Mostrando postagens com marcador Cinebiografias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cinebiografias. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Zuzu Angel e sua cinebiografia

Título original: Zuzu Angel                        
Lançamento: 2006 
País: Brasil
Direção: Sergio Rezende
Atores: Patrícia Pillar, Daniel de Oliveira, Luana Piovani, Leandra Leal.
Duração: 110 min
Gênero: Drama



Zuzu Angel, ou Zuleika Angel Jones, nasceu em Curvelo, Minas Gerais, em 1921. Mudou-se ainda jovem para Belo Horizonte e morou por muito tempo na Bahia. Em 1947, se mudou para o Rio de Janeiro, onde se dedicou à costura. Nos anos 70, abriu sua loja em Ipanema, que veio a se tornar muito famosa. Suas roupas misturavam tecidos bem brasileiros, como a chita, e rendas, seda e outros materiais. Adepta de estampas, Zuzu fazia referência, em suas criações, ao folclore, à fauna e à flora do Brasil. Ela se tornou umas das estilistas nacionais mais famosas da época e suas roupas fizeram sucesso dentro e fora do país.

Mas não foi somente como estilista que Zuzu ficou conhecida. No início dos anos 70, seu filho, Stuart Jones, estudante de economia e militante político, foi torturado e assassinado pelo serviço de inteligência da Aeronáutica (CISA). A partir daí, começou a luta de Zuzu Angel contra a ditadura para tentar reaver o corpo do filho. Zuzu chamou a atenção de celebridades, do então secretário de estado norte-americano, organizou desfiles-protesto e comprou muitas brigas. Ela morreu em um misterioso acidente de carro, em 1976. A música, Angélica, é uma homenagem de Chico Buarque a ela. 

Zuzu Angel, longa-metragem brasileiro, foi dirigido por Sérgio Rezende, responsável por Lamarca (1994) e Guerra de Canudos (1997). O filme retrata a busca desesperada de Zuzu pelo corpo de seu filho. Como exemplar cinematográfico, o filme tem mais erros do que acertos. Ele falha em sua estrutura caótica (recheada de flashbacks), em seu tom exagerado e por vezes piegas, na trilha sonora excessivamente dramática e no trabalho irregular de seu elenco. O longa, no entanto, também apresenta qualidades. Algumas cenas são extremamente bem-feitas, como aquela em que Zuzu discursa no avião e a impactante cena da tortura nos porões da ditadura. Patrícia Pillar está excelente no papel-título, provando mais uma vez que é uma ótima atriz. 

Zuzu Angel é um filme que falho, mas comovente. A história da estilista brasileira merecia ser contada no cinema. A trajetória desta mãe merece sempre ser lembrada, afinal muitos filhos da Ditadura continuam desaparecidos. 



sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Idi Amin e sua cinebiografia

Título original: The Last King of Scotland
Lançamento: 2006
País: Inglaterra
Direção: Kevin Macdonald
Atores: Forest Whitaker, James McAvoy, Kerry Washington, Simon McBurney.
Duração: 121 min
Gênero: Drama


 
Idi Amin figura, sem dúvida, na lista dos ditadores mais assombrosos de todos os tempos. Lista esta encabeçada por Adolf Hitler, de quem Amim era admirador. O ditador ugandense nasceu por volta de 1925, em Koboko. Ele tomou o poder em 1971, quando era comandante das Forças Armadas do país. Amin fazia parte da etnia kakwa e impressionava por sua força, altura e imponência (ele tinha 1.90m). Ele chegou a ser campeão de boxe na categoria de pesos-pesados nos anos 50. O déspota era conhecido por seu comportamento excêntrico, por suas mudanças constantes de humor, pelo seu espírito vingativo, violento e pelo seu ego inflado. Uma vez afirmou que era o “rei da Escócia”, chegando ao extremo de usar um Kilt (a saia masculina escocesa) em uma solenidade. 

Muitos mitos giram em torno de Amin, todos envolvendo barbáries. Dizem, por exemplo, que ele praticava canibalismo e que ele mantinha cabeças decepadas em sua geladeira. Fato é que o ditador foi reconhecido dentro e fora da África como sendo um dos maiores assassinos da história mundial. Na conta de Amin, recaem aproximadamente cem mil mortes. O genocida também foi responsável pela expulsão de 90 mil asiáticos do país (estes dominavam a vida econômica de Uganda). Em sua administração, ele rompeu relações diplomáticas com Israel e com o Reino Unido. Em 1979, ele foi deposto pela Frente Nacional de Libertação da Uganda e pelas forças do presidente da Tanzânia. Em 2003, Idi Amin morreu, aos 78 anos, na Arábia Saudita, onde ficou exilado. A causa da morte foi falência múltipla dos órgãos. Um dia de festa em Uganda. 

O último rei da Escócia, filme do cineasta escocês Kevin Macdonald, acompanha a trajetória de Nicholas Garrigan, jovem médico recém-formado, também de nacionalidade escocesa, que viaja a Uganda para exercer a profissão e conhecer a realidade do povo africano, que o encanta. Nicholas é “descoberto” por Idi Amim, que acabara de tomar o poder no país e em quem grande parte da população pobre e carente depositava muitas esperanças. O ditador convida o sonhador rapaz para ser seu médico particular. Convivendo de perto com Amin, Nicholas aos poucos percebe que está sendo manipulado por um homem de caráter vil e violento. Ele vivencia a mudança que ocorre no governo “popular” de Amim, que logo começa a se transformar em um banho de sangue. 

Forest Whitaker tem a difícil responsabilidade de encarnar Idi Amin. O grande ator se sai, no entanto, muitíssimo bem criando um personagem sedutor, traiçoeiro, que se revela aos poucos monstruoso e perigoso. Por sua atuação, Whitaker ganhou o Oscar de Melhor Ator. James McAvoy interpreta o verdadeiro protagonista da história, naquela que é provavelmente sua melhor atuação. O jovem ator constrói um personagem sonhador, inocente, de boas intenções, que se vê preso em uma armadilha. 

O roteiro de Jeremy Brock e Peter Morgan (de A Rainha) peca apenas por incluir como um dos seus arcos dramáticos principais um romance inverossímil entre Nicholas e uma das esposas de Amin. O diretor Kevin Macdonald, por sua vez, que tem uma longa experiência como documentarista, faz um ótimo trabalho conferindo uma atmosfera tensa e inquietante à trama e retratando de maneira sensível a miséria no país africano. O último rei da Escócia é um retrato assustador de um dos mais perversos ditadores que já existiram.



domingo, 13 de novembro de 2011

Mark Zuckerberg e sua cinebiografia

Título original: The Social Network
Lançamento: 2010
País: EUA
Direção: David Fincher
Atores: Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Rooney Mara.
Duração: 121 min
Gênero: Drama

Mark Zuckerberg

Mark Elliot Zuckerberg tem apenas 27 anos e é um dos homens mais ricos do mundo. O programador é a principal cabeça por trás da maior rede social do mundo: o Facebook. Zuckerberg nasceu em White Plains, no estado de Nova Iorque, Estados Unidos, em 1984. Poliglota e premiado na escola por trabalhos em matemática, física e ciências astronômicas, o rapaz pode ser chamado de jovem prodígio. No entanto, quem pensa que Zuckerberg  só se interessa por números e computadores está enganado. Na escola, ele se destacava no estudo da arte e cultura clássicas. Já em Harvard, ele criou diversos programas e sites. Um deles consistia em escolher qual estudante era mais sexy. A brincadeira juvenil gerou um sobrecarregamento do servidor da Universidade, tamanha foi sua popularidade. Estava aí o germe do Facebook. Hoje, dono de uma fortuna que supera os 17 bilhões de dólares, Zuckerberg é chefe executivo e presidente da companhia e também realiza trabalhos filantrópicos. 

A rede social foi dirigido por David Fincher, responsável pelos excelentes Seven (1995), Clube da Luta (1999) e Zodíaco (2007). No filme de 2010, ele se une ao ótimo roteirista Aaron Sorkin, para contar um fato extremamente contemporâneo: a criação do Facebook. O longa retrata o processo de criação do site, o sucesso e as conseqüentes disputas judiciais. O interesse de Sorkin e Fincher na adaptação da história certamente não foi despertado apenas por seu caráter atual. A personalidade instigante de Zuckerberg deve ter tido um papel muito grande nesta decisão. O protagonista de A rede social é um sujeito que se destaca por sua extrema inteligência, seu raciocínio lógico e por sua dificuldade de se relacionar com as pessoas (algo que é ilustrado logo na sequência de abertura do longa).

Destacando-se como um dos grandes personagens do cinema no ano passado, o Zuckeberg de Fincher encontra em Jesse Eisenberg seu intérprete perfeito. As tiradas sarcásticas e impiedosas do antipático personagem ganham um efeito impressionante na fala de Eisenberg, sempre rápida, seca e impiedosa. O jovem ator de 28 anos, com cara de adolescente, foi merecidamente indicado ao Oscar de Melhor Ator no ano passado. Ao lado de Eisenberg, temos ótimas performances de Andrew Garfield, Armie Hammer (que interpreta gêmeos) e até mesmo do cantor Justin Timberlake, que não faz feio.

O filme ainda apresenta diálogos dinâmicos e divertidos e uma fotografia que se destaca por seus tons frios, que parece realçar a falta de calor humano entre os personagens. A Rede Social explora de perto a personalidade intrigante de um jovem gênio. Inteligente, ácido e despretensioso, o longa-metragem mostra de forma contundente a ironia presente no fato de que o criador de uma das maiores redes sociais do mundo ter tamanhos problemas para se relacionar com as pessoas a sua volta.




 






domingo, 6 de novembro de 2011

Marjane Satrapi e sua cinebiografia

Título original: Persepolis
Lançamento: 2007
País: França
Direção: Vincent Paronnaud, Marjane Satrapi
Atores: Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve, Danielle Darrieux, Simon Abkarian.
Duração: 95 min
Gênero: Animação

 
Marjane Satrapi é ilustradora, romancista gráfica, autora de livros infantis e diretora de animação. Iraniana, naturalizada francesa, ela nasceu em 1969, numa cidade chamada Rasht. Além da língua persa, a ilustradora fala francês, alemão, inglês e sueco. Satrapi cresceu no Teerã e sua família era politicamente envolvida com movimentos socialistas e comunistas. Quando jovem, freqüentou uma escola francesa e viu de perto o crescimento da repressão às liberdades civis, as mudanças de regime e a violência assolar seu país.  Aos 14 anos, ela foi enviada à Viena, na Áustria, para escapar do caos político no Irã. Em Viena, chegou a viver como nômade, na casa de amigos e morou por dois meses na rua. Lá, ela se formou em comunicação visual e obteve seu mestrado já em Teerã. Ela se casou aos 21 anos e se divorciou aos 24. Hoje ela está casada pela segunda vez e mora em Paris. Sartrapi publicou diversos romances gráficos , dentre eles, a bem-sucedida série Persépolis, baseada em sua vida. Em 2007, ela co-dirigiu o filme Persépolis, pelo qual foi indicada ao Oscar.

Persépolis foi transposto para cinema por Satrapi e pelo diretor e roteirista francês Vincent Paronnaud. O filme foi baseado no romance gráfico homônimo, publicado, originalmente, em quatro volumes. A animação definitivamente não é destinada ao público infantil. Mesmo com um tom bem-humorado, o longa aborda temas delicados, como: o fundamentalismo islâmico, a perseguição política e religiosa, a repressão, assassinatos e até mesmo o estupro. A narrativa, contada a partir do ponto-de-vista da jovem Marjane, acompanha a vida da protagonista desde os 9 anos até, aproximadamente, os 24. O filme veicula uma visão crítica de Satrapi sobre sua própria história e sobre seu país, o Irã. 

Inteligente, com um humor mordaz e recheado de reflexões filosóficas sobre a própria existência, Persépolis é a prova que o cinema de animação pode tratar de assuntos sérios e ser consumido também por jovens e adultos. A animação e o design de produção do filme são sensacionais e impressionam no uso de cores fortes e pelas múltiplas referências e gags visuais. Satrapi e Paronnaud mostram-se geniais ao conseguirem chocar, emocionar e fazer rir através das imagens. E eles merecem elogios por saberem dosar, incrivelmente bem, os momentos densos e sombrios com as partes engraçadas (e não são poucas). Uma das sequências mais interessantes do filme é aquela em que a história do Irã é contada através de marionetes de papel. A animação conta ainda com belíssimas dublagens de Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve, Gena Rowlands e outros. 

Persépolis é um dos melhores filmes de animação lançado nos últimos anos. Engraçado, relevante e atual, ele se destaca também por ser uma cinebiografia deliciosa e encantadora. Ao final, é impossível não se apaixonar por Marjane.  

Clique aqui e assista ao trailer

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Bob Dylan e sua cinebiografia

Título original: I'm Not There
Lançamento: 2007
País: EUA, Alemanha
Direção: Todd Haynes
Atores: Christian Bale, Marcus Carl Franklin, Richard Gere, Ben Whishaw, Cate Blanchett.
Duração: 135 min
Gênero: Drama



Bob Dylan é, provavelmente, o cantor/compositor americano mais celebrado de todos os tempos. Ele nasceu em 24 de maio de 1941, no estado de Minnesota, norte dos Estados Unidos. Nos anos 60, suas músicas viraram hinos antiguerra. Em 50 anos de carreira, Dylan explorou diversos estilos musicais: folk, blues, country, gospel, rock and roll, Irish folk music, jazz e swing. Muitas de suas letras são consideradas políticas, filosóficas e falam da vida em sociedade e de si mesmo. A revista Times o elegeu como uma das 100 pessoas mais importantes do século XX e a revista Rolling Stone o escolheu, em 2004, como o segundo maior artista de todos os tempos, atrás apenas dos Beatles. George Harrison afirmou, certa vez, que até mesmo a banda inglesa era fã de Dylan. A música mais famosa do compositor, "Like a Rolling Stone", foi eleita, por diversas vezes, a melhor de todos os tempos. Dylan, além de cantor e compositor, tem outros talentos: é pintor, poeta e já publicou vários livros, entre eles, sua autobiografia. [Confira a matéria da revista Rolling Stone que elegeu as 8 maiores canções de Bob Dylan]


Não estou lá é dirigido por Todd Haynes, responsável também pelo roteiro do longa, ao lado de Oren Moverman. O diretor americano tem no currículo os excelentes Safe (1995) e Longe do paraíso (2002), ambos estrelados por Julianne Moore. A cinebiografia de Bob Dylan idealizada por Haynes revela-se genial por não se contentar em retratar fatos importantes da vida do cantor e, sim, por tentar captar sua essência. Dessa forma, nada melhor do que múltiplos Dylan’s para representar um artista que se reinventou várias vezes e que passou por diversas fases em sua carreira. 


A missão de interpretar o gênio da música foi dividida entre seis atores, cada um representando uma fase e um estilo do cantor. Assim, as diversas facetas de Dylan são personificadas pelos famosos Christian Bale, Cate Blanchett, Heath Ledger e Richard Gere e pelos não tão conhecidos Marcus Carl Franklin e Ben Whishaw. Bale ilustra a fase engajada de Dylan. Ledger mostra o lado família do cantor e seu primeiro casamento. A Cate Blanchett cabe a fase em que o músico se dedicou a guitarra elétrica, período em que o artista era dependente de estimulantes. Gere interpreta um Dylan que quer fugir do sucesso. O garoto Franklin mostra as origens e as principais influências do artista. Por fim, Winshaw é o Dylan-poeta. Cada “personagem” tem um nome diferente, que de certa forma resume a personalidade retratada do artista, Billy the Kid (Gere) e Rimbaud (Winshaw) são dois dos “pseudônimos” atribuídos por Haynes. 


Além de utilizar vários atores, Haynes, auxiliado por seu excelente diretor de fotografia, também atribui um visual específico para cada fase do cantor. Temos, por exemplo, o preto-e-branco agressivo da fase “guitarra”, uma fotografia que lembra imagens de arquivo, na fase política, e, na fase que mostra a origem humilde do artista, uma fotografia que ressalta as cores da paisagem rural. Haynes ainda nos premia com várias metáforas visuais, como a cena em que Blanchett “metralha” seu público ou outra em que ela prende um repórter numa gaiola. 


O longa é ainda beneficiado por um trabalho de elenco primoroso. Dos ótimos Dylan’s o maior destaque é, sem dúvida, a versátil e surpreendente Cate Blanchett. O filme ainda conta com participações fantásticas de Charlotte Gainsbourg, Michelle Williams e Julianne Moore. Não estou lá é um exemplo de uma cinebiografia não convencional e, ao mesmo tempo, extremamente fiel. Sem tentar abarcar toda uma vida em poucas horas e sem querer ser didático, o filme consegue nos transportar para o mundo de Bob Dylan, nos fazendo vivenciar suas diversas facetas.




Bob Dylan

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Alfred Kinsey e sua cinebiografia

Título original: Kinsey
Lançamento: 2004
País: EUA
Direção: Bill Condon
Atores: Liam Neeson, Laura Linney, Chris O'Donnell, Peter Sarsgaard.
Duração: 118 min
Gênero: Drama

Liam Neeson como Alfred Kinsey 

Alfred Kinsey era um biólogo americano, professor de entomologia e zoologia na Universidade de Indiana, nos Estados Unidos. Em 1947, ele fundou o Instituto para Pesquisa em Sexo, Gênero e Reprodução. É de sua autoria os famosos Kinsey Reports, dois livros sobre os comportamentos sexuais dos homens e das mulheres. Ele também criou a Escala Kinsey, uma tentativa de descrever a vida sexual de uma pessoa. A escala ia de 0 (exclusivamente heterossexual) a 6 (exclusivamente homossexual), além de um nível adicional “X”, para os assexuados. Os trabalhos de Kinsey eram extremamente controversos, mas foram fundamentais para o desenvolvimento do estudo da sexologia. Kinsey casou-se com Clara Bracken McMillen, em 1921, e teve quatro filhos com ela.

Os métodos de pesquisa de Kinsey nem sempre se limitavam a entrevistas e provaram não ser nada convencionais. Muitos afirmam que ele costumava participar de diversos atos sexuais para alimentar sua pesquisa. Dizem também que ele filmava relações sexuais e incentivava sua equipe a se envolver sexualmente com seus entrevistados, para ganhar a confiança dos mesmos. Denúncias afirmam que Kinsey adulterou diversas informações em sua pesquisa, além de ter tido diversas atitudes antiéticas. Nada pôde, no entanto, ser provado oficialmente. Ele morreu em 1956, aos 62 anos, devido a uma pneumonia.

O filme Kinsey – Vamos falar de sexo é escrito e dirigido por Bill Condon, que tem no currículo o ótimo Deuses e Monstros (1998) e o fraco Dreamgirls (2006). Ele também será o responsável pelos dois últimos filmes da saga teen Crepúsculo. Condon aborda o tema da sexualidade de uma maneira madura e natural, sem receios de tocar em temas tabus, como a homossexualidade. Assim, seu roteiro e direção são um espelho da própria atitude do protagonista diante do sexo. 

Kinsey é interpretado pelo sempre interessante Liam Neeson. O ator constrói um personagem intrigante: um cientista extremamente racional, objetivo, metódico e que vive para suas pesquisas. Apesar de lidar com a sexualidade humana, o personagem, muitas vezes, se vê incapaz de lidar com as pessoas à sua volta e com as emoções das mesmas. Outro grande destaque do elenco é a maravilhosa atriz Laura Linney, que interpreta a mulher do protagonista. Em uma atuação sensível, contida e emocionante, Linney faz de sua personagem uma parceira incondicional do marido, uma mulher com certa melancolia no olhar. A indicação ao Oscar foi mais do que merecida. 

Kinsey – Vamos falar de sexo é uma cinebiografia eficiente e muito interessante. O maior mérito fime é a forma franca e direta com a qual ele aborda a sexualidade humana, fazendo jus, portanto, ao biólogo que o inspirou.




O verdadeiro Alfred Kinsey




sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Johnny Cash e sua cinebiografia

Título original: Walk the Line
Lançamento: 2005
País: EUA
Direção: James Mangold
Atores: Joaquin Phoenix, Reese Whiterspoon, Ginnifer Goodwin, Robert Patrick.
Duração: 136 min
Gênero: Drama

 
Johnny Cash é considerado um dos músicos norte-americanos mais importantes do século XX. O cantor e compositor nasceu em 1932, em Arkansas, Estados Unidos. Apesar de ser considerado, sobretudo, uma estrela country, sua música “flertava” com outros gêneros como o rock and roll, blues, folk e o gospel. A voz grave, as roupas escuras e a rebeldia eram marcas registradas do cantor. A dependência química foi um capítulo extenso em sua vida. Ele chegou a afirmar que havia experimentado todos os tipos de drogas que existiam. Entre seus principais sucessos, estão: "Folsom Prison Blues","I Walk the Line", "Ring of Fire", Man in Black” e "Get Rhythm". Cash morreu em 2003 em decorrência de uma doença neurodegenerativa, diabetes e pneumonia. 

June Carter nasceu em 1929. A cantora e compositora country conheceu Cash em uma de suas turnês em meados dos anos 50. Os dois excursionaram e fizeram muitos shows juntos. Um dos frutos da parceria é a canção "Jackson". June foi casada três vezes, a última com Cash, com quem viveu durante 35 anos. Cash a pediu em casamento, em 1968, durante uma apresentação dos dois. Seus álbuns Wildwood Flower e Press on foram premiados com Grammys. Ela morreu aos 73 anos, quatro meses depois de Cash, em decorrência de complicações durante uma cirurgia cardíaca. 

Johnny & June, de James Mangold, relata a história de amor de Johnny Cash e June Carter. O roteiro, escrito pelo próprio Mangold e por Gill Dennis acerta ao focalizar um período específico da vida dos cantores: de 1952 a 1968. Assim, o filme mostra o primeiro casamento de Cash, os primeiros anos dele como cantor, o sucesso, o encontro com June, a luta contra as drogas e as tentativas de conquistar a cantora. É interessante observar que o filme se torna mais interessante quando focaliza o casal e se torna burocrático quando tenta explicitar outros momentos da vida do cantor, como a passagem pelo exército. Se o filme acerta no tratamento do romance de Johnny e June, ele é falho ao reconstituir a relação de Cash com seu pai e com sua primeira esposa, dois personagens que são boicotados pelo roteiro. O ódio que o pai de Cash sente pelo filho, por exemplo, é algo jamais bem explorado ou explicado pela trama. 

O filme se destaca, sobretudo, pela a atuação de seus dois protagonistas. Joaquin Phoenix e Reese Whiterspoon têm umas das melhores atuações de suas carreiras e a sintonia dos dois em cena é perfeita. Phoenix incorpora a voz grave do cantor e tem uma performance que está longe de se basear na pura imitação. Ele constrói um personagem perturbado, instável, mas extremamente romântico, vigoroso e encantador. Já Whiterspoon empresta seu carisma a June, criando uma personagem doce, ética, bem-humorada e talentosa. Do sotaque ao canto, sua atuação é extremamente correta (apesar de não ter merecido o Oscar de Melhor Atriz que levou naquele ano).

Johnny & June ainda é embalado por belas canções country, incluindo alguns ótimos números musicais. Apesar de ser uma cinebiografia extremamente convencional e, por vezes, esquemática, o longa conta uma linda história de amor e é uma grande oportunidade para se conhecer melhor o talentosíssimo Johnny Cash e a encantadora June Carter.  



O casal na vida real


sábado, 8 de outubro de 2011

Truman Capote e sua cinebiografia

Título original: Capote
Lançamento: 2005
País: EUA
Direção: Bennett Miller
Atores: Philip Seymour Hoffman, Catherine Keener, Clifton Collins Jr., Chris Cooper.
Duração: 98 min
Gênero: Drama

Truman Capote: o original
 
Truman Capote foi um famoso e influente escritor norte-americano. Sua obra é constituída por contos, novelas, roteiros para o cinema, peças de teatro e um romance de não-ficção, considerado seu melhor trabalho. Tal romance, A Sangue Frio (1966), foi responsável pelo surgimento de uma nova forma de se fazer jornalismo e literatura. O jornalismo literário, do qual Capote é pioneiro, consiste em se usar técnicas próprias da literatura ao se fazer uma matéria jornalística sobre um acontecimento real. A obra-prima de Capote relata o brutal assassinato da família Clutter no interior do estado do Kansas, nos Estados Unidos. Através de entrevistas e informações coletadas, o autor aborda o caso desde a concepção do crime até o enforcamento dos assassinos, Richard Hickock e Perry Smith. Capote veio a iniciar um relacionamento amoroso com o último. 

A escritora Harper Lee, era uma de suas melhores amigas e o ajudou nas pesquisas para o romance. Capote nasceu em 1924 e começou a escrever aos 11 anos. Além de A Sangue Frio, ele também foi o autor da novela Bonequinha de luxo (1958), adaptada para o cinema em 1961, com Audrey Hepburn no papel principal. Depois de seu romance de não-ficção, o autor nunca mais conseguiu se superar. Ele continuou, no entanto, uma figura famosa nos Estados Unidos, com aparição constante em programas de televisão. Capote morreu em 1984, aos 59 anos, em conseqüência de um câncer no fígado. Ele era dependente de drogas e  de bebidas alcoólicas.

Dirigido por Bennett Miller (seu segundo trabalho), Capote focaliza os anos de produção de A sangue Frio. O ótimo roteiro de Dan Futterman, não se preocupa, no entanto, com o assassinato em si, mas com a construção do relacionamento de Truman Capote e do condenado Perry Smith, assim como o processo de escrita do romance. A identificação e simpatia que o escritor nutre pelo assassino fazem com que ele se envolva imensamente com a história que vai relatar. Assim, nasce uma relação que se torna cada vez mais íntima e complexa. 

O fantástico Philip Seymour Hoffman dá vida ao egocêntrico, auto-confiante e excêntrico Truman Capote. O trabalho de composição do ator é fenomenal, a começar pelo tom de voz e pela dicção. Mas Hoffman não faz um simples trabalho de imitação. Ele cria um personagem muito mais interessante e complexo de que poderíamos imaginar à primeira vista. Ele mostra em cada cena a inteligência e o talento de Capote, mas também seu poder de manipulação e o seu calculismo. Outro destaque do elenco é Clifton Collins Jr., que interpreta Perry Smith, um homem imprevisível que carrega frustrações e mágoas e que, ao mesmo tempo, nos parece patético e comovente. 

Bennet Miller, auxiliado por seu diretor de fotografia, faz um trabalho excelente ao adotar um tom triste e frio em sua narrativa. Apesar de omitir o relacionamento sexual de Capote e Smith, o diretor acerta ao mostrar o relacionamento íntimo e a cumplicidade que nasceu entre os dois. O longa de Miller é um belíssimo estudo de personagem, psicologicamente denso e envolvente. 


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Howard Hughes e sua cinebiografia

Título original: The Aviator
Lançamento: 2004
País: EUA
Direção: Martin Scorsese
Atores: Leonardo DiCaprio, Kate Beckinsale, John C. Reilly, Alec Baldwin, Cate Blanchett
Duração: 168 min
Gênero: Drama



Howard Hughes se notabilizou por diversos motivos: por seu trabalho como produtor e diretor de cinema, por seu exímio talento de aviador e por ser considerado, por muito tempo, um dos homens mais ricos do mundo. Hughes nasceu em 1905, no Texas, estado norte-americano. Sua carreira de produtor começou no final dos anos 20. Suas primeiras produções foram sucessos comerciais, com destaque para Dois Cavaleiros Árabes (1927), que ganhou o Oscar de Melhor Diretor (para Lewis Milestone). Hughes também produziu um grande clássico do cinema, o filme Scarface - A Vergonha de uma Nação (1932).

Em 1930, ele dirigiu seu primeiro filme, chamado Anjos do Inferno, com a bela Jean Harlow no papel principal. Nele, Hughes pôde reunir sua paixão pela aviação e seu amor pelo cinema. Durante a filmagem deste longa, aviadores profissionais se recusaram a fazer uma manobra arriscada em uma cena do filme. Não é para menos: três pilotos já haviam morrido nas filmagens. Hughes então decidiu fazer a manobra ele mesmo. Apesar de ter batido o avião, Hughes conseguiu filmar o que queria e sair são e salvo. Anjos do inferno, custou quase 4 milhões de dólares, sendo o filme mais caro a ser realizado até então. A produção não obteve nenhum lucro em seu lançamento. O segundo filme dirigido por Hughes, O proscrito (1943) teve inúmeros problemas com a censura, especialmente pela atenção que o filme dava ao busto da atriz Jane Russell (Hughes chegou a fabricar um soutien especial para atriz).

Hughes tem seu nome gravado na história da aviação: ele foi responsável pela quebra inúmeros recordes de velocidade. O milionário chegou a ter sua própria companhia aérea. Hughes também se tornou famoso por sua vida pessoal. Ele namorou ou teve affairs com muitas atrizes da Era de Ouro de Hollywood. Entre elas: Bette Davis, Ava Gardner, Olivia de Havilland, Katharine Hepburn, Ginger Rogers e Gene Tierney. Hughes morreu em 1976, aos 70 anos, a bordo de um avião (como não poderia deixar de ser). Sua morte foi decorrência de uma falência dos rins e desnutrição. Ao fim de sua vida, ele vivia recluso. Hughes sofria de Transtorno Obsessivo-Compulsivo, cujos sintomas começaram a se fazer visíveis no início dos anos 30. 

A cinebiografia de Howard Hughes foi transposta para a telona por um dos maiores cineastas da atualidade, o grande Martin Scorsese. Scorsese é mestre em contar histórias de personagens “marginais” ou problemáticos. Muitos deles foram interpretados pelo seu maior astro, Robert de Niro. O diretor americano encontrou no jovem Leonardo DiCaprio, um novo protagonista e com ele já acumula diversos trabalhos, inclusive este O aviador. A estrela de Titanic (1997) não decepciona ao encarnar Hughes, com grande energia e sensibilidade. Versátil, perfeccionista, louco, brilhante, todas essas características estão presentes no Howard Hughes de Scorsese. O personagem vai adquirindo aos poucos contornos trágicos, já que passamos a ter acesso ao seu mundo de fobias, paranóias e compulsões, pulsões que ele não pode controlar.  E DiCaprio está impecável ao mostrar a gradativa decadência de seu personagem, ainda mais se levarmos em conta, o fato de ator ter de retratá-lo em diversas fases. 

Mas não é só de Leonardo DiCaprio que vive o longa. As atuações de Alan Alda, John C. Reilly, Noah Dietrich e de Cate Blanchett dão ainda mais brilho ao filme. Blanchett, em particular, faz um trabalho muito interessante e meticuloso ao interpretar a grande Katharine Hepburn. Por esta atuação, a atriz ganhou o Oscar de  atriz coadjuvante. Não se saindo tão bem quanto Blanchett, Kate Beckinsale não faz jus à diva Ava Gardner, numa atuação bem apagada. 

Um dos maiores êxitos do filme é sua fotografia (de Robert Richardson), direção de arte e figurino que, fenomenais, conseguem recriar a Hollywood dos anos 30 e 40. O preciosismo técnico de Scorsese faz com que o filme seja esteticamente deslumbrante. Além disso, Scorsese parece ter aproveitado a oportunidade de viver aquela época de ouro no cinema e nesse sentido, o filme não deixa de ser uma aula sobre uma parte importante da história da sétima arte. O roteiro de John Logan se vira muito bem ao contar mais de 30 anos de história, sem fazer com o filme torne-se muito episódico ou cansativo

Apesar de não se equiparar às melhores obras de Scorsese (Taxi Driver, O touro indomável, Os bons companheiros), O aviador é uma excelente cinebiografia, que com certeza está à altura do homem que a inspirou. 


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Harvey Milk e sua cinebiografia

Título original: Milk
Lançamento: 2008
País: EUA
Direção: Gus Van Sant
Atores: Sean Penn, Emile Hirsch, Josh Brolin, Diego Luna.
Duração: 128 min
Gênero: Drama

 Sean Penn e Harvey Milk


Harvey Milk foi o primeiro político assumidamente homossexual a ser eleito para um cargo público nos Estados Unidos. Milk nasceu em 1930 em Nova Iorque e se mudou para São Francisco em 1972, mais especificamente para o distrito Castro, habitado por uma grande comunidade gay. Antes de ser eleito membro do San Francisco Board of Supervisors, em 1977, ele concorreu três vezes ao cargo de supervisor sem obter sucesso. Harvey Milk ficou conhecido por sua luta pelos direitos LGBT e é considerado o mais importante e influente político gay eleito nos Estados Unidos. Ele foi assassinado em 1978, após 11 meses de trabalho, por um ex-colega, Dan White. 

White manifestava oposição a diversos posicionamentos de Milk e de outros colegas. Após abandonar o cargo de supervisor, Dan White passou a querer recuperá-lo. Após a recusa do prefeito Moscone, ele cometeu um duplo assassinato à queima roupa. O prefeito e Milk foram encontrados mortos em seus gabinetes. O último se tornou um “mártir da causa gay” e White o homem mais odiado de São Francisco. Após um julgamento controverso, o executor foi indiciado a  apenas cinco anos de prisão. Após dois anos preso, ele foi libertado e cometeu suicídio. 

Milk – A voz da igualdade retrata a vida de Milk (Sean Penn) a partir dos 40 anos, momento em que ele assume sua homossexualidade e se muda para o distrito Castro com seu namorado, o jovem Scott Smith (James Franco). Juntos, eles abrem uma loja na famosa Rua Castro, que se tornaria o grande palco da luta pelos direitos gays em São Francisco. Logo, Milk viraria líder da comunidade, decidindo concorrer ao posto de “supervisor” do Estado (que equivale ao cargo de vereador no Brasil). Após três tentativas, ele é eleito. 

Gus Van Sant optou por iniciar seu longa com imagens de arquivo referentes ao assassinato de Harvey Milk e do prefeito Moscone. Essa, no entanto, não é a única vez que o diretor opta por utilizar imagens reais durante o filme. Ele faz, inteligentemente, uso deste artifício ao mostrar Anita Bryant, uma personagem importante da trama, apenas em imagens recuperadas, transformando-a em uma figura ainda mais temível.  O uso de cenas de arquivo aproxima o filme de um documentário e é essencial para o tom de realismo trágico que Sant deseja transmitir. Tais imagens provocam um impacto ainda maior para o espectador, por lembrar-nos incisivamente que a história realmente aconteceu. A partir da revelação das mortes, segue-se um longo flashback que mostra a trajetória de Milk até o momento do assassinato.

O talentoso Sean Penn presenteia o espectador com mais uma de suas memoráveis performances. Ele nos faz esquecer completamente seus trabalhos anteriores. Sua composição para o personagem é extremamente rica, sutil e convincente. Sem apelar para o estereótipo ou para o exagero, Penn constrói um personagem cativante, cujos trejeitos são naturais e espontâneos. Ele modifica até mesmo a forma de falar, com um tom de voz levemente anasalado. O ator ganhou seu segundo Oscar por esta atuação em Milk. Josh Brolin, que interpreta Dan White, consegue passar toda a complexidade de seu personagem, numa atuação que foge do estereótipo do vilão. Ele constrói um antagonista humano, inseguro e, de certa forma, patético. Além de Penn e Brolin, o filme ainda conta com ótimas participações de James Franco, Diego Luna e Emile Hirsh.

Gus Van Sant já provou seu talento em filmes como Elefante (2003), Últimos Dias (2005), Gênio Indomável (1997) e Um sonho sem imites (1995). Milk – A voz da igualdade já pode ser considerada uma de suas melhores obras. O longa de 2008 não é somente um ótimo drama biográfico, mas também uma obra relevante que denuncia um tipo de intolerância e discriminação que, infelizmente, ainda existe. Além disso, é uma grande homenagem a importante ativista gay, que foi também um exemplo de perseverança e coragem. 

 Assista ao trailer:




sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Erin Brockovich e sua cinebiografia

Título original: Erin Brockovich
Lançamento: 2000
País: EUA
Direção: Steven Soderbergh
Atores: Julia Roberts, Albert Finney, Aaron Eckhart, Marg Helgenberger.
Duração: 145 min
Gênero: Drama

Erin Brockovich: a original

Erin Brockovich nasceu em 22 de junho de 1960, na cidade de Lawrence (Kansas) no centro-oeste dos Estados Unidos. Ex-miss Pacific Coast, Erin ganhou notoriedade pela sua preciosa contribuição no processo contra a poderosa companhia americana de gás e eletricidade, a PG&E, em 1993. Um importante detalhe é que Erin não tinha nenhuma formação em Direito na época. Atualmente, ela é a presidente da firma de consultoria Brockovich Research & Consulting. Ela também trabalha como consultora na Girardi & Keese, Weitz & Luxenberg e na Shine Lawyers. A também ativista ambiental já apresentou os programas Challenge America with Erin Brockovich e Final Justice na televisão americana.

O filme Erin Brockovich – Uma mulher de talento foi dirigido por Steven Soderbergh, que tem no currículo Sexo, mentira e videotapes (1989), Traffic (2000) e Onze homens e um segredo (2001). Baseado no famoso processo contra a PG&E, o filme conta a história de uma mulher comum, Erin, que, após perder um processo envolvendo uma batida de carro, acaba indo trabalhar com o advogado que a defendeu, Ed Masry (Albert Finney). Trabalhando na firma de advocacia, ela descobre documentos médicos arquivados que levavam à suspeita de uma contaminação dos lençóis freáticos de um lugarejo dos Estados Unidos, chamado Hinkley. Com a permissão de Marsry, ela se dedica à investigação, angariando provas contra a companhia PG&E.

O roteiro de Susannah Grant cria uma narrativa que consegue ser eletrizante, divertida e, em muitos momentos, emocionante, contando ainda com diálogos afiados.  Ainda que aqui e ali, o filme faça uso artifícios clichês, como a heroicização da personagem e previsíveis conflitos amorosos, ele se destaca por ser extremamente envolvente. O filme foi indicado a cinco Oscar’s: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original, Melhor Ator Coadjuvante (Albert Finney) e Melhor Atriz (Julia Roberts). Apenas Roberts saiu vitoriosa.

Julia Roberts é a alma do filme. Ela tem uma das melhores atuações da sua carreira, interpretando uma personagem verborrágica, vulgar, sedutora e inteligente. Roberts está excelente ao interpretar uma mulher comum, tão distante do glamour associado à estrela na vida real. O filme de Soderbergh parece ser feito para fazer a atriz brilhar. Ao lado de Roberts, o grande Albert Finney faz um ótimo trabalho, demonstrando uma ótima química com a atriz. O filme ainda conta com a ótima participação de Marg Helgenberger e um carismático Aaron Eckhart.

Erin Brockovich – Uma mulher de talento é um excelente drama biográfico e uma ótima oportunidade de conhecer a história de uma mulher comum que conseguiu se tornar uma heroína nacional, além de uma profissional de sucesso, ao fazer a coisa certa: ajudar as pessoas.

Julia Roberts como Erin 



sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Edith Piaf e sua cinebiografia (Piaf - Um hino ao amor)

Título original: La Môme
Lançamento: 2007
País: França, República Tcheca, Inglaterra
Direção: Olivier Dahan
Atores: Marion Cotillard, Sylvie Testud, Pascal Greggory, Emmanuelle Seigner.
Duração: 140 min
Gênero: Biografia/ Drama



Edith Piaf, ou Edith Giovanna Gassion, nasceu em 19 de dezembro de 1915, em Belleville, quartier popular de Paris. Sua mãe cantava em cafés e seu pai, ex-ator de teatro, era acrobata de rua. A pequena Edith foi abandonada pelos pais ainda bebê, ficando por 18 meses na casa da avó, em um ambiente de extrema insalubridade. Depois da temporada com a avó, a criança foi deixada pelo pai em um prostíbulo onde a mãe trabalhava. Aos três anos, Edith ficou cega devido a uma doença chamada queratite. Ela recuperou a visão aos sete anos. Após retornar da Primeira Guerra Mundial, o pai buscou a menina e a levou para viver com ele. Eles passaram a se apresentar em circos itinerantes e em ruas de toda a França. Aos 18 anos, Piaf teve uma filha que faleceu, aos dois anos, de meningite. 

A partir dos 14 anos, Edith começou a cantar nas ruas. Ela recebeu o apelido de “la môme Piaf” (“pardalzinho”, em francês coloquial) aos 20 anos por Louis Leplée, seu primeiro mentor, dono do cabaret Le Gerny's. Ele a descobriu cantando na rua. A partir de então, o sucesso de Piaf foi meteórico. Ela se tornou a cantora francesa mais famosa dentro e fora da França. No final, dos anos 40, ela fez uma temporada de shows nos Estados Unidos, onde conheceu Marcel Cerdan, famoso pugilista, por quem se apaixonou perdidamente. Ele morreu em um acidente de avião em 1949, deixando-a completamente arrasada.  Piaf tinha poliartrite aguda e tornou-se dependente de morfina. Ela morreu aos 47 anos, em 1963, devido aos excessos, à dependência química e ao sofrimento. 

O drama Piaf - Um hino ao amor relata os principais acontecimentos da vida da cantora. Este é o filme mais conhecido de Olivier Dahan, que também assinou o roteiro do filme, junto com Isabelle Sobelman. O cineasta francês de 44 anos optou por não adotar uma cronologia convencional, realizando vários saltos no tempo. Essa estrutura adotada pelo diretor talvez seja o único ponto fraco do filme, já que ela confere à narrativa um tom confuso e, por vezes, caótico. Assim, algumas questões vêem, eventualmente, à mente do espectador: “Isso aconteceu quando exatamente na vida da protagonista?” ou “Passaram-se meses, dias ou anos?” O filme também deixa algumas pontas soltas com relação a alguns personagens importantes, como Simone (Sylvie Testud) e Louis Léplée (Gérard Depardieu). 

As qualidades do longa parecem, no entanto, superar suas falhas. A bela fotografia de Tetsuo Nagata pontua muito bem, através das cores, as fases da vida da protagonista. Nagata adota tons frios no início e no fim da vida da cantora e tons quentes e cores vibrantes no auge de seu sucesso. O trabalho de maquiagem também é fantástico, conseguindo transformar a bela atriz Marion Cotillard em várias Piaf’s: a jovem e pobre; a bela e rica; e a doente e decadente. E o que dizer da deliciosa trilha sonora, recheada de músicas de Piaf, assim como de outras famosas canções francesas? A direção de Dahan também nos presenteia com belos momentos. O mais bonito deles é o plano sequência que mostra a protagonista descobrindo a morte do amante, Marcel. A sequência termina com uma bela transição para o palco, linda metáfora da superação da dor através da arte. 

Marion Cotillard é o grande trunfo do filme. A performance da atriz é, sem dúvida, uma das melhores e mais impactantes da última década. Sua composição é extremamente minuciosa. Ela parece, por exemplo, se diminuir para ficar com os 1.42m de Piaf. Impressiona também o fato da atriz retratar tão bem as diversas fases da vida de Edith Piaf: a insegurança da juventude, a confiança que veio do sucesso, o efeito das perdas, a dependência química e todos os altos e baixos da vida da cantora. 

Piaf – Um hino ao amor ganhou o Oscar de Melhor Atriz e Melhor Maquiagem. O filme francês é um impactante drama biográfico, essencial para quem admira a inigualável cantora francesa, mas também para quem quer ver uma bela produção, com uma atuação inesquecível de sua protagonista. 

Assista ao trailer:


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Chaplin (1992)

Título original: Chaplin
Lançamento: 1992
País: EUA
Direção: Richard Attenborough
Atores: Robert Downey Jr., Geraldine Chaplin, Paul Rhys, John Thaw.
Duração: 144 min
Gênero: Drama


Charlie Chaplin, ou Charles Spencer Chaplin, nasceu em 1889, em Londres. Ele, que viria a ser o maior ícone do cinema de todos os tempos, teve uma infância pobre e extremamente difícil. Seu pai, cantor e alcoólatra, o abandonou quando tinha apenas três anos e morreu quando Chaplin tinha doze anos. Sua mãe, também cantora, sofria de crises nervosas e foi se tornando cada vez mais emocionalmente instável, chegando a ser internada duas vezes em um asilo londrino.


 Aos cinco anos, Chaplin estreou nos palcos, substituindo sua mãe que acabara de ter uma crise nervosa em meio a uma apresentação. Chaplin tinha um meio-irmão mais velho, Sidney, de quem se tornou muito próximo e que o acompanhou por muitos anos. O jovem Charles chegou a passar por reformatórios e internatos. Em 1910, ele começou uma turnê nos Estados Unidos com o produtor de talentos Fred Karno e, em terras americanas, ele desenvolveu seu talento, entrando para o mundo do cinema em 1913, através do convite do produtor Mack Sennett, que havia visto uma performance do comediante. 


A abertura de Chaplin, o filme de 1992, mostra o ator retirando meticulosamente sua maquiagem de Carlitos ou O Vagabundo, seu personagem mais celebrado e conhecido. O filme faz entender, desde a cena de abertura, que pretende descobrir a verdadeira identidade de um gênio. O roteiro adota a estratégia de abordar fatos importantes da vida do artista através de uma entrevista informal que Chaplin teria tido com o editor de sua autobiografia, Minha vida (1964). O editor, que em cena é interpretado pelo grande Anthony Hokins, é o único personagem ficcional do longa. 


O filme foi dirigido por Richard Attenborough, diretor que ganhou o Oscar em 1983 por outra cinebiografia, Gandhi. Attenborough tem a difícil tarefa de contar os 78 anos de vida de um prolífico artista, em pouco mais de duas horas. O diretor ainda brinca, pontualmente, com o estilo e a montagem do cinema mudo, adicionando aqui e ali artifícios típicos da linguagem deste cinema. Apesar de burocrático e convencional, como muitas cinebiografias, o filme consegue se sustentar muito bem graças à opção do roteiro em abordar com certa agilidade os principais acontecimentos da vida do grande astro. Assim, por mais que tenhamos a sensação de que muitas fases da vida de Chaplin são tratadas muito rapidamente e, mesmo superficialmente, este artifício garante, ao menos, que o filme tenha certa energia e não se torne cansativo. 


Assim, vemos retratados a iniciação de Chaplin no cinema; as distribuidoras pelas quais ele passou; a amizade com a estrela Douglas Fairbanks; seus muitos casamentos; seu interesse por mulheres bem jovens; seu perfeccionismo; seu posicionamento político e sua expulsão dos Estados Unidos, após a Segunda Guerra Mundial, ao ser considerado comunista. O filme ainda retrata o multifacetado artista como um indivíduo humanista, audacioso e melancólico, ainda que tenha feito do humor o seu ganha-pão. 


Nomes famosos do cinema fazem pequenas participações no filme. Além do já mencionado Anthony Hopkins, temos Dan Aykroyd, Kevin Kline, Milla Jovovich e Diane Lane. Geraldine Chaplin, filha de Chaplin, interpreta sua própria avó e tem umas das melhores cenas do longa, em uma participação pequena, mas muito bonita. O talentoso Robert Downey Jr. foi merecidamente indicado ao Oscar por interpretar Chaplin. Sua composição é inteligente e foge completamente da pura imitação. 


Outros aspectos do filme que merecem elogios é a direção de arte, figurino e maquiagem que fazem um bom trabalho ao reconstituir quase 80 anos de história. A trilha sonora ficou a cargo do renomado compositor John Barry, que faleceu este ano aos 77 anos, e que tem no currículo trabalhos em filmes da franquia 007 e no filme Dança com os lobos (1990), além de 5 Oscar’s. A música de Barry é maravilhosa e talvez seja superior ao próprio filme. 


Chaplin, o filme, é uma ótima oportunidade para se conhecer um pouco mais da obra e da vida do ator, diretor, produtor, comediante, dançarino, roteirista e músico britânico. Mas, como o próprio Chaplin afirmou certa vez, a melhor maneira de conhecê-lo é através de seus filmes; e revisitar ou descobrir a obra inigualável deste gênio não é nenhum sacrifício. 



Autobiografia:


Minha Vida

Ed. José Olympio


Biografias:


1 – Chaplin - uma vida

Autor: Stephen Weissman


2 – A vida de Charlie Chaplin

Autor: David Robinson



Principais filmes de Charlie Chaplin:


O Imigrante (1917)

Idílio no Campo (1919)

O Garoto (1921)

Em Busca do Ouro (1925)

O Circo (1928)

Luzes da Cidade (1931)

Tempos Modernos (1936)

O Grande Ditador (1940)

Monsieur Verdoux (1947)
Luzes da Ribalta (1952)



Trailer do filme Chaplin (1992):



Matéria publicada originalmente na minha coluna no Somos Biografia.