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quinta-feira, 3 de março de 2011

Bravura Indômita - 2010

Jeff Bridges e Hailee Steinfeld

O filme começa: uma casa iluminada, ao longe, tudo ao redor na penumbra e uma fina neve que, pela luz que vem da casa, parece ser formada de gotas de fogo. Aos poucos, a câmera se aproxima, nos revelando um cadáver. Esta cena é o momento mais belo da fantástica fotografia de Deakins e tive o prazer de vê-la (e o resto do filme obviamente) na maior tela de cinema que eu já vi. E eu indico: Bravura Indômita é um filme para se apreciar no cinema.

A direção dos irmãos Coen é surpreendente para quem acompanha o trabalho desses gênios do cinema. Eles fazem uma direção convencional e "clássica", o que não é característica da carreira dos dois. Ousados, criativos, com um humor negro e sempre dispostos a subverter gêneros, eles optaram, desta vez, por filmar um faroeste, respeitando suas características. O resultado é um grande filme que nos remete aos clássicos de Hollywood. Algumas pessoas me falaram que o filme era chato e ouvi até mesmo um francês, chamá-lo de "ennuyant", aborrecido. Ou seja, ele não é unanimidade. Mas acredito que essas opiniões se devem muito a não gostar do gênero ou a não estar familiarizado com ele. 

O filme é baseado em um romance de Charles Portis que já tinha sido levado às telonas em 1969, com John Wayne no papel principal. Não vi este primeiro Bravura, mas, de acordo com os críticos, o filme não envelheceu bem, e este de 2010, o supera em todos os quesitos. A trama é simples, é uma história de perseguição. Mattie Ross, cujo pai é assassinado, busca, com a ajuda de um caçador de criminosos, encontrar o assassino para se vingar. 

O elenco é maravilhoso: Jeff Bridges (concorreu merecidamente ao Oscar este ano), Matt Damon, Josh Brolin (sempre fantástico, numa participação pequena) e Hailee Steinfeld. Esta última é a revelação do ano e uma grande promessa para o cinema. A atuação desta garota de 14 anos é de uma energia encantadora. Para se ter uma idéia, Jeff Bridges faz uma composição fantástica (com um jeito de falar e de andar peculiares) e a jovem atriz não se deixa ofuscar, coisa que Matt Damon, por exemplo, não consegue. Ela é a protagonista do filme e foi indicada pelo Oscar como coadjuvante e não seria injustiça se levasse a estatueta para casa. Gosto, particularmente, da cena em que a personagem de Hailee faz uma negociação envolvendo certos cavalos. É fantástica a forma como, através dessa cena, os diretores apresentam a personalidade da menina.

O filme não cai no maniqueísmo bem contra o mal, seus personagens são figuras complexas. O grande bandido tem os seus valores e o herói  é  um homem cheio defeitos. Ótima direção, grande elenco, belíssima fotografia (que perdeu injustamente o Oscar), um roteiro que é fiel a obra original, uma bela trilha sonora, tudo isso faz de Bravura Indômita um grande filme. Ainda prefiro os irmãos Coen de Fargo e de O grande Lebowski, mas é bom vê-los fazendo algo diferente. O filme concorreu a dez Oscars e não levou nenhum. Não acredito que seja o melhor do ano. Da lista da Academia ainda fico com o meu querido Toy Story 3 ou A Origem, mas ele é melhor do que o bom O discurso do Rei, que acabou saindo vitorioso. Vai entender...

Trailer legendado: