmo tempo em que vemos Oskar se apaixonar por Eli e criar uma ligação forte com a garota, vemos os ataques e assassinatos que ela é obrigada a cometer pela sua sobrevivência. O cineasta, através dos seus lindos closes, mostra o quão especial é Oskar, um garoto naturalmente bom, muito solitário. Vítima de violência, ele carrega em si também uma semente de violência. Kare Hedebrant, que interpreta Oskar, tem um carisma natural e se torna fácil se identificar com o menino. 

Já Lina Leandersson, que interpreta Eli, impressiona pelo seu olhar que parece carregar uma longa vida (de fato a personagem está presa em um corpo de 12 anos, mas é muito mais velha). Existe uma tristeza em seu olhar e uma necessidade de ter alguém. No primeiro ato do filme, a vampira tem um companheiro que a auxilia a obter sangue, matando pessoas. Este velho companheiro, Hakan,  interpretado com uma sensibilidade tocante por Per Ragnar e que morre por ela no primeiro ato do filme,  pode passar como pai da garota. Ao final, compreendemos que ele era muito provavelmente um amante mortal que foi envelhecendo enquanto Eli continuava uma criança. Podemos, então, questionar até onde Eli enxerga em Oskar um servo que pode se tornar um psicopata, matando para que ela sobreviva. É assustador perceber que Oskar provavelmente será um sucessor de Hakan.

O terror do filme, no entanto, não está apenas na necessidade de sangue de Eli, mas na maldade humana personificada pelos colegas de Oskar, que apesar de serem crianças e terem noção da própria maldade, parecem impelidos a fazer o mal. No filme, Hakan e Eli matam pessoas boas e inocentes e é compreensível que um amigo de um dos assassinados busque fazer justiça ao querer matar Eli. Neste momento, Oskar a salva: o que nos faz questionar a nossa própria vontade de ver o menino ficar junto com a vampira. Queremos o romance e a felicidade desses dois personagens, mas isto provavelmente custará muitas mortes inocentes. 

Deixe ela entrar é um dos melhores filmes de vampiro já realizados. Fugindo do estereótipo e criando uma trama sensível e rica de simbologia, o filme é mais uma jóia do cinema sueco... Chamo a atenção para a direção primorosa de Tomas Alfredson e lindas cenas como a da morte de Hakan e o massacre na piscina.


Trailer do filme: