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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Cena do Dia - Um Tiro na Noite (1981)


Brian de Palma é um dos cineastas mais apaixonados pelo cinema. Ele domina como poucos a linguagem cinematográfica e quase todas as suas obras contém sequências exemplares e extremamente sofisticadas, muitas vezes, referências a cenas clássicas ou a grandes diretores do cinema. Seu virtuosismo técnico pode ser comprovado na sequência escolhida como a nossa Cena do Dia

Palma é um verdadeiro discípulo de Alfred Hitchcock, mas, diferentemente do mestre, ele acumula um número significativo de filmes mal-sucedidos e medianos, como A Fogueira das Vaidades (1990), Missão: Marte (2000) e outros. Hitchcock conseguia contar grandes histórias sempre reinventando a forma de se contar e, por consequência, revolucionando o cinema. Talvez justamente por dar prioridade ao estilo, Brian de Palma deixe um pouco de lado a história que conta. Muitas vezes, temos a impressão de estarmos diante de um meta-cinema, um cinema voltado para si mesmo. No entanto, o diretor americano também tem no currículo grandes filmes como O Pagamento Final (1993), Scarface (1983), Os Intocáveis (1987) que representam o melhor do seu cinema. 

A premissa de Um Tiro na Noite (Blow out em inglês) é uma homenagem ao clássico de Michelangelo Antonioni, Blow up - Depois daquele beijo (1966). No filme de Antonioni, um fotógrafo descobre, em suas fotos, indícios de um crime. No filme de Palma, um técnico de efeitos sonoros capta em seu gravador o que ele também considera ser o indício de um crime. Não é a primeira vez que um filme de Brian de Palma dialoga com um clássico. Em Os Intocáveis, por exemplo, ele faz referência explícita a O Encouraçado Potemkin (1925), de Sergei Eisenstein

A Cena do Dia corresponde ao início de Um Tiro na Noite. Nela, Jack Terry (John Travolta) está numa ponte quase deserta, imerso numa mata, ao lado de uma rodovia. Ele grava os sons da floresta com a ajuda de um microfone direcional. A cena pode ser dividida em 5 momentos, de acordo com o que Jerry capta em seu gravador:  o som de um casal namorando, o coaxar de um sapo, o som da coruja,  um barulho misterioso e o cantar de pneus do acidente. É interessante observar que o som precede a imagem de sua origem. A origem do som é mostrada numa amplificação da escala do plano, através de cortes secos. Temos acesso ao que ouve Jerry, no que poderíamos chamar de ponto de escuta subjetiva. Já com relação ao ponto de vista, temos uma variação constante de ângulos, enquadramentos e de posicionamentos da câmera. Ou seja, o ponto de vista não corresponde ao ponto de escuta. A complexidade visual da cena envolve grande planos em plongée (do alto), em contre-plongée (de baixo), zoom nos fones de ouvido de Jerry, no gravador, etc. O movimento da câmera em alguns momentos parece imitar o movimento do microfone. O diretor opta também em não utilizar nenhuma profundidade de campo ao mostrar simultaneamente a coruja e Jerry, dando um efeito quase de split screen. A cena termina após o acidente, com um maravilhoso plano plongée e a introdução da música grandiosa bem ao estilo de Palma. 

Assista a essa belíssima cena de suspense (até 02'30):


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Cena do Dia - Interlúdio (1946)

O Clube do Filme chegou a 40.000 visitas! 

Para comemorar este feito em grande estilo, vamos comentar, no post de hoje, uma cena inesquecível do cinema clássico hollywodiano.

 
Nossa Cena do Dia foi retirada de um dos filmes mais amados de Alfred Hitchcock: Interlúdio (1946). Estrelado por Ingrid Bergman e Cary Grant, o filme é uma bela história de amor e também uma ótima trama de espionagem. (Uma mistura irresistível nas mãos de Hitchcock!) Outra razão para gostar de Interlúdio, é que ele se passa no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro (apesar de que apenas algumas externas foram gravadas na cidade). No filme, Bergman é Alicia, uma espiã americana que se casa com um nazista para desvendar um misterioso sistema de tráfico de urânio, que seria utilizado para a fabricação de uma bomba atômica. Alicia trabalha para o agente Devlin (Cary Grant), por quem  se apaixonou perdidamente. Ele, obviamente, corresponde aos sentimentos da moça (como não se apaixonar por Ingrid Bergman?), mas uma série de quiproquos faz com que um duvide do que o outro sente. Alicia é uma personagem extremamente interessante. Filha de um nazista, cujos ideais ela repudia, a moça, que também é alcoólatra, vivia uma vida desregrada antes de conhecer Devlin e iniciar sua missão. Os grandes vilões da trama são Alexander Sebastian (o fantástico Claude Rains) e sua pérfida mamãe Mme. Sebastian (Leolpoldine Constantin). Alexander, com quem Alicia se casa, descobre eventualmente que ela é uma espiã e decide que precisa matá-la, mas sem gerar desconfiança. Para isso, ele vai envenenando aos poucos a esposa. A moça, que vai gradualmente definhando, descobre o plano do marido, na famosa "cena do chá". 





A questão do "saber" é muito importante no filme, ou seja, a cada momento um personagem sabe mais que o outro, posição que se alterna regularmente. Na cena do chá, finalmente, Alicia volta a ficar um passo a frente dos vilões, já que ela descobre que eles a estão envenenando, mas eles não sabem que ela sabe. A cena é brilhantemente dirigida. No início, a câmera focaliza a xícara de chá, acompanhando-a até chegar a Alicia, um detalhe dirigido ao espectador, que mostra o veneno e sua destinatária. Numa saleta da mansão de Sebastian, uma conversação se inicia entre Alicia e o médico; Sebastian e a mãe, também estão presentes. A taça, no entanto, está lá e sua presença é assustadora e angustiante. Podemos afirmar que ela é uma das protagonistas da cena. Hitchcock investe em planos em que ela assume quase toda a tela. Para conseguir este efeito, o cineasta mandou fabricar uma taça gigante! Em determinado momento, o médico se engana e pega a taça de Alicia. Os vilões acabam se denunciando através de suas reações. A heroína tem então a revelação que a deixa completamente transtornada. A partir de então, Hitchcock aposta na câmera subjetiva que revela olhar da personagem, alternando-a com planos sobre o rosto de Bergman. Vemos o que ela vê e também a vemos, uma visão "interna" e "externa" da personagem. A imagem distorcida, o jogo de luz e sombra, indicam a mal-estar da personagem. O som é abafado pela trilha sonora, que se torna mais e mais dramática. A interpretação de Bergman é tocante, transmitindo a fragilidade e o extremo sofrimento da protagonista. A sequência termina com a queda de Alicia. Uma belíssima cena, deste clássico do cinema. 

A cena se inicia às 07'34 do Vídeo 1 e termina às 02'03 do Vídeo 2:








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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O Labirinto do Fauno (2006) e a Cena do Dia

Título original: El Laberinto del Fauno 
Lançamento: 2006 
País: México, Espanha, EUA
Direção: Guillermo del Toro
Atores: Ivana Baquero, Doug Jones, Sergi López, Ariadna Gil, Maribel Verdú
Duração: 112 min
Gênero: Ficção


Guillermo Del Toro é um diretor, produtor e roteirista mexicano, de 47 anos, que tem no currículo sete longas-metragens, entre eles, Hellboy (2004), Hellboy II (2008) e Blade II - O caça-vampiros (2002). Seu filme mais famoso e mais aclamado pela crítica é O Labirinto do Fauno. Este longa de 2006 é o homenageado da semana no Clube do Filme. A seguir faremos uma análise, que abordará alguns elementos da obra (não  aconselhável para quem ainda não teve o prazer de assisti-la). 

O Labirinto do Fauno é construído a partir de dois fios narrativos. O primeiro é um conto de fadas, a história de uma jovem princesa do mundo subterrâneo que se encontra perdida no mundo dos mortais. Já o segundo retrata um período importante da História (com "h" maiúsculo) da Espanha, mais especificamente, a resistência dos rebeldes no início do regime fascista de Franco. As duas histórias produzem dois universos ficcionais bem distintos. O que é permitido em uma, não o é na outra. Enquanto uma é o espaço da fantasia e da magia, a outra é uma crônica realista de um passado histórico não muito distante. O brilhantismo de Guilherme del Toro consiste justamente em lidar de uma maneira orgânica e fluida com a fantasia e a História.

Talvez seja temerário utilizar as palavras "real" e "ficção" para distinguir as duas intrigas que se desenvolvem no filme. Uma é tão real ou "absurda" quanto a outra. E mais: o que ocorre em uma tem consequências concretas na outra. Esse diálogo constante entre as tramas pode ser exemplificado através de vários elementos do longa, como a mandrágora que o Fauno (figura mágica) oferece para diminuir o sofrimento da mãe de Ofélia (mortal); ou o giz (objeto mágico) também dado pelo Fauno e que é utilizado por Ofélia para fugir do cárcere imposto pelo Capitão Vidal (mortal) em determinado momento do filme; para não mencionar o final, o momento máximo de encontro entre as histórias. Portanto, afirmar categoricamente que o conto de fadas só existe na cabeça de Ofélia é ignorar a própria estrutura do filme. O mundo do conto de fadas nos é apresentado como sendo verdadeiro, mas acessível somente por Ofélia e as fadas (criaturas da natureza). O próprio fato de a protagonista ser uma princesa imortal que se afastou das raízes, se "naturalizando" humana, faz com que ela seja a única personagem capaz de transitar perfeitamente entre as duas realidades. 

O filme, no entanto, nos dá pistas que permitem uma análise mais "psicológica". Ofélia encontra-se em uma idade de transição da infância para a adolescência, em que parte de seu mundo infantil deve ser deixado para trás. Toda transição implica, de certa forma, uma morte simbólica. Ofélia não quer deixar de ser criança, o universo adulto revela-se extremamente hostil para ela. Além disso, ela deve enfrentar o casamento da mãe com um outro homem, com todas as mudanças que essa situação impõe. Em determinada cena do filme, a menina faz o que toda criança faria: chora e diz para mãe que quer ir embora. O mundo do conto de fadas é utilizado, portanto, como refúgio do mundo real e prolongamento da infância. Não devemos também nos esquecer que Ofélia tem um pouco de Don Quixote, afinal ela também foi "contaminada" pela leitura. De tanto ler, ela pode muito bem ter recriado outro mundo, que, portanto, não deixa de ser real para ela. Não é difícil encontrar também semelhanças entre Ofélia e a protagonista de Alice no País das Maravilhas, personagem apaixonada por contos e que também se aventura em outro mundo (a cena da árvore em O Labirinto... parece ser uma referência explícita à obra de Lewis Carroll). 

O mundo de fantasia também é uma clara resposta de Ofélia ao horror da guerra. Mesmo sendo muito jovem, ela tem plena noção da violência a sua volta. A bela história que ela conta para o irmão, ainda na barriga da mãe, é a prova de que ela compreende, mesmo que intuitivamente, a realidade do seu país. A fábula da rosa cercada de espinhos, parece representar a liberdade subtraída pelo governo fascista. E, nesse sentido, O Labirinto do Fauno não deixa de ser também um filme político, já que denuncia uma forma de governo baseada no puro autoritarismo. Uma das cenas mais belas do filme é justamente aquela em que o médico, que auxiliava os rebeldes, enfrenta o Capitão Vidal e diz: "Obedecer por obedecer, sem questionar, é algo que só pessoas como você fazem, Capitão".

O universo fantástico de Ofélia, no entanto, não é isento de violência, talvez como um reflexo de seu mundo mortal (observe a semelhança entre a mesa do banquete do terrível Homem Pálido e a do jantar do sádico Capitão Vidal). Esse fenômeno não é nenhum absurdo, já que a maioria  dos contos de fadas são recheados de terríveis atos de violência, como o lobo que come a vovozinha; a bruxa que envenena a enteada; a velha malvada que aprisiona uma bela jovem na torre, entre outros. O grotesco, o assustador e a morte também estão presentes no conto de fadas de Ofélia. O que dizer do Fauno? Uma criatura que se revela extremamente ambígua, já que é difícil constatar suas reais intenções. Uma das diferenças mais marcantes entre o conto de fadas e a vida real, e que é explorada pelo filme de forma brilhante, é que a primeira tem quase sempre um final feliz.

O Labirinto do Fauno, além de ser uma obra que suscita diversas discussões e análises, é um filme extremamente bem realizado. Não é por acaso que esta produção mexicana levou 3 Oscar's em categorias técnicas. As premiadas fotografia (Guillermo Navarro), direção de arte (Eugenio Caballero e Pilar Revuelta) e maquiagem (David Martí e Montse Ribé) são fundamentais para o construção desta obra esteticamente espetacular. O trabalho de efeitos visuais e a trilha sonora (Javier Navarrete) são igualmente impressionantes. Del Toro, por sua vez, comprova seu talento como diretor e roteirista, neste que, ao lado de Espinha do Diabo (2001), é o seu melhor filme. 

O elenco de O Labirinto do Fauno é  primoroso, a começar pela jovem e talentosa Ivana Baquero que consegue arrancar muitas lágrimas dos espectadores com sua atuação sensível e emocionante (que olhar!). Já Sergi López é o próprio diabo na pele do Capitão Vidal. Ele consegue construir um personagem sádico, monstruoso, mas que também se revela incrivelmente inteligente e trágico. Outro destaque é para ótima Maribel Verdú, forte e heróica na pele de Mercedes. Elogios também devem ser feitos a Doug Jones que interpreta tanto o Fauno, quanto o asqueroso "homem pálido". 

Por fim, O Labirinto do Fauno nos oferece dois finais: um triste e outro feliz. Esse duplo final de certa forma vai de encontro à lógica do filme, que conta duas histórias. Cabe ao espectador escolher a qual dos dois ele quer se apegar. A meu ver, o fim do filme ainda permite que façamos uma analogia (ainda que rasa) com a Bíblia: Ofélia assim como Jesus Cristo, morre pelos pecados dos outros e ressuscita para uma vida eterna. A sequência final do filme é a nossa Cena do Dia.





quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A mulher do tenente francês (1981) e a Cena do Dia


Karel Reisz (1926-2002) nasceu na Tchecoslováquia, mas foi na Inglaterra que ele construiu sua vida e carreira. O diretor teve seu auge na década de 60, quando foi considerado um dos mais importantes cineastas britânicos. Muitos de seus filmes contêm forte apelo social e tom reivindicativo. Suas obras mais conhecidas são Tudo começou no sábado (1960), Deliciosas loucuras de amor (1966) e Isadora (1968), os dois últimos estrelados pela atriz Vanessa Redgrave. Em 1981, ele dirigiu a adaptação do excelente romance de John Fowles, A mulher do tenente francês. O filme completa, portanto, 30 anos e é o homenageado da semana no Clube do Filme

O romance conta a história de Sarah, uma mulher que vive na pequena cidade de Lyme, no sudoeste da Inglaterra, e que é vista como uma figura peculiar na cidade. Chamada de "Tragédia", a moça  teve um caso com um tenente francês casado e depois fora abandonada por ele. Desde então, ela tem que lidar com sua melancolia e com o preconceito da população. Charles, um arqueólogo oriundo da aristocracia, recente na cidade e noivo de Ernestine, a filha de um rico burguês, começa a se interessar por Sarah. 

A mulher do tenente francês veio logo após Meryl Streep ganhar seu primeiro Oscar (de coadjuvante, pelo filme Kramer VS. Kramer) e foi responsável por sua segunda indicação ao prêmio de Melhor Atriz. Estrelado também por Jeremy Irons, o filme nos apresenta dois fios narrativos. O primeiro corresponde a história de Sarah, que se passa no século XVI, já o segundo nos mostra o processo de filmagem dessa história, já no mundo contemporâneo. Em suma, trata-se de um filme dentro de um filme. O ótimo roteiro de Harold Pinter (também renomado dramaturgo) decide, portanto sobrepor duas tramas separadas pelo tempo, mas intimamente ligadas uma a outra. Ao contrário do que ocorre em Amnésia (2000), a fotografia e a montagem não interferem para construir uma diferenciação estética entre as duas tramas. Reisz opta, sobretudo, pela fluidez, podemos até mesmo afirmar que existe uma contiguidade lógica na constante transição entre tramas. 

A mulher do tenente francês narra não só um, mas vários casos de amor, através de quatro casais diferentes. Temos Sarah e o tenente francês; Charles e Ernestine; Sarah e Charles e Anna e Mike (os atores que interpretam Sarah e Charles). Assim, vemos um interessante fenômeno especular, já que a história do primeiro casal acaba se refletindo na história dos outros casais. Sarah é uma personagem enigmática e de comportamento estranho, que incorpora em si o apelido que os moradores da cidade lhe dão: "tragédia". Ela é interpretada brilhantemente por Meryl Streep, que também interpreta, obviamente, Anna.

O filme também se destaca pela forma com a qual trata o estereótipo das histórias de amor. Reisz adota um supra-romantismo ao lidar com a trama “fictícia”  do longa (a história de Sarah e Charles). Assim, o filme pode parecer piegas e exagerado em algumas cenas, justamente pelo fato de Reisz brincar com as convenções de um estilo. O uso do estereótipo romântico pode ser visto, por exemplo, na cena em que Charles pede Ernestina em casamento. 

Ilustraremos a análise do filme com uma sequência que parece expor bem a dinâmica da obra e que é a nossa Cena do Dia (ou melhor, “cenas do dia”). Ela começa com Charles observando Sarah, no meio da mata. Ele a observa com uma curiosidade quase científica e começa a segui-la. Eles estão em uma mata, em um ambiente bucólico e onírico. Finalmente ele a encontra deitada à beira de uma árvore, em uma posição que muito lembra a estética do romantismo e a pintura pré-rafaelita (a influência da pintura é notável no filme). Novamente, a personagem encontra-se inicialmente com o rosto virado para o mar, algo que se repete por diversas vezes durante o longa e que provavelmente indica sua espera pelo retorno do amado, mais um motivo tipicamente romântico. Charles interrompe esse momento íntimo e, embaraçado, recua.

Logo depois, segue-se uma breve trama paralela envolvendo os criados, que funciona como um retardamento da intriga principal, elevando, portanto, o suspense. O retorno à intriga de Sarah se dá com passagem de Charles por um curral e pelo depoimento ácido do camponês sobre a moralidade da protagonista, ele a chama de prostituta. Novamente a intriga dos criados interrompe a investigação de Charles, retardando a conclusão da sequência principal. Dessa vez, no entanto, um elemento é adicionado, Ernestine, que serve para enfatizar o fato de que um triângulo amoroso está sendo estabelecido. 

Segue-se mais um encontro de Charles e Sarah. É a primeira vez que eles se falam. Ela aparece novamente arredia. Ela se afasta, olha para trás e sobe ligeiramente o vestido, mostrando sua anágua. Corte simples, vemo-nos já diante de outra trama. Trata-se do ensaio dos atores. O elemento de união desta cena com a precedente parece ser o vestido, já que Anna está segurando um vestido da mesma cor da anágua de Sarah. Anna não entra de vez na personagem, ela só consegue concentrar-se na repetição da cena, quando sua fisionomia se transforma completamente. A queda de Anna no ensaio é terminada por Sarah já na outra trama, em uma perfeita transição entre as duas histórias.  

Através dessa sequência, podemos observar o interessante trabalho de montagem do longa, cuja estrutura, extremamente bem elaborada, acrescenta ainda mais lirismo e poeticidade à história (ou histórias) que narra.


Clique aqui e assista à sequência




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sábado, 1 de outubro de 2011

Alice no País das Maravilhas (1951) e a Cena do Dia: O Julgamento

Nesta semana o Clube do Filme homenageou a animação Alice no País das Maravilhas. A última Cena do Dia corresponde ao clímax da história quando a doce Alice será julgada pelo "atentado" contra a Rainha de Copas. A moça passa maus bocados ao chegar ao reino habitado por cartas de baralho, principalmente por causa da temperamental Rainha que dá sinais de precisar urgentemente de um Lexotan. A frase preferida da megera é "Cortem as cabeças!". Por sorte, o minúsculo rei sugere um julgamento. A cena, que é cheia de emoções e reviravoltas, introduz o fim da trama. A maneira magistral com que a animação compõe a furiosa rainha, com sua grande boca e seu corpanzil, é um show a parte. 



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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Alice no País das Maravilhas (1951) e a Cena do Dia: Encontrando o Mestre Gato

Uma das figuras mais célebres de Alice no Pais das Maravilhas (filme homenageado da semana) é o Mestre Gato. A Cena do Dia mostra justamente o encontro de Alice com o bichano mais estranho do cinema (confesso que tinha medo dele quando criança). Com seu sorriso lunar, seus poderes "mágicos" e seu humor peculiar, Mestre Gato é capaz de aprontar muita coisa só para se divertir. A cena de apresentação do gato com certeza é um show a parte (e o que dizer do mantra impronunciável que ele entoa?). Divirta-se com o encontro e o diálogo entre os dois personagens!

Clique aqui e assista à cena

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Alice no País das Maravilhas (1951) e a Cena do Dia: Festa de Desaniversário

Nesta semana o Clube do Filme homenageia Alice no País das Maravilhas, a animação de 1951. A segunda cena da semana é, sem dúvida, uma das mais divertidas do longa. Que criança não gostaria de ter uma festa de (des)aniversário todo dia? Por que comemorar somente a data de nascimento, sendo que existem mais 364 dias no ano? Lewis Carroll brinca com tudo isso e institui a Festa de Desaniversário. A Cena do Dia mostra Alice chegando no meio de uma dessas comemorações, encontrando o Chapeleiro Maluco (com a sua charmosa língua presa), a Lebre de Março e o Dormidongo (ligeiramente esquizofrênico), todos viciados em chá. Detalhe: a canção de desaniversário gruda mais na cabeça que o próprio "Parabéns pra você". Alice, mais uma vez, se vê numa situação completamente insana e, pelo comportamento dos três anfitriões, só nos resta perguntar: "O que tem nesse chá?".


Clique aqui e assista à cena


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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Alice no País das Maravilhas (1951) - A Foca e o Carpinteiro

O Clube do Filme homenageia, essa semana, a animação sexagenária Alice no Pais das Maravilhas. A versão de 1951 de Walt Disney para o clássico de Lewis Carroll tem um lugar especial em minha memória afetiva. A animação consegue captar magistralmente a essência da obra do grande escritor inglês, com uma criatividade impressionante, brincando com os desenhos, assim como Carroll brincava com as palavras. O filme, que é a combinação dos livros "Alice no País das Maravilhas" e "Alice no País do espelho", demorou mais de dez anos para ser concluído e, apesar de não ter sido um sucesso de bilheteria, foi visto, quase instantaneamente, como um filme cult. Divertido, inventivo, recheado de ótimas canções, deliciosamente insano e por, vezes assustador, o filme permanece sendo a melhor referência cinematográfica para a obra de Carroll (que me perdoe Tim Burton). Vale ainda destacar a belíssima dublagem em português!

A Cena do Dia corresponde à fábula da Foca e do Carpinteiro (ou a História das Ostras Furiosas). A história é contada, ou melhor, cantada, por dois gêmeos bizarros que atravessam o caminho de Alice. Eles se chamam Tweedledum e Tweedledee (ambos retirados de Alice no Pais do Espelho). Impressionantemente triste e impiedosa, a fábula veicula uma visão realista e crítica do mundo. 

Clique aqui e assista à cena


Tweedledum e Tweedledee (ou vice-versa)
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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Cena do Dia - E o vento levou... (1939)

Para comemorar o dia do meu aniversário, escolhi um dos meus filmes favoritos. Trata-se  do clássico produzido pelo genial David O. Selznick e baseado no best-seller de Margareth Mitchell: E o vento levou. O longa de quase quatro horas de duração, já apareceu nessa seção. A cena de hoje é uma das mais eloquentes do épico e marca o fim da primeira parte do filme. Nela, a (anti)heroína Scarlett O'Hara (vivida pela fenomenal Vivien Leigh) jura que nunca mais passará fome, nem que para isso tenha que cometer os mais abomináveis crimes. E não é que a moça comete todos que cita? Ela rouba, mente, trai e até mata. A sequência é engrandecida pela fotografia magistral de Ernest Haller, pelo design de produção de William Cameron Menzies (um dos grandes "autores" do filme) e pela trilha sonora densa e inesquecível de Max Steiner. Relembre esta cena e aprecie um dos momentos mais mágicos do cinema. 


I'LL NEVER BE HUNGRY AGAIN!!!










 

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Cena do Dia - Elvira, a Rainha das Trevas (1988)

Elvira, a Rainha das Trevas (1988) é um clássico trash. O filme conta a história de uma bruxa sedutora que se muda para uma cidadezinha super conservadora da Nova Inglaterra, onde escandaliza os moradores locais com seus hábitos extravagantes e provoca muitas confusões. A Cena do Dia é antológica e dispensa comentários. Basta dizer que Cassandra Peterson mostra provavelmente seu maior dote artístico e fecha o longa com chave-de-ouro.

Clique aqui e assista à cena. (Para quem não sabe exatamente o que é ser trash, eis a melhor definição)


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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Cena do Dia - Adeus, amor (1963)

Adeus, Amor (Bye Bye Birdie) foi um dos musicais mais famosos e adorados dos anos 60. Estrelado por Ann-Margret e baseado no show homônimo da Broadway, o filme conta a história de Conrad Birdie, uma estrela do rock que, após ser recrutado pelo exército, planeja uma despedida do show business em alto estilo. Um concurso é realizado para que uma garota possa dar um beijo de adeus no super star, em rede nacional. A ganhadora é a jovem Kim McAfee (Ann-Margret) que já tinha um namorado. O filme é um delicioso show, com ótimos números musicais e é, de certa forma, a celebração da adolescência. A Cena do Dia é clássica: Kim fala para a amiga Úrsula que seu namoradinho deu um broche para ela (tradição da época que significa que os dois começaram um relacionamento sério). Úrsula espalha a notícia e logo vemos, através de várias divisões da tela, a notícia se espalhar vertiginosamente. 



quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Cena do Dia - A pequena sereia (1989)

A pequena sereia é um clássico da Disney baseado no conto homônimo de Hans Christian Andersen. O filme conta com a linda trilha sonora de Alan Menken e com canções inesquecíveis, como "Under the Sea" e "Kiss the girl". A Cena do Dia é a importante e dramática sequência em que a sereia Ariel faz o pacto com Úrsula, a bruxa-polvo, para se tornar humana e assim poder conquistar o Príncipe. Como pagamento, Ariel deve dar sua voz à malvada. A cena é um show de Úrsula, uma das vilãs mais divertidas da Disney. A voluptuosa e sedutora bruxa foi dublada em português pela atriz e cantora Zezé Motta, cuja bela voz grave se encaixa como uma luva à personagem. Momento-chave do filme, a cena ainda mostra a metamorfose de Ariel, seguida pela sua linda emersão, extremamente sensual.  



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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Cena do Dia - Quem tem medo de Virgínia Woolf? (1966)

Quem tem medo de Virgínia Woolf? é uma poderosa obra-prima baseada na peça teatral de Edward Albee e transposta para cinema pelo então estreante, Mike Nichols. O filme concorreu a 13 Oscar's, tendo levado cinco: Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia e Melhor Figurino. O filme é um verdadeiro estudo de como uma relação amorosa pode se transformar em um pesadelo devido ao acúmulo de mágoas, frustrações, humilhações e raiva. Os diálogos cortantes, a verborragia, as poderosas performances e a maravilhosa fotografia são marcas absolutas deste clássico. A Cena do Dia é uma das mais famosas do longa e mostra o momento em que George (Richard Burton) prepara uma surpresa para sua esposa Martha (Elizabeth Taylor). A cena é assustadora. A voz off de Taylor, a sinistra trilha sonora, os closes, o rápido zoom no rosto de Sandy Dennis e o grito da atriz fazem desta cena um momento inesquecível do cinema.


Assista à cena



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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Cena do Dia - A bela adormecida (1959)

O final de A bela adormecida é um dos momentos mais românticos e mágicos do cinema. A história todo mundo conhece. A bruxa Malévola lança um fetiço sobre uma bela princesa: Quando Aurora completar 16 anos, ela espetará o dedo no fuso de uma roca e cairá em um sono eterno. Somente um beijo de amor poderá despertá-la. O filme da Disney termina com a dança da princesa Aurora e do príncipe Philip. As fadas protetoras de Aurora (Fauna, Flora e Primavera), não entrando em acordo em relação à cor do vestido da princesa, fazem com que o vestido mude de cor durante a valsa. Ao final temos a transição do salão para às nuvens e das nuvens para o livro. O belo final deste conto de fadas é a nossa Cena do Dia.

Assista à cena


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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Cena do Dia - Herói (2002)

Herói de Yimou Zhang conta a história de um homem que afirma ter matado os três assassinos mais perigosos da China Antiga (pré-unificação). O longa chinês, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, é dotado de uma plasticidade maravilhosa. O espetacular uso das cores e a belíssima coreografia das lutas podem ser verificadas na Cena do Dia, que mostra o confronto entre Neve que Voa (Maggie Cheung) e Lua (Ziyi Zhang) por entre as folhas de outono. Delicie-se com a beleza da fotografia, o lirismo e a dramaticidade da cena:


  


sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Cena do dia - Elizabeth: A Era de Ouro (2007)

Elizabeth: A Era de Ouro não chega aos pés do seu antecessor Elizabeth (1998), mas tem uma cena que merece ser lembrada. No filme de 2007, a Rainha Elizabeth tem que lidar com múltiplas crises, um complô de assassinato, o exército espanhol e ainda problemas amorosos. A Cena do Dia mostra o momento em que um representante da coroa espanhola, Don Guerau De Spes, insulta e desafia Elizabeth. Mas ela não deixa barato, respondendo energicamente com as melhores falas do filme. Essa cena valeu a indicação ao Oscar para a grande Cate Blanchett.

Leia:

Go back to your rathole! Tell Philip I fear neither him, nor his priests, nor his armies. Tell him if he wants to shake his little fist at us, we're ready to give him such a bite he'll wish he'd kept his hands in his pockets!

Volte ao seu buraco de rato! Diga a Philip que eu não temo nem ele, nem seus padres, nem seus exércitos. Diga a ele que se ele quiser balançar o seu pulsinho contra nós, estamos prontos para dar uma mordida tão grande que ele vai desejar ter mantido as mãos no bolso!

I, too, can command the wind, sir! I have a hurricane in me that will strip Spain bare when you dare to try me!

Eu também posso comandar o vento, sir! Eu tenho um furacão em mim que vai destruir a Espanha quando vocês ousarem me testar!

Assista à cena:






quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Cena do Dia - Uma rua chamada pecado (1951)

Uma rua chamada pecado é um grande clássico do cinema, dirigido por Elia Kazan e estrelado pelo jovem Marlon Brando e a maravilhosa Vivien Leigh. O filme é uma adaptação da peça premiada de Tennessee Williams, “Um bonde chamado desejo”. O filme aparecerá muitas vezes na Cena do Dia, já que é um dos meus favoritos. A cena escolhida de hoje é aquela em que os protagonistas Blanche e Stanley se conhecem. Observe que Blanche o espia entrando na casa, como um animal amedrontado e, logo após, o choque dos dois quando finalmente seus olhares se cruzam. Este primeiro encontro é carregado de um clima sensual e podemos suspeitar que, desde o primeiro encontro, exista algum tipo de atração entre os dois. O sex appeal de Brando, seus modos rudes e a naturalidade de sua atuação são inesquecíveis.

Assista à cena:




terça-feira, 6 de setembro de 2011

Cena do Dia - Um estranho no ninho (1975)

A obra-prima de Milos Forman, Um estranho no ninho, conta a história de R.P. McMurphy (Jack Nicholson), um malandro que se faz de louco para escapar do trabalho na prisão, mas que acaba passando por maus bocados em um hospital psiquiátrico. No manicômio, o protagonista se rebela contra o tratamento recebido por ele e pelos outros internos, sobretudo, contra a déspota enfermeira Ratched (Louise Fletcher). O filme ganhou 5 Oscar’s: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Atriz e Melhor Roteiro. A Cena do Dia mostra o momento em que McMurphy começa a simular estar assistindo um jogo na televisão, atraindo a atenção dos outros internos que acabam compartilhando desta ilusão. Eles haviam sido proibidos de assistir a final da World Series e o uso da imaginação foi a maneira que McMurphy encontrou para driblar o autoritarismo da enfermeira Ratched.

Assista à cena (até 1min 27): 


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Cena do Dia - Kill Bill vol. 2

Kill Bill vol. 1 já foi citado algumas vezes na Cena do Dia. Já era a hora de Kill Bill vol. 2 aparecer por aqui. Nesta continuação, a Noiva vai atrás dos três últimos inimigos que ela pretende matar: Budd, Elle e Bill. A Cena do Dia mostra o aguardado confronto entre a Noiva (Uma Thurman) e Elle (Daryl Hannah). O embate das musas é super violento, com direito a vôos, golpes marciais, tentativa de afogamento no vaso, olho arrancado e uma quebradeira total do trailer. E as duas atrizes se superam, ambas com performances fenomenais! Tarantino não alivia em nada e faz uma das sequências de luta mais longas e violentas do cinema. Destaque para a ótima frase de efeito pronunciada pela Noiva: “Bitch, you don’t have a future!”

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Cena do Dia - Elizabeth (1998)


Elizabeth, drama biográfico que mostra os primeiros anos de reinado da Rainha Elizabeth I, foi dirigido por Shekhar Kapur e lançou ao estrelato a atriz australiana Cate Blanchett. O longa concorreu a 7 Oscar’s e Cate Blanchett perdeu injustamente sua estatueta para Gwyneth Paltrow (por Shakespeare Apaixonado)Cena do Dia mostra a dança entre a rainha e seu amante e, logo após, o momento em que Elizabeth (Cate Blanchett) deixa claro a Robert (Joseph Fiennes) que ela não será submissa a ele. Nessa cena, podemos ver os sentimentos conflitantes da personagem que ama e sente ciúmes de Robert, mas que não pode permitir que nenhum homem pense que a possui. A cena termina com chave-de-ouro quando a rainha afirma para quem quiser ouvir: “Eu terei um amante aqui, mas nenhum mestre!”

Assista à cena: